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BİRİNCİ BÖLÜM 1.KİTLE İLETİŞİM ARAÇLARI VE TELEVİZYON

2.1. Dünyada Kadın

2.1.3. Ev Kadını Olarak Kadın

Ao longo da sua trajetória eclesiástica, Padre Cícero desenvolveu, junto aos

seus afilhados, um verdadeiro projeto de proteção ao meio ambiente. De modo

simples e linguagem acessível, ele aconselhava seus afilhados o cuidado e o zelo

para com o planeta, ensinando-lhes práticas de manejos agrícolas menos

agressivas. Ele chegou a estabelecer uma série de conselhos ecológicos para

orientar o povo:

Não derrube o mato nem mesmo um só pé de pau;- Não toque fogo no roçado nem na caatinga

Não cace mais e deixe os bichos viverem

Não crie o boi nem o bode soltos; faça cercados e deixe o pasto descansar para se refazer

Não plante em serra acima nem faça roçado em ladeira muito em pé; deixe o mato protegendo a terra para que a água não a arraste e não se perca a sua riqueza

Faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar água de chuva Represe os riachos de cem em cem metros, ainda que seja com pedra solta Plante cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caju, de sabiá ou outra árvore qualquer, até que o sertão todo seja uma mata só

Aprenda a tirar proveito das plantas da caatinga, como a maniçoba, a favela e a jurema; elas podem ajudar a conviver com a seca

Se o sertanejo obedecer a estes preceitos, a seca vai aos poucos se acabando, o gato melhorando e o povo terá sempre o que comer

Mas, se não obedecer, dentro de pouco tempo o sertão todo vai virar um deserto só. (Conselhos Ecológicos do Padre Cícero Romão Batista)

Figura 9 - Xilogravura do Padre Cícero protetor do meio ambiente

No que se refere às questões de ordem ambientais e ecológicas, Padre

Cícero Romão se destacava pela forma cuidadosa com que orientava os agricultores

no manejo tanto com a flora como com a fauna. Era um homem de profunda

inclinação pela agricultura e criação do gado. Isso se dava pelo fato de entender que

a libertação daquele povo das mãos dos coronéis seria o trabalho agrícola, mas

consociado com a preservação, esse era também um meio de adquirir fundos para

ajudar o cinturão de miseráveis que chegavam a Juazeiro:

Tinha sempre grandes roças de mandioca no Araripe. Conservava sempre para os anos secos ou quando precisava de fazer alguma desmancha para o consumo que o barco que sustentava era muito grande. Duzentas quinhentas tarefas de mandioca. Era sempre assim em quantidade. Sucedia quase sempre lucrar uma metade. Até mesmo um quarto dessas mandiocas e outras vezes perdia totalmente pelos bichos principalmente o gado no Araripe e mesmo nas fomes o povo comiam sem indenização e quando alguma sobrava para vender era sempre por menos preço do que outros vendiam, e era sempre assim. Não podia lucrar sem prejuízos. Sempre foi mais feliz no plantio de algodão, por ter sempre homens de mérito à frente, como também no plantio da cana, sempre tinha um resultado, porém notava-se nele sempre o desprendimento, apesar de muito precisar que quase sempre vivia devendo pelo muito gastar, tanto em serviços como dar aos necessitados e sustentar diversas casas de famílias de sua jurisdição. Portanto dinheiro nunca sobrava naquelas mãos por outro lado política era outro verdadeiro sorvedouro de dinheiro a que se via obrigado para a defesa do Joaseiro. Algumas vezes me dizia: “quando é que acabo de

pagar o que eu devo? Só tirando um bilhete da loteria do Rio, de quinhentos contos para ver se assim posso pagar”, o que tirou a vida toda, todos os anos, nunca tirou coisas nenhuma de prêmio. (GUIMARÃES, 2011. p.13)

