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C. Eşiğin Hesabında Dikkate Alınacak Hususlar

IV. Geçerli Bir Sebep Bulunmalıdır

Não sacrifique a felicidade de hoje em nome da felicidade futura (FOURIER, 1848, p.540 - tradução do autor38).

Benevolo (1960/1998) e Choay (1965/1998) classificam os autores da contrapartida do pré-urbanismo progressista como utopistas. Esses pensadores consideravam que a cidade capitalista do século XIX deveria ser substituída por outra realidade imbuída de racionalidade. Não desconsiderando as revelações de utopistas, como o higienista Benjamin Ward Richardson e Etienne Cabet39 (1788-1856), dentre outros, podem-se destacar as contribuições de Robert Owen e de Charles Fourier. Estes dois autores, considerados precursores do socialismo utópico, embora com concepções não

38 Ne pas sacrifier le bonheur aujourd'hui, au nom du bonheur futur.

39Etienne Cabet, francês, advogado e politico, teve contato com as ideias do socialista inglês

Owen, escrevendo o livro “Voyage et aventures de lorde William Carisdall en Icarie” ("Viagens e Aventuras de Lord William Carisdall em Icaria") (1840), que mostrava uma utopia, na qual um governo eleito controlava toda a atividade econômica e supervisionava os assuntos sociais. Nessa cidade utópica, as famílias permaneciam como uma unidade independente. Icaria é o nome do país fictício e uma sociedade ideal (BENEVOLO, 1960/1998).

congruentes, condenavam o poder de alienação da sociedade industrial e exaltavam que a máquina poderia ser usada para transformar os homems e o mundo (FOURIER, 1848; OWEN, 1858).

Outros socialistas que denunciaram a situação da cidade capitalista, como Marx e Engels, não propuseram uma nova concepção a essa cidade. Esses autores criticaram os socialistas utópicos, entre outros aspectos, devido à ilusão de que eles promoviam um plano de cidade do futuro, sem antes considerar uma reestruturação social (ENGELS, 1880/1984). Marx reconhecia o valor dos socialistas utópicos que criticavam os princípios da sociedade burguesa, mas questionava a recusa deles à ação revolucionária (BARROS, 2011). Engels classificou as ideias dos socialistas utópicos como superadas pelo conceito do socialismo científico proposto por ele e Marx. Essas ideias “nasciam condenadas a mover-se no reino da utopia; quanto mais detalhadas e minuciosas fossem, mais tinham que degenerar em puras fantasias” (ENGELS, 1880/1984, p. 34).

Apesar da crítica que sofreram Owen e Fourier, existe consenso entre autores como Benevolo (1960/1998) e Choay (1965/1998) a respeito da significância e grande influência das suas contrapartidas teóricas para a Ciência Urbanismo. As utopias de Owen e de Fourier não se restringiram ao campo literário, a uma obra de ficção, como a “Utopia”, de Thomas More (1478-1535) ou “A cidade do sol”, de Tommaso Campanella (1568-1639)40, mas, sim, a um modelo que poderia ser implantado (FOURIER, 1848; OWEN, 1858). Utopia é uma categoria criada por Thomas More que serviu de título a uma de suas obras escritas em Latim, em 1516. Trata-se da ideia de uma civilização ideal, imaginária (MUMFORD, 1922/1987). Segundo Choay, “[...] as utopias pertencem ao universo da ficção, parece aquarelada no imaginário, longe de todo alcance prático e, com maior razão ainda, de todo contexto profissional.” (1980/1985, p.6)

40 A Cidade do Sol, descrita na obra do frei dominicano Tommaso Campanella, apresenta uma

cidade perfeita. Nela todos têm iguais direitos e deveres e estão de modo metafísico, sob a proteção de um rei sacerdote, assessorado por um conjunto de príncipes e magistrados que garantam a harmonia em todos os sentidos aos habitantes dessa cidade (MUMFORD, 1922/1987).

Owen e Fourier foram críticos do capitalismo e do processo de desenvolvimento da sociedade do século XIX, porém não deixaram de adotar em seus projetos, segundo Choay (1965/1998, p.8), “certo racionalismo, ciência e técnica que possibilitariam resolver problemas colocados pela relação dos homens com o meio e entre si.” Ao assumir esse racionalismo, as concepções progressistas propostas por Owen e Fourier deixaram de lado a herança artística, submetendo as leis de um geometrismo expresso em suas concepções. Os dois transformaram suas teorias em verdadeiros tratados do urbanismo, ilustrados por desenhos ricamente elaborados que se transformaram em referenciais e em tentativas de concretização pelo mundo. Duas representações do espaço são referenciais: a teoria do paralelogramo de Owen (1858), idealizada no início do século XIX, e a concepção do falanstério de Fourier (1848), apresentada décadas mais tarde.

