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II Abdülhamit Döneminde Dil politikaları

1. BÖLÜM

4.3. II Abdülhamit Döneminde Dil politikaları

Biderman (1981, p. 139) considera que as associações mentais formam redes semânticas. Esse fenômeno seria comprovado empiricamente pelo fato de que, dada uma palavra, ela produz imediatamente uma palavra-resposta. Isso seria resultado do encadeamento do léxico em redes semânticas. Assim, a rede semântica mental seria formada por ligações entre os lexemas de modo funcional, formando campos léxicos. “Uma rede semântica é composta da integração estruturada de vários campos léxicos. Um campo léxico integra uma rede semântica juntamente com muitos outros campos léxicos.” Nessa organização mental, dois fatores devem ser considerados: a) a frequência das palavras no uso linguístico; e b) o encadeamento de sentido e/ou de forma segundo um modelo paradigmático. Isso quer dizer que deve haver uma forma de acesso rápido às palavras mais frequentes, como, por exemplo, palavras instrumentais, como as preposições. Biderman chega a levantar a hipótese de que esse tipo de palavra estaria estocado em áreas diferentes das palavras de conteúdo lexical e ordenado paradigmaticamente segundo a sua função gramatical. Ela também considera que, dentre as palavras de conteúdo léxico, as palavras mais frequentes ocupam o núcleo dentro de um campo léxico (isso remete à estrutura prototípica de Rosch comentada por Aitchison (2003)). Podem também constituir os primitivos léxicos de uma língua, sendo, por isso, as primeiras palavras significativas que um indivíduo aprenderia.

Para Biderman (p. 141), a associação entre os signos se estabelece de duas formas: a) por contiguidade, similaridade; e b) por oposição. Quanto a esta última, incluir-se-iam associações dos contrários, como antônimos. Relativamente às associações por similaridade, seriam dos seguintes tipos:

1. Paradigmáticas:

a) associação de significantes, isto é, uma família de cognatos que tem uma raiz comum: queimar, queimada, queimação;

b) associação de significados, isto é, entre sinônimos de uma palavra: claro -

distinto - preciso - evidente - manifesto; brilhar - fulgurar - luzir; brilho - fulgor, etc.

c) associação entre signos léxicos, isto é, o signo total, que podem ser de três tipos: - aquelas que derivam do código linguístico como em fogo - fogos (de artifício);

- aquelas que resultam da experiência da realidade e do mundo, portanto, de natureza extralinguística, como em: luz - fogo, chama, claridade, sol, lua, etc. - aquelas que derivam do domínio da cultura: luz - (artificial) abajur,

lustre, luminária; luz - reflexão, refração, onda luminosa.

II. Sintagmáticas: resultam da combinação entre lexemas, ou seja, do signo total segundo algumas matrizes gramaticais básicas:

a) V + SN: acender a luz, apagar a luz, emitir luz; b) SN = N+det (prep+N): luz (do sol, da lua, do dia);

c) SN = N + Adj: foco luminoso, raio luminoso; onda luminosa; fogo ardente; luz fulgurante;

d) SN + SV: A luz brilha/ilumina – o fogo queima

Aitchison (2003) também considera a existência de redes mentais. Segundo ela, haveria em cada indivíduo um sistema interconectado cujos nós não são equidistantes. Assim, dentro de um campo semântico, as palavras estariam interligadas por nós, como numa rede. Recorrendo a um estudo em que se mostrava uma palavra ao falante e este devia escrever outra que imediatamente lhe viesse à mente, a autora mostra evidências de que as ligações entre as palavras nas redes mentais são formadas por hábitos. Palavras usadas frequentemente juntas adquirem uma associação mental, o que já havia sido apontado por Biderman (1981). Desses estudos, a autora levanta três importantes pontos: - quase sempre se selecionam itens do campo semântico da palavra original – palavras relacionadas a um mesmo tópico são armazenadas juntas;

- quase sempre se aciona um item de um par em lugar do outro quanto há lapsos de fala. Por exemplo: marido em vez de mulher; grande em vez de pequeno etc.;

- adultos tendem a responder com uma palavra da mesma classe – um nome chama outro nome; um adjetivo, outro adjetivo etc.

Esse estudo, contudo, não reflete a realidade linguística do falante, pois a situação de aplicação do teste não é o processamento normal de fala que ocorre ordinariamente. Além disso, se se mostra um grupo de palavras ao invés de uma palavra isolada, a resposta do falante é completamente diferente, pois as associações mudam. Assim, estabelecer as ligações entre as palavras e mesmo o mapa de rede do léxico mental é uma tarefa extremamente complexa. Ainda assim, esse estudo permite concluir que os seres humanos organizam as palavras em sua mente separadas por campos. Dentro desses campos haveria quatro tipos possíveis de ligações, que novamente lembram as combinações paradigmáticas e sintagmáticas apontadas por Biderman (1981):

a) Coordenação: ligação de palavras do mesmo nível – hipônimos. Ex.: vermelho, verde, branco; sal, açúcar, pimenta etc.

b) Colocação: ligação de palavras que parecem ser usadas juntas na fala. Ex.: sapato, salto, meia; leite, quente, doce etc.

c) Subordinação: ligação de palavras de níveis diferentes – hiperônimos. Ex.: vermelho e cor; borboleta e inseto.

d) Sinônimos: ligação de palavras de mesmo sentido.

