2.4 Krizin nedenleri
2.4.1 Đşletme dışı faktörler
2.4.1.1 Ekonomik faktörler
Em 1549 chega ao Brasil, mais precisamente na Bahia o governador geral Tomé de Sousa acompanhado do padre Manuel da Nobrega, lá o padre enfrenta inúmeros problemas, existia uma relação conflituosa com os pajés locais que apregoavam a disseminação de doenças e mortes entre os índios trazida pelos missionários portugueses, para os pajés as doenças eram causadas não somente pelo contado dos indígenas com os lusitanos, mas também pela adesão ao cristianismo e o batismo indígena. A missão católica enfrenta duras resistência e evasão massiva na missão indígena.
Além disso Nobrega também enfrentou e condenou práticas de antropofagismo, poligamia, venda de índios como escravos, os problemas não eram somente dos conflitos com os indígenas, mas das relações com os capitas-gerais, que exerciam poder na ausência dos donatários, muitos deles, inclusive, nunca visitaram nenhuma de suas terras no Brasil, para o padre era dever do donatários cuidar de seu quinhão de terra pessoalmente.
Nobrega relata ao rei D. João III sua insatisfação com seus patrícios, para ele as casas estavam cheias de “pecados mortais”, cheias de adultérios, fornicações, incestos, enganos, ódio, roubos e outros pecados. Com a crescente insatisfação do padre Nobrega e prevendo um conflito mais sério por parte dos residentes na Bahia, Tomé de Sousa, governador geral, convida o padre para uma inspeção às capitanias ao sul da colônia, e o padre aceita a missão de bom grado.
Ao chegar Tomé de Sousa e o padre Nobrega decidem subir a serra, ali encontra um povoado, espaço já anteriormente organizado pelo padre nunes, dessa forma o governador decide elevar Santo André da Borda do Campo a vila. E nomeou João Ramalho alcaide-mor e capitão-mor do campo mesmo com as relações tensas entre Ramalho e os jesuítas.
Foram muitas vezes tensas as relações entre João Ramalho e os padres. As divergências começavam pelo modo de vida do patriarca, dado a ter muitas mulheres e andar livre e solto como um índio, e terminavam pelas atividades, digamos assim, profissionais, de Ramalho, que não eram outras senão o apresamento de índio e sua exploração ou venda, como cativos. (TOLEDO, 2012:81)
A intencionalidade da nomeação de João Ramalho a um posto militar de alta importância é cooptar a ajuda do patriarca para a proteção dessas terras, afinal ou Tomé de Sousa contaria com a ajuda de Ramalho, ou não contaria com ninguém mais. Dessa
forma Ramalho passou a ser responsável pela segurança do local e pelo cumprimento das ordens emitidos peça coroa.
Mesmo com a pouca simpatia do padres jesuítas João Ramalho ajuda o padre Nobrega a subir e fixar-se no planalto, há ponto de transferir o colégio da vila São Vicente, fundado pelo padre Nunes; Nobrega enxergava com maus olhos a “população branca” do local, para ele só era possível fazer o evangelho longe da degradação moral de seus patrícios, os “brancos” eram má influência e por isso tomou a decisão de transferir o colégio para outro espaço, longe das figuras danosas, a fim de construir uma comunidade “verdadeiramente cristã”.
Em outubro, escrevia ao rei D. João III que num determinado local do Planalto, situado a dez léguas pouco mais ou menos do mar, e dias de uma povoação de João Ramalho – Santo André, da qual o patriarca era alcaide – ia ajuntando-se todos os que Nosso Senhor que trazer à sua Igreja [...] Dessa maneira, segundo Nobrega, numa frase famosa “uma fermosa povoação”. Era o embrião daquela que viria a ser São Paulo. (Ibidem:93)
Outro personagem importante dessa história é José de Anchieta, ele chega na vila de São Vicente na véspera de natal de 1553, encontra-se com Nobrega que estava no afã de sua nova empreitada no planalto, com ajuda dos índios os padres jesuítas constroem, uma casa rustica com paredes de barro, pau e telhado de palha, existia somente um cômodo, multiuso, que abrigará a escola, cozinha, enfermaria, dormitório, refeitório e despensa, existiam cerca de 13 jesuítas habitando o local.
