C. ULUSLARARASI CEZA MAHKEMESİ
3. Kişi Bakımından Yargı Yetkisi
Além do apelo visual das imagens em resina, seis cômodos são dedicados à exposição de todo tipo de ex-votos131, ali são contadas histórias que balizam seus conhecimentos e convicções moral-religiosas. Entre pedidos e agradecimentos, muitos romeiros desenvolvem com o Padre Cícero uma relação de intimidade e, para estes, Juazeiro se torna um “translocal”, um portal onde é possível relativizar tempo e espaço. Juazeiro é então: “oásis do sertão”, “refúgio dos pecadores”, “terra da Mãe de Deus”, e “Terra Santa” ou simplesmente “terra do Padre Cícero”.
Pelo que a gente sabe, que todos nós somos pecadores... Aqui é um lugar de redenção. Quando a gente chega aqui... Suspende tudo. Sei lá
131 O ex-voto pode ser uma imagem, fotografia, ou escultura de órgão do corpo humano, talhada em
cera, madeira etc., que se expõe em locais sagrados - geralmente igrejas - em comemoração de voto ou promessa cumpridos. São usados para atestar milagre ou graça concedida. No Museu Vivo destacam-se os ex-votos esculpidos em madeira de todos os formatos de órgãos, centenas de fotografias e vestidos e acessórios de noiva.
é como se abrisse o céu pra mim. É muito importante estar aqui. Gosto muito, pra mim é isso: é tudo (SIMONE – 27, 2006).
É assim como outro mundo, sem fanatismo eu sei que é outro mundo. Não sei dizer bem como é, quem não sabe explicar diz “É o santo! É o céu!” Não é isso, quer dizer não é só isso... É como um remédio, é isso! Como um fortificante que a gente fica tão animado! É rindo todo tempo e se chora é de alegria [...] Tem muita coisa pra ver. Aqui nós enchemos os olho. Onde nós moramos não acontece nada, nós vivemos com os olhos secos de não ver nada (MEIRE, 23, 2006).
Olha, pra falar a verdade, eu gosto é de ficar olhando o movimento de gente. Não é que eu não vá, nem goste das igrejas, mas é que a romaria é mais umas férias, do mesmo jeito que a gente vai pra missa do vaqueiro, que vai pra Semana Santa em Nova Jerusalém132, que vai pro São João em Caruaru a gente vem pra terra do Padre Cícero (VALDIR, 36, 2007).
Contudo, é para a igreja Matriz de Nossa das Dores133 que convergem os fiéis nas grandes celebrações. Ali é conservada a imagem original de Nossa Senhora das Dores trazida por Padre Cícero e que testemunhou o controvertido milagre da hóstia. Mais dois altares secundários com imagens do Coração de Jesus e da Imaculada Conceição ladeiam o altar mor. Na lateral esquerda há entrada para capela interna onde foi construído o túmulo de Monsenhor Murilo134.
Edificada em 1827, a primeira capela do município tornou-se igreja após a reforma empreendida pelo Padre Cícero em 1872. O Santuário possui ainda uma área externa de 10 mil metros quadrados ladeada por arcos e com altar no extremo central localizado em oposição direta à entrada principal da Igreja. A área é utilizada para grandes celebrações em períodos de romarias e em eventos que chegam a ter assistência de mais de 40 padres.
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Município no interior do Pernambuco famoso por fazer a representação ao ar livre da Paixão de Cristo com o produção arrojada em cidade cenário e com participação de artistas de renome nacional e astros de novelas televisivas.
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Atualmente Basílica Menor.
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Monsenhor Murilo ficou conhecido como o “vigário do Nordeste”. Foi pároco da igreja Matriz por 48 anos e faleceu em dezembro de 2005.
Foto 18: Vista dos fiéis a partir do altar-mor da Basílica de Nossa Senhora das Dores durante a celebração da despedida do Romeiro na romaria de Finados em 2006.
Festa e culto, as cerimônias são conduzidas com sobreposições de narração dos fatos históricos que envolvem o Padre Cícero ao roteiro formal da celebração. Para uma moradora da cidade, que assiste a missa e a devoção dos romeiros ali presentes durante a celebração de despedida na romaria de Nossa Senhora das Dores, pergunto sobre o que sente:
Acho bonito de ver aquele povo na Igreja. O padre anima, pede salva de palmas, vivas para Nossa Senhora, Padre Cícero e todos os santos. O povo levanta o chapéu, balança os braços... É bonito, é bonito. [...] Olho pro lado e vejo gente chorando. [...] Não me emociono não, minha filha. A igreja pra mim tá aqui todo dia... Eles se emocionam porque vêm de longe, não sabem se ainda voltam a Juazeiro. E tem o sacrifício, a gratidão [...] Esse povo é sofredor, o evangelho daqui torna eles mais feliz. (VALDELIRIA, 68, 2005).
O Santuário de São Francisco é a terceira mais visitada pelos romeiros. Localizado nas imediações da antiga estação de trens, a igreja possui arcadas que circundam um pátio interno e o maior destaque está para uma grande estátua de São Francisco, de origem italiana, no centro do pátio. As arcadas, em sua parte superior,
formam uma passarela denominada “Passeio das Almas”135, bastante apreciada pelo público romeiro. Internamente, a arquitetura de origem barroca é bastante rica, com vários altares laterais. Existe ainda um jardim nos fundos da igreja, com destaque para uma gruta com imagens de santos e ex-votos. Da gruta, decorada com uma imagem de Nossa Senhora, jorra uma fonte artificial, onde os romeiros fazem fila para encher garrafas e banhar-se atribuindo poderes curativos à água.
No fim do dia romaria e ao término da jornada comercial, grupos de romeiros se reúnem nas praças e calçadas dos bairros residenciais mais centrais. Conversam muito sobre compras, roteiros a percorrer, temas em voga na atualização do lugar e sobre o contexto social mais amplo que envolve os assuntos que correm no noticiário televisivo. Depois da última missa do dia, os grupos reunidos aumentam em número e diversidade. Moradores improvisam bares de calçada como na imagem abaixo, e ali os mais jovens namoram ao som de bandas de forró estilizados e freqüentemente se embriagam. Risadas fartas, chinelos fazendo barulho de arrastado e música alta são ouvidos até o avançar das horas. As noites divertidas e alegres de uns, são ruidosas e tumultuadas para outros, que querem repousar e se tornam mais longas que de costume para todos.
Foto 19: Exemplo de bar de calçada.
Contudo, é a Praça Padre Cícero o principal ponto de encontro noturno dos romeiros jovens. Naquela praça está situado um dos três Juazeiros que deram origem ao nome da cidade136. No tempo das romarias, a praça fica lotada o dia inteiro de visitantes que apreciam sentar-se em seus bancos, nas sombras das árvores para conversar e apreciar a movimentação de transeuntes. Nesse período, também, muitos feirantes montam suas barracas ou estendem suas lonas para exposição de produtos a serem comercializados, geralmente artigos religiosos, de alumínio, confecções e artigos decorativos como tapetes, jarros e bibelôs de louça, além de artigos de cozinha, balas e sorvetes. À noite o ambiente é predominantemente freqüentado por jovens, onde namoram, passeiam e se agrupam em rodas de conversa. Em seu entorno há uma estrutura de bares, lanchonetes, pizzarias, restaurantes e churrascarias que estendem mesas com cadeiras interditando uma das ruas laterais da praça. Alguns oferecem música ao vivo, mas o convencional são carros estacionarem com equipamento de som ligado.