4. GEÇMİŞTEN GÜNÜMÜZE RUSYA ve TÜRKİYE’NİN TEMEL ÇATIŞMA
4.2. SSCB’nin Dağılmasından Sonra Kafkasya ve Orta Asya
4.2.2. Orta Asya ve Rus Siyaseti
4.2.2.3. Hazar’ın Statüsü Sorunu
Associações249 com finalidades culturais e pedagógicas surgem juntamente com grupos filantropos; com promotores do desenvolvimento industrial, de técnicas fabris e
249 São poucos os trabalhos que se ocupam em pesquisar as sociedades existentes durante o século XIX. Marco Morel (2005) investigou como as associações participavam das transformações do espaço público. O autor fez um panorama desse fenômeno no Rio de Janeiro de 1808 a 1840. Das pesquisas que encontramos que tratam sobre o assunto, esse trabalho foi o que mais se aproximou das marcas deixadas por sociedades
agrícolas, a partir da estratégia das Regências para enfraquecer associações, que tinham objetivos explicitamente políticos. Segundo Marco Morel (2005), para tanto as Regências estimulavam atividades institucionais de filantropia, desenvolvimento econômico e da pedagogia civilizadora (MOREL, 2005, p.280). A ideia era abafar os embates políticos e valorizar o progresso econômico dentro da ordem social (MOREL, 2005, p.279). Apesar de ter sido uma proposta dos governos regenciais, para o autor, o incentivo, por parte do governo imperial, à formação de associações filantrópicas; de desenvolvimento econômico; e com finalidades pedagógicas, teve mais expressão na chamada política de conciliação dos anos 1850, período que interessou para a pesquisa. Anúncios e notícias publicadas nos jornais e documentos do Arquivo Público Mineiro indicam-nos a presença de sociedades dramáticas em Ouro Preto, nos anos de 1851, 1852, 1856 e 1861. Eram associações com fins culturais e tinham o objetivo de promover o teatro na cidade de Ouro Preto.
O nome da Sociedade Dramática União Ouro-pretana é citado em jornais de 1851,250 1855251 e de 1856.252 Embora, no documento que encontramos, datado de 1852,253 conste apenas Sociedade Dramática Ouro-pretana, é possível que essa tenha sido a mesma sociedade que atuou entre os anos de 1851 e 1856. Na documentação localizada,254 de 1861, há dados sobre outra associação, pois a fonte nos informa que tal sociedade teria sido criada “recentemente”. Portanto, certamente, já não seria a mesma que atuou em Ouro
dramáticas ou por associações com finalidades culturais. Morel localizou agremiações filantrópicas de estrangeiros, maçonarias, sociedades políticas, sociedades culturais, de tipo pedagógico e civilizador, associações profissionais – chamadas por Ronaldo Pereira de Jesus (2007) de mutuais. JESUS (2007) localizou, nos documentos relativos às “sociedades”, no Fundo Conselho de Estado, Arquivo Nacional (RJ), no período entre 1860 e 1887, registros de sociedades existentes na cidade do Rio de Janeiro, fundadas ou que tiveram seus estatutos modificados no período. O autor agrupou as associações, criando as seguintes tipologias: Sociedades Beneficentes; Irmandades; Sociedades Religiosas; Sociedades Literárias e de Instrução; Sociedades Científicas; Sociedades Dramáticas, Recreativas e Desportivas; Caixas Previdenciárias e Montepios; Seguradoras e Cooperativas. No entanto, seu trabalho teve como foco as associações mutuais. Em breve levantamento dos estudos recentes sobre o fenômeno associativo no Brasil do século XIX, constatou que os trabalhos nesse sentido privilegiam as Irmandades Religiosas, Sociedades Beneficentes, Corporações de Ofícios e as Associações Mutuais ou de ajuda mútua. As pesquisas que investigaram tais associações são: Viscardi (2004a, 2004b, 2005ª, 2005b); Silva (1999, 2000, 2005); Batalha (2004); Kuschnir (1996); Luca (1990). Marcilaine Soares Inácio Gomes, integrante do Grupo de Estudo e Pesquisa em História da Educação, da Faculdade de Educação – UFMG e aluna do programa de Pós graduação, desenvolve pesquisa de doutorado sobre as sociedades políticas e a escolarização em Minas Gerais, durante o século XIX 250 “O Conciliador”, nº 236, de 23 de agosto de 1851, p.4; “O Conciliador”, nº 280, de 22 de novembro de 1851, p.1. Disponível em: <www.siaapm.cultura.mg.gov.br>. Acesso em: dezembro de 2008.