Em 25 de Janeiro de 1554 é celebrado a missa de inauguração da missão jesuíta no planalto, bem como assinalava o começo das atividades do colégio, a dedicação à São Paulo foi feita no dia 25 de Janeiro, considerado o dia de sua conversão. Posteriormente esse momento ficou marcado na história como o nascimento da cidade São Paulo.
Na verdade, o momento é mais solene para a posteridade do que para quem o viveu de corpo presente. Que aconteceu, naquele dia? Uma missa, numa casa paupérrima, plantada no meio de uma aldeia de índios. Quase nada, nem foi a primeira missa no Planalto. O padre Leonardo Nunes, desde quatro anos antes, vinha visitando a região. Nobrega desde o ano anterior. Como é praxe, entre os padres, os dois não deixavam de celebrar missas, estivessem onde estivessem. Era inauguração de um colégio, mas outros colégios já haviam sido inaugurados no Brasil. A rigor nem novo este era, mas continuação de um de ali perto, em São Vicente. (Ibidem:100)
A criação do colégio no centro da vila indígena foi chamada de Piratininga e estava em franco crescimento, contando com a benção e a proteção de Tibiriçá, cacique influente e poderoso da região, sogro de João Ramalho. Mesmo assim em apenas dois anos Piratininga sofreu com guerras, invasões e esvaziamento dos indígenas que se mudaram para o local. Influenciado por outros caciques da região que diziam que os índios batizados serviriam como escravos e os que não fossem seriam mortos, a maioria dos índios não permaneceu na região.
Em 1560 chega a São Vicente o terceiro governador-geral do Brasil, Mem de Sá, para uma inspeção na região, Mem de Sá atendendo aos pedidos feitos muda a vila de Santo André para outro local, uma colina conhecida como Anhangabaú, para lá foram removidas as casas, a câmara e o pelourinho, símbolo de autonomia da vila, o nome Santo André deixaria de existir para agregar-se a São Paulo de Piratininga.
Aos poucos a influência dos jesuítas no local é menor, com a transferência da vila de Santo André, São Paulo de Piratininga deixa se der povoação e eleva-se a vila, é agora um centro português, o destaque na defesa na vila não está mais em Tibiriçá, que não a defende mais de dentro, mas de fora com índios arregimentados de outras vilas. Cabe a João Ramalho a defesa da vila, o domínio da vila é agora de Ramalho e não mais de Nobrega ou Anchieta.
O colégio jesuíta é desmontado e transferido novamente para São Vicente, voltará somente no final do ano com outra função, de escola indígena para escola dos filhos dos portugueses. Os padres que permaneceram na vila também alteraram sua função, passam, agora a ser párocos, vigários etc. não exercendo mais a função de catequizadores indígenas.
Embora João Ramalho acumulasse cargos entorno de si, ele nunca teve a intenção de morar, nem em Santo André da Borda do Campo, nem em São Paulo de Piratininga, permanecendo em sua sesmaria, doação de Martin Afonso pelos serviços a ele prestado. Mesmo de posse da sesmaria, a terra dada não tinha o objetivo de cultivo, mas de povoamento, dessa forma os limites delas não eram especificamente escritos, geralmente obtinha-se apenas uma simples cópia em pequena escala do foral.
As maiores extensões de terras de João Ramalho estão, hoje, localizadas em grande parte da Zona Leste de São Paulo, bairros como Vila Prudente, Vila Zelina, Vila Ema, Parque da Mooca, Vila Alpina, Sapopemba, são todas terras onde Ramalho, suas mulheres, e sua prole residiam.
Contudo, as terras ainda eram para povoamento sem intenção de cultivo o que, após a morte de João Ramalho em 1580, causa a seus descendentes alguns contratempos. Além do não reconhecimento da grande extensão de terra deixada por Ramalho e a falta de cultivo da mesma, a doação de uma sesmaria a aldeia de São Miguel de Ururaí que invadia uma parte da sesmaria de João Ramalho causa grande conflito entre eles. (DELI, 2005:35)
Uma parte da sesmaria de Ramalho é dividida. Ela é cedida para o padre Matheus Nunes de Siqueira em 1650, com o objetivo de cultivo da terra, manutenção e ampliação da capela da Nossa senhora da Penha de França, construída em cima de uma lenda local, o que mais tarde originaria o bairro Penha.
