• Sonuç bulunamadı

I. BÖLÜM

1.4. Sosyal İlişki Grupları

1.4.2. Cemaat ve Cemiyet

Um dos principais objetivos e princípios da pesquisa, seja qual for a área do conhecimento, é encontrar o ponto de vista a partir do qual o assunto se apresenta em sua maior simplicidade. A pesquisa teórica, por sua vez, é aquela que compreende e desvenda quadros teóricos de referência. Segundo Demo (1991), existem procedimentos fundamentais que favorecem a formatação desses quadros teóricos de referência. São eles o domínio dos clássicos da área de conhecimento, o domínio da bibliográfica fundamental para o trabalho desenvolvido e a verve crítica, através da qual se instala a discussão aberta como caminho para o crescimento intelectual coletivo científico.

A pesquisa teórica na área da comunicação atribui necessidades constantes de fundamentação empírica, visto que a especulação teorética tem sido insuficiente e socialmente irrelevante, sendo necessária a imersão e fortalecendo as posturas funcionalistas e empiristas no campo. A pesquisa teórica foi fundamental para a melhor compreensão e articulação dos conceitos a serem trabalhados no objeto a ser investigado.

Para compreender os diferentes caminhos dos meios de comunicação e os avanços tecnológicos no âmbito do jornalismo tornou-se necessária a construção de conceitos relevantes para o desenvolvimento da pesquisa. No primeiro capítulo, então, é realizada a contextualização dos meios de comunicação por meio do pensamento de Briggs e Burke (2006), bem como a construção do conceito de convergência, com autores como Zaragoza (2002), Santaella (2004), Jenkins (2006), Ferrareto (2007) e Salaverría e Negredo (2008). A transformação nos veículos de comunicação e as mudanças nas rotinas dos jornalistas são tratados por Salaverría (2007), enquanto a questão de segmentação de veículos e de assuntos é abordada sob o ponto de vista de Medina (1988), Duarte (1996), Mira (2001) e Noblat (2003). Esta contextualização histórica dos meios de comunicação tradicionais oferece subsídios para o entendimento e a possibilidade de surgimento posterior do jornalismo popular como um gênero jornalístico.

O segundo capítulo, por sua vez, é voltado à digitalização dos meios de comunicação. A tecnologia passa a fazer parte da sociedade, independentemente da classe social onde o indivíduo está inserido. Para tanto, são analisadas novas linguagens que surgem através do digital e novas possibilidades aos veículos de comunicação. Assuntos estes tratados sob o ponto de vista de autores como Levy (1997), Lemos (1997), Palacios (1999, 2014), Primo (2005), Machado (2007), Recuero (2009), Saad Corrêa e Coutinho (2009), e Canavilhas (2012). Os desafios da comunicação são analisados tendo como foco as mudanças que ocorrem nas redações e nas rotinas dos jornalistas, com pensamentos de Palacios (2003, 2010), Salaverría (2005a, 2005b, 2008) e Jenkins (2008).

A fim de melhor entender como se configura a construção da nova classe média brasileira, foi necessário analisar perspectivas teóricas em campos de diferente atuação, buscando mudanças dos cenários político, econômico e social do país, isto é, foram utilizados conceitos não apenas na área da comunicação, mas nos campos da Antropologia e Sociologia, com o objetivo de construir a teorização completa possível de analisar a questão.

Ainda sobre a nova classe média brasileira, foi realizado um esforço sistemático de aprofundamento e de apropriação de conceitos para responderem às demandas do foco investigativo. Neste sentido, foram estudadas as propostas de pesquisadores como Alexandre Guerra et al. (2006), Marcelo Neri (2011), Jessé Souza (2012) e Márcio Pochmann (2012), tendo em vista que a conceituação de classes no país é um tema complexo de ser trabalhado. Por meios desses autores, tentou-se compreender como ocorreu a formação da nova classe média brasileira e quem faz parte desse grande sistema – o que é base para o entendimento do objeto empírico –, a fim de esquematizar um paralelo de reflexões em como esses indivíduos estão conectados e diretamente relacionados à tecnologia. Também foram estudados autores como Giddens (2005), Pierson (1945), Guimarães (2002) e Salaverria (2007), além de pesquisas realizadas com institutos de pesquisas, como Data Popular, IBOPE, F/Nazca e o Internacional Data Corporation (IDC).