251 “O Bom Senso”, nº344, de 06 de setembro de 1855, p.4. Disponível em: <www.siaapm.cultura. mg.gov.br>. Acesso em janeiro de 2009.
252 “O Bom Senso”, nº 464, de 27 de novembro de 1856, p.4. Disponível em: <www.siaapm.cultura. mg.gov.br>. Acesso em fevereiro de 2009.
253 Acervo do Arquivo Público Mineiro, SP PP1
7 cx02 Doc. 27. 254 Acervo do Arquivo Público Mineiro, SP PP1
Preto, na primeira metade da década. Porém, Luiz José d‟Oliveira Junior e Carlos Fortunato Meirelles aparecem como membros dos dois grupos. Teremos como foco a sociedade que existiu durante a década de 1850.
A Sociedade Dramática União Ouro-pretana era administrada por um Presidente e uma Diretoria. Reunia seus sócios em sessões, nas quais eram discutidas e planejadas ações em prol do teatro e, eventualmente, nomeadas comissões responsáveis por concretizar as decisões da associação.255 É possível que, assim como a “Sociedade do Teatrinho da Rua dos Arcos”, que existiu na Corte, durante o período das regências, citada por Morel (2005), os associados da sociedade dramática de Ouro Preto dividissem despesas e lucros arrecadados nas apresentações que promoviam. A associação poderia, ainda, utilizar, como o viajante austríaco Pohl identificou em 1820,256 o sistema por assinaturas, ou seja, os sócios / assinantes pagariam uma quantia, anualmente ou mesmo mensalmente, o que, nas noites de apresentações, dar-lhes-ia direito a bilhetes de acesso ao teatro. Os três anúncios de apresentações teatrais organizadas pela sociedade, que encontramos, mandavam os sócios procurarem boletos em casa do thesoureiro257 da sociedade ou em mãos daquele que havia assinado o anúncio. A associação não era capaz de sustentar suas atividades somente com a contribuição de seus sócios e, por vezes, solicitou do governo provincial auxílio para o que planejava e desenvolvia.
Quem eram os membros das sociedades dramáticas de Ouro Preto? Que relações esses homens estabeleciam com a sociedade Ouro-pretana? Cesario Augusto Gama foi presidente da Sociedade Dramática União Ouro-pretana em 1852; Antônio de Assis Martins e Antônio Xavier da Silva foram sócios no mesmo ano. Luiz José d‟Oliveira Junior258 foi tesoureiro em 1851; além disso, aparece como sócio em 1856, assim como
255 Essas conclusões foram baseadas nos trechos dos seguintes documentos: o ofício assinado pelo Presidente da Sociedade Dramática e dirigido ao presidente da província, em 5 de julho de 1852, inicia-se da seguinte forma: Tendo a Sociedade Dramatica Ouro pretana, em sessão de 4 do corrente deliberado nomear uma
comissão que em nome da mêsma vá a pesença de V.Excia (...). Acervo do Arquivo Público Mineiro,
Notação: SP PP1
7 cx 02 Doc. 27. Outro ofício, lido na sessão ordinária da Assembléia Provincial de 6 de setembro de 1851, que teve a ata correspondente publicada no jornal: “O Conciliador”, nº 280, de 22 de novembro de 1851, é descrito da seguinte forma pelo deputado que o leu: (...) membros da directoria e mais
sócios da sociedade Dramatica – União Ouropretana – pedindo uma (...).
