2.1. Kaynaştırma Uygulaması
2.1.4. Kaynaştırma Tipleri
Justifica-se ainda uma referência, igualmente breve, à intermediação levada a cabo pelas agências de viagens e turismo na celebração de contratos de viagem organizada, de outros contratos turísticos ou afins, e na reserva de serviços.
O exercício da atividade das agências de viagens e turismo encontra-se regulado pelo DL 61/2011, de 6 de maio (alterado pelo DL 199/2012, de 24 de agosto). São agências de viagens e turismo as pessoas singulares ou coletivas cuja atividade consiste no exercício das seguintes atividades:
a) A organização e venda de viagens turísticas;
b) A representação de outras agências de viagens e turismo, nacionais ou estrangeiras, ou de operadores turísticos nacionais ou estrangeiros, bem como a
intermediação na venda dos respetivos produtos;
c) A reserva de serviços em empreendimentos turísticos;
d) A venda de bilhetes e reserva de lugares em qualquer meio de transporte; e) A receção, transferência e assistência a turistas.
A título acessório, podem as agências de viagens e turismo desenvolver outras atividades que o diploma também elenca, v.g., obtenção de documentação necessária à viagem, organização de eventos, reserva e venda de bilhetes para espetáculos,
intermediação no aluguer de veículos, comercialização de seguros de viagem, organização de visitas a locais de interesse turístico. Estas atividades não são relevantes para a qualificação da agência (cfr. os arts. 1.º, n.º 3, e 3.º, n.ºs 1 e 2).
Encontramos nestes dois grupos de atividades, nas exercidas a título principal e nas desenvolvidas a título acessório, várias em que a agência está numa posição de intermediária. Atendo-nos às atividades desenvolvidas a título principal, verificamos que, excluindo a da alínea a), que se reporta à comercialização de viagens organizadas pela própria agência, e a da alínea e), que engloba serviços materiais acessórios prestados aos turistas, nas restantes, a agência é uma intermediária entre o turista e as outras agências organizadoras de viagens, os empreendimentos turísticos, as transportadoras. Também nas atividades acessórias encontramos a agência como intermediária em contratos de venda e reserva de bilhetes para espetáculos e na celebração de contratos de aluguer de veículos.
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Podemos, pois, afirmar que uma considerável parte do negócio das agências é de intermediação na celebração de contratos entre os turistas e outras entidades. Entre esses contratos, os mais significativos (quer do ponto de vista financeiro, quer na perspetiva da caracterização da atividade) são os de intermediação na comercialização de viagens organizadas por uma agência terceira (operadora, na terminologia da versão portuguesa da Diretiva 90/314/CEE, do Conselho, de 13 de junho de 1990, relativa às viagens organizadas, termo que é muito utilizado no comércio nacional).
No que respeita a matéria contratual, o DL 61/2011 limita-se a algumas normas sobre os contratos de «organização e venda de viagens turísticas» (referência ao art. 3.º, n.º 1, al. a)), nos quais a entidade comercializadora é simultaneamente organizadora, e sobre os contratos de «intermediação na venda» de viagens organizadas por outras agências (referência ao art. 3.º, n.º 1, al. b)). Trata destes contratos no art. 20 e seguintes, como se de apenas uma espécie se tratasse, sob o mesmo nome – contratos de viagens organizadas – e ditando-lhes as mesmas regras. Que, sob a designação
contratos de viagens organizadas, acolhe os contratos em que a agência comercializa viagens por si organizadas, bem como aqueles em que intermedeia na comercialização de viagens organizadas por agência terceira, é claro logo na alínea a) do n.º 1 do artigo 20. Refere-se aí que os contratos de venda de viagens organizadas devem conter o nome, endereço e registo da agência vendedora e da agência organizadora da viagem.
