• Sonuç bulunamadı

BÖLÜM 2: SOĞUK SAVAŞ SONRASI RUSYA: YAYILMACI

2.5. Rusya’nın Yayılmacı Enstrümanı Hibrit Savaş

2.5.1. Hibrit Savaşın Aşamaları/Safhaları

A ilustração 3 nos mostra,

à esquerda, 64 ondas, cada uma de um

eletrodo, dispostas num quadrado de 8X8

que corresponde ao dispositivo

implantado no cérebro das cobaias. Ela

foi retirada do livro de Freeman, e em

sua legenda o autor escreve:

“Cada 'burst' teve a mesma

forma caótica de onda em todo lugar na janela

e ao longo do bulbo ... As freqüências portadoras ... variam numa faixa entre 20 a 100 Hz”.

Em uma primeira leitura, temos a impressão de que as 64 ondas no lado

esquerdo da ilustração são registros diretos do EEG. Ao observarmos, no entanto, descrições

mais recentes dos padrões de modulação em amplitude,147 observamos que Freeman obtém

estas ondas através da filtragem matemática (Fourier) de cada um dos 64 EEG originais.

146 Este “sempre”, como veremos, tem uma duração limitada

147 FREEMAN, W. 2003. The wave packet: an action potential for the 21st century. Journal of Integrative

Neuroscience 2(1):3-30

Ilustração 3: padrões espaciais de modulação em amplitude encontrados por Freeman (padrões MA). Os EEGs foram

filtrados no ritmo gama, representando as diferentes amplitude da “onda portadora” para cada eletrodo. À dir. estão os mapas de relevo feitos a partir deste tipo de dado.

Neste caso, o mapa superior direito. (FREEMAN, 2000, pg.73)

Neste estudo, é utilizado um filtro de banda (como aqueles que usamos nos equalizadores para

deixar o som mais agradável) que deixa passar apenas as freqüências gama ou beta,

dependendo do caso – o que resulta, a grosso modo, nesta variação entre 20 e 100 Hz da

citação anterior.

Partindo destas considerações, o que as ondas à esquerda da ilustração 3

representam? A amplitude das oscilações em uma estreita faixa de freqüências, que pode ser

revelada como um pico no espectro de potência ou através de análises mais complexas.148 Ou

seja: as ondas revelam a intensidade com que cada um dos pontos está oscilando em

determinado ritmo. Assim, a existência de uma onda portadora aperiódica149 parece revelar

uma atividade conjunta dos neurônios bulbares no ritmo gama.

Esta atividade conjunta, a oscilação em certo ritmo comum, apresenta uma

distribuição heterogênea no espaço. Como podemos observar - ainda no lado esquerdo da

ilustração - embora a forma da onda não varie muito150 de um eletrodo para outro, sua

amplitude varia significativamente. Existe assim, em certa faixa de freqüências, áreas

oscilando intensamente, outras apenas suavemente. Freeman descreve, então, o padrão

espacial desta atividade em mapas de amplitude. Em outras palavras, uma medida da

distribuição espacial da amplitude da freqüência portadora. Esta distribuição é representada

pelo autor através de “mapas de relevo”, onde os picos correspondem aos eletrodos com

“maior presença” da onda portadora. Quatro destes mapas são mostrados na figura acima.

Como se pode observar, as 64 ondas foram representadas pelo mapa do canto superior direito.

Podemos interpretar, a partir da escala fornecida na figura, que este padrão foi observado

numa duração em torno de 0,1 segundos.

Estes são os chamados “padrões de modulação em amplitude”151 (padrões

148 Idem.

149 Pois, segundo entendemos, se a onda portadora for periódica, poderemos considerá-la como um “efeito colateral” de um filtro de banda muito estreito, que deixe passar justamente a freqüência da suposta onda portadora.

150 Freeman marca com um X o “eletrodo controle”, proveniente de outra área do cérebro. 151 Do inglês “amplitude modulation pattern”, ou simplesmente “AM pattern”.

MA), observados por Freeman e seus colaboradores, que podem se constituem numa nova

forma de se medir a atividade cerebral. Isto porque eles puderam ser correlacionados com a

percepção de um determinado objeto externo. Ou seja: embora a forma da “onda comum” não

dissesse nada a respeito do estímulo, a distribuição espacial de amplitude da “onda comum”

se tornava previsível depois do processo de condicionamento. Processo este que “intensifica o

significado”152 de certo estímulo, para que ele seja detectável no cérebro – afinal, tal órgão

seria essencialmente um construtor de significados. Esta parece ser a leitura mais coerente dos

escritos do autor.

