1. BÖLÜM
5.2. İsmet İnönü Döneminde Dil Politikaları
Quanto à tipologia, os principais tipos são: a) modo:
- falado: composto por falas transcritas;
- escrito: composto de textos escritos, impressos ou não.
b) tempo:
- sincrônico: analisa um período de tempo;
- diacrônico: compara mais de um período de tempo; - contemporâneo: representa o tempo corrente; - histórico: represente um período passado. c) seleção:
- de amostragem: composto por porções de texto (planejado para ser uma amostra finita da linguagem);
- monitor: a composição é reciclada para refletir o estado atual de uma língua (opõe-se à de amostragem);
- dinâmico: o corpus pode crescer ou diminuir (qualifica o monitor);
- estático: o corpus não pode crescer ou diminuir (caracteriza o de amostragem); - equilibrado: os componentes são distribuídos em quantidades semelhantes (mesmo número de textos por gênero, por exemplo).
d) conteúdo:
- especializado: os textos são de gêneros ou registros definidos;
- regional ou dialetal: os textos são de uma ou mais variedades sociolinguísticas específicas;
- multilíngue: inclui idiomas diferentes. e) autoria:
- de aprendiz: os autores não são falantes nativos; - de língua nativa: os autores são falantes nativos. f) disposição interna:
- paralelo: os textos são comparáveis (por exemplo, original e tradução); - alinhado: as traduções aparecem abaixo de cada linha do original. g) finalidade:
- de estudo: o corpus se pretende descrever;
- de referência: usado para fins de contraste com o corpus de estudo;
- de teste: com a finalidade de permitir o desenvolvimento de aplicações e ferramentas de análise.
4.3. Coleta de dados
Em termos mais práticos, Sardinha (2004, p. 45-82) fala sobre a coleta de dados. Segundo ele, a internet tornou-se um vasto depósito de textos e pode ser encarada, ela mesma, como um corpus em si. Recentemente tornou-se comum entre os linguistas usar a internet como um corpus virtual. A internet é maior que qualquer biblioteca existente, e nela encontram-se inclusive palavras pouco frequentes. Contudo, como não se sabe que critérios foram usados para compor seus textos, devem-se interpretar seus dados cuidadosamente, especialmente no que diz respeito à frequência. Há textos escritos, cópias de textos escritos e textos que refletem a fala. Além disso, a internet é um corpus
virtual e, assim como o discurso de qualquer comunidade de fala, não se pode esperar acessá-la como um todo.
Para facilitar o trabalho de coleta e manuseio dos textos de internet, Sardinha (2004) sugere a utilização de alguns programas, como o WordSmith Tools, usado também como ferramenta de análise de dados. Para um corpus especializado e digitalizado, ele sugere um número mínimo de 100 mil palavras (p. 147).
4.4. Análise da frequência
Para Sardinha (2004), o estudo da frequência é essencial na análise do corpus. A frequência de uso é um atributo da palavra, um definidor, um traço tão inseparável quanto o sentido. A palavra assume seu valor pela soma de seus empregos.
Para Biderman (1998, p. 162, apud Sardinha, 2004, p. 163),
[…] a frequência é uma característica típica da palavra. Aliás, a norma linguística se baseia na frequência dos usos linguísticos. Assim, a norma linguística nada mais é do que a média dos usos frequentes das palavras que são aceitas pelas comunidades dos falantes. E não é só isso. Também as mudanças linguísticas que, no decorrer da história, levam de um estado de língua a outro advêm das frequências de certos usos em detrimento de outros.
Assim como a Linguística de Corpus, a Estatística Léxica e a Linguística Quantitativa conferem papel central à frequência na investigação do léxico. A importância da frequência, contudo, não é unanimidade entre as linhas de pesquisa. A Semântica Lexical, por exemplo, dá maior ênfase aos traços distintivos, sem levar em conta a probabilidade de ocorrência das palavras. Neste trabalho, pretende-se dar especial relevância à questão da frequência por se entender que ela é essencial tanto na formação dos campos lexicais quanto na propriedade que o léxico tem de representar a realidade.