A sesmaria de João Ramalho tinha como finalidade a povoação e portanto não representavam uma coisa individual [...] tanto que Mathias Oliveira que era neto de João Ramalho, em Janeiro de 1609 pediu ao tenente Gaspar Coqueiro, que lhe concedesse as terras que tinha cercado com os valos, dados por seu avô João Ramalho e mais ainda um capão com mais 200 braças de campo ao redor para fazer um quintal. A petição foi deferida e ele recebeu o que pediu nas mesmas condições de sesmaria comum. (FILHO, 1990:18)
Mesmo que a sesmaria de João Ramalho não fosse um título de domínio privado, no qual seus descendentes tivessem total usufruto, ou mesmo que posteriormente uma grande parte de suas terras fossem fragmentadas para cultivo, ainda assim, os descendentes de Ramalho continuaram de posse dos terrenos aludidos e passaram a constituir a sesmaria que foi doada em 1601 a eles por Roque Barreto, então tenente do capitão Governador Lope de Souza à Francisco Ramalho e Antônio Macedo Neto, respectivamente filho e neto de João Ramalho.
Com o tempo a sesmaria fragmenta-se e sofre gradativos processos de grilagem, dessa forma, a propriedades das terras passam por inúmeros donos ao longo dos anos, como mostra a tabela abaixo, essa situação ira permanecer até 1829 com a aquisição de uma grande quantidade terra por João Pedroso12.
Tabela 6:Vila Prudente – Capão da Invernada, Capão, Embiriva, Embahú
Proprietários Ano de aquisição
Capitão Jose Gonçalves Coelho 1750 Capitão Joaquim Gonçalves de Oliveira 1810 Ten. Cel. Jose Maria de Mello 1830
12
Em 1829 João Pedroso adquiri uma boa quantidade de terra, que posteriormente se tornaria a região da Vila Prudente, abordaremos melhor esse assunto no 2° capitulo desta dissertação.
Felício Antônio Mariano Fagundes 1837
João Pedroso 1848
Martinha Maria Pedroso 1874
Maria do Carmo Cyparisa Rodrigues 1880
Irmãos Falchi 1890
Dados: Revistas Históricas – Vila Prudente sua História.
Tabela 7:Vila Prudente (Tapera ou Mato das Simbarivas) – atual favela V Prudente e parque da Mooca.
Proprietários Ano de aquisição
Capitão José Rodrigues da Silva 1801 Felício Mariano Fagundes 1846 Francisco Antônio Mariano Fagundes 1856
Martinha Maria Pedroso 1874
Benedicto Antonio 1878
Antonio Dafré 1893
Dados: Revistas Históricas – Vila Prudente sua História.
Tabela 8:Vila Zelina – Baixos do Zimbaúba
Proprietários Ano de aquisição
Tem. Col. Francisco de Salles 1804 Ephigenia Maria do Glycerio 1823
João Pedroso 1836
Martinha Maria Pedroso 1858
Benedita Maria da Silva 1870
José Antônio Borba 1889
Dados: Revistas Históricas – Vila Prudente sua História.
O caminho indígena pré-cabraliana, onde hoje é conhecido como Tatuapé e Penha, exercia um papel importante ligando a Vila de São Paulo à sede do aldeamento de São Miguel, essas rotas com pousadas ao longo do caminho, primeiro para quem ia em direção a Mogi das Cruzes, aos aldeamentos e ao Vale do Paraíba, depois às Minas Gerais dos Guataguazes, facilitavam o comercio entre elas. (DELI, 2005:89)
Com o passar dos anos e a implantação da rota São Paulo – Rio de Janeiro, o caminho do Ururaí, embora continua-se a ser utilizado, aos poucos perde importância devido ao paralelismo com a nova rota. O caminho que passa pelo outeiro da Penha começa a destacar-se como local de pouso para os viajantes, concomitantemente a Penha enfrenta intensa peregrinação religiosa ao pequeno templo local, que colabora para a formação e consolidação de um núcleo ao redor da capela Nossa Senhora da Penha. O núcleo formado ganha tamanha importância que em 1796 é elevado à categoria de freguesia, acentuando ainda mais sua função religiosa. (Ibidem:91)
Podemos então perceber que a importância da zona leste de São Paulo, conhecida como bacia do Aricanduva estava calcada em três aspectos, a ligação entre São Paulo e o litoral (porto) que ficava em Santos, as rotas entre São Paulo e o Vale do Paraíba, as peregrinações religiosas para a freguesia da Penha. As vias de circulação que existiam na bacia do Aricanduva permitiram um aglomerado entorno dela gerando organizações e ocupações espaciais diversificadas.
