1º ANNO 3º ANNO
Cozinha pratica e theorica Cozinha pratica e theorica
Português Português
Francês Francês ou Inglês
Arithmetica Historia Universal
Geografia Anatomia e Physiologia
Musica Jardinagem e Criação
Desenho Leitaria
Calligraphia Cultura Physica
Cultura Physica Musica
Costura theorica e pratica Desenho
Costura theorica e pratica
2º ANNO 4º ANNO
Cozinha pratica e theorica Cozinha pratica e theorica
Português Português Francês ou Inglês Francês ou Inglês
Arithmetica Jardinagem e Criação
Corographia Lavanderia Musica Hygiene Desenho Musica Historia do Brasil Desenho
Cultura Physica Cultura Physica
Costura theorica e pratica Costura theorica e pratica 5º ANNO
Continua...
QUADRO 7
DEMONSTRATIVO DAS MATÉRIAS DO CURSO DOMÉSTICO
Português Francês ou Inglês (facultativo)
Direito Usual
Educação social
Pedagogia Medicina pratica. Puericultura
Musica Desenho
Cultura Physica
Costura e confecções
FONTE: LIGA DE ENSINO DO RIO GRANDE DO NORTE. A Escola Doméstica de Natal. Natal: Typ. & pap. A. Leite, 1927a.
Com a denominada Revolução de 1930, tivemos, em matéria de educação, algumas modificações no ensino impostas pela legislação nacional. Uma delas foi a criação do primeiro Ministério Nacional da Educação e Cultura, em 1931, na administração de Francisco Campos, responsável também pela instituição de alguns decretos-leis que objetivavam alterar a estrutura do ensino primário e secundário no país. Esses decretos, instituídos entre os anos 1931-1932, trouxeram mudanças significativas para o campo educacional, alterando a duração, carga horária e estruturação dos cursos, enfatizando o caráter elitista e enciclopédico do ensino secundário, ao propor para esse nível de ensino um caráter terminal, impossibilitando as camadas mais carentes da população de continuar os estudos.
Essa nova realidade educacional que não preparava o aluno do ensino secundário para o curso superior também foi evidenciada no currículo da ED, já que a discente, ao concluir os estudos na instituição, recebia o diploma de educadora do lar, diploma esse que não lhe abria possibilidades de ingressar no ensino superior.Essa possibilidade só foi pensada e concretizada na década de 60 pela Liga de Ensino do Rio Grande do Norte, após a promulgação da LDB/1961.
Percebemos então que as maiores mudanças somente foram vislumbradas na década de 60, com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Em 1962, com o advento da Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional, foi feita a subdivisão do Curso Doméstico na ED quando passou a ser: o Curso Doméstico de Nível Colegial e o
Curso Doméstico de nível Ginasial Técnico. Sob influência da LDB ele passou a ter a seguinte finalidade:
Este segundo ciclo, para as que concluírem o primeiro ciclo ou o ginasial, compreende as matérias obrigatórias do segundo ciclo secundário, ou o curso colegial, segundo a lei vigente, acrescidas das matérias comuns no Curso Doméstico tradicional. As concluintes receberão o certificado de ‘Dona de Casa’, ou seja, de Educação para o Lar, equivalente ao Colégio Técnico, que habilita também para o ingresso nas Escolas Superiores. Terminado o segundo ciclo, as alunas que desejarem seguir a carreira do Magistério, deverão cursar a quarta série, composta de disciplinas especializadas, para que possam registrar o seu Diploma no Ministério da Educação e Cultura”. (ESCOLA DOMÉSTICA DE NATAL, 1914-1964, p. 41).
Através dessas modificações na legislação do ensino, às alunas diplomadas foi possibilitado dar continuidade aos estudos ou ainda seguir a carreira do Magistério, o que propiciou grandes progressos para a escola. Nesse sentido, a Escola Doméstica de Natal, através dos representantes legais da Liga de Ensino do RN, pronunciou-se:
Observando integralmente a orientação tradicional do ensino da mulher, a Escola instituiu a atualização do preparo de suas alunas, reformulando o currículo em bases mais amplas e de melhor sentido prático, visando não somente os misteres do lar, mas, também, do magistério e do ingresso nas escolas de ensino superior. (ESCOLA DOMÉSTICA DE NATAL, 1914- 1964, p. 20).
