• Sonuç bulunamadı

Baravet (Birlikte Gezme, ġenlik) MeĢrepleri

C. AraĢtırma Konusu ile Ġlgili ÇalıĢmalar

2.2. Doğu Türkistan Coğrafyasının Belirli Bölgelerinde Ġcra Edilen MeĢrepler

2.2.10. Baravet (Birlikte Gezme, ġenlik) MeĢrepleri

Nos primeiros três anos de funcionamento do Instituto de Antropologia, houve um crescimento expressivo nos setores de pesquisa, ocasionando pelo o aumento do quadro de pessoal. Esse crescimento ampliou os objetivos iniciais do Instituto que, segundo Cabral, abriu-se para o campo mais vasto das Ciências Naturais. Funcionando o IA, no ano de 1965, com os seguintes setores:

Antropologia Física Antropologia Cultural

Arqueologia

Geologia e Paleontologia do Quaternário Malacologia

Ninguém pense em visitar o Instituto de Antropologia em quinze minutos. Quem não acreditar em milagre, entre nesta casa e veja como em tão poucas paredes se expõe tanta pesquisa e se arruma tanta riqueza. Quem olha para o Louvre sabe de antemão que muitos dias não bastam ainda para observar as maravilhas artísticas contidas no seu interior. Quem olha para o Instituto de Antropologia, pensa de antemão que alguns minutos bastam para conhecer o que é que tem para admirar. Uma vez no seu interior a gente pede que o relógio do tempo pare; pare para que possamos ter contacto com tanta maravilha. Não podemos imaginar como em tão pouco tempo se realiza tanto193. No momento de intensa atuação e grande visibilidade, o Instituto de Antropologia começou a sofrer com pressões externas que aos poucos foram interferindo em sua autonomia. Ainda no ano de 1964, o Instituto recebeu a denominação de Instituto de

Antropologia Câmara Cascudo, em homenagem ao seu primeiro diretor e um dos seus

fundadores, Luís da Câmara Cascudo. Mais uma vez vemos presente nesse espaço o capital científico de Câmara Cascudo. O nome Câmara Cascudo institui uma identidade social constante e duradoura que, conforme Bourdieu, garantiu não só a identidade desse indivíduo no espaço social, no qual ele intervém como agente, como também transferiu ao espaço social, o Instituto de Antropologia, a sua individualidade socialmente representada. Através desse espaço social de agentes diferentes, o nome Instituto de Antropologia Câmara Cascudo manifestou essa individualidade194.

Essa identidade social acabou virando um problema para o Instituto, evidenciada quando, em junho de 1966, Cabral expõe a necessidade de uma nova mudança de nome, agora para Instituto de Ciências Naturais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Para não causar conflitos com Cascudo, Cabral se justifica informando que sua intenção não era tirar o nome de Câmara Cascudo do Instituto, explicando que o nome Instituto de

Antropologia Câmara Cascudo “limitava a expansão da pesquisa ao campo da Antropologia

[...] Fiquei sem saber como iria justificar o pedido de equipamentos para geologia e paleontologia”195.

Se levarmos essa situação para a noção de campo científico de Bourdieu, visualizamos o campo como um mundo social que faz imposições e lida com as relações de forças entre os agentes. Cabral, como administrador do Instituto ao tentar modificar o nome da instituição reconhecia as pressões externas desse campo. No entanto, a oportunidade que um agente tem de submeter os seus desejos à essas forças externas é proporcional à sua própria força sobre o

193 ARQUIVOS DO INSTITUTO DE ANTROPOLOGIA. v.1, n. 1, março de 1964. p. 95-96.

194 BOURDIEU, Pierre. Razões práticas: sobre a teoria da ação. Campinas/SP: Papirus, 2011. 11. ed. p. 81. 195 Ofício: 059/1966, Natal, 16 de junho de 1966. De José Nunes Cabral ao Reitor Onofre Lopes.

campo, isto é, ao seu capital simbólico. Cabral, como agente, não teve força suficiente para lutar com o peso do capital simbólico de Cascudo e o nome do Instituto permaneceu Instituto

de Antropologia Câmara Cascudo.

Desde a sua formação é possível perceber como o IA lidou com as pressões externas. Seja na falta de pesquisadores, que o levou a formar o seu próprio pessoal, quanto na falta de espaço físico, onde buscou doação de um terreno para construir sua sede própria. Entre outros percalços inerentes a qualquer instituição, seja científica ou não.

