3. Bölüm Yöntem
3.5. Geçerlik ve Güvenirlik
Não há dúvidas que com o desenvolvimento da biologia e da medicina experimental, houve uma grande evolução em relação aos problemas da vida a partir do século XIX. Entretanto, nos dias atuais, é perceptível uma grande ênfase aos interesses dos especialistas e na orientação dada através da informação. Muitas vezes, o foco de atenção é direcionado aos “casos de situações limites”, ignorando-se de certa maneira, os problemas morais e científicos que inseridos na vida de milhões de pessoas (BERLINGUER, 1991).
A autora completa ainda que a deontologia médica é ensinada no programa de medicina legal e é entendida sobretudo como o conjunto de normas para o exercício terapêutico e para regulamentar as relações entre entidades potencialmente conflitantes: (1) relacionamento entre os sanitaristas e o Estado (denúncias, laudos, perícias); (2) relacionamento com os doentes (atestados, receitas, sigilo profissional, omissão de socorro); (3) relacionamento entre médicos.
Em relação ao diagnóstico de um paciente, há uma grande discussão se é justo ou não informar ao doente uma doença fatal ou que há uma impossibilidade de cura. Berlinguer (1991) nos lembra que a federação médica, em janeiro de 1983, promoveu um debate entre um médico legista, um sacerdote e um literato. O problema em questão é o dever de informar aos doentes sobre a saúde e as doenças evitáveis que têm e não somente sobre as graves e provavelmente letais. Este esclarecimento se faz necessário por inúmeras razões, dentre elas: (1) por uma exigência de lealdade e de vontade; (2) é indispensável associar o doente (ou o cidadão são) à prevenção e ao tratamento.
Para nossa surpresa, Berlinguer (1991) nos informa que desde a antiguidade, tais diferenças já existiam. No diálogo “As Leis”, de Platão, Clínias de Creta recebe um hóspede ateniense (Sócrates) que lhe explica a existência de doentes e médicos que podem ser livres e escravos. A diferença entre um e outro seria que o médico escravo não explica ao paciente as razões da sua doença. De maneira indiferente, autoritária e distante prescreve o tratamento e logo em seguida, dirige-se ao novo escravo adoentado. Já o médico livre trata o doente livre observando-o, fornecendo informações a ele e a seus familiares.
O médico americano Geoffrey Kurland em entrevista à Revista Veja (ZAKABI, 2003) dá um interessante depoimento sobre a relação médico-paciente nos dias atuais e reflete sobre a própria posição de ser paciente também. Diagnosticado com um tipo raro de leucemia, pela primeira vez se viu no lugar de seus pacientes e se submeteu aos procedimentos médicos que ele mesmo recomendava aos seus pacientes:
[...] tenho de admitir que, depois dessa dura experiência, comecei a prestar mais atenção ao que eles têm a dizer sobre seus medos e suas ansiedades, algo que antes não fazia. [...] Hoje tento ajustar minha agenda a fim de diminuir o tempo que meus pacientes passam na sala de espera aguardando para ser atendidos. Senti na pele o que é ficar esperando pelos médicos.
[...] Muitos médicos, sem se preocupar se serão entendidos ou não, usam palavras inadequadas, ou seja, fazem discursos lotados de informações incompreensíveis para uma pessoa que não é de sua área. Eles tendem a economizar tempo com os pacientes e não tem paciência para explicar a doença de outra maneira (ZAKABI, 2003, p.12).
A fim de se corrigirem falhas como essa, o médico sugere:
Ao atender determinado paciente, faço a seguinte pergunta a mim mesmo: “Que palavras devo usar para que ele e sua família entendam o que estou tentando dizer? Quando começo a explicar, paro e indago: “Vocês entenderam?“. Se dizem que sim, pergunto novamente: “Então, expliquem-me o que acabei de falar” (ZAKABI, 2003, p.12).
Se analisarmos profundamente, o médico é o veículo principal de informações médicas e de assuntos relacionados à área de saúde. Berlinguer (1991) cita uma pesquisa feita nos EUA17 (1985), onde 1040 médicos generalistas são questionados sobre quais os comportamentos individuais que promovem melhor a saúde. Alguns resultados:
- absoluta prioridade de deixar de fumar (94%);
- proteções individuais contra substâncias nocivas (82%); - redução dos excessos calóricos (73%);
- uso de cinto de segurança (67%);
- conhecimentos sobre o uso de medicamentos (59%); - evitar radiografias inúteis (52%);
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Fonte: SOBAL, J. et al. Physicians`Beliefs about the Importance of 25 Health Promoting Behaviours. In: AJPH, v. 75, n. 12, p.1427-8, 1985.
- ingerir menos álcool (52%); - redução do estresse (42%); - um consumo menor de sal (41%);
- dormir regularmente pelo menos 7 horas (30%);
- desempenhar regularmente atividades físico-desportivas (27%).
Uma conclusão a ser tirada dos resultados acima é de que a aspiração à saúde é uma das mais elevadas conquistas da consciência moderna, considerando-se que no passado prevalecia a resignação ou a mortificação.
O médico Luis Roberto Londres em entrevista à revista Veja (BUCHALLA, 2002) é bastante crítico em relação ao modo como a medicina vem sendo praticada e divulgada atualmente. Condena o que chama de medicalização da vida e tece críticas ao uso excessivo da tecnologia nos diagnósticos:
[...] Os aparelhos , que deveriam ser coadjuvantes, roubaram a cena principal. [...] Estamos vivendo um período que chamo de ditadura da medicina. (...) Na ânsia de viver mais, estamos perdendo o prazer de tomar um bom vinho, apreciar um prato de carne, matar a vontade de comer um doce (BUCHALLA, 2002, p.11).
Sobre a divulgação de estudos científicos e informações médicas, o médico completa:
[...] As pessoas são bombardeadas com as informações do que faz mal, do que causa câncer, problemas cardíacos, diabetes... E ficam cada vez mais assustadas, correm para os consultórios médicos e entopem-se de remédios. Um estilo de vida saudável é suficiente para evitar uma montanha de medicamentos (BUCHALLA, 2002, p.15).
Com relação ao relacionamento médico e paciente, este argumenta:
[...] Médicos que dão mais importância a si próprios do que aos pacientes devem ser evitados. Profissionais pouco afetivos também representam um problema. [...] Na minha opinião, esse problema é fruto do tecnicismo que domina a prática médica hoje em dia. O paciente é tratado como um número de estatística, um corpo desprovido de vontade e de história (BUCHALLA, 2002, p.15).
A partir do depoimento acima, questiona-se a vantagem para o indivíduo de renunciar aos prazeres (pequenos ou grandes) em troca de alguns anos de vida. Diariamente as pessoas são bombardeadas com informações de vários tipos, muitas vezes erradas, imprecisas, incompletas, conflitantes, podendo causar conseqüências irreversíveis. Para evitar tais resultados, é preciso buscar fontes confiáveis e estabelecer uma comunicação equilibrada entre informantes e informados.
No próximo capítulo veremos como se caracteriza a troca informacional em saúde na web, qual é o perfil do usuário que acessa sites de saúde, quais são suas principais necessidades informacionais, de que maneira esse novo meio de comunicação afeta o relacionamento médico-paciente e finalmente, quais são os problemas de qualidade da informação associados à proliferação de sites de saúde.