256 Em dezembro de 1820, o austríaco Johann Emanuel Pohl esteve em Vila Rica e registrou que os camarotes eram adquiridos por assinaturas anuais e que havia espetáculo uma vez por semana (POHL,182?/1976, p.399).
257 “O Conciliador”, nº 236, de 23 de agosto de 1851, p.4, Disponível em: <www.siaapm.cultura.mg.gov.br>. Acesso em dezembro de 2009. “O Bom Senso”, nº 464, 27 de fevereiro de 1856, p.4, Disponível em: <www. siaapm.cultura.mg.gov.br>. Acesso em fevereiro de 2009.
258 Consideramos que Luiz José d‟Oliveira e Luiz José d‟Oliveira Junior são nomes que se referem à mesma pessoa, pois temos indícios de que o pai desse sujeito teria o seguinte nome: Luiz José d‟Oliveira Matta. Acervo do Arquivo Público Mineiro SP CMOP131 cx 02: pacotilha 12 – Lei nº 850.
Carlos Fortunato de Meirelles,259 que também anunciou um espetáculo em nome da sociedade em 1855.260
Cesario Augusto Gama atuou em Ouro Preto, em diversas instâncias. Adquiriu uma tipografia em agosto de 1850, que publicava todo tipo de escritos sob a rubrica “A Gama”.261 Em novembro, juntou-se a José Rodrigues Duarte, fundando a “Typografia de Duarte e Gama”,262 onde eram impressos os jornais de oposição: “O Apóstolo” e “O Itamontano.”263 É possível que Gama fosse o responsável pela redação dos exemplares desses periódicos, publicados a partir de novembro de 1850, pois em 02 de setembro 1851, escreveu uma correspondência ao redator d‟ “O Conciliador”, em que se defendia da acusação de que estaria publicando calúnias sobre a vida pessoal de homens que defendiam o governo. A carta começa com os seguintes termos:
Sr. Redactor do Conciliador. – Como se attribue quase sempre, e erradamente, á redacção de um jornal tudo quanto n‟elle se publica, eu julgo dever arredar de mim toda a odiosidade que d‟ali resulta, declarando solemnemente, que em tempo algum sahio de minha Penna artigo, communicado ou correspondência que ferisse, ainda de leve a reputação de qualquer de meus concidadãos (“O Conciliador”, nº 242, de 04 de setembro de 1851).264
O nome do periódico em questão não foi citado na correspondência, mas podemos afirmar que se tratava d‟ “O Itamontano” ou d‟ “O Apostolo”. Cesario A. Gama assumiu seu pertencimento ao partido que faz[ia] opposição à política (...) dominante, naquele momento. Porém, afirmou que seus escritos jamais excederão os limites da censura rasoavel265 e que se ocupava sempre muito mais com as cousas do que com as pessoas.266
259 Consideramos Carlos Fortunato Meirelles o mesmo homem que é nomeado em outro documento como Fortunato Carlos Meirelles.
260 “O Bom Senso”, nº 344, de 06 de setembro de 1855, p. 4 Disponível em: <www.siaapm.cultura. mg.gov.br>. Acesso em fevereiro de 2009.
261 Arquivo Público Mineiro – SP CMOP1
10 cx 03 pacotilha 05, OP Tipografia 07 de ago. 1850. 262 Arquivo Público Mineiro – SP CMOP1
10 cx 03 pacotilha 06, OP Tipografia 18 de nov. 1850.
263 Acreditamos que, a partir de novembro de 1850, quando Cesario Augusto Gama fundou, com José Rodrigues Duarte, a tipografia “Duarte & Gama”, esses dois periódicos estavam sob a responsabilidade desses sujeitos. Infelizmente, o único exemplar d‟O Itamontano existente no Arquivo Público Mineiro é de 1848, e não foram localizados exemplares d‟ “O Apostolo”.
