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Şirketler Hukukuna Özgü Satın Alma Hakkı (aktienrechtlicher Squeeze-

E. Almanya

3. Şirketler Hukukuna Özgü Satın Alma Hakkı (aktienrechtlicher Squeeze-

Conhecidos os limites fixados em lei para o atendimento da função social da propriedade rural, cumpre agora analisar se a desapropriação por interesse social, para fins de reforma agrária, desempenha de maneira eficaz seu papel de instrumento de combate ao trabalho escravo.

Sobre a gravidade da redução de trabalhadores a condições análogas à de escravo, não é preciso tecer maiores detalhes. Já foi visto que tal conduta viola a legislação trabalhista, bem como configura ilícito penal (art. 149 do CP), punido com pena de reclusão. Além disso,

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As relações de trabalho rural são reguladas pela Lei n° 5.889/73, que revogou o Estatuto do Trabalhador Rural (Lei n° 4.214) editado em 1963. Com o advento da Constituição de 1988, os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais foram equiparados, apresentando estes algumas peculiaridades em relação ao regime laboral corrente. Em relação às normas de organização sindical, por força do disposto no art. 8°, §único da CR/88, são as mesmas aplicáveis aos trabalhadores urbanos.

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Os contratos de arrendamento rural e parceria agrícola estão regulados, respectivamente, nos arts. 95 e 96 do Estatuto da Terra. O arrendatário e o parceiro são trabalhadores rurais que exercem atividades agrárias, mas não se identificam como empregados. O primeiro trabalha por conta própria e o segundo em sociedade, repartindo os lucros e prejuízos com o outro parceiro (MANIGLIA, 2002, p. 89-90).

desrespeita dois dos requisitos configuradores da função social da propriedade (art. 186, III e IV da CR/88).

Entretanto, será que essa modalidade de desapropriação, classificada na doutrina como sancionatória, está à altura do desafio de dignificar as relações laborais no campo?

As razões de veto do §6° do art. 9° da Lei n° 8.629/93 fornecem interessante substrato para a posição a ser aqui defendida. Por sua relevância, a mensagem foi transcrita integralmente.

Art. 9° (...)

§6° A constatação inequívoca, nos termos e condições previstos em lei, do emprego de trabalho escravo importará em confisco do imóvel.

Razões do veto:

Conquanto norteado igualmente por nobres e justos propósitos, esse dispositivo não encontra abrigo no texto constitucional, para o fim de confisco da propriedade. A liberdade e a dignidade da pessoa humana e a cidadania, os direitos humanos em seu todo, são fundamentos da República Federativa do Brasil (arts. 1°, 3° e 4°, CF) e devem ser preservados na forma prevista na legislação própria, cumprindo serem punidos quantos mantenham pessoas sob trabalho escravo, conforme já prevê a Lei Penal.

Entretanto, a Constituição não acolhe em seu corpo o confisco da propriedade, a não ser no caso do art. 243, no tocante a glebas onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas.

A manutenção de trabalho escravo, além de configurar crime, enseja a desapropriação do imóvel rural, pois, segundo a Constituição (art. 186, III e IV), são condições para o cumprimento da função social da propriedade rural “a observância

das disposições que regulam as relações do trabalho” e a “exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores”.

Verifica-se, assim, que o §6° do art. 9° da propositura contraria os arts. 5°, XXIV, e 184 da CF, que autorizam desapropriar mediante prévia e justa indenização (grifo do

autor).

Um dos argumentos levantados, para negar a possibilidade de confisco do imóvel rural flagrado pela utilização do trabalho escravo, é a existência de mecanismos próprios para a punição de tal conduta. Com relevo, são citados o Código Penal e a desapropriação para fins de reforma agrária.

Todavia, duas objeções podem ser feitas.

Com relação às punições criminais, a mera tipificação da conduta de redução de trabalhadores a condição análoga à de escravo não garante que o dispositivo penal seja aplicado. Tal como foi sustentado no capítulo segundo dessa dissertação, existe uma grande distância entre a intenção e o gesto.

