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3. KİLİT DENETİM KONULARININ BAĞIMSIZ DENETÇİ RAPORUNDA

4.6. Bulgular ve Bulguların Değerlendirilmesi

4.6.4. İfadelere katılım düzeyinin mesleki tecrübeye göre değişimi

O trabalho administrativo na educação não está separado de sua atividade fim que é a formação dos cidadãos. Nem mesmo está desvinculado do trabalho pedagógico como um todo. O trabalho administrativo nas instituições escolares é também uma prática pedagógica, assim, como as demais atividades laborais necessárias para a ação educativa, sendo: limpeza, cozinha, secretária, portaria e docência e coordenação pedagógica. Numa visão não democrática de gestão, o papel do diretor passa a ocupar uma posição burocrática que o distancia das demais pessoas da comunidade escolar, que é algo ideologicamente embutido neste cargo desde sua criação (PARO, 2008). No CIM AFS percebe-se tensões que estão relacionadas à atuação do diretor.

[...] porque apesar de lidar também com as crianças, mas é totalmente diferente porque ele é mais administrativo [...] (NUNES, diretora, CIM AFS, 2015, Ent.).

O diretor ele está muito afastado da coordenação e dos professores. Então vamos supor que tem uma outra gestão que está para chegar, e com essa gestão que está para chegar nós temos que sentar e mostrar o ideal que nós estamos aqui. Nós estamos aqui para quê? Para formar cidadãos participativos, cidadãos que quererem melhorar o nosso Brasil vamos supor. Então o que que nós precisamos? Precisamos de uma meta, precisamos de ter algo concreto. Não é o diretor sentar na cadeira lá, fazer suas assinaturas, ir na prefeitura, não é isso não. O diretor tem que estar envolvido dentro da escola, o diretor tem que ter posição. Olha, não

92 É importante destacar que nos dias de hoje, nossa legislação não confere uma tendência

gostei, vamos conversar, nós precisamos de ser assim (MARTINS, coordenadora pedagógica, CIM AFS, 2015, Ent.).

Ao mesmo tempo que Nunes que é diretora do CIM AFS tem uma percepção de o que o trabalho do diretor é “mais administrativo”, por outro lado, Martins que trabalha na mesma instituição sente um distanciamento da diretora em relação aos demais profissionais e do ambiente escolar. Segundo Martins o diretor precisa ser alguém que esteja mais envolvido dentro da instituição, que tenha mais posicionamento e busque o diálogo com as pessoas. Nessa direção, Gonçalves que é mãe e professora do CIM RC, acredita que o diretor tem que ser uma pessoa sábia para conversar e ouvir profissionais, famílias e as crianças.

[...] tem que ser uma pessoa capacitada para diferenciar as coisas, ter sabedoria, porque é preciso conversar com os adultos, com os profissionais, ela tem que ter uma sabedoria para conversar coma família, né, ouvir as crianças porque também tem o lado delas também. Então ela tem que ter muita sabedoria [...] (GONÇALVES, professora/mãe, CIM RC, 2015, Ent.).

Um dos principais desafios para os diretores das instituições de Educação Infantil em Betim é fazer a gestão dos profissionais, isso porque, como visto no Capítulo 2, 40,37% dos profissionais da rede pública de Educação Infantil são contratados ou terceirizados. Nos dois CIMs pesquisados esse número é ainda maior sendo de 53% no CIM AFS e de 47% no CIM RC. A opção pela terceirização e pelo trabalho precarizado no serviço público ao invés do concurso público, como já analisado, são frutos das reformas neoliberais implantas desde a década 1990 no Brasil (OLIVEIRA, 2005). Nos CIMs de Betim, os profissionais são geridos com base em diferentes vínculos de trabalho, sendo, os concursados pelo regime estatutário e os contratados/terceirizados pelo regime CLT. No caso dos profissionais contratados pela prefeitura (algumas professores e atendentes pedagógicas), apesar de serem do regime CLT a direção tem um pouco mais de autonomia em geri-los devido ao fato dos mesmos serem também servidores públicos. Já no caso das funcionárias terceirizadas (cozinha e limpeza), há uma maior dificuldade porque quem faz a gestão destas profissionais é a própria empresa Qualitec. Durante a experiência como profissional da rede, presenciei por diversas vezes situações que durante o período de férias e recessos da instituição, as

trabalhadoras terceirizadas tiveram que trabalhar mesmo sem terem nenhuma tarefa para ser realizada a priori, além dos constantes atrasos de salários, benefícios e até mesmo do vale-transporte. Para Rocha essa situação pode ser considerada no momento, o ponto mais difícil do trabalho do diretor.

Tem as Atendentes Pedagógicas que também é PSS mas são de outra função. [...] O primeiro ano que funciona aqui têm P1 também[...]. Têm as auxiliares administravas, tem a tesoureira e a gente aqui. É muita diferença, igual a Qualitec que é CLT, é diferente as regras que a gente tem para elas, a gente às vezes também vê uma dificuldade nisso aí, também vemos dificuldades porque às vezes não é que elas não entendem, mas ela acham assim, é o mesmo calendário. A dificuldade também estar nisso aí, de trabalhar. Às vezes é muito complicado, porque você divide muito, divide muito, tem muita opinião diferente, muitas causas diferentes, muitas questões diferentes, e divide. O grupo era mais unido quando era formado só por professores de Educação Infantil. Aí de repente veio o PSS, antes era só efetivos, aí depois veio o PSS, aí depois veio atendentes, aí eu acho que ficou mais dividido. Não que não consiga, porque a gente tenta de todas as formas ir levando, né, mas é mais complicado. [...] A Qualitec é o ponto mais difícil da escola no momento, porque você ter CLT é bem complicado, tem que fazer o concurso para efetivar elas mesmas, né, para a escola funcionar melhor, quando todas forem do concurso, mesmo tendo atendentes e professores eu acho que vai melhorar(ROCHA, diretora/mãe, CIM RC, 2015, Ent.).

A partir do relato de Rocha percebe-se que a precarização dos vínculos de trabalho na educação além de marginalizar a condição de vida dos trabalhadores, também afeta diretamente o ambiente da comunidade escolar acarretando no acirramento de divisões entre os profissionais, pois antes quando o grupo de docentes era formado apenas por professores “o grupo era mais unido”.