264 “O Conciliador”, nº 242, de 04 de setembro de 1851, p. 4. Disponível em: <www.siaapm.cultura. mg.gov.br>. Acesso em fevereiro de 2009.
265 Essa atitude do redator evidencia a continuidade do controle que se iniciou na última Regência e que culminou na proclamação do segundo Império. Durante esse período, o governo imperial buscava controlar e impor limites à imprensa, a partir do esforço de deter a expansão dos periódicos mediante legislação
controladora, mas também de repressão, como ameaças, prisões e até assassinatos de redatores (MOREL,
Cesario A. Gama fundou também um estabelecimento litográfico em Ouro Preto, em dezembro de 1850.267
Estamos diante de um “homem de letras”, inserido num contexto em que o governo da opinião pública,268 estabelecida na razão crítica e na opinião da maioria se sobrepunha à soberania do imperador, ao mesmo tempo em que o poder dominante buscava forjar, na figura do imperador D. Pedro II, o lugar dessa razão crítica, legitimada por uma suposta vontade da maioria. A imprensa, então, se configurava como importante instrumento de transformação social e, por outro lado, de legitimação do pensamento político dominante. É importante sublinhar o investimento desse sujeito para manter e sofisticar, através da litografia, a impressão de materiais escritos e de imagens em Ouro Preto. Buscava, com isso, inserir-se e incluir as suas ideias no debate público.269 Isso evidencia uma intensa atuação de Gama na cena política de Ouro Preto, que também está explícita no grande número de matérias veiculadas pelos jornais da situação, “O Conciliador” e “O Bom Senso”, os quais contestavam as publicações de sua tipografia.
Não existem mais exemplares dos jornais impressos na tipografia de Cesario Augusto Gama. Dos periódicos da situação, chegaram aos nossos dias muitos exemplares. A conservação de documentos está diretamente ligada aos interesses daqueles que o produzem. Geralmente, as pessoas que pertenciam aos órgãos governamentais tinham mais possibilidades de preservar os documentos que retratavam o pensamento e a história que lhes interessava guardar. Isso explica, também, porque não restaram muitas fontes sobre a sociedade dramática. Por não ser um órgão do governo, essa sociedade não produzia
266“O Conciliador”, nº 242, de 04 de setembro de 1851, p. 4. Disponível em: <www.siaapm.cultura. mg.gov.br>. Acesso em fevereiro de 2009.
267 Arquivo Público Mineiro – SP CMOP1
10 cx 03 pacotilha 07, OP Litografia 05 de dez. 1850. Segundo Zenha (2006), essa técnica permitiu que as imagens desenhadas diretamente na pedra fossem impressas na
mesma escala que os textos reproduzidos através do emprego da tipografia, tornando desnecessário o procedimento de “esculpir” o metal ou a madeira que a gravura requeria. Os principais periódicos ilustrados europeus empregavam a xilogravura de topo (gravure sur bois debout) devido à possibilidade de integrar o bloco de madeira à caixa tipográfica, de forma que a imagem era impressa no corpo do texto, facilidade que a pedra litográfica não apresentava. Já no Brasil, as litogravuras gozaram de uma quase exclusividade no mercado das imagens impressas. Até mesmo os periódicos ilustrados, que obtiveram relativo sucesso, imprimiram suas imagens e respectivas legendas em litogravuras. Essas eram apresentadas na forma de encartes avulsos, ou eram impressas no verso de páginas cujos textos haviam sido compostos tipograficamente (ZENHA, 2006, p.355).
268 Conforme o que apresentamos na Introdução desta dissertação, estamos tratando a noção de “opinião pública”, assim como Marco Morel (2005), entendendo-a como uma concepção historicamente datada. O autor identificou duas concepções sobre a opinião pública, a primeira, mais próxima da esfera literária, fundada na supremacia da razão e a outra mais coletiva e normativa, identificada à vontade da maioria (MOREL, 2005, p.210).