Se antes da Lei n° 10.803/03, a falta de efetividade do art. 149 era atribuída à dificuldade dos magistrados em precisar quais condutas poderiam ser enquadradas na ampla descrição típica do Código Penal, após a alteração da redação verifica-se que pouca coisa

mudou. A delimitação das hipóteses em que se configura “condição análoga a de escravo”, ao invés de aclarar, trouxe novas discussões e controvérsias sobre o artigo em foco.

É evidente que as escassas condenações criminais e o inevitável sentimento de impunidade não podem ser justificados apenas pela boa ou má redação do art. 149 do CP. Outros fatores como, por exemplo, a indefinição da competência para julgamento do crime, as dificuldades na fiscalização, a falta de sensibilidade dos julgadores, também criam obstáculos para a adequada aplicação do Código Penal.

Contudo, é interessante observar como ainda se deposita enormes expectativas nas soluções tradicionais e se esquece que, para além das saídas mais óbvias, é possível buscar alternativas inteligentes dentro do próprio ordenamento jurídico. A criação da “Lista Suja” pela Portaria n° 540/2004 do MTE foi uma delas.

O estudo realizado pela pesquisadora Patrícia Trindade Maranhão Costa (2010), em parceria com a OIT, indica outra. Diante da necessidade de punir os agentes responsáveis pela exploração do trabalho escravo, o Ministério Público Federal (MPF) passou a enquadrá- los em diferentes delitos166.

Assim, a estratégia do MPF de trabalhar com uma “cesta de crimes” evita não só a prescrição do crime, mas impede que a pena mínima aplicada seja convertida em pena restritiva de direitos, como a prestação de serviços à comunidade. Segundo a procuradora federal Raquel Elias Ferreira Dodge167, na utilização desse expediente, os procuradores têm o cuidado de evidenciar que o delito do art. 149 é praticado no contexto de outros crimes.

Não serão, porém, objeto do presente item a análise aprofundada do art. 149 do CP e de seus desdobramentos.

A questão da impunidade apenas foi mencionada para rebater o argumento nas razões de veto de que a legislação penal, junto da desapropriação para fins de reforma agrária, são os instrumentos mais adequados para o combate ao trabalho escravo no Brasil. O que se questiona não é o cabimento de tais mecanismos sancionatórios, mas sim a defesa de uma suposta auto-suficiência que eles não possuem.

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De acordo com o estudo (OIT; COSTA, 2010, p. 46), no combate ao trabalho escravo existem diversas leis que se articulam e envolvem ações que podem ser tipificadas como crime, a saber: a manutenção de pessoas em cárcere privado; violência física, tortura e lesões corporais; assassinato; danos ambientais e violação às leis trabalhistas. Logo, “a articulação dessas violações ao art. 149 amplia as formas de controle sobre os diferentes componentes que configuram o trabalho escravo no Brasil, bem como aumenta as chances de punição dos envolvidos nessa prática, pois as penas referentes a cada delito são somadas na sanção final a ser aplicada”.

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Indica a procuradora federal que os relatórios de fiscalização passaram a ser instruídos com fotos de satélite, de modo a tornar manifesta a prática, concomitante, de grilagem de terras públicas e a derrubada ilegal de floresta. Informações retiradas da introdução sobre o trabalho escravo no Brasil, Observatório Social em

Revista, n° 06, p. 07, edição de junho de 2004. Disponível em: <http://www.observatoriosocial.org.br/portal/

Entre os anos de 1996 e 2003, segundo a Comissão Pastoral da Terra, menos de 10% dos envolvidos em trabalho escravo, no sul-sudeste do Pará, foram denunciados pela prática desse crime. Além disso, o primeiro condenado criminalmente, Antônio Barbosa de Melo, proprietário da fazenda Alvorada, em Água Azul do Norte, sul do Pará, teve a sua pena convertida em pagamento de cestas básicas (OIT, 2007, p. 32-33).

Acrescenta Ruth Villela (2008, p. 151-152), citando dados da Procuradoria-Geral da República, que nos últimos dez anos ocorreram apenas cinco condenações, a despeito da instituição “mover mais de duzentos processos criminais na Justiça Federal contra agenciadores de trabalhadores rurais (“gatos”) e empresários acusados de manter trabalhadores escravos”.