De acordo com Owen, em sua bibliografia “The Life of Robert Owen”, qualquer programa para melhorar as condições dos trabalhadores deveria compreender a qualificação das condições de ocupação do território e das condições edilícias, pois as pessoas são diretamente influenciadas por sua hereditariedade e o ambiente (OWEN, 1858). (FIG. 17).

Figura 17 – Bibliografia de Robert Owen, 1858

Contém a descrição de seu plano de ocupação denominado como “Paralelogramo”, disponível em Kindle Book41

Fonte: foto do autor, 2014.

41

Para que ocorram as melhorias das condições dos trabalhadores, Owen afirma (1858, p. 43 - tradução do autor)42 que “a introdução da mecanização para a fabricação de objetos de desejo na sociedade pode [...] ocasionar um trabalho mais humano”. O autor partiu da ideia de que a maneira como as máquinas estavam sendo introduzidas e utilizadas pelas indústrias iria prejudicar, cada vez mais, a situação das classes trabalhadoras:

[a] as classes trabalhadoras não têm agora um meio adequado para concorrer com a energia mecânica. Um dos três resultados pode acontecer: a utilização do maquinário deve ser reduzida drasticamente; ou, milhões de seres humanos devem passar fome; ou, uma ocupação vantajosa deve ser encontrada para as classes trabalhadoras pobres e os desempregados, cujo trabalho mecânico deve ser processado subserviente, em vez de ser aplicado, como no presente, para substitui-los.(OWEN, 1858. p. 45 - tradução do autor43).

Owen entendia que realizar uma mudança tão importante e vital exigia uma visão abrangente e um conhecimento exato do estado real da sociedade. Assim, une um plano de ocupação territorial aos avanços da indústria e propõe a “teoria do paralelogramo” (BENEVOLO, 1960/1998, p. 61). O autor revela pela primeira vez, a teoria do paralelogramo a uma comissão de políticos, na cidade de Londres, em 1817, por meio de um memorial descritivo e seu respectivo desenho (FIG. 18). A comunidade ideal seria distribuída em prédios que contivessem até 1200 pesssoas, rodeados por parcelas de paralelogramos sucessivos de 1000 acres44 de área (OWEN, 1858).

42The introduction of mechanism into the manufacture of objects of desire in society [5] can

occasion more human labour.

43[5] the working classes have now no adequate means of contending with mechanical power;

one of three results must therefore ensue: the use of mechanism must be greatly diminished; or, millions of human beings must be starved; or, advantageous occupation must be found for the poor and unemployed working classes, to whose labour mechanism must be rendered subservient, instead of being applied, as at present, to supersede it.

44 Uma área de 1000 acres corresponde a cerca de cinco vezes a área delimitada pela avenida

Figura 18 - Proposta de Owen para a ocupação do território por meio de paralelogramos

Fonte: Owen, 1858, p.135.

No memorial citado, os espaços propostos são descritos de forma minuciosa por Owen (1858, p. 50-63 - tradução do autor45):

[a] As vantagens do projeto não podem ser administradas a indivíduos ou a famílias separadamente, ou a um grande número de congregados [a]. Os projetos podem ser eficazmente introduzidos na prática, apenas sob o regime que unem a uma população de 500 a 1.500 pessoas, com uma média de 1.000. [a] O desenho apresenta, em primeiro plano, um estabelecimento, com seus anexos e uma quantidade adequada de terra; e na devida distância, outras aldeias com uma descrição similar. [a] Os edifícios aqui representados são suficientes para acomodar cerca de 1.200 pessoas cada um; cercados por uma quantidade de terra de 1000-1500 acres [a] Dentro das quadras existem prédios públicos, sendo divididos em paralelogramos [a]. O edifício central contém uma cozinha pública, despensas, o necessário para cozinhar e comer economicamente e para tornar confortável de todos os alojamentos [a].

Observa-se que o plano de Owen possui uma dimensão mais ampla, pois não é restrito a um conjunto de edificações ou a uma pequena porção do território.

