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Hastanelerde Sağlanacak Hekimlerde Aranan Özellikler

ANO Número de alunas ANO Número de alunas

1919 05 1933 04 1920 ---- 1934 03 1921 02 1935 02 1922 02 1936 07 1923 02 1937 04 1924 ---- 1938 10 1925 06 1939 06 1926 03 1940 06 1927 04 1941 08 1928 06 1942 21 1929 03 1943 11 1930 10 1944 05 1931 08 1945 04 1932 10 ---- ---- Adaptado do documento: ESCOLA DOMÉTICA DE NATAL. Boletim comemorativo do

cinqüentenário da Escola Doméstica de Natal (1914-1964). URN. Imprensa Universitária, 1964.

Podemos inferir que esse baixo índice poderia refletir duas situações distintas: a) a não aceitação do modelo escolar pelos natalenses; b) os elevados gastos com a matrícula, mensalidades e custos adicionais como a compra de fardamento e enxoval da aluna (exigência para a permanência desta na escola), subtraindo dos pais uma quantia generosa para custeio dos estudos.

O não despertar, ainda, da sociedade para o mundo feminino e sua educação fazia com que muitas famílias achassem que as mulheres não precisavam estudar muito, as primeiras letras já seriam suficiente para sua formação. Medeiros (1926-1932, p. 73-74), a esse respeito, considerava que à mulher deveriam ser delegadas tarefas delicada, que permitissem a ela desempenhar o papel maternal, buscando sua emancipação sem prejudicar os seus deveres domésticos e maternos.

A missão da mulher, no lar, tendo a consciência voltada para a realização perfeita dos três títulos que fazem a sua superioridade: mãe, esposa e filha, títulos sublimes que asseguram a serenidade dos seus atos, a singeleza das suas ações e o cumprimento do seu mandato na sociedade. (MEDEIROS, 1926-1932, p. 73-74).

Acreditamos que o fato de a ED ter anualmente baixo número de alunas matriculadas tem como causa a segunda situação apontada: alto custo com a educação, pois esta é mais condizente com a realidade econômica apresentada no período por muitas famílias natalenses; a educação da ED exigia altos custos dispensados pelas famílias para manter a filha numa escola considerada de classe média alta da sociedade.

O enxoval que era exigido dos familiares das discentes tratava-se, na verdade, do material pessoal de cada aluna, de forma que todas que desejassem permanecer no sistema de internato levassem para a escola peças de roupas padronizadas, obedecendo às exigências de vestimenta daquele estabelecimento de ensino.

Quanto ao valor cobrado mensalmente aos pais ou respectivos responsáveis pelas alunas, a Escola, nos seus discursos, não se colocava como entidade privada e o valor solicitado mensalmente às alunas era tido como considerável, tendo em vista as altas despesas pela permanência da discente na instituição. O discurso proferido era de ser uma instituição de caráter não privado, não pertencente, portanto, a uma única pessoa em particular, mas ligada à entidade Liga de Ensino do Rio Grande do Norte, uma entidade que existia para dar assistência ao poder público.

Podemos questionar em que aspecto esse discurso apregoado pela ED e pela Liga de Ensino do RN estava relacionado com a filosofia da Escola e com o seu corpo discente e docente. A primeira situação que destacamos condiz com a idéia de que a partir do momento em que a ED não admitia ser uma escola particular, ela própria tentava justificar a cobrança das mensalidades com base nas despesas escolares (pagamento de funcionários, despesas para manutenção da higiene, energia, água, reformas necessárias na escola, dentre outras).

O segundo aspecto a destacar é que, de posse desse discurso, a instituição poderia sem muitos entraves conseguir subsídios financeiros para pagar as suas despesas e expandir a sua estrutura física, contando com a colaboração do governo local e depois do federal, fato já evidenciado anteriormente nesta pesquisa.

Como forma de evidenciar o caráter de utilidade pública, a LERN também passou a distribuir bolsas de estudos às alunas que se encontrassem nas seguintes situações:

estudassem em escolas públicas da Rede de ensino do RN e obtivessem boas notas anualmente e pertencessem a uma família que não tivesse em condições financeiras de custear os estudos. Esta seria contemplada com uma bolsa integral de estudos no período de um ano para estudar na Escola Doméstica de Natal. Nesse sentido, a LERN em seus documentos registrava: “A Liga de Ensino do Rio Grande do Norte, no interesse de propiciar o estudo à jovens vindas de famílias numerosas, cuja situação financeira não lhes permite freqüentar colégios, concede anualmente Bolsas de Estudos.” (ESCOLA DOMÉSTICA DE NATAL, 1914-1964, p. 36).

Essa iniciativa, na nossa análise, simbolizou firmar o papel de utilidade pública que tanto a LERN como a ED desejavam imprimir às suas atividades frente aos órgãos públicos para, com isso, garantir apoio político e financeiro aos seus projetos educativos. Apesar dessa atitude, houve pouco beneficiamento às alunas advindas da Rede Pública de Ensino do Estado do RN; no geral, o quadro discente formado era composto pela elite norte- rio-grandense e cidades próximas, advindas das famílias de donos de terras e que dispunham do valor mensal exigido pela Escola.

De uma forma geral, as alunas que estudaram na ED eram oriundas de grupos sócio-econômicos privilegiados que faziam parte de uma pequena elite do Estado. Essas alunas se moldaram bem ao modelo curricular proposto pela escola e como não houve grandes disparidades econômicas entre valores apregoados pela escola e realidade de vida do alunado, podemos afirmar que a adaptação escolar foi rápida, sem muitos entraves.

Às alunas foram apresentadas as propostas educativas que, na visão da Liga de Ensino do RN, eram consideradas válidas para a realidade daquele tempo, consolidando a Escola como um importante meio de difusão cultural e intelectual em função de um modo de vida considerado mais civilizado. O corpo discente, nesse contexto, contribuiu não somente para reproduzir uma cultura escolar construída pela ED, como também construí-la e legitimá- la.

CAPÍTULO 4