O apelo do Padre Cícero Romão em favor ao meio ambiente também não

teve um respaldo positivo, tanto pela dificuldade que existia por parte da igreja como

das lideranças, mais diretamente os coronéis, sobre o porquê da real preocupação

de sacerdote com o meio ambiente. É visível em sua prática uma preocupação da

Igreja dos nossos dias, e de modo especial do Papa Francisco, na carta encíclica

Laudato Sì – sobre o cuidado da casa comum:

Não pode ser autêntico um sentimento de união íntima com os outros seres da natureza, se ao mesmo tempo não houver no coração ternura, compaixão e preocupação pelos seres humanos. É evidente a incoerência de quem luta contra o tráfico de animais em risco de extinção, mas fica completamente indiferente perante o tráfico de pessoas, desinteressa-se dos pobres ou procura destruir outro ser humano de que não gosta. Isto compromete o sentido da luta pelo meio ambiente. Não é por acaso que São Francisco, no cântico onde louva a Deus pelas criaturas, acrescenta o seguinte: «Louvado sejas, meu Senhor, por aqueles que perdoam por teu amor». Tudo está interligado. Por isso, exige-se uma preocupação pelo meio ambiente, unida ao amor sincero pelos seres humanos e a um compromisso constante com os problemas da sociedade.

Ele inaugura nos sertões nordestinos a prática da proteção ambiental de um

modo simples e compreensivo aos olhos dos sertanejos. Pequenas orientações de

grandes impactos, sendo pioneiro no processo de conscientização cristã e social

como o meio ambiente:

disse que Padre Cícero "pregou em pleno sertão nordestino a palavra que hoje a consciência ambiental a duras penas começa a inscrever na nossa visão de mundo. Muito antes de que se realizasse a I Conferência Internacional sobre o Meio Ambiente, em Estocolmo, em 1972, ele teve essa percepção aguda de algo que constitui antes de tudo um interesse legítimo, identificado por quem está próximo da realidade". (artigo publicado no jornal O Globo (19.01.94); Rubens Ricupero)

Esses ensinamentos foram passados de pai para filho, de tal modo que

chegaram até os dias de hoje, por meio de uma fiel transmissão da tradição.

Comumente, é possível encontrar crianças, adultos e idosos a cantar e entoar

versos sobre o cuidado com o meio ambiente com base nas orientações do Padre

Cícero Romão:

Quando padim ciço era vivo

e se pôs a estudar, com o calor do

Também faça uma cisterna

para água coletar e se uma chuva vier,

Nordeste

ele foi se preocupar, muitos preceitos então começou a ensinar. Pediu então ao povo: ''não derrube pé-de- pau,

deixe a árvore crescer e não faça nenhum mal.

Deixe que o pequeno mato

se torne um matagal.'' Pediu pra não tocar fogo,

mesmo no grande roçado,

para que na caatinga, nada fique queimado, e o mato nativo pelas cinzas trocado. Ensinou ao caçador pra os bichos não matar,

deixar o animal viver e a mata povoar, pois são eles que mais sabem

da vegetação zelar. Não crie seu gado solto e construa um cercado e quando acabar deixe-o descansado e depois de algum tempo ficará renovado. Não plante em cima do morro,

muito menos na serra, deixe o mato crescer e proteger a terra, quem protege a natureza

sabe corrigir quem erra.

saiba como a guardar e quando vier a seca a água vai ajudar. E a água do riacho você tem que represar e a cada cem metros uma pedra colocar e então esse riacho no verão não vai secar.

Um pé-de-pau todo dia,

cada um tem que plantar,

seja um pé de algaroba, de caju ou sabiá para o sertão algum dia

uma mata se tornar. Valorize a caatinga ela tem seu proveito pois sobre algumas plantas

a seca não tem efeito para que se aproveite faça tudo direito. Se você é sertanejo e a tudo obedecer , a seca vai se acabar, não vai precisar temer e o tanto de alimentos sempre vai

engrandecer. Assim disse padim ciço,

para o sertão salvar e se isso não for feito um deserto vai virar e o pobre agricultor, não terá onde plantar