C. AraĢtırma Konusu ile Ġlgili ÇalıĢmalar
2.2. Doğu Türkistan Coğrafyasının Belirli Bölgelerinde Ġcra Edilen MeĢrepler
2.2.3. Dolan (Mekit, MaralbéĢi, Avat) MeĢrepleri
uma família de três irmãos dedicados às ciências da saúde – um médico, um dentista e um farmacêutico, e três dedicados ao sacerdócio, sendo um de seus irmãos o Padre Luiz Gonzaga do Monte (1905-1944). Padre Monte, como lhe chamavam, era considerado pela classe intelectual local não só um homem de Deus, mas um homem
de ciência e um homem de letras. De acordo com
Cascudo, Padre Monte representava “a cultura mais ampla do estado do Rio Grande do Norte”, pois conseguia “articular a ciência com a religião”118.
Dom Nivaldo seguiu os caminhos do irmão Padre Monte, ingressando no seminário aos 13 anos, onde completou os estudos em Filosofia e Teologia e, como autodidata, passou a se dedicar à pesquisa do solo e realizar experimentos na área da botânica e genética em um sítio de sua propriedade. Dizia que tudo o fascinava na genética, no entanto, a genética que pesquisava não era a genética ligada à Antropologia Física, que focava os problemas de cruzamento e diferenciação racial. Dom Nivaldo realizava pesquisas sobre fecundidade e desenvolvimento de plantas. No campo das pesquisas agronômicas, estudou as potencialidades do solo dos tabuleiros do Rio Grande do Norte, solos pobres e que possuem pouca capacidade de armazenamento de água119.
A relação entre religião e ciência pode nos parecer incoerente nos dias atuais, contudo, no Brasil do início e metade do século XX as questões religiosas e científicas possuíam ligações bastante intensas. Esse fato se explica pelo forte domínio que os religiosos tinham sob o setor educacional, onde as instituições de educação religiosas eram reconhecidas por oferecer o ensino de disciplinas como Filosofia, Lógica, Matemática, Metafísica, Moral, além
118 Para maiores informações sobre o Padre Monte ver: NAVARRO, Jurandyr. (Org.). Antologia do Padre
Monte. Natal/RN: Fundação José Augusto. 1976-1996.
119 LIMA, Diógenes da Cunha. O Semeador de alegria: uma biografia de Dom Nivaldo Monte. Natal, Sebo Vermelho Editora. 2007. p. 109.
Figura 3: Dom Nivaldo Monte, s/d Fonte: www.arquidiocesedearacaju.org
de Ciências Físicas e Naturais120. Enquanto que Clero, na figura de padres, bispos, arcebispos, participava ativamente da vida social e política das cidades. A presença dos religiosos era bastante forte, sobretudo, nas cidades do interior do Brasil. Tanto que, desde o ano de 1950, o Brasil organizava a Semana Ruralista para o Clero, com a finalidade de “proporcionar aos padres que trabalham no interior do Brasil novos conhecimentos tipicamente rurais”121.
O Rio Grande do Norte também organizava suas semanas rurais. A Décima Semana
Rural do Estado, ocorrida no ano de 1957, contou com cursos e conferências, ministrados por
intelectuais locais como Oto Guerra e Luís da Câmara Cascudo. Havia também, dentro da programação, um curso específico para o Clero rural, com a participação de sacerdotes do Nordeste do brasileiro com interesse em se tornarem “lideres rurais” 122. A participação da
igreja, por meio dos lideres rurais, era tida como uma das bases para recuperação da economia agrícola, sobretudo no Nordeste, por colaborar com a fixação do homem ao solo ao fornecer assistência nos momentos críticos da seca, evitando assim um maior êxodo para os grandes centros urbanos 123.
Também no ano de 1957, com a presidência de Dom Nivaldo, o Colégio Santo Antônio (Marista), por meio da Arcádia Natalense, uma sociedade cultural que funcionava naquele educandário, promoveu a I Semana de Estudos Potiguares. Uma semana com conferências diárias com temas diversos sobre o Rio Grande do Norte. Participaram da semana intelectuais como o professor Boanerges Soares, da Faculdade de Filosofia de Natal, com o tema “Instituições culturais do Rio Grande do Norte”, o Prof. Manuel Rodrigues de Melo, Presidente da Academia Norte Riograndense de Letras, com a palestra “Confederação Tapuia no Rio Grande do Norte”, e o próprio Dom Nivaldo que falou sobre “Fitogeografia e Geografia do Rio Grande do Norte”. A conferência de Dom Nivaldo ganhou destaque na impressa local, com o jornal A República publicando um texto no qual aponta a importância do tema para o Estado:
Assunto por demais oportuno, pois sempre desperta interesse geral qualquer estudo acerca da distribuição das planas na terra, mais agora pelo fato de estarmos presenciando a um trabalho de âmbito nacional, constate de reflorestamento de nossas áreas desnudas124.