No entanto, como os planos de Cabral eram aumentar ainda mais as áreas de pesquisa do IA, o problema de pessoal ainda persistia. No departamento de Antropologia Física, o principal problema apontado era a preparação de um Geneticista, considerado indispensável aos trabalhos da área. O departamento de Geologia e Paleontologia do Quaternário apontava como maior problema a preparação de um especialista em Micropaleontologia, especificamente para a Palinologia, na época um campo praticamente inexplorado no Brasil e completamente novo no Nordeste.

Contudo, o problema maior que o IA enfrentou em 1965 dizia respeito ao próprio funcionamento do Instituto, que, nas palavras de Cabral, “periclita, face aos dispositivos constantes do Estatuto do Magistério”. O Estatuto que Cabral faz referência é a Lei nº 4.881- A, de 6 de dezembro de 1965, que dispõe sobre o Estatuto do Magistério Superior, que exige ao cargo de pesquisador da Universidade a formação de nível superior. A lei do Magistério revogou a Lei nº 4.723, de 9 de Julho de 1965, que enquadrava na classe de pesquisador aqueles que à pesquisa se dedicavam, independentemente de nível superior. A situação do IA era preocupante, pois quatro dos seus pesquisadores auxiliares ainda cursavam o 2º ano do curso de Geografia da Faculdade de Filosofia de Natal. Em carta endereçada à Paula Couto, do Museu Nacional, Cabral desabafa: “isso acarreta grandes transtornos, principalmente para os trabalhos de campo. [...] Tudo foi por água a baixo e muitos dispõem-se a deixar a Instituição”196.

Como solução para esse problema, Cabral propôs ao reitor Onofre Lopes considerar o

Curso de Introdução à Antropologia, assim como os trabalhos de campo e laboratório, como

um curso de formação de nível superior, enquadrando assim os pesquisadores auxiliares do IA dentro da Lei do Magistério, com cargo equivalente ao de assistente de ensino.

Resolvido o problema, o IA conseguiu manter seus pesquisadores, promovendo alguns a chefe de departamento. Adequando-se às necessidades de pesquisa, reorganizou novamente os seus setores, contando, já no ano de 1970, com a seguinte estrutura:

O final da década de 1960 foi decisivo para o Instituto, pois, mais uma vez, ele viu sua autonomia ser pressionada por eventos externos. A partir do ano de 1968, a Universidade passou pela reforma universitária, que ocasionou sua restruturação, marcou o fim das faculdades e agrupou os diversos departamentos em centros acadêmicos. O Instituto de Antropologia foi se tornando isolado da Universidade, tanto fisicamente, pois o campus universitário encontrava-se em construção, quanto administrativamente, com o futuro do IA tornando-se outra vez incerto.

“Desesperado!” É assim que Cabral se define, ao saber que o Instituto de Antropologia estava sendo sufocado dentro da própria instituição a qual fazia parte. Em uma tentativa de salvar a estrutura que o Instinto havia construído, Cabral consegue junto ao reitor a mudança do nome Instituto de Antropologia Câmara Cascudo para Museu de Antropologia Câmara

Cascudo, medida, segundo Cabral, de “incalculável valor e importância, uma vez que o museu poderá abrigar, de agora em diante, todos os campos da pesquisa”.

No entanto, não existe um documento que oficializa a mudança do nome Instituto de Antropologia para Museu. O que existe é a Resolução 81/73 do Conselho Universitário (CONSUNI), de 04 de outubro de 1973, que cria o Museu Câmara Cascudo (MCC) com objetivo de manter o acervo do Instituto de Antropologia. Foi somente com o Decreto nº 74.211, de 24 de junho de 1974, que mais uma vez modificou a composição da Universidade, que o IA some de sua estrutura. Com o Decreto o Instituto de Antropologia se funde com os Institutos de Ciências Humanas, de Letras e Artes, com o do Serviço de Psicologia-Aplicada

Antropologia Cultural Arqueologia Antropologia Biológica Genética Zoologia Paleontologia Geologia

(SEPA), a Escola de Música e o Núcleo de Estudos Brasileiros para formar o Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes.

O Museu Câmara Cascudo foi criado conforme as seguintes considerações: a necessidade de preservar as pesquisas do IA; e de estruturar atividades de proteção e exposição do acervo do IA. O nome “Câmara Cascudo” permanece, tendo como justificativa a sua importância cultural como cientista social e humanista197.

