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BÖLÜM 1: SİNEMA KURAMLARI

1.2. Biçimcilik Geleneği ve Rus Biçimciliği

1.2.1. Hugo Münsterberg

O termo vulnerabilidade representa um avanço qualitativo, e vem sendo empregado nas abordagens voltadas a conter o risco de infecção pelo HIV, pois permite uma avaliação mais efetiva do contexto sócio-cultural apresentado pelo grupo social em estudo, além de possibilitar a criação de estratégias tanto para o coletivo como para um indivíduo em particular (BRASIL, 2002). Esse conceito também vem sendo utilizado nas ações educativas realizadas por pessoas do movimento social de prostitutas voltadas às mulheres que prestam serviços sexuais.

Essa categoria foi empregada, nesta pesquisa, com intuito de perceber quais os riscos presentes no contexto da vida na noite e as estratégias desenvolvidas por essas mulheres, visando a minimizar tais vulnerabilidades.

De acordo com Fernanda, existem muitos riscos, na vida na noite, como a possibilidade de consumir drogas, sofrer violência sexual, contrair alguma infecção sexualmente transmissível, arrumar briga por sair com cliente de outra mulher e outros.

“Porque assim... por a gente precisar do dinheiro, a pessoa vem e “te ofereço mais dinheiro”, só que chega na hora você não conhece a pessoa, você nunca viu. Chega na hora você começa a lembrar do seu passado, a pessoa te oferece uma droga e você acaba usando e, na casa, você bebe pra dar lucro, corre o risco de ser estuprada, isso tudo, nessa vida. O que você mais arrisca, nessa vida, é a droga e ser estuprada. E é horrível isso.” Fernanda

Embora perceba que, na noite, sua exposição a algumas vulnerabilidades é potencializada, Fernanda afirma que não se deve arriscar tudo. É preciso ter cautela, pensar no que fala e em como se fala, ter noção do que faz e de onde vai.

“Na minha opinião, é não falar demais... Vê o que você fala, pensar dez mil vezes no jeito que você fala, para evitar uma confusão. Ter noção onde você está indo fazer o programa, ver se tem segurança lá. Ter noção do que você está fazendo.” Fernanda

O abuso de drogas, em especial da bebida alcoólica, é um risco presente no cotidiano dessas mulheres, pois nas boates, é comum sentar-se para conversar e beber com os clientes. Por se encontrarem em ambiente propício ao consumo de bebidas alcoólicas, as mulheres que prestam serviços sexuais desenvolvem algumas estratégias a fim de minimizar tal vulnerabilidade. Fábia revela que procura pedir algumas doses sem teor alcoólico, como champanhe sem álcool, por exemplo. No entanto, há algumas mulheres que, como Fernanda, precisam tomar uma dose forte, no início da noite, a fim de criar coragem para realizar o atendimento aos clientes. A reprovação moral voltada à prostituição influencia Fernanda no exercício do trabalho sexual, ela pensa no que seu filho irá dizer quando crescer e descobrir que sua mãe é prostituta, por isso, às vezes precisa beber ou usar outro tipo de droga, como cocaína, para realizar o programa.

Podemos perceber, que nem sempre são atividades específicas do trabalho sexual que dificultam a vida dessas mulheres. O julgamento social, a reprovação moral e valores construídos por pessoas que, muitas vezes, desconhecem a prática da prostituição acabam por gerar conflitos na vida de pessoas que prestam serviços sexuais. Fábia diz que sofre, não pelo fato de estar na noite, mas porque não é aceita por sua família; seu pai a expulsou de casa quando soube que ela era prostituta.

Os clientes não percebem a mulher da noite apenas como companheira para conversar e beber, também existem clientes que as procuram para, juntos, fazer uso de algumas drogas ilícitas, como maconha e cocaína. Há mulheres que aceitam fazer uso de tais substâncias, durante os programas, e outras que se negam. Fernanda revelou que já consumiu cocaína com clientes, para obter coragem e realizar o programa:

“[...] você não pode lembrar por que está fazendo isso, você tem que encarar. Ai eu comecei a pensar muito nos meus problemas e falei “você quer saber! eu vou cheirar senão não vai descer fazer programa com esse cara”. Ai eu cheirei e tudo, mas não fiquei louca, eu sabia o que estava fazendo, eu estava ciente do que eu estava fazendo [...]” Fernanda

Outra vulnerabilidade apontada pelas mulheres entrevistadas é a questão da violência, elas mencionaram que a violência não está presente apenas na possibilidade de sofrer agressão física e sexual por parte dos clientes, o preconceito também é visto como

manifestação de violência. Alguns clientes são considerados indesejáveis, pois chegam na boate expressando seu preconceito, querem passar a mão nas mulheres, ignorando que elas, como qualquer outro sujeito, têm seus gostos e vontades e que devem ser consultadas antes de qualquer atitude por parte da clientela.

“Esses dias, chegou um homem se esfregando em mim, querendo colocar a mão no meu peito, passando a mão em mim. Eu falei pra ele “não gosto disso” e ele “você tá nessa vida pra isso” e eu disse “mas eu não me acostumei com isso”. [...]eles chamam de puta, como se ser puta fosse uma pessoa baixa.” Fernanda

O risco de contrair alguma infecção sexualmente transmissível também foi apontado como vulnerabilidade da vida na noite. A fim de minimizá-la, as mulheres afirmaram que não abrem mão do preservativo e que procuram aprender com a experiência das outras mulheres, também disseram que fazem exames preventivos com freqüência.

“Uso o preservativo tanto feminino como o masculino. [...] Vou ao ginecologista, sento com ele e explico que sou uma profissional do sexo.” Fábia

“A gente aprende ... tipo assim, com a experiência de uma pessoa ter pegado aquilo ou a experiência de uma pessoa ter passado por aquilo ou tem alguém que passou.” Fernanda