4. TRANSİT ÜLKE VE ENERJİ HUB
1.3. Diğer Enerji Kaynakları
1.3.3. Hidrolik Enerji
Reconhece-se não ter a consciência uma definição precisa, mormente quando seu conceito é abordado no campo filosófico. No entanto, para o objeto do presente trabalho, é possível utilizar a definição encontrada no Dicionário de Filosofia de Nicola Abbagnano96, segundo a qual a consciência é, em geral, a possibilidade que tem cada
um de dar atenção aos seus próprios modos de ser e às suas próprias ações, bem como exprimi-los com a linguagem.
Analisando o conceito mencionado, totalmente passível ele ser utilizado para várias espécies animais, levando-se em conta, por evidente, que não podemos antro- pomorfizar os animais, desejando que eles tenham habilidades idênticas às nossas. Assim, se, por exemplo, possuímos uma linguagem extremamente complexa, mas que, em verdade, serve para fins de comunicação, não se nega que muitos animais também possuem linguagem, se comunicando entre si.
É cediço que os gorilas e chimpanzés conseguem se comunicar através da linguagem de sinais97.
Segundo Jared Diamond98, a “linguagem animal” mais sofisticada já estudada
até hoje é a do macaco-verde, um macaco africano do tamanho de um gato. As infor- mações nos passadas por Diamond deveras são impressionantes. Os macacos-ver- des são alvos constantes de predadores, tais como a águia-marcial. Sendo assim, a comunicação e representação eficazes são importantes para que possam sobrevier.
96ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 5ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007, p. 217. 97Essa informação é obtida em diversas fontes, como, por exemplo: Koko, a gorila, se comunica usando
a linguagem de sinais, a ela ensinada, para se reportar a como ela se sentiu em situações passadas. Ela sinalizou que estava triste quando seu gato de estimação morreu e também expressou tristeza quando lhe pediram para recordar o seu sentimento sobre essa perda (VELOSO, Maria Cristina Brug- nara. A Condição Animal: uma aporia moderna. Belo Horizonte: Arraes, 2013, p. 69); Quanto a este ponto, o mínimo que podemos dizer é que foram inúmeros, como é sabido, os biólogos que tentaram ensinar os chimpanzés a falar e muito magros foram os resultados. A genial ideia dos Gardner foi procurar outra via. Com efeito, se é verdade que o chimpanzé de forma alguma possui a propensão, tão nítida no papagaio, para imitar os sons, em contrapartida, imita facilmente os gestos: então por que não lhe ensinar a linguagem gestual dos surdos-mudos? Um rápido sucesso veio coroar os esforços dos Gardner e permitir que hoje possamos contar com chimpanzés que possuem um meio de se expri- mir, muito rudimentar, é claro, mas que, apesar disso, permite uma espécie de conversação (CHAUVIN, Rémy. Dos Animais e dos homens. Tradução de Maria Assunção Santos. Portugal: Telemar, 1989, p. 92); linguagem, comunicação gestual e compreensão de conceitos: embora os cientistas já tenham concluído que as cordas vocais dos grandes primatas não permitem o desenvolvimento da língua fa- lada, há um consenso de que eles podem, no entanto, apreender a língua dos sinais, como a American Sign Languade (ASL) MIGLIORE, Alfredo Domingues Barbosa. Personalidade Jurídica dos Grandes Primatas. Belo Horizonte: Del Rey, 2012, p. 313.
98DIAMOND, Jared. O terceiro chimpanzé. A evolução e o futuro do ser humano. São Paulo: Record,
Além disso, tais macacos mantêm complexas relações sociais entre si, vivendo em grupo e competindo com outros. É importante, assim, que eles saibam diferenciar um intruso de um indivíduo do seu grupo. No entanto, a despeito desses macacos terem a incrível capacidade de distinguir cada indivíduo do seu grupo, inclusive em termos de parentesco, o mais impressionante é a forma como se comunicam e se portam quando há diferentes espécies de predadores diante deles. Eles emitem sons diversos para cada tipo de predador. Por exemplo, quando é avistado um leopardo, os machos emitem uma série de guinchos altos e as fêmeas um chio agudo. Com isso, todos os macacos que ouvem os alertas sobem em uma árvore. Caso seja avistada uma águia- marcial ou uma águia-coroada, os macacos emitem um som que pode ser descrito como uma tosse curta de duas sílabas, que faz com que os macacos que a ouçam olhar para o céu ou correr para um arbusto. Lado outro, caso seja avistada uma cobra venenosa, é emitido um grito “impaciente”, fazendo com que os macacos fiquem ere- tos nas patas traseiras e olhem para baixo procurando a cobra.
Ficou provado que os macacos reagiam da mesma forma quando ouviam tais sons, quando pesquisadores os gravaram e os acionaram perto dos macacos, que tiveram o mesmo comportamento.
A propósito, Alfredo Domingos Barbosa Migliore99 informa que:
As recentes pesquisas sobre a psicologia animal descobriram raciocínio e capacidade de abstração além da humanidade, fazendo ruir os postulados behavioristas e as crenças nas ideias de Pavlov e Descartes. Nem mesmo a linguagem, último domínio exclusivo do homem, ficou de pé.
Carlos Naconecy100, não obstante admita a dificuldade de se definir consciên-
cia, compreende ser ela a capacidade que o animal possui de se localizar ou de se reconhecer como um indivíduo no tempo e espaço público físico e social, de identificar outros indivíduos e saber lidar com eles, podendo conceber o que esperar deles em consequência de suas ações. A consciência pode ser dividida em duas: a perceptiva, que é aquela relativa à experiência do mundo que nos rodeia, e a reflexiva, sendo aquela referente aos próprios pensamentos e a si mesmo. Segundo o autor, para que possamos falar de ética no nosso trato os animais, basta que exista a primeira neles.