O terceiro capítulo, por sua vez,, é dedicado à compreensão da nova classe média brasileira, aqui nesta tese intitulado também de classe “C”. Para compreender quem são os integrantes dessa categoria, torna-se necessário analisar as mudanças

no cenário político, econômico e social que o Brasil sofreu ao longo do tempo, principalmente nos últimos dez anos, quando foi detectado o avanço da classe “C" brasileira. A definição de classes e de estruturas de classes sociais no Brasil é complexa devido aos critérios pré-definidos como padrão de classificação. Portanto, este capítulo aborda tais dificuldades, mas apresenta autores brasileiros que dedicam estudos para uma melhor definição do termo. Também é importante salientar que há um tópico que aborda as possibilidades que a nova classe média está adquirindo via ambiente digital, visto que pesquisas comprovam o aumento de acesso à rede no Brasil, bem como o acréscimo na venda de aparatos tecnológicos, principalmente por integrantes da classe “C”. Estas questões são importantes serem destacadas com a intenção de detalhar a nova classe média brasileira e possibilitar um melhor entendimento sobre a comunicação realizada e pensada para esse público-alvo.

A contextualização, por meio de teorização, do jornalismo popular é fundamental para a pesquisa, pois é o objeto principal de estudo. Sendo assim, no quarto capítulo, o tema é abordado e estudado de uma forma histórica, buscando a importância que os Estados Unidos e a Inglaterra tiveram para o seu surgimento, posteriormente, nos anos 90, no Brasil. São utilizados autores como Chauí (1986), Dahlgren e Sparks (1992), Gomes (1994) e Peruzzo (1998) para a conceituação de jornalismo popular, além de Angrimani (1995), Ramonet (1999) e Batista (2004) com o intuito de identificar o surgimento desse gênero no mundo, principalmente nos Estados Unidos e na Inglaterra. Ao tratar de jornalismo popular no Brasil, utilizam-se os pensamentos de Gomes (1994), Giner (2003), Amaral (2006b) e de institutos de pesquisa que trabalham sobre o tema.

Assim, pode-se compreender mais claramente por que as classes populares, consideradas neste trabalho como classes “C”, “D” e “E”, sentem atração pelas publicações populares. Para tanto, é necessário apanhar dados que comprovem que esses jornais populares possuem circulação avantajada no Brasil e são, em muitos casos, a primeira leitura de cidadãos que, até então, não tinham acesso à informação. Os elementos essenciais do jornalismo popular impresso são destacados neste capítulo a fim de que possa ser feita uma análise, em outro momento, se esses mesmos elementos característicos representam o gênero no ambiente digital.

Conforme já abordado, as referências e teorias em torno de estudos relacionados à nova classe média e ao jornalismo popular no ambiente digital são recentes, o que caracterizou certa dificuldade de encontrar um campo com conceitos consolidados. Além disso, a conceituação de classes é de difícil interpretação no Brasil, pois cada autor tem pensamentos diferentes sobre esta classificação. Por isso, fez-se necessário o trabalho de reflexão e construção de conceitos embasados nos autores analisados, a fim de compreender e traçar novas percepções de como esses jornais populares são estruturados no ambiente digital.

Para realizar a pesquisa de contextualização foram abordados aspectos históricos relacionados ao âmbito dos jornais populares e à nova classe média brasileira. Vale salientar que na pesquisa comunicacional torna-se necessário saber formular e formatar o contexto midiático e comunicacional que configura a particularidade. A contextualização só é possível quando planejada, programada e realizada por meio de práticas que possibilitam a construção de múltiplos contextos que participam efetivamente da configuração do fenômeno do processo de investigação. Aproximações da realidade, vivências, pesquisa bibliográfica, unidas à reflexão, análise e sistematização de elementos relevantes para a compreensão do objeto investigado são operações que podem ser realizadas na construção deste movimento (BONIN, 2006). Portanto, nesta etapa, houve a necessidade de buscar subsídios que ajudassem a recuperar aspectos históricos relacionados às origens e evoluções dos jornais populares, assim como sua configuração atual.

Vale salientar, ainda, que os autores-âncora nesta tese são: Jessé Souza, João Canavilhas, Márcia Amaral e Ramón Salaverría, conforme já citado anteriormente, na Introdução deste estudo.