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Dünya örneklerinin değerlendirilmesi ve Türkiye için kullanılabilirliği

2. AKTÜERYAL DEĞERLEME, AKTÜERYAL MODEL VE KAMU

2.2. Kamu Emeklilik Sistemlerinin Aktüeryal Modellemesi

2.2.4. Dünya örneklerinin değerlendirilmesi ve Türkiye için kullanılabilirliği

O uso contemporâneo do termo agroecologia data dos anos 1970. No entanto, o conhe- cimento e a prática da agroecologia remontam às origens da agricultura. Na medida em que pesquisadores exploravam as agriculturas indígenas – as que são relíquias modificadas de for- mas agronômicas mais antigas – ficava notório que muitos sistemas agrícolas desenvolvidos a nível local incorporavam mecanismos para acomodar os cultivos às variáveis do meio ambiente natural. O estudo das chamadas agriculturas tradicionais, indígenas ou camponesas, revelou sistemas agrícolas complexos, porém adaptados às condições locais, ou seja, agroecossistemas estrutural e funcionalmente muito próximos (em termos de similaridades) às características dos ecossistemas naturais (HECHT, 2002). Estes processos revelam estratégias adaptativas dos cultivos às variáveis ambientais com base em conhecimentos tradicionais gerados durante mui- tos e muitos ciclos produtivos, transmitidos entre gerações.

Com o avanço do conhecimento sobre estas culturas tradicionais foi perdendo força a idéia, preconcebida pela sociedade industrial-urbana, de que suas práticas agrícolas eram pri- mitivas e insuficientes. Afirma-se, em contraposição, a idéia do caráter adequado e sofisticado dos mesmos em relação ao manejo do ecossistema e sua importância para melhorar os sistemas atuais (ALTIERI, 2002). Estando fortemente vinculada a fontes ancestrais de conhecimento, a agroecologia re-valoriza o saber popular (tradicional ou indígena) como fonte de inspiração para modelos que possam ter validade nas condições atuais. A valorização destes conhecimen- tos não desautoriza os achados do método científico e, ao contrário, considera a grande impor- tância das duas fontes e a relação positiva entre elas.

Miguel Altieri, um dos primeiros autores que tiveram livros sobre agroecologia publi- cados no Brasil18, exercendo grande influencia junto aos que atuavam em torno da temática da agricultura alternativa, define a agroecologia da seguinte maneira:

“É a ciência ou a disciplina científica que apresenta uma série de princípios, conceitos e meto- dologias para estudar, analisar, dirigir, desenhar e avaliar agroecossistemas, com o propósito de permitir a implantação e o desenvolvimento de estilos de agricultura com maiores níveis de sus- tentabilidade. A Agroecologia proporciona, então, as bases científicas para apoiar o processo de transição para uma agricultura sustentável nas suas diversas manifestações e/ou denominações” (ALTIERI, 1998, p.18).

A agroecologia tem assim se desenvolvido como um novo paradigma, de integração in- terdisciplinar, constituindo-se importante ferramenta para a promoção das complexas transfor-

18 Aqui se refere ao livro “Agroecologia: as bases científicas da agricultura alternativa” publicado, no Rio de Ja-

mações sociais e ecológicas necessárias para assegurar a sustentabilidade. Para alguns, entre- tanto, ela não faz sentido apenas como marco teórico e para que cumpra seu papel são necessá- rias mudanças que fundamentem seus alicerces em uma gradual transformação das bases pro- dutivas e sociais do uso da terra e dos recursos naturais. Apesar da noção de agroecologia ter sido apresentada no Brasil como uma disciplina científica, ela deixou de ser entendida como tal, tornando-se também uma prática agrícola propriamente dita, ou um largo “guarda chuva” conceitual que permite abrigar várias tendências alternativas no país.

Guzmán (1997, p.29) propõe uma definição para a estratégia agroecológica, assim for- mulada:

“O manejo ecológico dos recursos naturais que, incorporando uma ação social de caráter partici- pativo, permita projetar métodos de desenvolvimento sustentável. Isso se realiza através de um enfoque holístico e uma estratégia sistêmica que reconduza o curso alterado da evolução social e ecológica, mediante o estabelecimento de mecanismo de controle das forças produtivas para fre- ar formas de produção degradantes e espoliadoras da natureza e da sociedade, causadoras da a- tual crise ecológica. Em tal estratégia, desempenha o papel central da dimensão local como por- tadora de um potencial endógeno que, através da articulação do conhecimento camponês com o científico, permita a implementação de sistemas de agricultura alternativa potencializadores da biodiversidade ecológica e sociocultural”.

O caráter local, portanto, é que dá a feição concreta aos princípios emanados do refe- rencial teórico da agroecologia, que servem como orientação para as experiências de agricultu- ra. É a realidade socioeconômica e ecológica local que define a melhor forma de aplicação da teoria, exigindo ajustes finos a cada situação. De outra forma, o conceito corre o risco de se tornar mera abstração. A realidade pode inclusive colocar em xeque certos princípios, ponde- rando sua importância e enriquecendo os próprios fundamentos da agroecologia.

Para Almeida (2003) a agroecologia pode ser entendida como uma noção nova, fre- quentemente associada às noções de agricultura e desenvolvimento sustentáveis. No entanto destaca que, ainda que se tenha intensificado o debate em torno da agroecologia, ela é até agora superficialmente definida. Compreensões e entendimentos diferentes surgem dependendo da posição social do “agente” que a define: “é uma atividade, uma prática, uma área do conheci- mento (ciência agroecológica), ou tudo isso ao mesmo tempo?” (ALMEIDA, 2003, p.504). O uso normativo e ampliado da noção, através de grandes contornos de definição, acarreta pro- blemas ao confundir, por exemplo, agroecologia com desenvolvimento.

