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3.4. Geçerlik ve Güvenirlik Çalışmaları

3.4.1. Geçerlik Çalışmaları

Conforme António Damásio (2004, p. 40), a consciência é constituída da interação entre objeto e organismo. Nesta relação de introjeção do objeto é que se dá a interação entre estes dois sujeitos, um modificando o outro. Assim, “vista nesta perspectiva, a consciência consiste na construção do conhecimento sobre dois fatos: que o organismo está envolvido numa relação com um objeto e que o objeto presente nessa relação provoca modificação no organismo”.

O que Antônio Damásio (2004) se refere enquanto busca de um si consciente, Alícia Fernàndez chama (1991) de corporeidade do organismo, ou seja, nascemos com um organismo naturalmente projetado através dos milhares de anos do processo evolutivo. Este organismo poderá sobreviver sem consciência, contudo, jamais terá um corpo, um domínio sobre o objeto. Será ele apenas um objeto com vida e que, ao mesmo tempo, não se presta a nada. Infiro, então que tanto a consciência de si, como a corporeidade do organismo se dá nesta relação dual entre o objeto e o organismo. Nesta perspectiva, Damásio (DAMÁSIO, 2004, p.42) diz que:

No teatro de relações da consciência, o organismo constitui a unidade do nosso ser vivo, ou seja, do nosso corpo; e, no entanto, como se verá, a parte do organismo chamada cérebro tem dentro de si uma espécie de modelo desse mesmo organismo. Este estranho fato, tantas vezes esquecido, é mais do que notável. Considero-o a pista mais importante na descoberta dos possíveis alicerces da consciência.

Desta forma, a consciência de si estabelece uma formação para a própria sobrevivência do organismo, já que as imagens internalizadas são submetidas aos critérios de utilidade ou não para tal sobrevivência. O homem consegue manipular o meio através das imagens armazenadas em seu cérebro e ao “se relacionar com o processamento de imagens que representam as coisas e os acontecimentos que existem dentro e fora do organismo” regula a vida interior e exterior, além de desenvolver a capacidade de planejamento individual (DAMÁSIO, 2004, p. 44).

Então, dito de outra forma, consciência é o domínio do sujeito sobre seu próprio organismo, sobre as imagens que o cérebro, através de todos os sentidos, consegue captar do ambiente externo ou do ambiente interno, viscerais. É importante esta assertiva pois,

posteriormente, pretendo fazer uma tomada destes conceitos na tentativa de explicar como se dá a (re)construção da identidade. Assim, é necessário um bom entendimento sobre o que é corpo, o que é organismo, porque a identidade não é uma entidade isolada, solta, ela evolui através de um organismo, de um cérebro, de uma tomada de consciência de si. Caso contrário, o indivíduo veria o objeto, sem saber que o está olhando.

A consciência inicia-se quando os cérebros conquistam o poder, humilde mas revelador, de contra uma história sem palavras, a história de que existe vida dentro do organismo e que os estados do organismo vivo, dentro do corpo, estão continuamente a ser alterados por encontros com objetos ou acontecimentos reais ou pensados. A consciência emerge quando esta história primordial – a história de um objeto que modifica o estado do corpo de forma causal – pode ser contada usando um vocabulário universal e não verbal dos sinais do corpo. O si aparente emerge como o sentimento de um sentimento (DAMÁSIO, 2004, p. 51).

Entretanto, consciência não é a mesma coisa que identidade. A consciência significa estar apropriado do organismo, de forma a sentir, perceber, tocar, escolher, inteirar-se do mundo interno e externo. É conhecer a própria existência e a existência do mundo que o cerca. Parafraseando Erikson (1976), talvez as frases que correspondam a esta idéia seriam “quem está olhando sou eu”; “este é o ar que eu respiro”.

Outro exemplo clássico que focaliza a consciência na perspectiva de sua falta é o que se chama de “crise de ausência”, que nada mais é que uma das formas da epilepsia. Em uma crise de ausência, com duração de segundos, existe um organismo reagindo às manifestações cerebrais desordenadas; mas não existe consciência deste organismo, pois o sujeito está suspenso de seu si; então, não existe a corporeidade do organismo. Damásio traz os mesmo exemplos para casos de lesões cerebrais e coma, quando diz que nestes momentos é possível:

• Tentar imaginar aquilo que resta de uma mente da qual foram retirados o si e a capacidade de conhecer, talvez uma mente cheia de imagens esparsas que poderiam vir a ser conhecidas, mas que nunca chegarão a ser conhecidas, imagens das coisas que não serão verdadeiramente possuídas – uma mente da qual foi retirado o motor da ação deliberada (DAMÁSIO, 2004, p.124).

Antônio Damásio (2004) utiliza uma aproximação que pode exemplificar o que é consciência de forma mais clara. Quando o leitor estiver lendo estas palavras, ele terá consciência das letras, da forma, das idéias. Ao mesmo tempo em que consegue perceber as páginas do livro, seu peso, sua densidade e o possível chamado de alguém que necessita sua atenção. O leitor entende que a leitura o deixa cansado e que já é hora de alimentar-se. Estes episódios estão conectados diretamente ao cérebro consciente, que estabelece uma relação com o corpo em que o sujeito está ao ler, ou seja, inserido no próprio ato de ler. Por outro lado, se em

algum momento a concentração para esta leitura se esvai, outros pensamentos surgirão ao mesmo tempo em que os olhos passam entre as palavras. O ato consciente faz com que o sujeito retorne, ou não, para a leitura e reveja o que estava escrito.

Para terminar, “[...] sem o sentido do si no ato de conhecer, ficamos como se os pensamentos não pudessem ser entregues ao respectivo dono ou destinatário. O organismo carente do si deixa de saber a quem pertencem esses pensamentos” (DAMÁSIO, 2004, p. 158).

Mas, ainda aqui, Damásio não está usando consciência e sentido do si como sinônimo de identidade. Consciência e sentido do si são a corporeidade do cérebro enquanto mente pensante, que armazena imagens, não em um arquivo, mas em muitas zonas cerebrais, através dos neurônios e de suas reações químicas. Identidade vai além disto tudo, o que pretendo, até o final deste capítulo, conseguir responder.