Desses quatro tipos de ligações, Aitchison (2003) esclarece que as conexões de coordenação e de colocação são mais fortes, enquanto ligações de tipo subordinadas, entre hipônimos e hiperônimos, são mais fracas – algumas são mais firmemente estabelecidas que outras; e ligações entre sinônimos são esporádicas.

Com relação aos erros de linguagem, as trocas de fala dão muitas pistas sobre o léxico mental. Outra descoberta importante apontada por Aitchison (2003) e já mencionada é que, ao se equivocar, tende-se a se manter a mesma classe de palavra, ou seja, nomes são trocados por nomes, verbos por verbos, adjetivos por adjetivos etc. Assim, parece de fato haver uma separação entre as classes na organização do léxico mental.

Outro estudo evocado pela autora forneceu evidência para essa conclusão e ainda mostrou que as trocas diferem conforme a classe morfológica. Testes aplicados mostraram que erros de troca são muito menos frequentes com verbos (menos de 10%). Isso indica que, na rede mental, os verbos são acionados mais facilmente. Seriam

armazenados, então, em um lugar mais acessível, privilegiado, a fim de garantir a estrutura sintática do resto da sentença, que é formada a partir do verbo.

Apesar de os estudos e testes não serem definitivos e de ser impossível dizer exatamente como muitas classes de palavras estão organizadas, a autora considera que há evidências para se distinguirem palavras lexicais de gramaticais no léxico mental. Segundo ela, classes de palavras lexicais são abertas para qualquer número de novos membros. Já classes de itens gramaticais são fechadas a possíveis intrusos.

Em relação à estrutura sonora no léxico mental, parece que algumas partes de palavras são mais proeminentes no armazenamento que outras. Elas ficam mais profundamente encravadas na mente. É o caso dos sons do início e do final das palavras e o padrão rítmico geral, que é ligado aos sons. As palavras são possivelmente armazenadas em grupos, de forma que aquelas cujo início, o final e o ritmo são similares ficam agrupadas próximas.

Dentro das palavras, as sílabas têm estrutura própria, com a primeira consoante mais solta, menos firmemente presa. Isso pode afetar o processo de composição (blends) – quando duas palavras são acidentalmente misturadas.

Assim, Aitchison (2003) conclui que as palavras são como moedas: de um lado, sentido e classes de palavras; do outro, sons. Não há, contudo, uma ligação intrínseca entre som e sentido, a conexão é arbitrária, com exceção de um pequeno número de onomatopeias.

Parece haver uma linha de simbolismo sonoro na linguagem, como se certos sons fossem considerados mais apropriados para certos sentidos que outros. E essa linha é universal. Por exemplo, em um estudo na Alemanha foram dadas duas palavras desconhecidas – maluma e takete – para serem associadas a dois desenhos: um cheio de curvas e outro com linhas retas e ângulos. A grande maioria das pessoas que participaram do teste associou maluma às curvas e takete às retas. E isso se repetiu ao se aplicar o mesmo teste em outras línguas. Esses resultados levam a crer que os sons das palavras parecem ser facilmente desenganchados, desprendidos de seu sentido e classe de palavras. Uma possível explicação para esse desprendimento é o fato de que o componente relativo à semântica e às classes de palavras é arranjado convenientemente para a produção; enquanto o componente fonológico é organizado primariamente para o reconhecimento rápido. Explicando: o sentido e as classes de palavras são organizados em campos semânticos, e, dentro dos campos, há fortes ligações entre coordenadas de mesma classe. Para produção da fala, esse arranjo é produtivo. Um falante acessa uma área

estabelecendo comparações entre possíveis palavras com uma forte conexão, ou seja, localizadas próximas. O sentido é organizado de forma a ajudar o plano da fala. Por outro lado, a estrutura sonora é organizada de forma que palavras que têm sonoridade similar são ligadas, agrupadas perto umas das outras. Isso é produtivo para o reconhecimento. Assim, os ouvintes podem comparar candidatas (palavras) e encontrar a melhor para o que ouviram. A similaridade sonora das palavras, então, nem sempre é usada para reconhecer outras palavras; pode ser usada também para bloquear. Assim, classes de palavras e sentido por meio de sua organização favorecem a produção, enquanto a estrutura sonora é melhor para o reconhecimento. Cada um representa um lado da moeda. As formas das palavras são estocadas primariamente como imagens auditivas.