Nem mesmo a Vara Federal de Marabá (PA), famosa pelas condenações inéditas de fazendeiros, por reduzirem seus trabalhadores a condições análogas à de escravo, ficou a salvo da impunidade que impera no judiciário brasileiro.

Ricardo Rezende Figueira (2009, p. 89) atesta que “se antes não havia julgamentos, até pela indefinição de competência entre a Justiça Federal e Estadual168, as 27 condenações realizadas pela Justiça Federal de Marabá em março de 2009 não produziram efeito imediato. Não há sequer um condenado pela justiça preso pelo crime de escravidão”.

De outra parte, nas desapropriações por interesse social, para fins de reforma agrária (art. 184 da CR/88), a mesma falta de efetividade pode ser verificada. Quando não é a tímida atuação do Poder Público em retirar compulsoriamente o imóvel do patrimônio particular, pelo descumprimento da função social da propriedade, o pagamento de indenizações superfaturadas se encarrega de desvirtuar o instituto.

Nesse contexto, o mecanismo constitucional, voltado para assegurar o bem-estar dos trabalhadores e proprietários, bem como o cumprimento da legislação trabalhista, perde seu caráter sancionatório e vira prêmio ao fazendeiro inescrupuloso que explora mão-de-obra escrava, degrada o meio ambiente e, por conseqüência, lesa os cofres públicos ao não recolher devidamente parcelas trabalhistas e previdenciárias.

Ou como bem aponta Getúlio Targino Lima (2000):

Chega-se a uma conclusão prática inarredável: a desapropriação, de pena que devia ser, se transforma, não raras vezes, em alto negócio, assegurada ao proprietário

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Infelizmente, a matéria voltou a ser suscitada no Supremo Tribunal Federal (STF). Por meio do Recurso Extraordinário (RE n° 459510), de relatoria do Ministro Cezar Peluso, foi proposta revisão da posição anterior do Tribunal, reconhecendo a competência da Justiça Federal para o julgamento do crime do art. 149. O exame completo do tema será realizado no item seguinte.

expropriado até pesquisa de mercado, como se fosse um vendedor comum, em situação normal de particular para particular (LIMA, 2000, p. 55).

O legislador ao fixar o pagamento de indenização, nos casos de desapropriação, quis evitar interferências inadequadas e abusivas no patrimônio particular. Afinal, a propriedade privada é um direito fundamental assegurado pelo art. 5°, XXII da CR/88.

Todavia, isso não pode significar a possibilidade de enriquecimento ilícito do administrado. Seja o pagamento em dinheiro ou em títulos da dívida agrária, a justa indenização cumpre reparar e compensar a retirada compulsória do imóvel, de modo a deixar o patrimônio do expropriado indene. Ao mesmo tempo, permitir, caso queira o particular, a compra de imóvel equivalente.

Na determinação dos valores a serem pagos pela terra nua e benfeitorias indenizáveis169, a Lei n° 8.629/93, em seu art. 12, vincula a elaboração do laudo de vistoria e avaliação administrativa a diversos parâmetros.

Nos termos do artigo supracitado, considera-se indenização justa aquela que “reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis”, observada: a localização do imóvel; a sua aptidão agrícola; a sua dimensão; a área ocupada e a ancianidade da posse; e a funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias.

Lamentavelmente, em face de uma série de desvios, o valor pago ao expropriado quase sempre é superestimado, o que retira do instituto da desapropriação o seu potencial de dignificar as relações laborais no campo, além de contribuir para a erradicação do trabalho escravo. Quais são os estímulos que o produtor desonesto tem para produzir dentro da lei, se é mais lucrativo vilipendiar o trabalhador?

Os casos selecionados, em pesquisa realizada por Bruno Carvalho (1999, p. 01) – sobre as superindenizações pagas pelo Poder Público nas desapropriações por interesse social, para fins de reforma agrária –, evidenciaram um prejuízo aos cofres públicos de mais de R$ 7 bilhões de reais, dinheiro suficiente para realizar o assentamento de 300 mil famílias de trabalhadores rurais.