Como há muitas formas de se classificar uma palavra, faz-se importante especificar em qual sentido o termo está sendo empregado. Sardinha (2004, p. 165-166) propõe a seguinte classificação:
- tokens: palavras corridas; cada palavra conta uma ocorrência, mesmo que repetida;
- types: conta-se o número de palavras diferentes; as ocorrências repetidas não são consideradas;
- palavras lexicais: palavras de conteúdo, que pertencem às categorias morfossintáticas substantivo, adjetivo, verbo (apenas os principais ou não), advérbio, interjeição e numeral;
- palavras gramaticais: palavras funcionais, de categorias fechadas, como pronomes, artigos, preposições, conjunções e, em alguns casos, verbos auxiliares e modais;
- lemas: considera-se a palavra com todas as suas variantes, como conjugações, variação de número, gênero, etc.;
- hapax legomena: itens de frequência 1;
- hapax dislegomena: itens que ocorrem mais de uma vez no corpus.
Nesta pesquisa, o corpus será formado por dados da internet, agrupando cerca de 750 mil palavras. Trabalhar-se-á com lexemas, e a análise da frequência será essencial. Assim, a Linguística de Corpus se mostra uma metodologia adequada para esse tipo de análise e será, portanto, adotada nesta pesquisa, pois além de definir a composição do corpus, delimita as formas de análise e fornece recursos computacionais para se alcançarem resultados mais precisos.
5. Objetivos
Embora o tema escolhido para o presente trabalho seja bastante instigante e permita diferentes abordagens, impõe-se determinar objetivos bem definidos para tornar produtiva a análise. Em função disso, estabeleceram-se para o presente estudo os seguintes objetivos:
5.1. Objetivo geral
Descrever, analisar e comparar o léxico do discurso religioso de falantes de três diferentes religiões, com base em suas doutrinas.
5.2. Objetivos específicos
- Descrever e analisar o léxico do discurso religioso de falantes da Igreja Católica Apostólica Romana, tomando como referência as doutrinas católicas;
- Descrever e analisar o léxico do discurso religioso de falantes da Igreja Adventista do Sétimo Dia, tomando como referência as doutrinas adventistas;
- Descrever e analisar o léxico do discurso religioso de falantes da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, tomando como referência as doutrinas assembleianas;
- Comparar o léxico do discurso religioso das três igrejas mencionadas; - Testar a hipótese do presente estudo.
6. Hipótese
Na seção de introdução, falou-se um pouco sobre como léxico e realidade estão inter-relacionados e como mudanças sociais afetam diretamente o léxico. A linguagem é o meio pelo qual os homens melhor interagem socialmente e compartilham experiências; ela é a expressão do mundo real e do universo que os cerca. Língua e cultura se interdefinem e se inter-relacionam. É por meio dele que as aquisições culturais são ensinadas e passadas nas gerações.
Também se viu que os estudos teóricos sobre o léxico revelaram que existe uma complexa organização do léxico na mente, que o estrutura por meio de nós, formando campos léxicos. Essa organização leva em conta aspectos como similaridade de sentido, de som e de função. Os campos léxicos são interligados e abertos, formando uma rede semântica em que trocas, acréscimos e modificações são permitidos e constantes. Viu-se também que isso se deve ao fato de o léxico ser um espelho da realidade, o aspecto linguístico mais suscetível às mudanças sociais e que melhor representa e expressa a cultura e a realidade em que o falante está inserido. Portanto, não é possível dissociar o léxico do aspecto social.
Dentre os diversos aspectos sociais que são influentes no léxico está a religião. A religião é um importante marcador da cultura e da organização da sociedade. Ela é uma referência de construção da conduta dos indivíduos; é objeto de fundamentação da fé e das manifestações tradicionais que eles praticam. A religião separa os indivíduos em grupos específicos, e o léxico religioso é fundamental nessa questão, pois é um importante fator de identificação social. Indivíduos que possuem as mesmas crenças tendem a compartilhar um léxico semelhante e procuram evitar a diferenciação, como forma de preservação da doutrina e do vínculo a uma determinada corrente religiosa. Assim, a unidade lexical no campo religioso é reforçada por aspectos sociais. E como a religiosidade é um aspecto cultural, manifesta-se na linguagem e, principalmente, no léxico.