Hoje a região é a mais populosa da capital chegando a 4 milhões de habitantes espalhadas em uma área de 326,8 km2, 40% da população paulistana reside em uma área que corresponde a 21% do território paulistano, segundo dados do Censo 2010 divulgado pelo IBGE.
Atualmente a prefeitura de São Paulo dividiu a Zona Leste entre um e dois, e ainda sudeste leste, elas são divididas em sudeste leste: Mooca, Aricanduva, Vila Prudente e Ipiranga; Zona Leste 1: Penha, Ermelino Matarazzo, Itaquera e São Mateus; Leste 2: Itaim Paulista, Guaianazes, São Miguel Paulista e Cidade Tiradentes.
A Zona Leste de São Paulo foi ocupada por uma constelação de núcleos que se espalhavam ao longo do caminho que ligava São Paulo ao Rio de Janeiro. Dessa forma as autoconstruções e os loteamentos clandestinos na ZL sempre foram vistas como uma área de trabalhadores braçais, pessoas de baixa renda que exerciam sua força de trabalho nas indústrias paulistanas.
Acompanhando o crescimento populacional da Zona Leste, vê-se a necessidade de construção de uma via, assim cria-se a Radial Leste. Com as avenidas Celso Garcia e Rangel Pestana congestionadas a implantação da Radial Leste torna-se essencial, ao longo de seu trajeto ela recebe vários nomes, Avenida Alcântara Machado, Viaduto Pires do Rio, Rua Mello Freire, Avenida Conde de Frotin, Avenida Antonio Estevam de Carvalho, Avenida Doutor Luís Aires, Avenida José Pinheiro Borges. Todas elas formas a ligação do centro da cidade a região leste de São Paulo, realizada em parcelas, com seu projeto aprovado em 1945 pelo, então prefeito Prestes Maia, porém a obra de início aconteceu somente em agosto de 1957, com retomada e ampliação das obras em 1966 e 196713.
Já em 1970 a linha de metrô, é implementada na região, conhecida como linha vermelha, que vai das estações Corinthians-Itaquera até Palmeiras-Barra Funda.
13 SACONI, Rose. Como era São Paulo sem a Radial Leste. Estadão. Disponível em:
http://acervo.estadao.com.br/noticias/acervo,como-era-sao-paulo-sem-a-radial-leste,9129,0.htm. Acesso em: 14 de maio de 2014.
Essa estruturação em torno de um forte eixo na direção Leste- Oeste, que liga o centro à periferia próxima e distante, reflete a história da exclusão territorial que teve lugar a cidade de São Paulo e que encontra paralelos em todas as grandes cidades brasileiras. (ROLNIK & FRÚGOLL, 2001:45)
A exclusão na Zona Leste, como já discutido anteriormente, acontece não somente pela valorização imobiliária dos bairros paulistas empurrando as famílias de baixa renda para as bordas das cidades e espaços de segregação, mas também através das políticas públicas que priorizaram a concentração de investimentos no chamado centro expandido protegendo-o através de complexo regulatório urbanístico, resguardando o patrimônio imobiliário das camadas da população com rendas mais elevadas, em detrimento as áreas periféricas, onde priorizava-se investimentos em sistemas viários e de transporte, que basicamente, funcionavam para mover a população trabalhadora para o centro empregatício.
O crescimento periférico na Zona Leste de São Paulo, até meados de 1970 abarcou boa parcela da classe trabalhadora que via somente a possibilidade de aquisições de terrenos distantes e relativamente baratos, de modo geral, essas novas habitações eram desprovidas de infraestrutura básica, onde os próprios morados utilizavam-se da autoconstrução para, assim, garantir um lugar no chão paulista.
Segundo Bonduki sobre o mesmo período analisa:
Durante os anos 70 este quadro se altera, revelando um crescimento de opções não baseados na casa própria, ao mesmo tempo em que se acentuou o pauperismo em consequência do arrocho salarial. Crescem os núcleos de favelas, entre 1970 e 80 o número de favelados cresce 45% ao ano, índice quase dez vezes superior taxa de incremento populacional na região metropolitana de São Paulo. Neste período ocorre também uma elevação do número de moradores em cortiços e casas precárias de aluguel na periferia. (1987:36)
A política habitacional adotada também não consegue atender as necessidades da demanda cada vez maior da população, dessa forma começa a atuação da COHAB – SP (Companhia Metropolitana de habitação de São Paulo) construindo grandes conjuntos habitacionais em áreas da zona leste.
