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XVIII YÜZYILIN BAŞLANGICINDA OSMANLI İMPARATORLUĞU VE GÜNEY KAFKASYA

B. Osmanlı İmparatorluğu’nun Güney Kafkasya’ya Sefer

3. Gence‐Karabağ Beylerbeyliğinin İlhakı

As universidades brasileiras, cada vez mais, têm se preocupado com a publicação das pesquisas realizadas por professores-pesquisadores e alunos, os quais têm se esforçado constantemente para publicarem os seus estudos em revistas especializadas, periódicos e livros que concentram diversos trabalhos. Essa realidade tem tornado ainda mais comum na academia a produção do gênero artigo científico/acadêmico, com fins específicos de divulgação científica. O interesse por

esse gênero tornou-se rotineiro nas salas de aula da graduação, algo necessário para fazer parte do mundo acadêmico.

Nesse sentido, alunos e professores têm se voltado para a produção de artigo, tornando este um dos gêneros mais usuais na universidade atualmente, tanto na esfera da recepção quanto da produção. É válido ressaltar que não se trata de um gênero novo, pois há muito os manuais de metodologia científica dispensam seções destinadas à orientação de como se elaborar um artigo. Nas obras referenciadas em 3.1 desta tese, a concepção de artigo acadêmico se baseia no estabelecido na ABNT – NBR 6022, que o define como: “Parte de uma publicação com autoria declarada, que apresenta e discute ideias, métodos, técnicas, processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006, p. 2). Com base na norma, o artigo acadêmico/científico nos é apresentado com certa rigidez, sem muito espaço para a flexibilidade. Sua definição se dá muito mais pela estrutura do que pela própria natureza social do gênero: “Apresentam resultado de estudos ou de pesquisas e distinguem-se dos diferentes tipos de trabalhos científicos pela sua reduzida dimensão e conteúdo” (MARCONI; LAKATOS, 2009, p. 261). Há, de acordo com a norma, pouca indicação do contexto, da situação mais imediata de produção do gênero: a quem se dirige? Com qual finalidade ele está sendo produzido? Qual o espaço de sua divulgação? Quais os critérios exigidos pelo veículo de divulgação ao qual será submetido, se for o caso? Essas questões são importantes para a produção de um artigo, no entanto, nem sempre são abordadas nos manuais orientadores da sua elaboração.

Parece haver, nesses manuais orientadores, uma tendência à anulação da autoria (embora a NBR 6022 o defina como um trabalho “com autoria declarada”) e ao apagamento das condições de produção desse gênero. O artigo nos é apresentado como algo estático, havendo pouco (ou quase nenhum) espaço para o movimento. Essa concepção parece-nos incoerente, inclusive, com a concepção dialógica da linguagem, a qual é compreendida como um processo dinâmico, sempre marcado e marcando as condições de sua produção.

Conforme enunciado, os manuais tomam por base as regularidades do gênero, as suas características estáveis. Tratam-no, de certo modo, priorizando a uniformidade. Mesmo quando propõem a elaboração de um artigo, por exemplo, fazem-no de maneira superficial, não correspondendo a uma situação real. Todavia,

a necessidade de publicação no meio acadêmico é real, tornando a produção do artigo uma realidade a ser encarada no cotidiano da universidade. Com o advento dessa prática, eis que os problemas oriundos da dificuldade de escrita desse gênero emergem e, com isso, surgem novos trabalhos voltados para a orientação de gêneros acadêmicos, inclusive, o artigo científico/acadêmico. Dentre eles, estão os livros da coleção Leitura e produção de textos técnicos e acadêmicos, de Machado, Lousada e Abreu-Tardelli, aos quais já nos referimos em 3.1, e Produção textual na universidade, de Motta-Roth e Hendges23.

Segundo informações constantes na “Apresentação” das obras supracitadas, elas surgem em atenção às limitações dos manuais de metodologia de trabalhos científicos e à demanda da produção acadêmica, apresentando uma proposta de escrita vinculada ao processo de produção textual. Subjazem a essas propostas princípios teóricos e concepções de escrita e de linguagem diferenciados daqueles que parecem embasar os manuais, cujas orientações são dadas a partir de definições e características, priorizando sempre o modelo como norteador da escrita.