269 Não desconsideramos que esse sujeito é um representante de um grupo que corroborava suas ideias e formavam uma rede de relações tornando, assim, viável sua atuação em Ouro Preto.
documentos oficiais, fonte que se preservava naquele período. Somando-se a isso, a sociedade dramática era liderada por Cesário Augusto Gama do partido da oposição. Consequentemente, possivelmente, porque a atividade teatral que existiu em Ouro Preto, nos primeiros anos da década de 1850, estava ligada a tal associação, não restaram muitas fontes sobre ela. Aqui percebemos o motivo pelo qual não encontramos nos jornais anúncios e notícias de apresentações teatrais em Ouro Preto, nesse período, questão levantada no capítulo anterior, que começa a ser esclarecida.
O apagamento da história da sociedade dramática e as censuras sofridas por Gama, como redator, demonstram os limites de uma identificação da elite dirigente ouro-pretana com as ideias liberais. A presença da oposição, o respeito à liberdade de imprensa, que permitia a Gama assumir publicamente seu pertencimento a esse partido, eram possíveis na medida em que se buscava legitimar a política dominante através do fracasso do partido de oposição. A todo o tempo era exposta a situação “precária” desse partido, a falta de uma liderança, de adeptos, de coerência, oscilantes entre suas convicções para o “bem da nação” e seus interesses pessoais, inativos, tímidos, fracos ou indiferentes.270 O pensamento dominante, de um governo imperial centralizador, regressista, estimava o governo da tribuna e da imprensa, a opinião pública, na medida em que eles reforçavam a noção de que o imperador e a Corte eram apartidários, detentores de uma sabedoria, capazes de tomar decisões para o bem comum: o bem da Nação. Segundo Mattos (1994), recorrendo à fala de um Saquarema,
(...) o poder do imperador “é emprestado, convencional, subordinado ao parecer e à vontade da Nação, que é a origem de sua superioridade artificial, e na qual exclusivamente reside a força real, a majestade verdadeira, e o poder sem condições. Só ela é soberana; só ela é augusta; só ela é perpétua; é perante ela que os reis devem inclinar-se respeitosamente” (MATTOS, 1994, p.132).
A tribuna, a imprensa, enfim, a opinião pública, deveriam refletir a vontade da Nação, sintonizada com os valores e interesses do governo imperial, o que justificaria a autoridade do Imperador e a centralização do Estado. Buscava-se, portanto, provar, pela suposta inexistência de um partido de oposição atuante, a força e o poder do sistema
270 Essas afirmações estão fundamentadas em diversas matérias publicadas pelos jornais “O Conciliador” e “O Bom Senso”. Há uma delas que merece destaque, por expor um longo lamento sobre a incompetência dos partidos de oposição. Tal matéria está localizada nas páginas 3 e 4, do exemplar nº 255, de 02 de outubro de 1851, na seção “O Conciliador”, sob o título; “O que é a opposição nesta província”.
monárquico, eleito pela opinião pública, reverenciado pela grande maioria da população mineira.
Cesario Augusto Gama também ocupou cargos públicos de destaque em Ouro Preto. Foi juiz de paz da paróquia de Ouro Preto de 1853 a 1865;271 guarda livros; contador da Caixa Filial do Banco do Brasil em 1856;272 deputado da Assembléia Legislativa de 1856 a 1863;273 promotor de capelas e resíduos a partir de 1857274. A presença de Gama em importantes cargos da administração da província mineira demonstra que ele possuía uma rede de relações e uma posição social que o permitia criar estratégias para continuar atuando como membro do partido de oposição numa sociedade que se esforçava por controlar e cercear as manifestações contrárias ao governo, ou ainda fazer delas um exemplo do fracasso das ideias e investidas da oposição.