O curso ofertado pela ED antes da LDB de 1961 permitia à aluna diplomada o direito de receber o certificado de Educadora Doméstica, mas essa teria que estudar mais dois anos para poder prestar exames para o curso superior. Na verdade, o curso tinha, em certa medida, um caráter terminal, de acordo com o que propunha a Reforma Francisco Campos. O fato de o ensino secundário nas escolas não prepararem para o ingresso no ensino superior ocorreu em todo o país a partir da influência de outras reformas educacionais, como por exemplo, a Reforma Rivadávia Corrêa mais caracterizada como a oficialização de decretos numa tentativa de reformar aspectos relativos ao ensino.
A orientação positivista é retomada [...] mediante a aprovação da Lei Orgânica do Ensino Superior e do Ensino Fundamental na República (Decreto n. 8.659, de 05 de abril de 1911) e o Regulamento do Colégio Pedro II (Decreto n. 8.660, de 5 de abril de 1911). A iniciativa defendia a desoficialização do ensino e de sua freqüência através da criação de institutos; a abolição dos diplomas, que cederiam lugar para certificados de assistência e aproveitamento; a realização dos exames de admissão pelas próprias Faculdades sob a justificativa de que o ensino secundário não poderia voltar-se para o ingresso no ensino superior.
Essa reforma ocorrida durante o governo Marechal Hermes da Fonseca (1910- 1914) representou retrocesso e fracasso na educação, por facultar liberdade total de autonomia às instituições de ensino e suprimir o caráter oficial do ensino.
As especificações de cada matéria, o que deveria ser ensinado por cada docente eram detalhadas na grade curricular (ver anexo n. 1) para que fosse cumprido um programa oficial estabelecido pela Liga de Ensino do RN, de forma a garantir uma certa homogeneidade dos conteúdos a serem ensinados.
A nota de aprovação nos exames realizados em sala de aula era média 6 e para as que não obtivessem resultados satisfatórios durante o ano letivo , havia uma pontuação de acordo com o comportamento, o que iria definir a sua continuidade ou repetição de ano letivo.
As alumnas que nos exames annuaes não obtiverem resultados satisfactorios em duas matérias mas obtiverem a media de comportamento acima de 8, serão submettidas a novo exame no começo do anno seguinte. Si, porem, forem reprovadas em mais de duas matérias, e a media de comportamento for abaixo de 8, deverão repetir o anno. (ESCOLA DOMÉSTICA DE NATAL, 1922, p. 7).
Entende-se que o comportamento escolar especificado no Regimento Interno da instituição tinha grande importância na vida escolar. Sua importância se equiparava aos conteúdos ensinados, tanto que, no momento de decidir pela aprovação ou reprovação da discente, o comportamento disciplinar era considerado relevante a ponto de justificar a oportunidade de estudos ou não.
Como podemos perceber, considerar as finalidades educativas da Escola Doméstica de Natal transpõe as fronteiras dos conteúdos transmitidos especificamente em sala de aula, norteados por um modelo escolar, envolvendo também, a cultura escolar da
instituição que compreendia: a rotina escolar diária, as formas de se comportar dos docentes e discentes, os rituais festivos, as atividades de sociabilidade, seus objetivos, dentre outros propósitos.
Nos objetivos da ED, destacamos a finalidade da formação intelectual, moral e física na mulher, pela qual a Escola Doméstica de Natal acreditava contribuir para a educação e o engrandecimento da nação envolvendo também a família, como Henrique Castriciano de Souza, em palestra proferida ao público natalense no início do século XX esclarecia: “[...] queremos approximar a escola da familia, de accordo com a melhor pedagogia contemporanea, e fazer da mulher educada na simplicidade, no trabalho intellectual e manual bem orientado, um elemento destinado a melhorar a nação do futuro.” (SOUZA, 1911, p.21).
Os saberes instituídos pela Escola Doméstica de Natal compreendia uma aprimorada educação social, moral, física e intelectual, segundo as finalidades da instituição. Foi com base nos fins a que se propunha a Escola que o currículo foi construído, voltado para uma formação de uma cultura geral, onde as discentes deveriam aprender os saberes numa ordem dialógica: teoria/prática.