Em Machado, Lousada e Abreu-Tardelli (2005), não há uma seção específica destinada ao artigo científico. A obra em si, como o próprio título anuncia, é dedicada a Planejar gêneros acadêmicos, que consiste no terceiro volume de uma coleção24 composta por quatro livros: 1º - Resumo (2004), 2º - Resenha (2004) e 4º - Trabalhos de pesquisa: diários de leitura para a revisão bibliográfica (2007). Logo na “Apresentação”, somos levados a pensar que se trata de uma proposta diferenciada em relação aos manuais aos quais constantemente temos acesso. Os livros são organizados de maneira a mobilizar os conhecimentos que o leitor já tem, por meio das atividades/oficinas propostas:

E só então os conceitos envolvidos, ou seja, a metalinguagem técnica sempre precisa e atualizada, começa a ser ensinada. Ainda assim, apenas na medida do necessário para organizar um quadro eficaz de informações sobre, construindo com o leitor um saber teórico já orientado para a prática de leitura e produção de textos em que, a esta altura, ele já está envolvido (RANGEL, 2005, p. 11, grifos do autor).

23 Publicado em 2010, pela Parábola Editorial.

24 A coleção tem como título Leitura e produção de textos técnicos e acadêmicos, publicada pela

Em todos os volumes, a partir das atividades que realiza, o leitor é levado a compreender as etapas de produção de cada gênero, bem como os recursos discursivos e as estratégias textuais nele implicados. Outra diferença em relação aos manuais observados é que, em Machado, Lousada e Abreu-Tardelli (2004a, 2004b, 2005, 2007), o processo interacional e social subjacente a todo e qualquer texto é considerado. Por exemplo, no volume sobre trabalhos de pesquisas, as autoras apresentam uma seção denominada de O diário de leitura em comparação com outros gêneros, na qual enfatizam:

Toda vez que produzimos um texto oral ou escrito, é importante refletir sobre o que vamos dizer e como vamos dizer, pensando na situação social em que estamos, na pessoa a quem nos dirigimos, no tipo de relação que temos com ela. Em muitos casos, o destinatário de nosso texto está diante de nós; em outros, está ausente, que o conheçamos pessoalmente ou não (MACHADO; LOUSADA; ABREU- TARDELLI, 2007, p. 13).

Observamos que as autoras compreendem os textos acadêmicos (resumo, resenha, artigo científico, diário de leitura) na perspectiva do gênero, estando, por isso, inserido em contextos de circulação e práticas sociais específicos. Assim sendo, o trabalho com o texto em sala de aula baseado numa metodologia de ensino que priorize fundamentalmente o modelo, conforme encontramos em alguns manuais, não faz sentido, pois, mesmo considerando as regularidades de um gênero, cada situação de produção apresenta especificidades que devem ser levadas em conta.

Já em Motta-Roth e Hendges (2010), quatro dos oito capítulos do livro são destinados ao trabalho de produção do gênero artigo científico/acadêmico25: Capítulo 04: Artigo acadêmico: introdução; Capítulo 05: Artigo acadêmico: revisão da literatura; Capítulo 06: Artigo acadêmico: metodologia; Capítulo 07: Artigo Acadêmico: análise e discussão dos resultados. O oitavo e último capítulo é dedicado à produção do Abstract/Resumo acadêmico e também se volta para a sua produção no artigo.

Logo no primeiro capítulo, cujo título é Publique ou Pereça, Motta-Roth e Hendges (2010) introduzem a questão “Por que produzir textos acadêmicos?” na

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É válido ressaltar que as autoras optam por usar “a expressão „artigo acadêmico‟ em lugar do termo „artigo científico‟, para designar todos os tipos de artigo publicados em periódicos científicos na seção intitulada „artigos‟. Eles podem ser de natureza diversa, tais como de revisão da literatura, teóricos, experimentais ou empíricos” (MOTTA-ROTH; HENDGES, 2010, p. 22).

forma do subitem 1.1. Nesse tópico, elas destacam a necessidade de publicação como forma de garantir espaço profissional na academia, o que tem tornado o artigo uma produção cada vez mais usual na universidade. Assim, o livro “tem por objetivo trazer informações sobre a prática acadêmica de publicação, enfocando os gêneros discursivos mais comumente adotados no contexto universitário” (MOTTA-ROTH; HENDGES, 2010, p. 14). Como proposta de discussão para o primeiro capítulo, as autoras apontam duas questões centrais para a produção textual na academia: a preparação para a escrita (nesse caso envolvendo a escolha de fontes bibliográficas de qualidade) e o processo de escrita (função, estilo, público-alvo, etapas do escrever). Para tratar desses aspectos, elas subdividiram o capítulo em: 1.2 - Redação acadêmica e 1.3 - Gêneros acadêmicos.

