2. SOSYAL MESAFE VE KÜLTÜRLEŞME
2.3. Grup Dışı Evlilikler ve Asimilasyon
A avaliação dos efeitos da mudança postural ativa nos diferentes índices da variabilidade da freqüência cardíaca, como mais um elemento para avaliar a regulação autonômica do coração, não foi objetivo central dessa pesquisa. Entretanto, optou-se por fazê-la, em alguns índices mais representativos, com dois propósitos de detalhamento de análise. Inicialmente para verificar a normalidade da amostra quanto à própria regulação autonômica cardíaca. Não se dispõe ainda de forma clara na literatura dos níveis mínimos e/ou máximos de resposta autonômica em associação ao estímulo da mudança postural ativa. Como a base da análise é o contexto da normalidade clínica dos voluntários, a observação de ausência de resposta satisfatória quando dessa manobra poderia suscitar novo critério de exclusão e/ou ponto de discussão, haja visto que a
reduzida modificação do balanço autonômico com estímulo da mudança postura já foi evidenciado com fator de risco em algumas condições clínicas (CARNETHON et al., 2002) . Em um segundo momento, a opção se fundamenta na busca não só da variação per si, mas no comportamento dessa variação nas diferentes fases do estudo. Nesse sentido a indagação surgiu para verificar se, mesmo não havendo sido encontrada diferença marcante na função autonômica cardíaca nas duas posturas analisadas, haveria alguma mudança no nível de resposta à manobra, independemente do estado basal nas duas situações.
Conforme se observa nas Tabelas de 25 a 32 e nas Figuras de 35 a 39, o efeito da mudança postural foi marcante, com drástica modificação da modulação autonômica cardíaca em direção a um aumento absoluto e/ou relativo da atividade simpática. Ocorreu marcante taquicardia relativa, com redução mediana da média de intervalos R-R do ECG da ordem de 23%, considerando as três avaliações instituídas. A modulação parassimpática reduziu-se também de forma marcante, com repercussão direta no equilíbrio vago-simpático. O pNN50 caiu aproximadamente 88%, assim como a rMSSD que diminuiu em aproximamente 50%, nas três avaliações seriadas. Além da magnitude das variações relativas, chama a atenção o fato de que na média dos intervalos R-R do ECG todos os voluntários (100%) tiveram queda nas três avaliações. Para o pNN50 houve queda em 100% dos casos nas avaliações 1 e 2 e em 95% dos indivíduos na avaliação 3. No caso da rMSSD também observou-se queda em 100% dos casos nas três avaliações. Esses achados tão marcantes nos remetem a duas considerações importantes. Primeiro o reforço da normalidade clínica dos voluntários, especialmente para a variável objeto principal da análise, ou seja, a função autonômica cardíaca. Em segundo lugar a constatação de que, no grupo estudado, a mudança postural foi uma manobra eficiente no sentido de desencadear ativação predominante da modulação simpática, com possível destaque para a retirada vagal, expressa aqui pela grandes variações relativas do pNN50 e da rMSSD. Desta forma, nossos dados corroboram achados anteriores quanto aos efeitos da mudança postural ativa, com eventuais diferenças na intensidade das mudanças e nos métodos empregados (LAITINEN et al., 2004; CARNETHON et al., 2002). Em estudo por nós conduzido por ocasião da dissertação de mestrado, observou-se, em uma amostra de indivíduos de faixa etária semelhante, porém com a incorporação de voluntários com manifestações clínicas diversas, queda na média de intervalos R-R de ECG um pouco menos acentuada, na ordem de 18% (PORTO, 1999). Observou-se finalmente na presente
investigação, em relação ao efeito do ortostatismo ativo sobre os índices no domínio do tempo, que a magnitude das respostas foi semelhante nas duas fases do estudo e em todas avaliações, evidenciando portanto que a intervenção instituída não provocou mudança nos efeitos do estímulo desencadeado pela mudança postural ativa.
No que se refere aos índices espectrais observou-se o mesmo fenômeno, ou seja, intensa mudança do balanço vago-simpático frente à mudança postural (0,046 > p > 0,0001 – nas 3 avaliações) e absoluta igualdade estatística no comportamento do efeito do ortostatismo (0,24 < p < 0,62 – nas 3 avaliações). Portanto, o comportamento dos índices espectrais analisados nesse quesito (área espectral total, áreas normalizadas e baixa e alta freqüência espectrais e razão BF/AF) indicaram intensa variação em favor do domínio relativo e/ou absoluto da porção simpática. A área espectral total reduziu, em valores médios das três avaliações, em 41,8% (queda ocorreu em 84%, 79% e 74% dos voluntários, nas avaliações 1, 2 e 3 respectivamente); a área espectral normalizada de baixa freqüência espectral aumentou na média em 47,6% (elevação ocorreu em 95%, 100% e 100% dos voluntários, nas avaliações 1, 2 e 3 respectivamente); a área espectral normalizada de alta freqüência espectral baixou na média em 65,1% (queda ocorreu em 95%, 100% e 100% dos voluntários, nas avaliações 1, 2 e 3 respectivamente) e a razão da área de baixa freqüência espectral pela alta freqüência espectral aumentou em média em 352% (elevação ocorreu em 95%, 100% e 100% dos voluntários, nas avaliações 1, 2 e 3 respectivamente). Os incrementos relativos da razão BF/AF foram muito elevados e atribui-se isso ao fato de que os valores de razão no repouso supino tendem a ser numericamente muito baixos, normalmente menores que 1, o que resulta muitas vezes em enormes variações percentuais. As Figuras 38 e 39 ilustram o efeito marcante do ortostatismo na área espectral total, indicando uma sensível redução da variabilidade total, e na razão BF/AF, marcadora do balanço vago-simpático. Reforça-se portanto que essa manobra, extremamente simples, evocou drásticas mudanças na regulação autonômica no grupo estudado e foi ótimo marcador da estimulação simpática. Outro fato importante a ser destacado é que a magnitude da variação média de retirada vagal (expressa por variação de -65,1% na área normalizada de alta freqüência) foi superior ao incremento relativo (também em unidades normalizadas) da atividade simpática (47,6%), o que sugere que os ajustes ao ortostatismo ativo foram dependentes de ambas as porções do SNA, com provável participação superior da retirada vagal em proporção ao incremento simpático. Este fato diferiu dos dados do estudo citado anteriormente em relação aos índices temporais (PORTO, 1999). Naquele outro estudo por nós conduzido,
observou-se incremento da área espectral total com a adoção da postura ortostática ativa, um maior incremento da área normalizada de baixa freqüência (109,9%), menor redução da área normalizada de alta freqüência (-57,4%) e um incremento na razão BF/AF um pouco inferior (332,2%). Provável causa para essas diferenças é o fato de que no estudo anterior havia indivíduos que não estavam normais do ponto de vista clínico, o que certamente influencia no padrão da modulação autonômica e impede comparações mais detalhadas.
VIII – EFEITOS DA INTERVENÇÃO NO DESEMPENHO FÍSICO