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KIRIM-KONGO KANAMALI ATEŞİ (KKKA)

RESUMO

A abelha Melipona quinquefasciata,espécie que nidifica no solo, tem como principal meio de defesa a camuflagem, existindo poucas informações sobre seus inimigos naturais. Assim, esse trabalho objetivou avaliar a ação de predadores da espécie em condições de manejo e testar diferentes substâncias atrativas para controle de forídeos em suas colônias. As avaliações foram realizadas entre março de 2014 e fevereiro de 2015, na Chapada do Araripe (Barbalha- CE). As colônias estavam em dois tipos de colmeias (caixa de madeira e pote cerâmico). A amostragem de forídeos foi realizada mensalmente por meio de armadilhas internas com vinagre e externas com vinagre e vinagre+pólen. A avaliação e identificação de possíveis outros predadores foi realizada inicialmente por inspeções semanais e posteriormente mensais. Acrescentaram-se inspeções quinzenais em 10 colônias silvestres localizadas próximo ao meliponário 1, na Floresta Nacional do Araripe. Os resultados apontaram que o ataque de forídeos é constante ao longo do ano, enquanto houve dois ataques pontuais de

Lestremelitta rufa. Durante a pesquisa, não foi observada a presença de outros inimigos nas colônias manejadas e nas colônias silvestres não foi observado qualquer ataque de inimigos. O número médio de forídeos capturados em armadilhas externas não diferiu (p > 0,05) entre as caixas de madeira (23,31±3,81) e potes cerâmicos (12,40±1,03). O número médio de forídeos capturados internamente também não diferiu (p > 0,05) entre as colônias manejadas em caixa de madeira (24,81±4,18) e potes cerâmicos (18,96±3,59). As armadilhas externas com pólen + vinagre nas caixas de madeira (48,48±8,37) e potes cerâmicos (35,52±6,75) coletaram duas vezes mais forídeos (p<0,05) do que as armadilhas externas apenas com vinagre, tanto nas caixas de madeira (23,31±3,81) quanto nos potes cerâmicos (12,40±1,03), sendo também mais eficientes que as armadilhas internas que coletaram em média de 24,81±4,18 nas caixas de madeira e 18,96±3,59 nos potes cerâmicos. Concluiu-se que, os predadores mais importantes de Melipona quinquefasciata, na área de estudo, foram as moscas (Diptera Phorida) e a abelha Lestrimelitta rufa. A armadilha de forídeos contendo vinagre + pólen foi o meio mais eficiente de controle desse inimigo. O principal método de defesa de M. quinquefasciata é a camuflagem e a nidificação no subsolo, todavia, quando sob condições de manejo, esse método de defesa é prejudicado, sendo importante o monitoramento contínuo das colônias para controle dos inimigos.

ABSTRACT

The Melipona quinquefasciata bee, species that nests in the ground, has the camouflage as its main means of defense but there is not enough information about their natural enemies. Thus, this study aimed at evaluating the action of this species predators in management conditions and testing different attractive substances for phorids control in its colonies. The evaluations were conducted from March 2014 until February 2015, in the Araripe Plateau (Barbalha-CE). The colonies were in two types of hives (wooden box and ceramic pot). The phorid sampling was conducted monthly through internal traps with vinegar and external traps with vinegar and vinegar+pollen. The assessment and identification of possible other predators was initially performed on weekly inspections and posteriorly on monthly inspections. We added inspections conducted in 10 wild colonies located near the meliponary 1 at Floresta Nacional do Araripe. The results showed that the phorid attack is constant throughout the year and there were two specific attacks by Lestremelitta rufa. During the research, it was not observed the presence of other enemies in the managed colonies while in the wild colonies there was no attack of enemies. The average number of phorid captured in external traps did not differ (p> 0.05) between the wooden boxes (23.31 ± 3.81) and the ceramic pots (12.40 ± 1.03). The average number of phorid captured internally also did not differ (p> 0.05) between the colonies managed in the wooden box (24.81 ± 4.18) and the ones managed in the ceramic pots (18.96 ± 3.59). The external pollen traps with pollen+vinegar in the wooden boxes (48.48 ± 8.37) and in the ceramic pots (35.52 ± 6.75) collected twice as many phorids (p <0.05) as in the external traps with vinegar only, both in the wooden boxes (23.31 ± 3.81) and in the ceramic pots (12.40 ± 1.03). They were also more efficient than the internal traps which collected an average of 24.81 ± 4 18 in the wood boxes and 18.96 ± 3.59 in the ceramic pots. It was concluded that the most important predators of Melipona quinquefasciata in the area of study were the flies (Diptera Phorida) and Lestrimelitta rufa bee. The trap for phorid which contained vinegar+pollen was the most efficient way to control this enemy. The main M. quinquefasciata defense method is camouflage and nesting underground. However, when under management conditions, this method of defense is impaired, so it is important the continuous monitoring of the colonies to control the enemy.

INTRODUÇÃO

A domesticação das abelhas sem ferrão na América Tropical é anterior à colonização europeia (CORTOPASSI-LAURINO et al., 2006). No Brasil, a criação dessas abelhas foi denominada meliponicultura (NOGUEIRA-NETO, 1997) e tem singular importância para produção de mel, especialmente no Norte e Nordeste, onde é um complemento econômico a outras atividades (CONTRERA et al., 2011; JAFFÉ et al., 2015).

A abelha Melipona quinquefasciata, conhecida por uruçu-do-chão ou mandaçaia do chão, é explorada há vários anos por comunidades tradicionais no Nordeste brasileiro sendo considerada rara em algumas comunidades rurais do Ceará (LIMA-VERDE e FREITAS, 2002; RIBEIRO, 2008). Contudo, embora possa ser usada como importante produtora de mel (KERR et al., 2001; ALVES et al., 2006; RIBEIRO, 2008) são poucas as informações sobre o manejo dessa espécie, principalmente a respeito de suas pragas e predadores.

Entre os principais inimigos naturais da meliponicultura nessa região, destacam-se as abelhas parasitas do gênero Lestrimelitta sp. e as moscas da família Phoridae (ROUBIK, 1989; NOGUEIRA-NETO, 1997). A pilhagem praticada por espécies de Lestrimelitta sp. é violenta, causando grandes perdas de recursos ou eliminação total das colônias. As moscas conhecidas popularmente por forídeos, são também muito perigosas, invadem as colmeias e realizam sua postura dentro dos ninhos. Após a eclosão dos ovos, as larvas consomem o pólen ou mesmo as crias das hospedeiras, o que em ataques severos pode eliminar a colônia (NOGUEIRA-NETO, 1997; ROBROEK et al, 2003).

Apesar da importância da Lestrimelitta sp. como inimigo natural para meliponicultura, as informações sobre quais espécies de abelhas sem ferrão são mais susceptíveis ao seu ataque, são poucas. Além disso, as avaliações científicas efetivas do controle dos forídeos em meliponários, também são escassas (PERUQUETTI et al., 2012; OLIVEIRA et al., 2013).

Portanto, esse trabalho objetivou avaliar a ação de inimigos naturais de M. quinquefasciata, em condições de manejo e testar diferentes substâncias atrativas para controle de forídeos nas colônias da espécie.