3. TÜRKİYE ÖRNEĞİNE UYGUN BİR AKTÜERYAL MODELİN İNŞA
3.3. Modelin Bileşenleri
3.3.2. İşgücü-istihdam modülü
O município de Espera Feliz foi fundado em 1938. Com uma área territorial de 325,43 km2, possui 20 835 habitantes, sendo 40% residentes na zona rural (Tabela 1). Situado no en-
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Cintrão (1996), no entanto, não considera que a "modernização da agricultura" na Zona da Mata tenha levado a uma diferenciação tecnológica entre os estratos de agricultores, e que as diferenças se dão mais em função de varia- ções micro-regionais. Admite que haja diferentes apropriações das tecnologias modernas entre os diferentes agriculto- res, mas relaciona esta apropriação somente às características culturais, ao tamanho da propriedade, ao momento no ciclo familiar, e não a relaciona a diferentes estratégias de reprodução socioeconômica.
torno do Parque Nacional do Caparaó, faz divisa com os municípios de Caparaó, Divino e Cai- ana em Minas Gerais, e Alto Caparaó e Dores do Rio Preto, no estado do Espírito Santo.
Uma das principais atividades produtivas do município é a cafeicultura, com 9.735 hec- tares de área plantada. Destaca-se também a pecuária com um rebanho bovino de 8.634 cabe- ças e 2.231 vacas ordenhadas24. Em relação à cafeicultura, predomina o sistema de cultivo em monocultura e a utilização intensiva de agrotóxicos. A predominância deste sistema de cultivo pode ser explicada em parte por ser um município onde a assistência técnica e o crédito rural foram acessados de forma intensa nas últimas décadas. Na década de oitenta foi criada uma cooperativa de produtores de café (Cooperativa Agropecuária do Vale do Paraíso - COAVAP), que atuou de forma bastante intensa não só na comercialização do café como na venda de in- sumos para os agricultores. Outro fator que pode ter conferido características particulares à agricultura familiar do município foi a presença significativa de descendentes de migrantes europeus, principalmente italianos e portugueses.
O arraial de Araponga originalmente surgiu por causa da descoberta de minas de ouro, mas foi emancipado a município somente em 1962. Araponga possui uma área de 305,2 km², está situada no entorno do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro e tem como vizinhos os mu- nicípios de Carangola, Miradouro, Ervália, Canaã, Jequeri, Sericita e Abre Campo. A popula- ção do município é composta por 8 029 pessoas, sendo que 5 245 (65%) residem na área rural e 2 784 (35%) na área urbana (Tabela 1).
A economia local de Araponga também é centrada na produção do café, tanto em gran- des quanto em pequenas propriedades. A área colhida com esta cultura em 2001 foi de 2.712 ha. A pecuária leiteira e a produção de grãos para a subsistência das famílias são também im- portantes componentes da economia. O consórcio do café com milho e feijão é muito comum, principalmente nas pequenas propriedades. Em Araponga, como já mencionado anteriormente, há uma presença marcante de agricultores que tem suas raízes na herança dos índios Puri.
Tabela 1. População Residente em 1970, 1980, 1991, 2000 e 200525
ANOS URBANA RURAL TOTAL
Araponga
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Dados do IBGE, Censo 2000.
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O aumento significativo da população rural de Espera Feliz na década de 1980 parece coincidir com a expansão da lavoura cafeeira no município, ocupando áreas antes destinadas às pastagens, como resultado do Plano de Re- novação e Revigoramento dos Cafezais iniciado na década de setenta e fortalecido com o PRODEMATA e MG-2
1970 925 5.429 6.354 1980 1.081 5.488 6.569 1991 1.631 6.243 7.874 2000 2.537 5.374 7.911 2007 2 784 5 245 8 029 Espera Feliz 1970 3.242 7.395 10.637 1980 4.670 6.793 11.463 1991 7.953 11.590 19.543 2000 11.261 9.275 20.536 2007 12 530 8 305 20 835
Fonte: Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
A Tabela 2 nos permite visualizar a distribuição fundiária nos dois municípios analisa- dos, demonstrando que apresentam um perfil fundiário bastante similar. A discrepância das informações nos dois levantamentos torna muito arriscada qualquer tentativa de verificação de tendências.
Fonte: IBGE - 1996-2006
Estes dois municípios estão localizados na Zona da Mata de Minas Gerais e foram esco- lhidos como base empírica desta pesquisa por representarem situações diversas em termos da integração dos agricultores familiares no processo de modernização da agricultura. A análise das informações disponíveis nos leva a crer que o processo de modernização foi mais intenso em Espera Feliz do que em Araponga.