Crítico deste estado de coisas é MIGUEL MIRANDA quando asserta que
«[e]fetivamente, não se pode afirmar que existe um contrato de venda de viagens organizadas. Este pretenso nomen iuris não corresponde a qualquer tipo contratual autónomo, nem legal nem extralegal. Sob esta denominação, o que, realmente, existe são dois contratos, um de organização de viagem, outro de intermediação de viagem organizada, perfeitamente individualizados, com sujeitos, objetos e direitos e obrigações das partes distintos, que não admitem um tratamento unitário»66. Crítica merece-lhe
66 MIGUEL MIRANDA, O contrato de viagem organizada, p. 47. O Autor escrevia na vigência DL
209/97, de 13 de agosto, que, após várias alterações, veio a ser revogado pelo DL 61/2011. Para o que ora nos interessa, o panorama não se alterou substancialmente. As atividades das agências de viagens e turismo mantiveram-se, no essencial. Resultava então claro, como agora, que uma atividade é a dita «organização e venda de viagens turísticas» (art. 2.º, n.º 1, al. a), do DL 209/97) – prestação do serviço de viagem organizada pela empresa organizadora –, outra atividade distinta é a «representação de outras agências de viagens e turismo, nacionais ou estrangeiras, ou de operadores turísticos estrangeiros, bem como a intermediação na venda dos respetivos produtos» (art. 2.º, n.º 1, al. d), do DL 209/97) – intermediação na prestação do serviço de viagem organizada por empresa terceira. Não obstante, os contratos alicerce destas duas atividades eram então, tal como no presente, disciplinados como se de uma espécie apenas se tratasse e com o mesmo nome – «contratos de venda de viagens organizadas» (art. 22
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também, e acertadamente, a utilização do termo venda para este contrato, pois «quer no contrato de viagem organizada, quer no de intermediação de viagem organizada, não se verifica qualquer transmissão de propriedade, não sendo o objeto do contrato uma coisa ou um bem, mas antes uma prestação de serviços, consistente, no primeiro caso, na organização da viagem e, no segundo, na procura de um contrato de viagem organizada»67. De fazer apenas um reparo: face à lei e à prática social, o contrato de intermediação de viagem organizada não se limita à procura de um tal contrato, mas também à própria celebração do mesmo, como representante da empresa organizadora. Trata-se de contrato de intermediação, e não de mera mediação.
A prática (e basta uma leitura das condições gerais emitidas pelas agências e disponibilizadas nas suas brochuras em papel ou na internet) indica-nos que, não havendo coincidência entre agência vendedora e agência organizadora da viagem, a primeira não é uma simples mediadora que ponha partes em contacto, mas uma intermediária que intervém no contrato por conta e em representação da segunda. Além disso, boa parte das normas do diploma impõe-lhe fortes responsabilidades pelo cumprimento do contrato, solidariamente com a agência organizadora (art. 29, n.º 3), sem prejuízo do direito de regresso perante esta última.
Tenho-me referido ao contrato que uma agência celebra com o turista a quem
vende uma viagem organizada por outra agência, como contrato em que claramente a agência dita vendedora intervém como representante da organizadora. De mencionar que nos contratos em que a agência comercializa viagens por si organizadas também foi entendido, em tempos, que a agência estaria neles como intermediária entre o turista e os vários fornecedores dos serviços (transporte, alojamento, e outros) integrantes da
do DL 209/97). A latere sempre se dirá que a situação base da crítica verificava-se também no regime antecedente, o primeiro a regular a atividade das agências de viagens e turismo no nosso país: o DL 198/93, de 27 de maio, que transpôs a Diretiva 90/314/CEE, do Conselho, de 13 de junho de 1990, sobre regras de proteção dos consumidores no domínio das viagens organizadas. No artigo 24, o diploma de 1993 regulava os contratos de venda de viagens organizadas, incluindo nesta designação quer a comercialização de viagens organizadas pela própria agência, quer a comercialização de viagens organizadas por agências terceiras. Podemos dizer, como justificação, que as preocupações que levaram às sucessivas revogações e alterações legislativas foram externas ao campo contratual. O diploma de 2011, por exemplo, foi motivado pela necessidade de simplificar o acesso e o exercício da atividade, harmonizando o sistema com os princípios e critérios que devem ser observados pelos regimes de acesso e de exercício de atividades de serviços na União Europeia estabelecidos pela Diretiva 2006/123/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 12 de dezembro de 2006, transposta para a ordem interna pelo DL 92/2010, de 26 de julho. A alteração de 2012 ancorou-se nas «atuais condições de escassez de financiamento à economia», e limitou-se praticamente a ditar novas regras relativas à constituição e financiamento do fundo de garantia de viagens e turismo. O quadro contratual manteve-se inalterado.
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viagem. Esta visão tem sido afastada e não se compagina com a responsabilidade que a lei atribui à agência pela não prestação ou pela defeituosa prestação daqueles serviços68.