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KaĢgar MeĢrepleri

C. AraĢtırma Konusu ile Ġlgili ÇalıĢmalar

2.2. Doğu Türkistan Coğrafyasının Belirli Bölgelerinde Ġcra Edilen MeĢrepler

2.2.8. KaĢgar MeĢrepleri

Consequentemente à grande quantidade de viagens de campo e a coleta de objetos, uma quantidade considerável de coleções científicas foi depositada nos pequenos laboratórios do IA. As coleções, além de utilizadas pelos especialistas para análise e estudo, eram colocadas à visitação pública, dando inicio a organização do museu do Instituto.

Já iniciamos vários trabalhos de campo, no setor da Antropologia física e de cultura popular, estando em organização o nosso Museu [...]. Enfim, temos um vasto campo de atividades a desenvolver, visando o estudo sistemático da Antropologia do nosso Estado174.

Um museu em uma instituição de pesquisa funcionava como uma estratégia que rompia os limites do privado, levando o Instituto de Antropologia à vida pública. A divulgação do IA encontrava na exposição pública de suas coleções um grande aliado, principalmente para a população local175. É importante destacar que o Instituto não possuía apenas um museu. Cada departamento possuía o que eles chamavam de um “pequeno museu expositor”, que consistia em uma sala onde as peças eram expostas ao público. Essa característica pode ser visualizada quando Veríssimo de Melo, em ofício, comunica ao reitor

172 ARQUIVOS DO INSTITUTO DE ANTROPOLOGIA, v.1, n.2. Natal , Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Instituto de Antropologia, dezembro de 1964. p.204.

173 Protásio de Melo, que atuava ainda como professor e diretor da escola de inglês SCBEU exerceu um papel fundamental no contato do IA com instituições norte-americanas.

174 Ofício nº 78, de 29/09/1962, endereçado ao Reitor Onofre Lopes, pelo Diretor em exercício José Nunes Cabral de Carvalho.

175 LIMA, S. F. de.; CARVALHO, V. C. de. Cultura material e coleção em um museu de história: as formas espontâneas de transcendência do privado. In: FIGUEIREDO, B. G.; VIDAL, D. G. (Orgs.). Museus – dos Gabinetes de Curiosidades à Museologia Moderna. Argvmentvm, Belo Horizonte, p.85-110. p. 87.

da Universidade a intenção do seu departamento em organizar o seu Museu de Cultura Popular:

O Departamento de Cultura popular do nosso Instituto [...] pretende organizar o seu Museu de Cultura Popular – o primeiro do gênero, no Estado, condensando tudo aquilo que os homens do campo, das praias e dos bairros populares fazem no sentido da execução de suas tarefas profissionais ou domésticas, práticas religiosas e atividades lúdicas, além da parte de Arte popular. Vimos solicitar a V. Magnificência autorização para entrar em entendimento com firmas ou pessoas desta praça que possam executar esses primeiros móveis destinados à exposição das peças do nosso futuro Museu de Cultura Popular176.

Em relatório, que consta um resumo das atividades do IA no ano de 1964, encaminhado à reitoria da Universidade, Cabral informa a doação de acervo para os museus do IA, ou seja, o museu de Antropologia Física, o museu de Antropologia Cultural, e o museu de Geologia e Paleontologia177. “Ao lado de cada um desses setores funciona um museu especializado, que vem sendo ampliado cada dia. Todas as peças recolhidas são tombadas em livro próprio e expostas nas salas respectivas”178.

Esses vários museus dentro de uma única instituição podem ser entendidos como uma estratégia de seus idealizadores em autobiografar-se por meio de seus trabalhos e coleções179. A prática de individualizar-se em pequenos museus construiu formas de prestígio e distinção individual naquele espaço, noção trabalhada por Bourdieu, com o conceito de agentes e suas relações, onde a posição que os indivíduos ocupam no espaço determina ou orienta suas ações. Ou seja, é visível que as coleções do Instituto não se dissociavam dos ideais de seus pesquisadores180.

Em ofício endereçado ao Reitor, no ano de 1962, Câmara Cascudo solicita autorização para viagem de campo e verba para aquisição de peças etnográficas e objetos de arte popular para o Museu de Cultura Popular que, segundo o mesmo, prometia ser “uma mostra dos

176 Ofício: 47/1962, Natal, 16 de agosto de 1962. De Veríssimo de Melo ao Sr. Prof. Efraín Morote Best Catedrático de Folklore e Língua indígena da University of North Carolina (UNC). Observamos que Veríssimo, em 1962, se referiu ao Museu de Cultura Popular do Instituto de Antropologia como sendo o primeiro do gênero no Rio Grande do Norte. No entanto, no ano de 1959, o jornal A República, noticiava o funcionamento de um

Museu de Arte Popular em Natal, considerado “um dos interessantes do Nordeste”, ligado à Diretoria de Documentação e Cultura da Prefeitura.

177 Resumo de atividades do Instituto de Antropologia, relativo ao ano de 1964, encaminhado ao Prof. Onofre Lopes, reitor da URN. Natal, 17 de fevereiro de 1965.

178 Carta endereçada ao Consul da Alemanha em Pernambuco, 22 de dezembro de 1965. 179 LIMA, S. F. de.; CARVALHO, V. C. de. op. cit. p. 86.