120 CARVALHO, André de Souza. Jesus Moure: religiosamente cientista. In: ARDIGÓ, Fabiano. (Org).
Histórias de uma ciência regional: cientistas e suas instituições no Paraná (1940-1960). São Paulo. Contexto,
2011. p. 182.
121 O CLERO VAI ESTUDAR RURALISMO, A República, Natal. 05 jan. 1957. p. 1. 122 X SEMANA RURAL..., A República, Natal. 10 jan. 1957. p. 2.
123 A IGREJA E A RECUPERAÇÃO ECONOMICA..., A República, Natal. 03 mar. 1957. p.22. 124 FITOGEOGRAFIA E GEOGRAFIA..., A República, Natal, 23 out. 1957. p.4.
Inserido no meio intelectual potiguar, Dom Nivaldo, além de se ocupar com conferências sobre temas como ciência, psicologia e, também, religião, exercia a função de professor da disciplina de História Natural no Seminário São Pedro de Natal e foi um dos fundadores e diretores da Escola de Serviço Social, agregada à URN, onde também era professor. Como representante da Escola de Serviço Social, participou ativamente da instituição da URN, sendo membro do Conselho Universitário, coordenado pelo Reitor Onofre Lopes, de onde partiu a autorização para a instalação do Instituto de Antropologia em 1959.
Assim como Cascudo, Dom Nivaldo integrou a equipe do IA apenas nos seus primeiros meses de funcionamento. De acordo com o Livro de Atas do IA, participou somente da primeira reunião, ocorrida em 19 de dezembro de 1961. Não encontramos qualquer declaração sua sobre o Instituto em seus livros ou falas a jornais. Foram encontrados apenas dois documentos que quase nada revelam sobre suas atividades no IA, na documentação analisada. O primeiro é um relatório de sua autoria, no qual assina como geneticista, intitulado
Aspectos Fitogeográficos da Região do Ronca, referente a primeira viagem de campo do IA, e
talvez a única da qual D. Nivaldo participou no ano de 1962. E uma nota de agradecimento de José Nunes Cabral de Carvalho pelas suas observações fitogeográficas em um trabalho publicado no ano de 1964125.
De acordo com depoimento de Jurandyr Navarro126, Dom Nivaldo parecia enxergar sua dedicação à ciência mais como uma distração do que algo digno de intensa dedicação. Talvez por isso ele tenha se afastado do IA. Contudo, em seu discurso quando eleito para a Academia Norte-rio-grandense de Letras, no ano de 1977, Dom Nivaldo reivindicou o acolhimento naquela casa de pesquisadores e cientistas. Desejava que ali também fosse uma Academia de Ciência, pois só assim os intelectuais potiguares seriam valorizados por completo.
O motivo oficial de seu desligamento foi a sua transferência para a cidade de Aracaju, Sergipe, para assumir o cargo de Bispo Auxiliar, onde permaneceu durante dois anos (1963- 1965), sendo transferido posteriormente para Natal parar exercer a função de Administrador Apostólico. Porém, seu regresso à Natal não significou um retorno ao IA. Dom Nivaldo continuou a desenvolver, sozinho, suas experiências genéticas na área da botânica em sua
125 CABRAL DE CARVALHO, José Nunes – Nota prévia sobre a jazida osteológica da Pedra dos Ossos, Serra do Ronco (Município de São Tomé). In: Arquivos do Instituto de Antropologia da URN, Natal. Vol. 1, n. 1. 1964. p. 35-39.
granja, localizada em Emaús127. Dessa experiência nasceram dois livros: “A Granja e eu”, publicado em 1980, e “Experiência nos Tabuleiros do Rio Grande do Norte”, ainda inédito128.
Com a sua saída, o Departamento de Genética do Instituto ficou sem responsável direto até o ano de 1964, quando deixou de existir, vindo a aparecer novamente na estrutura do IA somente na década de 1970.
2.3 Veríssimo Pinheiro de Melo – o capitão-mor do folclore