45[5] These advantages the project cannot be given either to individuals or to families

separately, or to large numbers. [5] They can be effectually introduced into practice only under arrangements that would unite in one establishment a population of from 500 to 1,500 persons, averaging about 1,000. [5] The drawing exhibits, in the foreground, an establishment, with its appendages and appropriate quantity of land; and at due distances, other villages of a similar description. [5] the buildings are here represented sufficient to accommodate about 1,200 persons each; and surrounded by a quantity of land, from 1000 to 1500 acres. [5] Within the squares have public buildings, which divide them into parallelograms. [5] The central building contains a public kitchen, messrooms, and all the accommodation necessary to economical and comfortable cooking and eating [5].

Para Benevolo (1960/1998, p. 62), “a proposta de Owen é o primeiro plano urbanístico moderno desenvolvido desde as premissas político-econômicas, ao programa de construção e ao orçamento financeiro”.

Owen acreditava que seu plano possibilitaria também meios de melhorar os hábitos e a conduta dos desempregados que fossem negligenciados pela sociedade. Permitiria também que as invenções mecânicas e as melhorias tornassem subservientes ao trabalho humano. “E, assim, todas as partes da sociedade seriam essencialmente beneficiadas por essa mudança na condição dos pobres” [d] (OWEN, 1858. p. 65, tradução do autor46). Entretanto, embora o pensamento de Owen seja associado ao campo das utopias urbanas, a sua obra possuía pretensões capitalistas e discutíveis benefícios sociais. Mumford, crítico das propostas progressistas, revela que “os projetos para uma cidade industrial modelo têm mais o sabor de uma colônia pobre do que a de uma sociedade humana produtiva.” (MUMFORD, 1922/1987, p. 124 - tradução do autor47).

Parte do ideal owenista foi realizada em New Lanark, um pequeno conjunto de casas e fábricas em uma tradicional aldeia da Escócia. Owen começou a remodelar a aldeia, por volta de 1809 (OWEN, 1858). “Ele percebeu que uma força de trabalho educada era mais susceptível de atingir seus objetivos, e assim, em 1809, começou a construção de sua Nova Instituição para a Formação do Caráter” (UNITED..., 2013 - tradução do autor48). Observa-se, na Figura 19, a setorização entre o conjunto de edificações dos operários, representado pelo número 1 e o conjunto voltado para o trabalho, representado pelo número 2. Próximo ao rio, Owen implantou o edifício de administração e de ensino (número 3).

46

And so, every part of society would be essentially benefited by this change in the condition of the poor. [5].

47

The projects for a model industrial town have more of the flavor of a poor colony than that of a productive human society.

48

He realized that an educated workforce was more likely to achieve his objectives, and so in 1809 he began the construction of his "New Institution for the Formation of Character."

Figura 19 – Visão atual do conjunto arquitetônico de New Lanark, concebido por Owen

Fonte: New Lanark, 2005, adaptado pelo autor, 2013.

O plano de New Lanark ficou restrito a um pequeno conjunto de edificações, sem a possiblidade de expansão que era prevista na teoria do paralelogramo. Além disso, a tentativa de passar da teoria à prática revelou os problemas de adaptação do plano de Owen para a organização política e física à realidade da sociedade da época. Desse modo, posterior à New Lanark, segundo Benevolo (1960/1998, p. 66), “o ideal owenista concretizava-se num sentido puramente econômico, deixando no esquecimento as implicações políticas e urbanísticas, que Owen considerava objetivamente inseparáveis.”

Outro socialista utópico, Charles Fourier, foi autor de uma meticulosa utopia de reforma radical da sociedade, no sentido das felicidades individual e coletiva. Uma de suas obras referenciais, “Le Nouveau Monde Industriel et Sociétaire”49, foi publicada em 1829, e relançada em 1848, e é considerada um resumo de suas doutrinas (FIG. 20). As ideias consolidadas na cidade do Garantisme50 e no falanstério foram as que mais impacto criaram no seu tempo e influenciaram as gerações que lhes sucederam.

49 O Novo Mundo Industrial e Societário.

Figura 20 - Le Nouveau Monde Industriel et Sociétaire

Obra que contem a síntese dos estudos de Fourier, 1848, disponível em Kindle Book

Fonte: foto do autor, 2014.