As construções dos conjuntos habitacionais feitas pela COHAB-SP eram quase que exclusivamente atendidas na região leste e a procura excedia em muito a oferta, a
ponto de existirem 300.000 mil inscritos sem previsão para serem atendidos (BONDUKI, 1987:55)
O discurso das autoridades da COHAB-SP aponta a Zona Leste como área mais propicia de São Paulo, à construção de grandes conjuntos habitacionais. Além de enormes terrenos disponíveis como região pobre e pouco desenvolvida fez parte do escopo da administração Olavo Setúbal (1975 -1978) o desenvolvimento dessa região. Um componente de fixação desse desenvolvimento seria justamente a parte da implantação de soluções habitacionais. Essa administração municipal inicia francamente o caminho para a construção de grandes conjuntos habitacionais em São Paulo especialmente na Zona Leste (DAMIANI, 1993:31)
Recentemente a região da ZL de São Paulo, assim como toda a cidade, passa por um processo econômico diferenciado, com as novas dinâmicas, há uma verticalização dos bairros da ZL, com a supervalorização imobiliária subsidiada pelas políticas públicas governamentais e a facilidade de obtenção de credito, bairros como Tatuapé, Mooca, Belém, Braz, Penha, Vila Formosa, Vila Prudente e Anália Franco. Torna-se reduto residência de classes de renda média e alta. Por outro lado ainda há pouco impacto em áreas de mais segregação como Lajeado, Guaianazes, Itaim Paulista, Cidade Tiradentes, etc.
São Paulo passa por uma transição econômica, embora ainda existam muitas indústrias na cidade e com isso massivos investimentos por parte delas, é notável que a cidade paulistana sofreu com a desindustrialização, dessa forma, São Paulo passa de uma cidade basicamente industrial para a metrópole de serviços terceirizados, comércios e negócios financeiros.
De toda a forma, a nova economia que surge produz efeitos contraditórios sobre o espaço da cidade: por um lado, vai sendo esvaziada a fissura interna que caracteriza a cidade industrial, que traçava uma barreira fabril entre a periferia precária a Norte-oeste- Leste-Sudeste e a cidade rica e equipada a Sudeste. A medida que as indústrias saem da cidade, os bairros onde elas se localizam podem ser repovoados para usos residenciais, comerciais e de lazer. (Ibidem: 48)
Outro aspecto que merece destaque no cenário contemporâneo da Zona Leste é o efervescente cenário religioso abarcado nela, a avenida Celso Garcia é um exemplo concreto disso. Quem passa pela avenida consegue identificar inúmeras igrejas, seja das novas igrejas “neopentecostais”, ou mesmo igrejas mais tradicionais no bairro.
Pode-se dizer que a história da Avenida Celso Garcia começa ainda no tempo do Brasil colônia, com as romarias que seguiam para a capela da Penha, em 1667, nesse
tempo era conhecida como Estrada da Penha e Caminho do José do Brás.14 O nome Celso Garcia foi colocado em homenagem ao homem que dedicou-se a causa operaria, defendendo o direito do operariado no bairro.
O caminho que era conhecido pelas suas romarias, hoje, abriga inúmeras igrejas e mega-templos, como é o caso do Templo de Salomão, construído pela IURD. A Celso Garcia conta também com outros templos de credos diferentes, eles estão a menos de 400 metros um do outro, competindo pela atenção dos sequazes que utilizam a via. Com tantas igrejas e religiões a Avenida Celso Garcia, torna-se um exemplo da pluralidade religiosa encontrada em toda a extensão da ZL.
É nesse contexto que está nosso objeto de estudo, um bairro de convivência multi-classes onde se disputa espaço com condomínio de alto luxo, casas da classe média e favelas, onde reside a camada de maior vulnerabilidade social, nesse sentido a região traz um mosaico rico e interessante para o estudo sobre a influência da religião nas periferias urbanas, mostrando ao mesmo tempo as disputas entre as classes, as redes sociais e os associativismos abarcados nela.