180 BOURDIEU, Pierre. Os usos sociais da ciência: por uma sociologia clínica do campo científico. São Paulo: Editora UNESP, 2004. p. 25.

elementos mais característicos das atividades do homem Norte-riograndense”181, e descreve o

que seriam esses objetos:

[...] vestimenta completa do vaqueiro, arreios, miniatura de um carro-de-boi, arado mais usual, ex-votos recolhidos de capelas ou cruzeiros, almofadas de rendeiras sertanejas, cerâmicas, cestaria, modelos de objetos ligados a lúdica infantil, enfim, um pouco de tudo aquilo que é normal na vida do nosso homem do campo182.

Apesar de Cascudo listar objetos que para ele seriam “normal da vida do nosso homem do campo”, essas coleções estão carregadas de uma função nostálgica, visto que o modelo desse museu se mostrava como um “verdadeiro monumento à perda”. Esse ideal de museu de cultura popular, arte popular, folclore ou etnográfico, promoveu a disseminação de traços materiais de culturas consideradas tradicionais e que mereciam de alguma forma serem salvas

183. Retornemos, como exemplo, o Museu Etnográfico da Faculdade de Filosofia de Natal,

criado por Veríssimo no ano de 1959. Para Veríssimo, o Museu fora criado para conservar “as sobrevivências materiais” de indígenas, negros e povos de outras etnias, que corriam o risco de se perderem por sofrerem com influências de outras culturas.

É conveniente observar que, dentre os quatro fundadores do Instituto de Antropologia, três já estavam envolvidos na organização de museus. Além de Verissimo, Cascudo participou da instalação do Museu do Arquivo Público do Estado, ocupando o cargo diretor ao longo da década de 1950. Já Cabral iniciou a construção de um Instituto Anatômico na Faculdade de Odontologia da URN, constituído de laboratórios, ossuário, anfiteatro e um museu: “uma sala especial onde as peças anatômicas ficarão depositadas em estantes de vidro”184.

Ainda em julho de 1959, o jornal A República, publicou a seguinte notícia: “NATAL (COMO PARIS) TERA UM MUSEU DO HOMEM – FALA À REPORTAGEM DE “A REPUBLICA” O PROFESSOR JOSÉ CABRAL DE CARVALHO”. O Museu do Homem, de acordo com a fala de Cabral, era o próprio Instituto de Antropologia, denominação divulgada posteriormente por Cascudo em setembro do mesmo ano185. Segundo Cabral, o

Museu do Homem de Natal se espelharia, guardadas as devidas proporções, no Museu do

181 Ofício: 21/1962, Natal, 13 de julho de 1962. De Luís da Câmara Cascudo ao reitor Onofre Lopes. 182 Ibid.

183 SANDBERG, Marl B. Efígie e narrativa: examinando o museu do folclore do século XIX. In: SCHWARTZ, Vanessa; CHARNEY, Leo. (Orgs.). O Cinema e a Invenção da Vida Moderna. São Paulo: Cosac & Naify, 2001, p. 441-496.

184 A República, Natal, 17 mar. 1960. 185 A República, Natal, 05 jul. 1959.

Homem de Paris, ou Musée de l'Homme, um museu etnográfico criado por ocasião da Exposição Universal de 1937, detentor de coleções antropológicas, pré-históricas e outras meramente exóticas.

No boletim universitário de setembro de 1963, encontramos um trecho onde a Universidade relata as atividades do Instituto e fala sobre as coleções em exposição na sede do IA: “Temos, já, na sede do Instituto, à Avenida Hermes da Fonseca, abundante e interessante material em exposição”186.

O Museu do Instituto de Antropologia foi formado por vários “pequenos museus expositores”, com cada departamento designando de museu o espaço no qual eles expunham suas coleções. E foi assim que se caracterizou o Museu do IA: salas com peças expostas em armários e vitrinas, divididas de acordo com a sua natureza: “Antropologia Física, Geologia e Paleontologia do quaternário; indiologia e cultura popular”187.

Quando, em 1964, o Instituto de Antropologia iniciou a construção de sua sede própria, em um terreno na mesma avenida, doado por Varela Santiago, presidente da Sociedade de Defesa contra a Lepra, o plano era construir um prédio somente para o Museu do IA. Após três anos, em dezembro de 1967, o IA transferiu-se para o prédio novo, embora ainda não estivesse terminado. O projeto do prédio, encomendado por Cabral, trazia as seguintes diretrizes: bloco único, com divisões de salas de exposição e um longo corredor. E foi exatamente assim que o prédio foi construído, organizando-se da seguinte maneira:

Figura 10: Planta baixa do piso inferior do prédio do Instituto de Antropologia Câmara Cascudo, 1967. Fonte: Acervo MCC/UFRN

186 Boletim Universitário, ano I, nº 1, de setembro de 1963.

Figura 11: Planta baixa do piso superior do prédio do Instituto de Antropologia Câmara Cascudo, 1967. Fonte: Acervo MCC/UFRN

A inauguração oficial da nova sede do Instituto de Antropologia ocorreu no dia 21 de março de 1969. Mas, somente em 1971, foi inaugurado um prédio destinado aos setores técnicos e administrativos, denominado no projeto de Centro de Pesquisa, ficando o prédio principal exclusivo para o Museu e suas exposições.

Figura 12: Foto área do complexo do Instituto de Antropologia na década de 1970. À frente, o prédio do Museu e ao fundo o Centro de Pesquisas, formado por laboratórios e setor administrativo.