Em sua publicação, Fourier define o garantisme, um neologismo do século XIX, como um sistema de segurança social voltado para a proteção das classes menos priviligiadas, que fornecesse a elas garantias dos direitos vitais, através de uma reforma nas esferas pública e privada. Observa-se que, diferentemente de Owen, Fourier propõe uma verdadeira reforma da sociedade. A cidade do Garantisme seria erguida de forma a garantir a sua salubridade e beleza, atributos presentes em diversas partes de sua publicação como vitais para o espírito humano. O autor realiza uma descrição pormenorizada da sua concepção. A estrutura deveria ter “um código de arquitetura, para garantir a salubridade e o embelezamento exigidos, tanto para fins do interior, quanto para fins do exterior dos edifícios” (FOURIER, 1848, p.127 - tradução do autor51). A cidade seria organizada em “[...] anéis concêntricos, cujo primeiro seria o centro da cidade, o segundo as fábricas e o terceiro as avenidas e o subúrbio (Fourier, 1848 p.127 tradução do autor 52”). Essa forma de apropriação do espaço de Fourier pode ter propagado, no final do século XIX, a outros teóricos do urbanismo, como o culturalista Ebenezer Howard, tema que será abordado na subseção 3.3.2 desta tese.

51

Un système de garantie en tact défendrait ces constructions meurtrières; il mettrait en vigueur un code architectural pourvoyant à la salubrité et à l'embellissement, et astreignant à ces deux fins l'intérieur comme l'extérieur des édifices.

52

[...] anneaux concentriques, le premier serait le centre de la ville, selon les usines et les tiers avenues et banlieue.

No entendimento de Fourier, o subúrbio seria composto por áreas destinadas à agricultura e à criação de animais. Grandes espaços vazios iriam permear o conjunto construído. Este deveria ocupar no máximo 50% da superficie. Um rígido controle é proposto por Fourier quanto à distância entre as edificações, a altura das fachadas, e elementos como cornijas e telhados. Ele propõe a quebra da monotonia proporcionada por um sistema de ruas retilíneas, indicando ruas curvas para evitar a uniformidade e para que as áreas de praças ocupassem pelo menos um oitavo da superfície total (FOURIER, 1848).

Embora com certo rigor nas questões urbanísticas e edilícias, as sugestões de Fourier situavam-se, primeiramente, em um amplo plano da reforma social, afastando-se da propriedade individual para uma propriedade composta. Diante do panorama da sociedade do século XIX, o autor propunha uma alternativa cooperativista, que permitisse às pessoas realizarem livremente suas inclinações ou paixões em um estado de equilíbrio entre todos, ou como o chamou, em harmonia (FOURIER, 1848).

Mumford considera que existem diferenças entre as ideias de Fourier e as de Owen:

Fourier difere em grande parte dos utópicos, pois ele está preocupado, em primeiro lugar, em não modificar a natureza humana, mas em descobrir o que realmente ela é. Sua utopia deve ser baseada em uma compreensão da constituição física e mental real do homem, e suas instituições devem ser de modo a permitir a natureza original do homem para funcionar livremente. (MUMFORD, 1992/1987, p.192 - tradução do autor53).

Para que a cidade do Garantisme fosse uma realidade, algumas regras faziam- se necessárias, por exemplo, a harmonia e a unidade das edificações, das fachadas das casas, das ruas. Essa harmonia seria alcançada quando a população passasse a residir no centro da cidade. Fourier propôs, para tanto, a construção de conjuntos de edificações, os quais denominou como falanstérios,

53

Fourier differs largely from the early utopians in that he is concerned first of all not with modifying human nature but with finding out what it actually is. His utopia is to be based upon an understanding of man's actual physical and mental makeup, and its institutions are to be such as will permit man's original nature to function freely.

palavra composta de falange e monastério (FOURIER, 1848). Ele buscava resolver os problemas da sociedade industrial, através da elaboração de um complexo sistema de organização social, no qual cada indivíduo e cada atividade ocupavam antecipadamente um lugar bem determinado (FIG. 21; FIG. 22).

Figura 21 - Plano do Falanstério apresentado em 1829

Fonte: Fourier, 1848 p.127.

Figura 22 – Perspectiva do projeto do Falanstério de Fourier

Publicação de 1848

Fonte: Fourier, 1848, p. 129.