O MCC nasceu com a finalidade explícita de manter as produções materiais de uma instituição ameaçada, prestes a ser descontinuada. Cabral, que assumiu a direção do MCC, aferiu grande importância à mudança do nome, colocando o Museu Câmara Cascudo no mesmo nível dos principais museus brasileiros ligados à pesquisa científica naquela época, o Museu Paraense Emílio Goeldi e o Museu Nacional do Rio de Janeiro:

[...] a mudança do nome do Instituto de Antropologia Câmara Cascudo para Museu Câmara Cascudo, medida essa que colocava o IA nas mesmas condições do Museu Paraense Emílio Goeldi e do Museu Nacional do Rio de Janeiro198.

Em correspondência, datada de 23 de maio de 1977, dois anos antes de sua morte, Cabral diz: “o maior sonho de minha vida foi construir na minha terra um ensino de Anatomia que dignificasse por todos os títulos o curso odontológico brasileiro” e fala sobre os avisos que recebeu: “Você quer um céu grande demais pra tão pouca terra. Não acreditei.” E continua “há quem aqui afirme que das cinzas da minha anatomia nascia uma obra maior [...]: o Museu Câmara Cascudo”199.

O entusiasmo de Cabral pode ser visto como a projeção do seu desejo de continuidade dos trabalhos que vinha fazendo no IA. O que Cabral não avistava era que a mudança de Instituto para Museu significaria também a descontinuidade de muitas das ações daquele espaço. Desde que nasceu, o Instituto de Antropologia dedicou-se à pesquisa básica e acadêmica que se fechava no seu próprio campo científico e não se constituía prioridade política desde o início do século XIX. Conforme aponta a historiadora Heloísa Domingues, a Antropologia e as Ciências Naturais, campo explorado pelo IA, não mais possuía utilidade social ou econômica nos planos políticos do Estado brasileiro. A política científica nacional incentivava a realização de pesquisas que fornecessem matéria prima para as indústrias, ou

197 Ibid.

198 ATA DA 39ª ATA DA REUNIÃO DA CONGREGAÇÃO DO MCC/UFRN, 1973. 199 Carta enviada por Cabral de 23 de maio de 1977.

seja, que priorizasse o desenvolvimento da economia. Nas palavras de Domingues: “sem preocupação com a natureza ou com as populações locais”200.

A estrutura física e material do que um dia foi o Instituto de Antropologia permaneceu a mesma, mas as relações administrativas com a Universidade foram modificadas. Primeiramente, o Museu passou a ser vinculado ao Departamento de Geociências do Centro de Ciências Exatas e Naturais201, tendo organização própria e definida em regimento específico, conforme o item V do Art. 145, do Estatuto da UFRN/1975. Com a reformulação do Estatuto da UFRN/1977, o MCC, dado à sua grande diversificação nas áreas do conhecimento e da pesquisa foi mantido como órgão suplementar de acordo com o item V do Art. 8º do Estatuto/1977, vinculado diretamente à Reitoria.

O Museu, sendo unidade suplementar da Universidade, não poderia mais lotar professores em seu quadro. Sem poder contratar novos pesquisadores, as atividades de pesquisa do Museu diminuíram consideravelmente, tornando-se quase inexpressivas, se comparadas à produção do IA. Com uma produção científica pequena, o espaço expositivo estagnou, a exposição permaneceu a mesma durante anos, sofrendo apenas pequenas alterações pontuais.

Com o passar dos anos, o Museu se viu mais isolado da Universidade, perdendo boa parte de seus professores, pesquisadores e produção científica. Transformou-se em um reflexo da dura realidade dos museus universitários brasileiros. Uma realidade nunca imaginada pelos seus idealizadores e colaboradores.

200 DOMINGUES, Heloisa Maria Bertol. Heloisa Alberto Torres e o inquérito nacional sobre ciências naturais e antropológicas, 1946. Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciênc. Hum., Belém , v. 5, n. 3, Dec. 2010, p. 641. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1981-81222010000300005&script=sci_arttext>. Acesso em: 23 abril 2014.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste trabalho, analisamos a formação do Instituto de Antropologia como um espaço dedicado à prática científica, durante o período de 1960 a 1973. Como assinalamos na introdução, apesar do Instituto ter sido criado oficialmente no ano de 1960, escolhemos por abranger o recorte temporal, dando início ao levantamento de dados a partir do ano de 1956. Nesse período de cinco anos, que antecede a criação do Instituto, conseguimos resgatar, entre as fontes, dois cenários que, juntos, formam a narrativa que possibilitou a criação de um espaço de ciência no Rio Grande do Norte.