Apesar de levantar várias questões sobre as debilidades e a capacidade de generalização da proposta agroecológica, Almeida (2003) constata que sua influência encoraja modos de de- senvolvimento agrícola e rural pouco hierarquizados, que escapem da forte influência estatal sobre o “social”. “Pelo menos, a proposição agroecológica é capaz de servir eficazmente como

instrumento de resistência e de reprodução de grupos sociais no respeito de sua diversidade” (ALMEIDA, 2003, p.511).

Por outro lado Guzmán & Molina (2005) argumentam que os primeiros passos da cons- trução teórica da agroecologia estão relacionados à evolução dos estudos camponeses, quando a ecologia é incluída como dimensão essencial nas pesquisas. Destacam que o marco conceitu- al da “ecologia dos pobres”, de Juan Martinez Alier, supõe o contexto em que se move a cor- rente central, e em sua opinião a mais rica da agroecologia (GUZMÁN & MOLINA, 2005). Sua origem então deve ser atribuída a dois lócus intelectuais, no México e na Espanha, através de autores como Angel Palerm, Victor M. Toledo, Stephen R. Gliessman, Alba Gonzáles Ja- come, Joan Martinez Alier, José M. Neredo e dos trabalhos empíricos do Instituto de Sociolo- gia e Estudos Camponeses. Guzmán também destaca a sistematização e sintetização realizada por Miguel Altieri, nos Estados Unidos (GUZMÁN, 1997).

Guzmán & Molina (2005) fazem inclusive uma relação direta da agroecologia com o campesinato, ao defini-lo, desde uma perspectiva agroecológica:

“O campesinato é, mais que uma categoria histórica ou sujeito social, uma forma de manejar os recursos naturais vinculada aos agroecossistemas locais e específicos de cada zona, utilizando um conhecimento sobre tal entorno condicionado pelo nível tecnológico de cada momento histó- rico e o grau de apropriação de tal tecnologia, gerando-se assim distintos graus de campesinida- de (GUZMÁN & MOLINA, 2005, p.78)”.

Desde a sua consideração como um segmento social integrado por unidades domésticas de produção e consumo, que apesar de sua mudança histórica mantinha algo genérico, o con- ceito de campesinato evoluiu até essa conceituação agroecológica atual (GUZMÁN & MOLI- NA, 2005). Ou seja, o campesinato surge em uma forma de relacionamento com a natureza ao considerá-lo como parte dela em um processo de coevolução (NOGAARD, 1989), configuran- do um modo de uso dos recursos naturais ou uma forma de manejo de natureza socioambiental. Neste sentido “[...] o campesinato é uma categoria histórica por sua condição de saber manter as bases da reprodução biótica dos recursos naturais” (GUZMÁN & MOLINA, 2005, p.82). Assim, nesta perspectiva, é possível falar em grau de campesinidade em relação aos grupos sociais de produtores.

Evidentemente não se pode dizer que os camponeses praticam uma agricultura ambien- talmente sustentável em qualquer circunstância. Como já foi ressaltado anteriormente, uma das características que distingue a agricultura camponesa é que a base de recursos disponível para cada unidade familiar de produção é escassa e está sob crescente pressão, seja de caráter inter-

no, como a redução das áreas disponíveis a partir da partilha por herança, seja de caráter exter- no, como a usurpação de recursos por interesse de grandes proprietários ou corporações.

Mas, como argumenta Martinez-Alier (2002), citado por PLOEG (2009, p.28), “na dis- tribuição dos conflitos ecológicos, os pobres estão frequentemente do lado da conservação dos recursos e de um ambiente limpo”. Para PLOEG (2009), isso se deve aos meios pelos quais os camponeses vão construindo espaços de autonomia. Um dos argumentos utilizados por este autor, que explica porque os camponeses podem criar arranjos produtivos ambientalmente mais sustentáveis é justamente o fato de os espaços de produção serem organizados em termos de co-produção, ou seja, se baseiam no encontro , na interação e na mútua transformação do ser humano e da natureza viva, alinhando a produção aos ecossistemas locais. Diferente das for- mas mais padronizadas e industrializadas de organização da produção que levam a muitos ten- sionamentos. Outro argumento é que as estratégias de resistência apontam em direção a novos padrões de sustentabilidade, na medida em que os camponeses aumentam o enraizamento dos processos produtivos no uso e reprodução da natureza quando confrontados com mercados que cada vez mais impõem custos de produção mais elevados e preços finais baixos. Ademais, quando se considera um mercado onde cada vez mais os consumidores valorizam produtos livres de agrotóxicos e estão dispostos a remunerar os agricultores que produzem de forma mais sustentável (PLOEG, 2009).

São justamente estas novas formas de resistência, intervindo na alteração dos processos produtivos e no trabalho, numa ampla gama de práticas heterogêneas e crescentemente interli- gadas que, na opinião de Ploeg (2009), estão presentes no florescimento da agroecologia e se constituem na principal força motriz de muitas formas de desenvolvimento rural autóctone pre- sente em várias partes do mundo. De certa forma é o mesmo sentido que Silveira (2010) dá à agroecologia, ao afirmar que “as dinâmicas sociais de inovação agroecológica podem ser com- preendidas como processos de recampesinização dos territórios rurais” (SILVEIRA, 2010, p.4).