Tabela 2 - Estabelecimentos Rurais – Araponga E Espera Feliz (1996-2006)
ARAPONGA
Tamanho das propriedades Número de propriedades Área %
1996 2006 1996 2006 1996 2006 Menores de 10 há 263 1073 1215 3281 5,8 20,62 De 10 a menos de 50 ha 281 285 6626 6176 32 38,82 De 50 a menos de 100 ha 45 29 3082 2025 14 12,73 De 100 a menos de 200 ha 30 14 4096 1912 19,6 12,02 De 200 a menos de 500 ha 12 8 3538 2515 17,1 15,81 De 500 a menos de 1000 ha 3 1 2208 10,5 Total 634 1410 20738 15909 100 100 ESPERA FELIZ Menores de 10 há 266 666 1434 2897 5,45 17,33 De 10 a menos de 50 ha 353 294 8156 6030 30,98 36,08 De 50 a menos de 100 ha 80 45 5619 3147 21,34 18,83 De 100 a menos de 200 ha 39 19 5173 2632 19,65 15,75 De 200 a menos de 500 ha 17 8 4866 2009 18,49 12,02 De 500 a menos de 1000 ha 2 1076 4,09 Total 757 1032 26324 16715 100 100
As propriedades com menos de 100 ha somam 699 em Espera Feliz e 589 em Arapon- ga. Se considerarmos, por exemplo, o acesso dos agricultores à assistência técnica, em Espera Feliz 66% dos proprietários com menos de 100 ha declaram receber assistência técnica, ao pas- so que em Araponga somente 4% declararam recebê-la26. Levando em conta o acesso ao crédi- to rural, em 2001, foram realizadas 540 operações de crédito em Espera Feliz, mobilizando R$ 1.801.202,34, ao passo que em Araponga foram apenas 68 operações, com um valor total de R$ 150.963,4427.
Tabela 3. Número de Estabelecimentos por Estratos de Área Familiares por Grau de Especialização28
.
Categorias
Total Menos de 5 Ha Entre 5 e 20 Há Entre 20 e 50 Há Entre 50 e 100 Ha Mais de 100 Há Número Número % Número % Número % Número % Número %
Araponga Total Familiar 569 153 26,9 225 39,5 138 24,3 37 6,5 16 2,8 Muito Especializado 18 5 27,8 6 33,3 6 33,3 1 5,6 0 0,0 Especializado 133 26 19,5 51 38,3 41 30,8 14 10,5 1 0,8 Diversificado 282 78 27,7 109 38,7 63 22,3 21 7,4 11 3,9 Muito Diversificado 136 44 32,4 59 43,4 28 20,6 1 0,7 4 2,9 Espera Feliz Total Familiar 383 100 26,1 199 52,0 64 16,7 17 4,4 3 0,8 Muito Especializado 85 34 40,0 40 47,1 9 10,6 2 2,4 0 0,0 Especializado 233 53 22,7 126 54,1 42 18,0 9 3,9 3 1,3 Diversificado 43 8 18,6 25 58,1 7 16,3 3 7,0 0 0,0 Muito Diversificado 2 0 0,0 0 0,0 2 100,0 0 0,0 0 0,0 Fonte: Censo Agropecuário 1995/96, IBGE. Adaptado a partir da elaboração feita no âmbito do Convênio INCRA/FAO.
O grau de especialização na produção de café dos agricultores familiares de Espera Fe- liz é muito superior aos de Araponga, onde é mais forte a diversificação produtiva. Em Espera Feliz, 83% do total de estabelecimentos familiares são considerados especializados ou muito especializados, ao passo que em Araponga se verifica o inverso, com 73 % do total dos estabe- lecimentos familiares são considerados como diversificados ou muito diversificados (Tabela
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Dados do IBGE, obtido em http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/agropecuária/censoagro /1995_1996/31/d31_t03.shtm, em 15/05/2008.
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Dados do Pronaf.
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O Grau de Especialização foi calculado como a relação percentual entre o valor da produção do produto princi- pal e o valor total da produção colhida/obtida (VBP) do estabelecimento (PERCPROD = % Valor da produção do produto principal / VBP). Os diferentes graus são assim definidos:
Super especializado PERCPROD = 100% Especializado 65% PERCPROD 100% Diversificado 35% PERCPROD 65%
3). Como se pode verificar ainda na Tabela 3, esta maior especialização em Espera Feliz, com- parada a Araponga, se verifica em todos os extratos de área dos agricultores familiares. Este também pode ser outro indicador importante a ser considerado, corroborando a tese da maior intensidade do processo de modernização em Espera Feliz29.
Por outro lado os dois municípios também representam situações muito semelhantes em termos dos recursos naturais (tipos de solo, clima etc.) e da agricultura praticada (nos dois ca- sos a produção de café é o “carro chefe” dos sistemas de produção). Considerou-se que estas semelhanças e diferenças contribuiriam para identificar e analisar diferentes tipos de estratégia de reprodução social e econômica da agricultura familiar.