A ideia de criação do Instituto de Antropologia começou a aparecer um ano antes de sua criação oficial, com a publicação de um texto escrito por Luís da Câmara Cascudo em 1959, no qual comunica à população norte-rio-grandense o surgimento dessa instituição de pesquisa. No texto, que soa quase como uma certidão de nascimento da instituição, em alusão clara ao discurso que Cascudo proferiu na instalação da Universidade do Rio Grande do Norte e que hoje é considerado sua certidão de nascimento, Cascudo questiona em tom provocativo quem seriam os responsáveis por pensar e levar adiante o audacioso projeto.

Apesar de não mencionar nomes, o próprio Cascudo figurava entre os intelectuais responsáveis por pensar aquele espaço, juntamente com Dom Nivaldo Monte, Veríssimo de Melo e José Nunes Cabral de Carvalho que, como agentes sociais, pensaram e fizeram o Instituto de Antropologia. Apresentamos então, ao longo do capítulo 1, uma breve biografia desses personagens, traçando a partir de momentos específicos de suas trajetórias profissionais as suas atividades como membros de um campo científico ainda em construção.

Entendemos a participação de Cascudo como a maior autoridade local nos estudos etnográficos, juntamente com Veríssimo de Melo, que seguia os seus passos. Dom Nivaldo, líder religioso que dividia seu amor pela religião e pela ciência, e Cabral, que buscou criar em Natal um espaço científico inspirado nas grandes instituições de pesquisa da época.

Mostramos como o peso do capital científico de cada um influenciou em suas participações no projeto do Instituto e como suas posições definiram a sua permanência. Com Cascudo e Dom Nivaldo, com a identidade de pesquisador solitária sobressaindo ao trabalho coletivo, ocasionando as suas saídas do Instituto ainda no seu primeiro ano de funcionamento. E Veríssimo e Cabral, que muito mais que cientistas, assumiram o papel de administradores

científicos, permanecendo e imprimindo ao Instituto os seus projetos naquele campo científico.

Registramos que, por mais que as decisões desses personagens tenham se baseado em interesses pessoais, elas foram fortemente influenciadas por questões externas. Como a fragilidade econômica, que preocupava as lideranças intelectuais locais, que ansiavam pelo desenvolvimento técnico e científico do Estado.

O discurso em prol da ciência e da técnica foi demostrado ao longo do segundo capítulo por meio da análise de seis textos publicados no jornal A República e que mostra bem a situação frágil da economia do Rio Grande do Norte, administrada com politicas públicas imediatistas e que não investiam na formação de especialistas técnicos e nem em pesquisas que poderiam revelar a realidade, assim como as soluções dos principais problemas do estado. O Rio Grande do Norte encontrava-se em situação de desenvolvimento inexpressiva, se comparado aos outros estados da nação. Um ponto que afligia bastante os intelectuais locais que circulavam pelos outros estados brasileiros e almejavam para sua terra natal o mesmo nível de desenvolvimento.

Encontramos, nos textos analisados, um discurso que pregava como solução para o estado o seu desenvolvimento técnico e científico, tema que surge dentro do território nacional ainda no início do século XX. Ao assinalar a situação precária na qual o Rio Grande do Norte se encontrava, os textos apontam também como solução a formação de cientistas por meio do ensino de nível superior. Outro tema que, a partir da década de 1930, ganhou bastante força com a criação das primeiras universidades brasileiras, associadas constantemente como espaços responsáveis pela promoção do progresso brasileiro.

Ressaltamos como na capital potiguar as Faculdades e Escolas de nível superior apareciam como os principais espaços responsáveis pelo desenvolvimento científico do estado, papel logo assumido pela Universidade do Rio Grande do Norte, quando criada no ano de 1958. Ao ser instituída, incorporou as Faculdades e Escolas de nível e superior para formar os especialistas que os intelectuais tanto almejavam e o estado tanto necessitava. E, para se dedicar à pesquisa científica, criou o seu primeiro centro de pesquisa, o Instituto de Antropologia.

Mostramos, assim, como a criação do Instituto de Antropologia esteve diretamente relacionada não somente com as escolhas individuais de seus fundadores, mas também com questões políticas, que figuravam em pauta no cenário nacional desde a década de 1930, mas que só emergiram de forma imperativa no Rio Grande do Norte, no final da década de 1950.

