SONRADAN ENGELLĠLER VE DEVLET POLĠTĠKAS
2.1. Sonradan Engellilik, Nedenleri ve Yapılan Yardımlar
2.1.1. SavaĢlar
2.1.2.1. Hastalık Nedeniyle Engelli Kalanlara Yapılan Yardımlar
Retomando a conceituação apresentada por Tardif (2000), os saberes pessoais dos professores são aqueles adquiridos na família, no ambiente de vida, pela educação no sentido lato e integrado no trabalho docente pela história de vida e pela socialização primária.
Os saberes pessoais dos professores entrevistados foram constituídos a partir da descrição da trajetória de vida dos enfermeiros até se tornarem professores; as razões que os motivaram inicialmente a buscar a docência e quais aspectos foram mais marcantes para levá-los ao magistério superior.
Tardif (2012) entende a história pessoal e social como uma fonte pré- profissional. São fatores que constituem um dos saberes docentes postulados por ele, que entende ser um saber inato, produzido pela socialização com os diversos grupos sociais, por meio de interação com o meio, tornando-se, assim, um importante fator para a constituição da identidade profissional docente.
Esse autor acredita, ainda, que o professor tem sua personalidade influenciada pelos conhecimentos, pelas crenças e pelos valores adquiridos na infância, em idade escolar, e que estes são interiorizados de maneira não reflexiva e utilizados para a escolha e prática de sua profissão. Por meio de pesquisa a biografias, o autor pôde evidenciar que experiências familiares, escolares e sociais, crenças ou representações apresentam se como certezas que constituem o perfil docente.
Partindo desse entendimento, e de sua importância para a formação dos saberes da docência, apresentam-se a seguir, trechos de relatos dos professores, com suas razões pessoais, que os motivaram trilhar esse caminho, tais como a influência familiar e a proximidade com familiares que exerciam a docência:
RESULTADOS E DISCUSSÕES 86
Eu sempre gostei desta questão de lecionar, minha mãe leciona até hoje, minha irmã é pedagoga também deu aula, então acho que tá na veia, né? Foi interessante, peguei muita prática, aí formei e fui pra graduação (P 06). Minha mãe é professora. Eu já tive influência da minha mãe (P11).
...Na realidade, acho que eu queria ser professora, na minha infância eu brincava de ser professora, minha irmã foi professora minha, minha mãe trabalha na escola, minha tia, então a família inteira é muito envolvida com a questão de ser professor, de ser docente. Quando eu fiz a faculdade, eu tinha vontade de ensinar para os outros, tanto é que quando eu fui fazer enfermagem e terminei, eu me identifiquei, porque você é educador na enfermagem, também isso foi me aguçando, e hoje eu gosto de docência, eu gosto de passar o que eu sei, eu sempre me identifiquei com isso, eu penso que é a docência que eu quero, mesmo se não for para ficar na enfermagem, na docência eu sei que eu vou ficar, porque é o que eu quero (P 16).
Ainda foi possível identificar motivos que vão desde o gosto por ensinar, e ainda uma maneira conseguir manter-se financeiramente durante a adolescência.
Eu sempre dei catequese, acho que já vem lá de trás, desde lá, então eu sempre gostei... (P 01)
Eu tinha experiência como docente, eu trabalhava como voluntária durante a minha graduação, na verdade eu tinha uma bolsa de estudos, eu dava aula pra criança carente, até o terceiro colegial, todas as crianças carentes do projeto ficavam comigo, era reforço escolar de ensino fundamental (P06). Eu comecei a trabalhar com 14 anos em um banco e aos 17 para ganhar meu dinheiro, comecei a dar aula particular, porque eu tinha uma facilidade pra passar para os outros (P11).
Verifica-se que os docentes trazem experiências vivenciadas precocemente do exercício do magistério. Em sua trajetória de vida, antes de ingressarem na faculdade, exerceram esta atividade de maneira informal, dando aula de catequese, de reforço e particular. Estiveram presentes nesta trajetória familiares que são professores, pedagogos ou trabalham em escolas.
Para além da questão financeira, professores relataram que exerceram atividades de ensino, pois contavam com facilidade de transmitir conhecimento e com uma sensibilidade nata, um despertar, um querer ser professor desde a infância, enxergando a docência como uma missão que já vem de dentro, interiorizada pelo gostar e pelas suas experiências positivas vivenciadas no decorrer de sua primeira história.
RESULTADOS E DISCUSSÕES 87
Esses fatos também foram encontrados por Tardif e Lessard (2006), em suas pesquisas, quando referem que a paixão e a opção pelo ofício de professor podem vir da origem familiar, pela valorização da profissão no meio de vivência, e que ter parentes professores próximos ou ligados à educação apresenta-se como fator importante e fundamental ligado à tradição, levando a um autorecrutamento induzido pela observação em casa, pelo “habitus familiar”.
Esses mesmos autores trazem dados que coincidem com os encontrados neste estudo, quando apontam o prazer em ensinar, o “ter nascido para a docência”, como experiências e sentimentos vivenciados pelos professores, como importantes e definidores para a escolha da carreira. Um sentimento que neutraliza o saber ensinar e que se apresenta com o entendimento de ser inato.
Assim, os professores atribuem o saber ensinar à sua própria personalidade, acreditando ser inata, porém os autores advertem que essa identidade não é inata mas, sim, resultado de sua história de vida e de socialização, vividos na escola, atendendo suas normas, revelando-se em saberes do indivíduo que formam a personalidade institucionalizada do professor (esse entendimento o leva a reproduzir os papéis e as práticas institucionalizadas na escola).
Ainda em relação aos saberes pessoais dos professores, identificou-se a busca pessoal, com o auxílio de familiares, para instrumentalização da ação docente.
Quando eu fui preparar o plano de aula para o processo seletivo para a disciplina de enfermagem obstétrica (uma coisa extremamente didática), que a gente não conhece... Eu tenho uma irmã que é professora de língua portuguesa, ela fez magistério ela tem essa formação pedagógica que eu não tenho, então eu pedi para ela me ajudar com o plano de aula, aí comecei a ler, como montar um plano de aula e ela foi me dando orientações, contei com a ajuda de familiares...(P 4).
Verifica-se, assim, que os professores podem contar com o auxílio familiares para iniciar suas atividades inerentes ao magistério, ou até mesmo antes, ao ser expectadora de pessoas próximas ao exercerem esse ofício, o que pode influenciar a escolha da atividade profissional a ser exercida, o que leva a inferir que seus saberes para a docência foram constituídos a partir desta vivência, e também da proximidade com a profissão, da facilidade de conseguir auxílio ou até mesmo da intimidade com os conhecimentos pedagógicos da irmã, o que torna possível
RESULTADOS E DISCUSSÕES 88
viabilizar a construção do plano de ensino para processo seletivo para a docência universitária.
A partir dos relatos, também foi possível identificar que a própria vivência do professor pode ser uma fonte que contribui para a construção dos saberes pessoais na construção da docência em enfermagem obstétrica.
Aprendi um pouco com a minha própria experiência do parto, com a minha experiência pessoal de ser mãe, acho que contribui para a docência, assim sabemos como acontece... Você vivenciou, então, você passa esse conhecimento, você fala de causa própria, você vivenciou. (P 16)
Esse achado corrobora com os de Tardif (2012), quando reflete que saber ensinar exige conhecimentos da vida, saberes personalizados, e que o tempo de aprendizagem do professor não implica somente a vida profissional do professor, mas implica sua experiência pessoal, que aprendeu seu ofício, antes de iniciá-lo.