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2.9. İlgili Araştırmalar

2.9.5. Ders Kitapları İle İlgili Araştırmalar

Até o momento venho constituindo este texto em aspectos que considero importantes para o meu trabalho com narrativas, passando pela construção identitária. Acredito ser neste espaço íntimo, solitário e ao mesmo tempo comunitário que se dão os muitos entrecruzamentos de estruturas internas e externas, formando o que se chama de auto-imagem/auto-estima. Trouxe, também, o fator temporal imbricado nas análises e no olhar dado ao narrado, em seus muitos tempos e espaços. Esta possibilidade me leva a discutir o fator terapêutico da narrativa, em que o sujeito narrador é aquele que encontra no momento de olhar, contar e recontar sua própria

história, alternativas possíveis para as manifestações doloridas e prazerosas do passado, configurando e desconfigurando afetos e manipulando sentimentos. Penso então, que a narrativa se torna um laboratório alquímico de transmutação de sentimentos. Neste sentido, não pude deixar de pontuar a memória, arcabouço importantíssimo para o mágico armazenamento de todas as vivências, sejam estas individuais, coletivas ou públicas (ABRAHÃO, 2004).

Passo, agora, a discutir a utilização das narrativas como processo e como método, entendendo que muito da discussão realizada até aqui consegue trazer pontos importantes para a organização que apresentarei neste momento. Não posso simplesmente desconsiderar como processo os aspectos terapêuticos mencionados, pois estes, como mote de meu trabalho, tornam- se extremamente relevantes, bem como a construção da individualidade humana e as memórias narrativas.

Lozano (1998) apresenta um artigo importante no qual, de forma bastante didática, traz o trabalho de investigação narrativa em seus muitos aspectos e refere-se, principalmente, à técnica de coleta de dados, armazenamento das informações, análise destes dados e múltiplos instrumentos e documentos que podem ser considerados em uma construção de pesquisa através do método narrativo. Neste mesmo artigo, ele propõe que esta construção técnico-metodológica não se esgota e está em plena expansão, inserindo sempre novos conhecimentos através das múltiplas pesquisas e trabalhos que estão sendo desenvolvidos no campo da psicologia social e da investigação cultural.

Tomando como base Lozano (1998), quero destacar as temáticas trazidas por ele quando fala em metodologia narrativa:

- É um espaço interdisciplinar, considerando o jogo simbólico e a construção do narrado com um mundo multicultural. Aqui está incluído o próprio pesquisador. - Analisa e colabora com o desenvolvimento social no momento que observa sujeitos

sociais, locais e regiões, considerando a relação sócio-histórica, com a intenção de abordar fenômenos e corpos específicos, com técnicas precisas, mas cada vez mais, com fontes novas e plurais.

- Tem o propósito de fazer aproximações qualitativas dos processos individuais e sociais.

- Objetiva ampliar a produção de conhecimento histórico e práticas que tendem a propiciar atitudes e práticas democráticas, de autogestão; uma atitude política e desacademizada da prática profissional.

- Considera o âmbito subjetivo da experiência humana concreta e do acontecimento sócio-histórico.

- Coloca o sujeito social como centro dos acontecimentos expresso em sua história social-local-oral.

Penso que estes pontos são relevantes, principalmente quando me deparo com a contribuição social trazida pela pesquisa narrativa, no entendimento sócio-histórico vivenciado pelo todo social e a análise que se pode fazer deste tempo vivido. O autor traz aspectos que não mencionei em minha discussão anterior, mas que vêm corroborar com minhas idéias. Neste sentido, através da metodologia empregada, há dois aspectos fundamentais: a mudança interior, provocada pela auto-análise e a mudança externa possibilitada pelos resultados da pesquisa. Estes dois pontos convergem para o que se chama de narrativa como processo.

Lembro que método e processo caminham juntos e estão intimamente ligados. Primeiro, porque ao contar sua história, aquele que narra está produzindo conhecimento. Esta produção de conhecimento diz respeito ao que é, ao que foi e ao que poderá ser. Eis aqui o sentido autoformativo da utilização das narrativas como processo (COUCEIRO, 1997), o que constitui, segundo a autora, a possibilidade de uma análise histórica, social, política de uma trajetória de vida. Não basta apenas o olhar do pesquisador, tentando dar sentidos e compreender o vivido, base para o método; mas, o olhar do narrador, aquele que encontra seu próprio sentido.

Outro autor que vem corroborar com as idéias expostas é Goodson (1992), quando desenvolve seus estudos voltando seu olhar para os recursos utilizados na investigação narrativa; mas é em Dias (2001, p. 24 e 25) que encontro um esquema sistemático capaz de iluminar minhas idéias. Desejo apresentar as idéias da autora para sintetizar minhas reflexões, são elas:

1 - o discurso dos professores sobre a sua própria vida é significativo no momento em que são feitas interpretações, construções do real apreendido por eles próprios;

2 - as experiências de vida e o ambiente sociocultural dos professores constituem elementos-chave da pessoa que são, do sentido do seu eu;

3 - o estilo de vida dos professores dentro e fora da escola, suas identidades e sua cultura influenciam;

4 - a compreensão do ciclo de vida é fundamental para conhecer elementos únicos nas decisões dos professores no processo de ensino;

5 - o conhecimento dos estágios referentes à carreira e das decisões relativas à carreira, os quais só podem ser analisados no seu próprio contexto, proporcionam significativos conhecimentos acerca de como os professores constroem e significam a sua carreira profissional;

6 - os incidentes críticos na vida pessoal e profissional dos professores são fatores que impulsionaram ou limitam as ações educativas e são facilmente constatados nas histórias de vida de cada um;

7 - nas histórias de vida dos professores é possível situar e compreender os indivíduos na interseção da história individual de cada um com a história da sociedade, trazendo à luz as escolhas, contingências e ações vivenciadas por eles.

Em minhas leituras, consigo identificar a base teórica envolvida na sistematização apresentada pela autora quando fala dos ciclos de vida profissional apresentados por Huberman (1992); o processo e os instrumentos metodológicos elencados por Connely e Clandinin (1995); a constituição identitária e o processo de refazer-se desenvolvido por Nóvoa (1991) e Goodson (1992), assim como outros já citados no decorrer desta tese.

Nestas leituras, considero importante salientar que todos os autores fazem recortes históricos, desenvolvendo um processo de compreensão e autocompreensão dos relatos (GADAMER, 1977). O livro organizado por Abrahão (2004), apresenta inúmeros artigos que contribuem com a idéia de que, mesmo havendo a intencionalidade do momento investigativo, é impossível separar o processo de auto-revisão contido na estrutura das narrativas, pois no próprio ato narrativo já está constituído tal elemento.

Ferrarotti (1988), vem ainda reforçar os estudos das narrativas como processo e método quando comenta sobre a necessidade de renovação metodológica para as ciências sociais, fazendo um enfrentamento da visão positivista da metodologia de pesquisa. Neste trabalho, o autor considera importante a reconstrução histórica através do ato vivido em uma estrutura essencialmente temporal e, ao mesmo tempo, incluindo o sujeito como formador de uma realidade estruturada entre o real e os nexos vivenciais. Neste sentido, método investigativo e processo estão postos lado a lado, convivendo no mesmo instante, sem dissociações, proporcionando espaço de levantamento de dados, abrindo as cortinas da história para que o pesquisador possa olhar o passado e, ao mesmo tempo, construindo, desconstruindo e reconstruindo identidades, tanto do narrador como do próprio investigador.