99MIGLIORE, Alfredo Domingues Barbosa. Personalidade Jurídica dos Grandes Primatas. Belo Hori-
zonte: Del Rey, 2012, p. 7.
100NACONECY, Carlos. Ética e Animais: um guia de argumentação filosófica. Porto Alegre: PUCRS,
Muitas pesquisas apresentam provas empíricas de que golfinhos, orcas, ele- fantes e animais domésticos como cachorros e porcos são seres inteligentes, racio- nais e dotados de consciência de si, abalando os argumentos daqueles que defendem ser ética a instrumentação dos animais por nós, em virtude da ausência de consciên- cia nos animais.
Em 7 de Julho de 2012, um proeminente grupo internacional de neurocientistas cognitivos, neurofarmacologistas, neurofisiologistas, neuroanatomistas e neurocien- tistas computacionais, reunidos na Universidade de Cambridge, para reavaliar os substratos neurobiológicos da experiência consciente e comportamentos relacionados em animais humanos e não-humanos, confeccionaram um importante documento101,
que ficou conhecido como “a Declaração de Cambridge sobre a Consciência”. O fa- moso cientista Stephen Hawking, a despeito de não constar sua assinatura, em virtude de estar incapacitado de assinar fisicamente o documento, esteve presente no evento de assinatura do manifesto.
A declaração de Cambridge assim é concluída102:
"A ausência de um neocórtex não parece excluir um organismo de experi- mentar estados afetivos. Evidência convergente indica que os animais não- humanos têm os substratos neuroanatômicos, neuroquímicos, e neurofisioló- gicos dos estados conscientes, juntamente com a capacidade de exibir com- portamentos intencionais. Por conseguinte, o peso da evidência indica que os seres humanos não são únicos a possuir os substratos neurológicos que geram consciência. Animais não-humanos, incluindo todos os mamíferos e pássaros, e muitas outras criaturas, incluindo polvos, também possuem estes substratos neurológicos. "
101Disponível em: <http://fcmconference.org/img/CambridgeDeclarationOnConsciousness.pdf>. Aces-
sado em 26/07/2015.
102Tradução nossa. Nesse contexto, importante ler a entrevista do neurocientista canadense Philip Low,
pesquisador da Universidade Stanford e do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e conhecido por desenvolver tecnologia capaz de fazer o famoso cientista Stephen Hawking se comunicar através das ondas cerebrais – já que seu corpo se encontra praticamente todo paralisado em razão da doença degenerativa esclerose lateral amiotrófica. Low, que depois da constatação feita por ele e mais 25 pesquisadores da existência de consciência em mamíferos, aves e em outras criaturas, como polvos, disse que pretende se tornar vegano, afirmou que as estruturas cerebrais responsáveis pela consciên- cia são semelhantes entre homens e outros animais. Disse, também, que as estruturas presentes em nossos cérebros e ausentes em outros animais, tais como o córtex cerebral, não são responsáveis pela consciência. Com o estudo científico comprovando algo que sempre foi, em geral, negado, ou seja, a existência de consciência em animais, Low disse que: agora, temos um grupo de neurocientistas res- peitados que estudam o fenômeno da consciência, o comportamento dos animais, a rede neural, a anatomia e a genética do cérebro. Não é mais possível dizer que não sabíamos. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/nao-e-mais-possivel-dizer-que-nao-sabiamos-diz-philip-low/>. Acessado em 01/01/2016.
Vê-se, assim, que a consciência, como se poderia dessumir do processo evo- lutivo, não é um atributo exclusivo dos seres humanos.
No documentário produzido pela BBC, mencionado alhures, veiculado pelo pro- grama Globo Repórter103 em 28/08/2015, a respeito da mente animal, foi revelado algo
que já está bastante sedimentado no estudo dos golfinhos: o cetáceo possui compre- ensão de si, ou seja, eles se reconhecem como indivíduos. No estudo, feito no Aquário Nacional de Baltimore, a psicóloga de animais, Diana Reiss, colocou um espelho dentro de uma sala para observar o comportamento do golfinho. O cetáceo utilizou o espelho para ver partes do seu próprio corpo que não consegue enxergar, tais como o interior de sua boca e ver seu abdômen. Além disso, um casal de golfinhos se observaram no espe- lho enquanto se acasalavam. Poucos animais possuem a capacidade de se reconhecer. Além do golfinho, podem ser citados o elefante e chimpanzé. Os próprios humanos só adquirem essa habilidade após, aproximadamente, dois anos de vida.
Em reportagem da revista National Geographic Brasil, intitulada “Golfinhos: será que eles falam?104”, constou que tais cetáceos são extremamente inteligentes e
detentores de um volumoso cérebro. Eles fazem alianças circunstanciais e complexas com outros golfinhos. É possível que a necessidade de computar tais dados seja um dos motivos para grandiosidade do cérebro. Por exemplo, eles utilizam uma estratégia para cassar tainhas, nadando em círculos em torno do cardume, levantando uma lama, fazendo com que os peixes pulem a lama e caiam na boca de outros golfinhos. Segundo consta, há fortes indícios de que os golfinhos produzem um determinado tipo de som que faz referência a determinado objeto. Trata-se de um assobio que é utili- zado, inclusive, para identificar e chamar uns aos outros. Apenas os seres humanos teriam também designações específicas para seres individuais.
103 Disponível em: <http://www.dailymotion.com/video/x33kbwg>. Acessado em 01/01/2016.
104Disponível em: <http://viajeaqui.abril.com.br/materias/golfinhos-sera-que-eles-falam>. Acessado em