Registrado esse primeiro quadro, no terceiro capítulo, mostramos como o Instituto de Antropologia se organizou como um espaço de ciência, analisando suas principais estratégias para se afirmar no campo científico. Revelamos como um espaço com tão poucos recursos, de caráter financeiro, material e de pessoal, conseguiu, nos seus primeiros anos, executar diversas ações, como o vasto programa de pesquisas e viagens de campo, que trouxe aos seus laboratórios uma quantidade expressiva de coleções científicas, a formação do seu próprio quadro de pesquisadores, tendo a sua frente apenas dois personagens: José Nunes Cabral de Carvalho e Veríssimo de Melo, cada um a frente do departamento de sua especialidade.

Ao longo dos doze anos de atuação efetiva, o Instituto de Antropologia de Natal colecionou elogios dos principais pesquisadores das instituições científicas do período. Contudo, como toda organização social, o Instituto sofreu com pressões externas que ameaçavam sua autonomia. Algumas foram superadas, como o problema da falta de pesquisadores, resolvida com a criação do curso de Introdução à Antropologia. A dificuldade com o espaço físico, que logo foi ultrapassada com a construção de sua nova sede, tendo um prédio exclusivo para exposição das coleções e outro para os laboratórios e salas de pesquisa.

Entretanto, os maiores desafios do Instituto estavam na estrutura da própria Universidade, instituição no qual estava inserido. Primeiro com a Lei do Magistério que por pouco não deixou novamente o Instituto com um número insuficiente de pesquisadores em seu quadro. Problema resolvido pela atuação de Cabral junto ao reitor Onofre Lopes. E segundo, com a reforma universitária, que modificou totalmente a estrutura da Universidade e interferiu diretamente no funcionamento do Instituto.

A reforma universitária decretou o esgotamento do seu primeiro espaço científico que não mais se enquadrava dentro das novas regras do regime universitário. O Instituto de Antropologia teve seu nome modificado para Museu Câmara Cascudo e foi enquadrado como unidade suplementar. O orçamento, que já era pequeno, diminuiu mais ainda e com ele as viagens de campo. O quadro de pesquisadores, que já se mostrava insuficiente para o tamanho das pesquisas desenvolvidas, foi aos poucos se esvaziando. O Museu Câmara Cascudo, que deveria dar continuidade e se equiparar ao Museu Nacional e ao Museu Emílio Goeldi, estagnou, mantendo apenas os vestígios materiais de um espaço de ciência que um dia foi considerado um dos mais ativos do Brasil.

REFERÊNCIAS

A REPÚBLICA. Natal, 14 julho 1956.

____________. Natal, 07 agosto 1956 ____________. Natal, 03 julho 1959. ____________. Natal, 05 julho 1959. ____________. Natal, 25 setembro 1959. ____________. Natal, 03 fevereiro 1960. ____________. Natal, 17 março 1960.

A IGREJA E A RECUPERAÇÃO ECONOMICA..., A República, Natal, 3 mar. 1957. p. 22.

A UNIVERSIDADE DO RIO GRANDE DO NORTE, A República, Natal, 26 junho 1958. p. 3.

ABREU, Regina. Colecionando o outro: o olhar antropológico nos primeiros anos da República no Brasil. In: HEIZER, A.; VIDEIRA, A.A.P. (Orgs.) Ciência, Civilização e

República nos Trópicos. Rio de Janeiro: Mauad X; Faperj, 2010.

AGUIAR, M. C. R. D. História do Ensino Farmacêutico no RN. Natal: Ed. Universitária, 1992.

AMPLIA OS SEUS RUMOS O 5º DISTRITO DO DNOCS, A Republica, Natal, 05 agosto 1956. p. 4.

ANDRADE, Alenuska Kelly Guimarães A eletricidade chega à cidade: inovação e técnica e a vida urbana em Natal (1911-1940). Dissertação (Mestrado em História) – UFRN, CCHLA, PPGH, Natal, 2009.

ARAÚJO, Denílson da Silva. Dinâmica econômica, urbanização e metropolização no Rio

Grande do Norte (1940-2006). Tese (Doutorado em Desenvolvimento Econômico) -

Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Economia, 2009.

ARDIGÓ, Fabiano. Histórias de uma ciência regional: cientistas e suas instituições no Paraná (1940-1960). São Paulo. Contexto, 2011.