De qualquer forma, esta medida é, por um lado, difícil de ser feita e

compreendida, mas por outro lado apresenta características interessantes. Isto porque,

segundo o autor: 1) como já vimos, os padrões podem ser correlacionados ao odor inalado

pelo coelho; 2) eles sintetizam informações elétricas, temporais e espaciais, embora esta

última dimensão não apresente resolução tão refinada;153 3) a formação de tais padrões pode

confirmar – ou revelar – hipóteses sobre mecanismos e estruturas neurais; 4) eles se referem

ao tecido nervoso, não a um neurônio isolado, o que é fundamental na medida em que

consideramos a fisiologia cerebral a partir da ação conjunta de muitos neurônios; 5) as vias

neurais que conectam o bulbo ao córtex seriam capazes de “filtrar” as informações, de forma

a realçar os padrões MA e reduzir os outros sinais.

Mas o que Freeman quer dizer com modulação?

Este termo, segundo podemos entender, refere-se à modificação de certo

substrato físico que permite a transmissão de informação através dele, assim como ocorre nas

transmissões de rádio. O substrato físico, no caso, é a onda portadora. A informação

152 Idéia que se torna evidente no uso termo “meaningful” em alguns estudos que buscam analisar quantitativamente algo relacionado ao significado. Trata-se de uma análise do tipo “mais cheio ou mais vazio”, sem se saber ao certo o conteúdo com o qual se está enchendo algo.

153 Podemos correlacionar os processos mentais tanto a regiões do cérebro quanto a momentos de sua atividade. Se partirmos da idéia, no entanto, de que a “regionalização” não é tão intensa, parece ser mais interessante investir nossos esforços em aumentar a resolução temporal do experimento. Isto, claro, dependendo dos objetivos e métodos disponíveis.

significativa, por sua vez, está na dimensão espacial, pois apenas os “mapas de relevo”

(padrões MA) puderam ser correlacionados ao odor. A onda portadora não possuiria qualquer

informação significativa, se não estivesse presente de forma heterogênea no espaço da

superfície bulbar. Assim, podemos dizer que a amplitude da onda portadora é modulada

espacialmente para conter/transmitir/incorporar um certo tipo de informação – para Freeman,

o significado.

Assim, embora o autor se utilize de uma metáfora comum na neurociência,

herdada da tecnologia da informação, seu objeto central não é uma unidade, como o neurônio

ou o potencial de ação, mas uma certa coletividade. Afinal, os padrões MA são, dada sua

dimensão espacial, uma propriedade de certa porção do tecido bulhar, resultante da atividade

conjunta de muitos neurônios. O fenômeno parece constituir-se num robusto exemplo de

formação de propriedades emergentes a partir das interações dentro de um sistema – ou seja,

de auto-organização. Robusto porque, dentre outros motivos, Freeman conseguir simular

matematicamente os resultados obtidos do bulbo, elaborando um modelo baseado em

equações diferenciais. Segundo Eliasmith:

“O modelo do bulbo olfativo de Skarda e Freeman é um dos poucos modelos bem-desenvolvidos que os dinamicistas clamam como seus. Muitos autores, incluindo van Gelder, Globus, Barton e Newman citaram este trabalho como uma forte evidência do valor da modelagem da cognição em sistemas dinâmicos.”154

Voltemos, agora, à ilustração 3. Se observarmos novamente os quatro mapas de

relevo, veremos que eles não são iguais. Os dois mapas da linha de cima referem-se às

condições pré-estímulo, enquanto os dois de baixo correspondem a uma inalada de amila. A

primeira coluna, por sua vez, se refere ao teste 1, enquanto a segunda ao teste 3.

Curiosamente, numa olhadela rápida, temos a impressão de que os mapas são mais parecidos

quando estão no mesmo teste do que quando referem-se ao mesmo odor. Onde estaria a

154 Para Eliasmith, no entanto, o modelo pode ser considerado como conexionista, o que contribui para sua tese de que o dinamicismo ainda não chegou a se tornar um paradigma alternativo para as ciências cognitivas. ELIASMITH, C. (1996). The third contender: A critical examination of the dynamicist theory of cognition.

correlação entre cerebral e mental? Este parece ser o caso em que uma olhadela rápida pode

não ser suficiente para a observação de padrões sutis. Assim sendo, parece esclarecedor

observarmos as quatro figuras para compreendermos um pouco melhor a diferença entre

padrões claros e padrões mais sutis – como os chamados padrões caóticos.

Chegamos então ao ponto central. Os sutis padrões de modulação em

amplitude observados por Freeman resolviam o problema da invariância perceptiva no olfato?

Ou seja: a correlação encontrada resistiria a novos testes experimentais com condições

diferenciadas?