Ao mesmo tempo urbanos e rurais, os falanstérios seriam auto-suficientes, uma vez que disporiam de terras para agricultura e outras atividades econômicas. Os benefícios obtidos da produção dos falanstérios seriam repartidos entre os membros da falange e os capitalistas que investissem dinheiro em sua construção (FOURIER, 1848). Diferentemente de Owen, Fourier não concebia

alojamentos separados para os habitantes do falanstério. Segundo Benevolo (1960/1998, p.178), em Fourier, “a vida será desenvolvida como em um grande hotel, com os velhos alojados no térreo, as crianças no mezanino e os adultos nos andares superiores.” Outra diferença era que Fourier, criticava a industrialização da humanidade. Segundo o autor, “importa dissipar desde o prefácio às ilusões do industrialismo ou ao abuso da indústria, porque são um regime mais oposto à política societária [...] sem garantia de justiça distribuitiva (FOURIER, 1848, p.15 - tradução do autor54).

Para a professora Freitag (2006, p. 52), “Fourier via no falanstério um instrumento mágico, capaz de conduzir a humanidade a níveis de civilização cada vez mais elevados”. E, para tanto, acreditava que o falanstério poderia funcionar como um relógio. O estilo de vida numa falange, assim, seria programado com horários para acordar, horários de reuniões, para conversar e dormir. A autora entende que, apesar do discurso de liberdade, as diferentes formas das concepções, como de Fourier ou do próprio Owen, apresentam-se como sistemas limitadores e autoritários, relacionados ao objetivo comum, assumido ou não, do rendimento máximo.

Fourier dedicou-se a explicar minuciosamente cada aspecto da construção, pois ela seria, acima de tudo, um exemplar para a humanidade que, ao tomar ciência do funcionamento da falange, certamente a adotasse em sua comunidade. Para o autor:

A rua-galeria é a parte mais importante; aqueles que viram a galeria do Museu do Louvre, em Paris, pode ser considerada como um modelo de uma rua-galeria. Essas galerias, temperadas em todas as estações por tubos de calor ou ventilação, o uso de refeições no caso de transição industrial do Exército. (FOURIER, 1848, p.129 - tradução do autor55).

54

La matière dissiper les illusions de l'avant-propos de l'industrialisation ou de l'industrie de l'abus, car ils sont plus opposés à régime politique d'entreprise [...] sans garantie de la justice distributive.

55

La rue-galerie est la pièce la plus importante; ceux qui ont vu la galerie du Louvre au Musée de Paris peuvent la considérer comme modèle d'une rue-galerie. Lesdites galeries, tempérées en toutes saisons par des tuyaux de chaleur ou de ventilation, servent de salle à manger dans le cas de passage d'armée industrielle.

A preocupação com a circulação e a respectiva proteção e bem-estar é revelada por Fourier em diversos trechos de sua publicação. Segundo ele, “abrigos e calçadas são um prazer, até mesmo para os reis; entrando na falange, um único carro passa por varandas cobertas, fechadas e aquecidas, bem como corredores e escadas” (FOURIER, 1848, p.130 - tradução do autor56) (FIG. 22).

O mérito de transformar a utopia fourierista em realidade social coube, contudo, ao empresário Jean Baptiste Godin (1817-1888). Em 1859, Godin comprou 18 hectares de terra em Guise, ao norte de Paris, e dera início à construção do que veio a chamar familistério (FREITAG, 2006, p. 55) (FIG. 23).

Figura 23 - Imagem de satélite com vista superior e da fachada do Familistério de Guise

Fonte: Google Earth, 2013a, adaptado pelo autor.

O familistério de Godin é uma redução do modelo de Fourier. O conjunto de edifícios é igualmente decomposto em três blocos fechados, com os pátios de tamanho modesto, cobertos por vidros e que desempenham as funções das

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Les abris et passages couverts sont un agrément dont les rois mêmes sont dépourvus en civilisation; en entrant dans la phalange, la moindre voiture passe des porches couverts aux porches fermés, et chauffés ainsi que les vestibules et escaliers.

ruas de Fourier (FIG. 23). Segundo Benevolo, “pode-se considerar a experiência mais feliz entre as que foram tentadas no século XIX pelos teóricos do socialismo” (1960/1998, p. 78).

Nos modelos aqui apresentados, observa-se a ideia de se propor algo novo para as condições humanas, frente às realidades da cidade capitalista. Três pontos-chave revelados das concepções do pré-urbanismo podem ser