Diante do modelo escolar especificado cabia à diretoria: [...] “dirigir e fiscalizar o ensino, para que todas as matérias tenham por base o principio do methodo intuitivo, despertando a attenção e disciplinando a vontade, no sentido da ordem, economia, da hygiene, do asseio, dos cuidados, arranjos e deveres domésticos.” (ESCOLA DOMÉSTICA DE NATAL, 1915, p. 4).
Os saberes escolares elencados pela Escola Doméstica de Natal situavam-se num quadro educacional de valorização da moral, da cultura física, da higiene e da pedagogia. Deveria tal modelo curricular ser ensinado na escola, tendo como base a corrente da Pedagogia Nova que se baseava, na época, no método Intuitivo de ensino, numa visão pragmática, onde os saberes transmitidos deveriam ter associação direta com a vida das alunas. Os princípios da Pedagogia Nova, como diz Cambi (2004, p, 347), deveriam primar por “[...] uma escola onde considere sua utilidade para o aluno de uma referência precisa à sua experiência concreta.” Os princípios acima citados foram pressupostos firmados por (Pressuposto) Jean Jacques Rousseau no século XVIII e retomado pelo Ativismo do século XX, ligado a comportamentos pragmáticos. No Brasil, a Reforma Benjamin Constant (1890) já destacava a ênfase aos métodos intuitivos, propondo para estudos a disciplina Elementos de Economia Doméstica a ser implantada nos currículos oficiais das escolas.
Encontramos as proposições das idéias da Pedagogia Nova no currículo da Escola Doméstica de Natal nos anos iniciais de sua fundação, na estruturação de diversas
disciplinas de ordem teórica e prática que tinham em vista o fazer das alunas com base nos seus interesses e necessidades. Como exemplo, destacamos o seguinte indicativo:
Para as disciplinas de ordem técnica, a seleção também é feita com rigor, pois cada curso ministrado na Escola Doméstica é uma combinação diferente de princípios fundamentais de economia doméstica. Cada um é baseado nas necessidades, interesses e capacidades das estudantes matriculadas. A professora, portanto, com o seu conhecimento e métodos de ensino, deve achar em primeiro lugar quais são os interesses e necessidades das jovens a seu cargo. Para o fazer tem de conhecer seu ambiente – seus lares e a comunidade. Então estará habilitada a traçar um plano do que irá ensinar. (ESCOLA DOMÉSTICA DE NATAL, 1914-1964, p. 29).
Fazendo uma leitura do encaminhamento dado à organização dos conteúdos de ensino e o repasse destes na escola, percebemos que a professora que lecionava na ED recebia orientação de considerar, em primeiro lugar, os interesses e necessidades das alunas. Muito embora o currículo já tivesse sido estruturado inicialmente, o referencial que o norteava baseava-se numa matriz de pensamento menos tradicional de ensino e mais numa concepção onde o ensinar e aprender caminhava de forma mais horizontal, menos hierarquizada, mais estimulante e condizente com a vida cotidiana das discentes, priorizando o fazer. O ensino seria realizado pelas lições de coisas, maneira como foi divulgado o método ntuitivo. Uma orientação pedagógica que implicava estudar mais o concreto do que o teórico e o abstrato; as faculdades mentais deveriam ser provocadas a um desenvolvimento gradual e harmonioso. A aluna era estimulada a observar objetos e fatos; o conhecimento, em vez de ser transmitido pelo professor, emergia da relação concreta estabelecida entre aluna/objetos ou fatos.
O caráter científico, prático e singular do currículo da Escola Doméstica consubstanciava-se numa das justificativas também lançadas pela instituição ao criar o seu modelo escolar próprio, o qual tido como um diferencial das outras escolas femininas na cidade do Natal, ao propor um ensino que abria possibilidades de as discentes utilizarem os conhecimentos adquiridos na escola em sua vida pessoal, social e principalmente familiar.
No ano de 1960, tivemos no currículo escolar da ED algumas mudanças significativas que atingiram as finalidades da instituição. Em decorrência da lei n°. 2.803, o governo do Estado do Rio Grande do Norte equiparou as diplomadas pela Escola Doméstica, quando no exercício do magistério estadual, às diplomadas pela Escola Normal de Natal e Mossoró com os mesmos direitos e vantagens. Dois anos depois dessa lei, em 23 de maio de
1962, ocorreu a revalidação do Curso Doméstico de Nível Ginasial e a criação do Curso Doméstico de Nível Colegial.