Com o primeiro capítulo, Motta-Roth e Hendges (2010) procuram situar o leitor no contexto da produção escrita acadêmica, apresentando-lhe os gêneros mais usuais nesse meio, por meio de exemplos, destacando a sua função no âmbito universitário. Em 1.2, as autoras elencam alguns fatores que consideram importantes de serem observados na escrita acadêmica, sobre os quais discorrem em forma de subitem (Tópico, Audiência, Estratégia de apresentação, Organização e Desenvolvimento da informação). Em 1.3, discutem a produção dos gêneros mais comuns na academia, ressaltandotrês deles: o abstract, a resenha e o artigo. Nesse subitem, as pesquisadoras chamam a atenção para o fato de que a escrita no contexto da universidade possui objetivos bem específicos e que gêneros diferentes (abstract, monografia, dissertação, resenha) têm funções também diferentes.

Cada um desses gêneros pode ser reconhecido pela maneira particular com que é construído, pelo menos, em relação a:

 tema e objetivo do texto (o que queremos realizar ao publicar o texto, como avaliar um novo livro, relatar um experimento ou comprovar a eficiência de uma droga);

 público-alvo para quem escrevemos (para alunos de graduação, alunos de doutorado, pesquisadores experientes, público leigo?);  natureza e organização das informações que incluímos no texto

(adotaremos seções para cada etapa da pesquisa como revisão da literatura, a metodologia e os resultados, como no artigo acadêmico experimental?) (MOTTA-ROTH; HENDGES, 2010, p. 23).

Na sequência, as autoras preocupam-se em abordar os três gêneros que consideram mais comuns na academia sem se aprofundar em nenhum deles,

definindo-os sempre em relação à função e inserção desses gêneros nos meios de divulgação científica. Sobre o artigo, destacam que, de acordo com os seus objetivos, pode ser classificado como “artigo experimental”, quando objetiva “divulgar, discutir ou apresentar dados referentes a um projeto de pesquisa experimental sobre um problema específico” ou “artigo de revisão”, cuja proposta é “apresentar uma revisão dos livros e artigos publicados anteriormente” sobre a temática “dentro de uma área de conhecimento específica” (MOTTA-ROTH; HENDGES, 2010, p. 23).

As autoras ressaltam, ainda, que, seja qual for a natureza do artigo, o seu autor precisa demonstrar que é hábil em relação a:

(1) selecionar referências bibliográficas relevantes ao assunto em foco;

(2) refletir sobre estudos anteriores na área;

(3) delimitar um problema ainda não totalmente estudado na área; (4) elaborar uma abordagem para o exame desse problema;

(5) delimitar e analisar um conjunto de dados/fontes de referência representativo do universo sobre o qual se quer alcançar generalizações;

(6) apresentar e discutir os resultados da análise desses dados/dessas referências;

(7) finalmente, concluir por meio de generalizações sobre os resultados obtidos no estudo, conectando-as aos estudos prévios dentro da área de conhecimento em questão/reformulando conceitos conhecidos ou apontando futuros desdobramentos teóricos na área (MOTTA-ROTH; HENDGES, 2010, p. 23-24). Podemos observar que estão implicadas, nas orientações citadas, feitas pelas autoras, as seções que compõem um artigo. No entanto, elas ainda não foram evidenciadas, pois a proposta das autoras parece ser a de levar o leitor a compreendê-las, para posteriormente apresentá-las como partes da estrutura organizacional do texto. É a partir do Capítulo 04 que essas questões composicionais são abordadas mais detalhadamente em relação ao artigo. Esse capítulo está organizado da seguinte forma: 4.1 O que é um artigo acadêmico?; 4.2 Razões para se escrever um artigo; 4.3 Por onde começamos a escrever o artigo acadêmico?; 4.4 A seção de introdução.

As autoras definem artigo como sendo

um texto, de aproximadamente 10 mil palavras, produzido com o objetivo de publicar, em periódicos especializados, os resultados de

uma pesquisa desenvolvida sobre um tema específico. Esse gênero serve como uma via de comunicação entre pesquisadores, profissionais, professores e alunos de graduação e pós-graduação (MOTTA-ROTH; HENDGES, 2010, p. 65).

