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I. BÖLÜM

1.2. Gelenekselden Moderniteye Değişen Sosyal İlişkiler

O conceito de classes sociais é bastante controverso e muitos autores atribuem esta escassez de estudos à inadequação dos instrumentos ou esquemas de classificação social. Sendo assim, a Sociologia e a Antropologia podem auxiliar se tomarmos como ponto de partida os fatores determinantes das classes sociais. O termo começou a ser fortemente discutido no Brasil quando a Escola de Sociologia e Política de São Paulo abriu o primeiro debate teórico sobre classes sociais, na nascente Sociologia brasileira, no início dos anos 40 (PIERSON, 1945).

De um lado ficaram aqueles que viam as classes como estratos sociais, com consciência e sociabilidade próprias. Para esses, o conceito de classe social era aplicável a qualquer sociedade humana, sendo apenas um sinônimo para camada social. De outro lado estavam aqueles que acreditavam que as classes eram estruturas sociais, que condicionavam as ações coletivas nas sociedades capitalistas, como é o caso de Florestan Fernandes (1965). Já para estes pesquisadores e sociólogos, as economias capitalistas teriam destruído as sociedades de castas de tal modo que a sociedade de classes passou a condicionar a sociabilidade à modernidade e ao capitalismo ocidentais (GUIMARÃES, 2002).

O consenso sobre o termo “classes sociais” só foi possível em 1960, com o avanço da teoria de classes e a consolidação da influência do marxismo e de todas as formas de explicação estrutural, na Sociologia brasileira. A vontade e a necessidade de um desenvolvimento econômico e social por grande parte da

sociedade passaram, cada vez mais, a vincular-se a uma expectativa de que as classes sociais tivessem a consciência para assumir ou a superação das oligarquias no poder ou a implementação do socialismo.

A pirâmide social brasileira se transformou ao longo dos anos. Essa configuração atual é um reflexo das alterações sofridas pelo país nos campos político e econômico a partir de 1980, quando começaram a ser mais claramente percebidas na virada do século XX para o XXI. A estrutura deixou de ser uma pirâmide com o passar do tempo, transformando-se em um losango. O padrão de vida dos brasileiros, principalmente os da classe média, tem passado por transformações significativas causadas, principalmente, pela redução das taxas de inflação, aumento no nível de emprego e da renda. A educação também deve entrar neste contexto, visto que muitos jovens desta classe social analisada estão em busca de ensino de qualidade, diferentemente de seus pais que, em grande parte dos casos, não completou o Ensino Fundamental. As pessoas começam a ter o poder aquisitivo renovado e passaram a adquirir mais alimentos, roupas, calçados e bens de consumo duráveis, como automóveis, televisores e geladeira.

A classe média engloba um grande número de pessoas que trabalham em diferentes setores públicos e privados. Com a diversidade de ocupações, autores como Anthony Giddens (2009) preferem falar em “classes médias” e admitem que o conceito analítico é bastante problemático. Levando em consideração a renda, a linha que separa a classe operária das ocupações de altos cargos se desfez e também se modificou ao longo dos anos. O autor acredita que este fato torna-se verdadeiro à medida que os empregos administrativos são cada vez mais rotinizados, fragmentados e automatizados, tornando mais difícil distingui-los de ocupações da classe operária (GIDDENS, 2009).

Vale ainda destacar que a famosa classe “C”, tratada nesta pesquisa como a nova classe média brasileira, está na mídia. Isto gera, muitas vezes, mais confusão quanto ao fato de como classificar cada classe social no Brasil. Nos últimos seis anos, o assunto gerou inúmeros artigos e reportagens especiais em jornais, revistas e telejornais que buscavam conhecer quem eram essas pessoas que tinham cada vez mais poder aquisitivo para comprar objetos até então impensáveis. As classes

populares ganharam status de “potenciais consumidores”, que trabalharam pesado e conseguiram “dar a volta por cima”, conquistando, assim, mais qualidade de vida.

Vale lembrar os conceitos de classes sociais trazidos pela Sociologia, com os autores Karl Marx e Max Weber. Na visão marxista, as camadas médias estariam condenadas a desaparecer entre a burguesia e o proletariado. Por outro lado, a tradição weberiana englobaria características mensuráveis, como a educação, a renda e a ocupação, ou seja, uma posição comum na estrutura de produção. Weber (1971), portanto, concebe as classes como agregados sociais que raramente chegam a se tornar conscientes e a agir de maneira unitária no campo político. A visão weberiana pensa em camadas sociais que não encolhem; ao contrário, expandem-se na medida em que o capitalismo avança e ganha espaço na comunidade.

Enquadrar as pessoas em determinada classe social é um processo complicado no Brasil, conforme se pode perceber. No embalo do crescimento da classe média brasileira, alguns institutos de pesquisas se especializaram no estudo sobre o consumo dessa categoria social, como é o caso do Data Popular, que será melhor desdobrado ao longo deste capítulo. Institutos como este visam, prioritariamente, à renda dos indivíduos em suas famílias. Alguns pesquisadores também levam em conta apenas o critério renda, como é o caso de Marcelo Neri (2011) e Márcio Pochmann (2012). Outros consideram o patrimônio, a ocupação e o nível de escolaridade, por exemplo, como é o caso de Jessé Souza (2012).

Vale lembrar, ainda, que o principal critério utilizado no Brasil para enquadrar as pessoas em classes específicas faz referência ao Critério de Classificação Econômica Brasil, que enfatiza sua função de estimar o poder de compra das pessoas e famílias urbanas fazendo uso exclusivamente de classes econômicas, de acordo com o que já foi mais bem abordado no início deste trabalho. Nesta pesquisa, portanto, serão considerados o Critério de Classificação Econômica Brasil quando for necessário enquadrar os indivíduos em uma classe de acordo com o critério renda. Porém, acredita-se, assim como Jessé Souza (2012), que não é apenas o fator renda que determina se o cidadão faz parte ou deixou de fazer parte da nova classe média brasileira.

A nova classe média brasileira é composta por indivíduos que buscam informação, estão atentos às novas tecnologias, trabalham diariamente e, portanto, conseguem acompanhar notícias e o desenvolvimento tecnológico. São pessoas que interagem e que leem conteúdos de interesse público, preferencialmente se esse conteúdo está intimamente relacionado com suas vivências e experiências, bem como com o local no qual vivem. Sendo assim, o jornalismo popular é de total importância nesse contexto, visto que ele é concebido para esse público específico.