A estrutura curricular da ED de Natal parecia de certa forma, nas primeiras décadas de fundação do estabelecimento, firmar-se independente das reformas de ensino. A Reforma de ensino Francisco Campos ocorreu dezessete anos após a fundação da escola, no entanto esta manteve-se no decorrer dos anos com poucas alterações em na sua grade curricular original.
Com o advento do Estado Novo em 1937, foi criada no Brasil uma nova Constituição Federal imposta pelas forças ditatoriais. Em seu art. 15, Título IX, a União deveria fixar as bases e determinar a estrutura da educação nacional, traçando as diretrizes que deveriam primar pela formação física, intelectual e moral da infância e da juventude, apontando para uma tendência de caráter nacionalista no país verificada nos campos econômico e político e no setor educacional. O ensino pré-vocacional e profissional deveria ser dever do Estado e se destinar aos grupos menos favorecidos economicamente. A política do Estado Novo esteve nesse contexto, voltada para preocupações com o ensino profissional, objeto de reformas encaminhadas pelo Ministro da Educação Gustavo Capanema, conhecidas como Leis Orgânicas do Ensino que vigoraram até à aprovação da LDB de 1961.
As Leis Orgânicas de Ensino (Reforma Gustavo Capanema) foram decretos que abrangeram a organização dos ensinos primário, secundário e técnico-industrial no país; acentuava-se a idéia de educar o sujeito para assumir um papel social dentro da nação, onde a disciplina Educação Moral e Cívica seria responsável por incutir nos alunos a formação de base patriótica e disciplinar, onde o modelo humanista clássico de formação se sobressaía ante uma formação de base científica. A reforma evidenciava uma realidade já proposta anteriormente pela Reforma Francisco Campos: a falta de flexibilidade do ensino profissionalizante e o do ensino secundário, pois ao concluir o ensino técnico profissional, o aluno somente poderia dar continuidade aos estudos no ramo profissional correspondente, não aproveitando o tempo de estudo realizado para engajar-se em outro curso. O currículo da Escola Doméstica apresentava algo parecido com as duas reformas: a Francisco Campos e a de Gustavo Capanema, pois tinha um caráter de formação terminal que dificultava o ingresso no curso superior, bem como em outro ramo de ensino.
O currículo proposto pela ED de Natal não sofreu alterações específicas diante dessa nova estruturação das Leis Orgânicas de Ensino; o que percebemos, no entanto, foi a forte evidência da escola em trabalhar na perspectiva da formação disciplinar, moral e intelectual; evidentemente isso não ocorreu de forma gratuita e descontextualizada com o
momento histórico que gradativamente ia considerando a educação como um problema de ordem nacional e nessa empreitada caberia às instituições escolares um papel relevante. Disciplinas como Educação Física também ganhou destaque nessa conjuntura, como forma de aperfeiçoar a formação viril, robusta e ativa dos indivíduos. Isso, com certeza, contribuiu significativamente para provocar mudanças nos elementos que faziam parte da ambiência escolar, ou melhor, alterava o conteúdo da escolarização.
É possível afirmar que a implantação de uma estrutura curricular como a da Escola Doméstica de Natal fazia parte de um projeto de difusão, no país, de um pensamento voltado para a conquista de uma nova pedagogia marcada pela defesa de um ensino prático, racional e, também, por uma ciência da educação considerada nova, moderna.
Com base nos dados analisados sobre as práticas educativas da Escola Doméstica de Natal, percebemos que o referencial teórico que norteava o currículo escolar foi escolhido como uma maneira de firmar a renovação dos métodos de ensino, isto é, diante da estrutura curricular das demais escolas da cidade de Natal, o modelo escolar apresentado pela Escola Doméstica pretendia primar por uma matriz de pensamento que ultrapassasse as perspectivas de ensino existentes em outras escolas da cidade que se voltavam para a formação feminina centrada mais no ensino prático das prendas do lar e, quando muito, algumas noções de Aritmética, Língua Portuguesa e Geografia.
A relação teoria/prática era bem enfatizada nas práticas de ensino da Escola que tinha por finalidade garantir à mulher uma formação geral, com o conhecimento das normas de etiqueta, educação, bons hábitos e comportamentos, conforme os costumes que circulavam na moda européia e as regras de comportamento tidas como válidas. O aperfeiçoamento do saber doméstico e o gerenciamento racional das despesas do dia-a-dia (valores de uma boa formação moral, intelectual e física) eram elementos que, para os idealizadores dessa escola, iriam conferir o que de melhor uma instituição escolar poderia garantir de formação ao seu corpo discente.