Dois trabalhos lançam luz sobre como essa relação religião-léxico se estabelece. O primeiro deles é o de Bernardo e Mendes (2012). Esse trabalho objetivou mostrar como crendices e religiosidade afetam o léxico em contextos rurais do município de Catalão, em Goiás. Segundo os autores, a religiosidade é um fator de identidade cultural e como tal está presente na língua, e mais especificamente no léxico. É um fator cultural que “motiva a identidade grupal na comunidade e fortalece suas raízes socioculturais” (p. 10). Ainda segundo eles, a religiosidade está preservada na memória e se reflete na vida
cotidiana dos indivíduos, que conduzem suas ações para a preservação da identidade – os indivíduos compartilham os fatos religiosos a fim de preservá-los e como uma forma de se identificar com os que compartilham das mesmas crenças (p. 15). E a forma de fazer isso é o léxico, pois é nele que “simbolicamente se evidenciam com maior clareza a realidade na qual os sujeitos se inserem e mantêm suas relações cotidianas” (p. 15). Assim, a religiosidade ajuda a manter e fortalecer as raízes e a identidade sociocultural dos falantes, pois, além de ser um fator de fundamentação da fé e da conduta, funciona como elemento de sociabilidade e de preservação de identidade, pois permite reconhecer, relembrar e se solidarizar com os demais.
Outro trabalho que reforça isso é o de Cambraia, Vilaça e Melo (2013). Nesse trabalho, os pesquisadores investigam o léxico românico de religião em traduções medievais trabalhando com a hipótese de que as semelhanças lexicais são sinal de visão de mundo convergente. O estudo revela que o cristianismo trouxe consigo uma rica cultura espiritual e teológica e que os romances e escritos medievais foram nutridos por essa cultura eclesiástica. O trabalho confirmou a hipótese de convergência no campo lexical da religião, o que se explicou pela pressão da influência da língua latina em si (língua da igreja e de seus textos e ofícios). Além do mais, os autores constaram que
A unidade lexical no âmbito da religião deve decorrer de as palavras representarem conceitos específicos e fundamentais para a corrente religiosa em questão, razão pela qual haveria uma tendência de resistência à diferenciação, pois novas formas lexicais poderiam levar os falantes à constituição de percepções divergentes da doutrina, o que, naturalmente, não seria interessante para preservação do vínculo dos fiéis a uma corrente específica (CAMBRAIA; VILAÇA; MELO, 2013, p. 32, 33).
Assim, a unidade lexical no campo religioso é reforçada por aspectos sociais, a saber, a necessidade de manutenção da crença e a resistência à diferenciação, que poderia configurar divergência doutrinária.
Dessa forma, esses dois trabalhos mostram, de forma prática, que o aspecto religioso tem forte influência no léxico e nas escolhas lexicais dos falantes.
No presente estudo, propõe-se analisar o léxico em função de sua ligação com a religiosidade. Três grupos religiosos são considerados a fim de se representarem correntes doutrinárias distintas. Como se viu na análise das doutrinas, essas diferenças muitas vezes chegam a ser enfatizadas como estratégia de identificação e, consequentemente, diferenciação dos demais grupos. O que se espera é que o léxico produzido represente
essa realidade religiosa e, mais que isso, represente também as convergências e, principalmente, as divergências doutrinárias das três igrejas.
Diante disso, a hipótese que se pretende testar neste trabalho é:
Falantes de diferentes correntes religiosas apresentam léxico diferente entre si.
Para tanto, serão analisados os dados das três igrejas em estudo à luz das doutrinas de cada igreja, e, em seguida, os resultados serão comparados, de forma a se averiguar a correspondência ou não no léxico dos falantes das três igrejas.
7. Metodologia