TÜRKİYE’DE ARAZİ YÖNETİMİNE İLİŞKİN SORUNLAR
İSTANBUL PLANLAMAS
Ao analisar os leilões sob a perspectiva dos jogos, é preciso, conforme destacado por Milgrom (1985), especificar o modelo de jogo. Para isso, o autor ressalta a importância de identificar os jogadores, quais informações eles têm, as ações disponíveis para cada um deles, a forma como seus pagamentos (ou níveis de utilidade) são determinados e o comportamento esperado dos agentes. Em um leilão típico, os jogadores são os proponentes; as informações referem-se às regras do leilão, às características do objeto e itens similares, além das informações privadas relacionadas às preferências dos proponentes. De maneira bastante simplificada, suas ações podem ser participar ou não do leilão e o tipo de estratégia utilizada para formar o lance.
Em relação às regras do jogo, os leilões2 de transmissão de energia, utilizados no Brasil desde 2000, são de venda com um formato híbrido. Em um primeiro estágio, o leilão é do tipo selado, com as propostas dadas em envelopes fechados.
2 Uma revisão dos principais leilões utilizados no sistema brasileiro de energia elétrica, com ponderações teóricas, pode ser vista em Cezario (2007). Sobre leilões de compra de energia elétrica proveniente de empreendimentos existentes, ver Correia, Melo e Costa (2006).
30
Todos os lances precisam ser iguais ou inferiores ao valor máximo permitido em edital, e o vencedor é aquele com a menor proposta. O segundo estágio, que ocorre apenas quando existem lances dentro da faixa 5% acima do vencedor da etapa anterior, é do tipo aberto e descendente. Nessa segunda rodada, os lances são feitos publicamente, em ordem decrescente, a partir do lance vencedor da etapa anterior, até que apenas um concorrente fique na disputa, vencendo-a. O vencedor, então, poderá firmar um contrato com o governo, acordando a receita que deverá receber e as características da concessão que deverá administrar.
Nos leilões selados, o participante escolhe um único lance para apresentar, e o lucro esperado, em caso de vitória, é a diferença entre o valor do objeto e o lance pago por ele (MILGROM, 1985). Milgrom (1985) destacou que a estratégia do jogador para maximizar seu lucro é efetuar um lance igual à sua propensão marginal a pagar pelo objeto, de forma que o lance é uma função do valor do objeto para o próprio jogador. Na formação do lance, o agente considera, por um lado, a possibilidade de efetuar um lance muito baixo e vencer a disputa, mas com pouco lucro; e, por outro, a possibilidade de efetuar um lance que garante lucro elevado, mas não deve resultar em vitória (INSTITUTO ACENDE BRASIL, 2012). A estratégia consiste em estimar qual deve ser o segundo menor lance, a partir de uma função de avaliações de outros licitantes, e submeter um lance ligeiramente menor que este (McAFEE; McMILLAN, 1987).
Numa eventual segunda etapa dos leilões de transmissão de energia, porém, a estratégia é fazer reduções incrementais até que o valor do objeto seja alcançado ou os demais participantes abandonem a disputa. A vantagem da utilização dos leilões híbridos é que a combinação dos diferentes formatos pode corrigir eventuais problemas potencialmente apresentados pelos tipos individuais (DUTRA; MENEZES, 2002). Formatos híbridos de leilões são utilizados no setor elétrico nos segmentos de transmissão e comercialização de energia, combinando uma etapa selada e uma eventual segunda etapa oral e descendente.
Especificamente, o formato híbrido do leilão de transmissão é similar ao leilão de venda estudado por Dutra e Menezes (2002) e ao aplicado nos leilões de espectro de telefonia (ango-holandês3), mas em sua forma reversa. No estudo desses
3 O leilão anglo-holandês é formado por uma primeira etapa ascendente (modelo inglês), em que o preço é elevado continuamente até restarem apenas dois competidores. Em seguida, esses dois
31
autores, os licitantes entregam lances em um envelope, e o maior lance vence desde que a diferença entre ele e o segundo maior lance seja superior a um determinado percentual. Sendo a diferença inferior, ou seja, se existirem outros lances tão elevados quanto o maior, dentro dessa faixa, então, esses compradores participarão da segunda etapa, que é ascendente e selada. Nessa segunda fase, o maior lance da primeira configura o preço de reserva. Desse modo, a diferença entre esse formato e o empregado nos leilões de transmissão de energia elétrica no Brasil está no fato de um ser de venda e o outro ser de compra (leilão reverso), vencendo, deste modo, o maior lance no primeiro caso e o menor, no último. Além disso, a segunda etapa dos leilões de transmissão de energia não é selada, mas oral.
Considerando essas semelhanças, ao analisar as características do leilão estudado por Dutra e Menezes (2002), podem-se entender as características teóricas do leilão brasileiro de transmissão de energia elétrica. O modelo desses autores considera três compradores neutros ao risco competindo por um único objeto, que tem tanto um componente privado como outro de valor comum. Assim, cada comprador define seu lance considerando um componente privado e uma estimativa, sinalizada por especialistas, de qual deve ser o valor comum do objeto.
Nesse formato, a primeira etapa selada evitaria a formação de colusões tácitas, comuns em leilões ascendentes, e, complementarmente, o leilão ascendente elevaria a receita obtida com a venda do objeto. A conclusão dos autores foi, justamente, que o formato geraria a maior receita ao vencedor, quando comparado a outros leilões comuns. Desse modo, contrapondo para a realidade da transmissão de energia, o formato de leilão escolhido pelo governo brasileiro é aquele que trará, a princípio, a maior economia de recursos públicos, em termos de menores receitas a serem pagas às concessionárias. Ou, em última instância, a menor tarifa a ser repassada para o consumidor.
Considerando o leilão em que os participantes disputam um contrato governamental de concessão pública, cada participante submete um lance a partir do seu custo estimado para a administração do contrato. Esse custo depende, em parte, de características do objeto comuns a todos os demais concorrentes e, em parte, de
entregam um último lance, não inferior ao maior lance do leilão inglês, em etapa selada (modelo holandês).
32
como essas características são percebidas pela própria empresa em termos de potenciais sinergias ou ganhos econômicos.