Percebemos, dessa definição, que a ênfase recai sobre o papel desempenhado pelo artigo na divulgação do conhecimento produzido na academia. A universidade é o principal lócus no qual professores e alunos produzem suas pesquisas, cujos resultados vão se tornando públicos nos congressos dos quais participam, mas, principalmente, esse conhecimento vai se difundindo através dos artigos publicados. Nesse aspecto, as autoras destacam, mais uma vez, a função social do artigo: por meio dele, o conhecimento produzido na academia é publicado e, gradativamente, vai sendo reconfigurado, reescrito de forma mais acessível em outros contextos de circulação e, desse modo, os avanços da ciência vão sendo assimilados pelo grande público.

Devemos deixar claro que não é objeto de investigação desta tese a análise de nenhuma dessas obras citadas que versam sobre a produção de textos acadêmicos. Portanto, qualquer abordagem feita neste texto tem o propósito de apresentar a(s) concepção(ões) de artigo científico a que tivemos acesso para a construção deste trabalho, uma vez que foi esse o gênero produzido durante a constituição dos nossos dados. As obras até aqui citadas sobre a produção do artigo foram priorizadas também porque elas aparecem nas referências da Proposta de Atividade Prática – Trabalho de Crédito da disciplina Didática da Língua Portuguesa (DLP), no curso da qual esta pesquisa foi realizada. No caso específico dos livros de Machado, Lousada e Abreu-Tardelli (2005) e Motta-Roth e Hendges (2010), tais obras foram disponibilizadas para a turma e indicadas como sugestão de leitura norteadora para a elaboração do artigo acadêmico/científico (resultado do Trabalho de Crédito) escrito pelos sujeitos desta pesquisa.

Cabe-nos, ainda, reiterar que, nesta tese, o artigo científico é visto como um gênero do discurso na perspectiva proposta por Bakhtin e seu Círculo. De acordo com Bakhtin ([1979] 2003, p. 268), os gêneros enquanto tipos relativamente estáveis de enunciados “são correias de transmissão entre a história da sociedade e a história da linguagem”. Segundo esse autor, todos os fenômenos que integram o sistema da língua percorreram, primeiramente, o caminho “de experimentação e elaboração de gêneros e estilos”. Nesse sentido, destaca que

o enunciado é um elo na cadeia da comunicação discursiva e não pode ser separado dos elos precedentes que o determinam tanto de fora quanto de dentro, gerando nele atitudes responsivas diretas e ressonâncias dialógicas. Entretanto, o enunciado não está ligado apenas aos elos precedentes mas também aos subsequentes da comunicação discursiva [...] o enunciado se constrói levando em conta as atitudes responsivas, em prol das quais ele, em essência, é criado. [...] Cada gênero do discurso em cada campo da comunicação discursiva tem a sua concepção típica de destinatário que o determina como gênero (BAKHTIN, [1979] 2003, p. 300-301). Portanto, a produção de um artigo científico/acadêmico deve levar em conta tais aspectos discursivos, pois, enquanto linguagem/texto, está inserido em um contexto mais amplo, sendo produzido e destinado a partir da relação social/dialógica entre sujeitos. No ensino da escrita em sala de aula, essas relações devem ser consideradas e trabalhadas com os alunos pelo professor, que tem papel fundamental nesse processo.

O ensino sob a perspectiva dos gêneros discursivos nos termos apresentados por Bakhtin e seu Círculo propõe um redirecionamento das práticas pedagógicas, devendo estas, desde o início, propiciar ao aluno o contato com diversas materialidades discursivas. Tendo em vista que os gêneros são socialmente adquiridos, conforme postulam as ideias bakhtinianas, é fato que, ao chegar à escola, esse aluno já tenha entrado em contato com muitas das manifestações textuais que fazem parte do seu cotidiano. A inserção de novos gêneros ao seu cotidiano poderia ser pensada no sentido de lhe oferecer uma oportunidade de integrar-se a uma realidade, fazendo parte de uma atividade concreta da comunicação humana. Para que essa remodelagem da prática pedagógica aconteça, o professor precisa estar preparado para considerar as relações dialógicas na situação de escrita em sala de aula. É sobre o papel e o lugar da escrita na formação inicial desse professor que discutiremos a seguir.