A Escola Doméstica de Natal, nessa perspectiva, optou por oferecer um vasto programa curricular correlacionando teoria e prática, valorizando a ciência como pressuposto básico dos ensinamentos. Essas preocupações em garantir uma cientificidade aos conhecimentos transmitidos às discentes ficam evidentes no momento de proposição da estrutura curricular, onde cabia às alunas receberem aulas teóricas em sala de aula sempre correlacionadas às aulas práticas realizadas em laboratórios da Escola e em espaços abertos, ao ar livre, como forma de vivenciar a prática, estimular os sentidos e aguçar a experiência. Neste sentido, a Liga de ensino do RN pronunciava-se:
O ensino e nisto consiste a sua maior virtude – será mais pratico do que theorico. Sem grandes canceiras e sempre sob a direção das mestras, para quem não são uma vergonha o trabalho manual e os misteres que a nossa defeituosa educação de latinos, prejudicados pelo trabalho escravo costuma considerar deprimentes, as discípulas irão aprendendo, por meio de applicações e continuadas aulas teóricas e práticas, tudo quanto estiver indicado no referido programma educativo. (LIGA DE ENSINO DO RN, 1927a, p. 20).
Como exemplo desses ensinamentos da escola, temos as aulas de culinária realizadas em sala de aula; depois as alunas eram encaminhadas a um laboratório de estudo para analisar e manipular cientificamente os alimentos e dele conhecer seus princípios ativos, elementos de composição, como é demonstrado na foto a seguir:
FOTO 7 – Alunas da Escola Doméstica de Natal em momento de aula prática sobre culinária, 1927. Fonte: Acervo particular da Escola Doméstica de Natal, RN.
disciplinas do currículo a teoria e a prática, a importância em destacar nessas aulas, por exemplo, a higiene como elemento central, no momento de exercer a manipulação dos alimentos ou de outros objetos. O incentivo do uso da touca, do avental e, às vezes, da luva descartável garantiria as normas de higiene na hora de manipulação dos objetos de cozinha pelas alunas.
Outro aspecto importante a destacar diz respeito à organização do espaço a ser usado para exercer a arte culinária, pois segundo orientações dadas pela Escola Doméstica, o espaço da cozinha, para seguir as normas de higiene, deveria ter nas suas paredes azulejos limpos e de tom menos escuro possível para dar uma sensação de claridade e limpeza ao local. Deveria ainda ser a cozinha um espaço de realizações, proporcionando à mulher momentos de prazer ao exercer a culinária. “A Escola foi pioneira em fazer e recomendar a substituição das cozinhas cobertas de fuligem por cozinhas claras e azulejadas.” (LIMA, 1998, p. 7).
Henrique Castriciano de Souza também teceu severas críticas às formas como eram estruturadas as cozinhas das residências nesse período. Ao fazer isso, deixava claro em suas colocações que a ausência dos princípios higiênicos nesse recinto era um dos motivos que ocasionava a repulsa da mulher pelo uso da cozinha. Assim manifestava-se ao dizer:
A cozinha, o logar em que é solicitada a cada momento a presença da dona da casa, é a cousa mais anti-hygienica do mundo: quente, mal arejada, sem utensílios de fácil asseio e, para cumulo, como o terrível fogão de chapa espirrando fumaça, como dizem que o diabo espirra enxofre pelo nariz. Ao lado, a cozinheira malcreada, enxugando, ao menor descuido da dona da casa, o suor na toalha destinada a limpar os pratos ou a accendendo o cachimbo ordinário. Este é um dos motivos porque as senhoras odeiam a cozinha. Esta, porem, deve e pode ser cousa differente. (SOUZA, 1911, p. 41).
Essas representações de Souza sobre a cozinha do seu tempo foi motivo de grandes preocupações da Escola Doméstica de Natal, particularmente no que diz respeito às normas de higiene. Eram idéias à frente do seu tempo, tendo em vista que no Brasil as cozinhas mantinham ainda os costumes do uso do fogão à lenha ou a carvão, bem como a