Outro membro da sociedade dramática, Luiz José de Oliveira Junior, foi vereador da Câmara Municipal de Ouro Preto em 1852275 e presidente dessa casa em 1860;276 membro da Liga Economica Ouro-pretana em 1855.277 Temos poucos dados sobre a tal Liga Econômica. Ela poderia ser uma associação mutualista em que seus sócios investiam mensalmente, objetivando garantir proteção se, por ventura, o governo deixasse de realizar os pagamentos pelos serviços prestados por tais indivíduos; tratava-se de um amparo econômico. Poderia ainda se tratar de um grupo de sócios preocupados com o desenvolvimento econômico de Ouro Preto.
271 Instrumento de pesquisa on-line dos “Arquivos e Coleções Particulares do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro”. Disponível em: <http://www.ihgb.org.br/acervo311.php?f=ACP000014>. Acesso em 27 de maio de 2009, 19h.
272 “O Bom Senso”, nº 374, de 07 de janeiro de 1856 p.4 Disponível em: <www.siaapm.cultura.mg.gov.br>. Acesso em janeiro de 2009.
“O Bom Senso”, nº 389, de 10 de março de 1856 p.4, Disponível em: <www.siaapm.cultura.mg.gov.br>. Acesso em fevereiro de 2009.
273 “Correio Official de Minas”, nº 319, de 30 de janeiro de 1860, “Interior” p.4. Disponível em: <www.siaapm.cultura.mg.gov.br>. Acesso em fevereiro de 2009. Instrumento de pesquisa on-line dos “Arquivos e Coleções Particulares do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro”. Disponível em: <http://www.ihgb.org.br/acervo311.php?f=ACP000014>. Acesso em 27 de maio de 2009, 19h.
274 Ofício de justiça da Província de Minas Gerais com provimentos vitalícios, de 150$000 (cento e cinquenta contos de réis). Arquivo Público Mineiro – SP PP1
43 cx 02 1841-1874. 275 Arquivo Público Mineiro – SP CMOP1
3 cx 02 pacotilha 03.
276 “Correio Official de Minas”, nº 349, de 21 de maio de 1860, p.2, Editaes da “Camara Municipal de Ouro Preto”; “Correio Official de Minas”, nº 333, de 22 de março de 1860 p. 3 Editaes da “Camara Municipal de Ouro Preto”. Disponíveis em: <www.siaapm.cultura.mg.gov.br>. Acesso em fevereiro de 2009.
277 “O Bom Senso”, nº 331, de 19 de julho de 1855 p.4, Annuncios: A directoria da Liga Economica Ouro-
pretana faz sciente, que não podendo o sr. João Elenterio de Carvalho, por causa de suas occupações e viagens que tem à fazer, continuar com a agencia da mesma liga, foi esta transferida para o sr. Luiz José de Oliveira Junior, com quem d’ora em diante se deverão entender todos aquelles que quizerem pertencer á mesma Liga, manifestando sua intenção pela previa entrada dos fundos correspondentes ás despezas mensaes de cada um, conforme o plano existente em poder do referido ser. Oliveira. Ouro Preto 17 de julho de 1855. Disponível em: <www.siaapm.cultura.mg.gov.br>. Acesso em janeiro de 2009.
Em maio e junho de 1853, Luiz José de Oliveira Junior anunciou, n‟ “O Bom Senso”, que estaria vendendo a obra do padre Antônio Vilela de Araujo sobre agricultura, em sua casa.278 O anúncio oferecia descontos para aqueles que comprassem mais de vinte exemplares. Certamente, Luiz José tinha em vista um público que compraria esses livros, visto que estabelecer aulas de agricultura na província era uma aspiração de alguns deputados da assembléia legislativa. Seu objetivo então, possivelmente, era atingir professores, liceus empenhados em qualificar a juventude mineira para desenvolver o que se acreditava ser um potencial econômico da província: a agricultura.279 Esse tipo de atitude poderia ter sido motivada pelo interesse em lucrar com a venda dessas obras e / ou, ainda, caracterizava uma preocupação com o desenvolvimento da economia local.
Luiz José de Oliveira Junior engajava-se em associações; ocupava cargos