Uma das explicações para a elevação exponencial do preço das terras desapropriadas está na superposição da vistoria judicial à administrativa, sem que a LC n° 76/93, que regula o procedimento sumário da desapropriação por interesse social, estabeleça

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O art. 184 da CR/88, ao estabelecer o pagamento da indenização mediante títulos da dívida agrária, com prazo de resgate de até vinte anos, fez, porém, ressalva no §1° de que as benfeitorias necessárias e úteis seriam pagas em dinheiro. Vale dizer, somente é cabível o pagamento por meio de títulos para a terra nua e as benfeitorias voluptuárias (MELLO, 2010, p. 869).

àquele laudo quaisquer parâmetros, modos procedimentais, limites e finalidades, tal como ocorre na vistoria e avaliação feita via Administração (LIMA, 2000, p. 54).

Como os valores fixados pela perícia judicial são, geralmente, mais elevados quando comparados com os indicados nos laudos administrativos, tudo isso somado à demora no julgamento dos processos que se arrastam por anos nas diversas instâncias judiciais, o resultado não poderia ser outro (CARVALHO, 1999, p. 01). É claro que é preciso haver conivência de magistrados e peritos com os interesses do expropriado, mas isso não exclui a possibilidade de ocorrerem erros na avaliação do imóvel rural.

Com freqüência, são incluídos no cálculo judicial, juros moratórios; pela demora no pagamento do valor indenizatório, juros compensatórios; devidos ao expropriado pela perda antecipada de sua posse, e correção monetária do valor da indenização; quando transcorrido mais de um ano do laudo de avaliação do bem, antes de seu efetivo pagamento (MELLO, 2010, p. 885-886). O que torna complexo o referido cálculo e passível de falhas.

Getúlio Targino Lima (2000) indica também o problema da vistoria da cobertura florística apartada da vistoria da terra em si, fato que, igualmente, contribui para a elevação do preço a ser pago pelo Poder Público.

Segundo o autor (LIMA, 2000, p. 57), se a floresta natural é parte integrante do solo, como ocorre nos seringais e castanhais na região Norte do país, o proprietário não concorreu para a sua constituição e, portanto, é um absurdo o pagamento pela Administração desse valor. Somente em casos excepcionais o indicativo da cobertura vegetal serve como parâmetro de avaliação em separado do valor do imóvel.

Não se pode basear a indenização na potencial exploração que o proprietário possa realizar no imóvel rural, até porque os custos de tal exploração podem não ser vantajosos ao particular. Logo, apenas por motivos especulativos e contrários ao fundamento do instituto da desapropriação é encontrada alguma razão para o acolhimento de valores tão exorbitantes (LIMA, 2000, 57).

São essas distorções que possibilitam casos como o de Luiz “Pires” (Luiz Martins Pereira), mencionado por Ricardo Rezende (2004) e Binka Le Breton (2002).

Após submeter 220 trabalhadores rurais, incluindo 30 crianças, a condição de escravos, o fazendeiro teve seu imóvel rural Flor da Mata desapropriado em 1997 pelo valor de R$ 2,5 milhões de reais. Este total, avaliado pelo INCRA, englobou tanto o preço da terra como o de benfeitorias. Entretanto, não é o montante pago pelo Poder Público que causa revolta nesse caso. É o lucro auferido pelo proprietário com a desapropriação.

Indica Binka Le Breton (2002, p. 54), que dois anos antes o fazendeiro adquiriu a propriedade pela bagatela de R$ 100.000,00 (cem mil reais), simplesmente vinte e cinco vezes mais que o preço da compra pago pela Administração. Como era de se esperar, as benfeitorias foram grosseiramente superestimadas.

O leitor pode estar se perguntado: o que aconteceu com o proprietário? Responde a autora (BRETON, 2002, p. 54): absolutamente nada! Além de lucrar com a exploração da dignidade alheia, o fazendeiro, posteriormente, processado, teve a sua ação judicial arquivada pela juíza responsável pelo caso. E nem o assentamento de 400 famílias no imóvel rural desapropriado foi capaz de apagar o sentimento de impunidade.

Os benefícios obtidos pelos fazendeiros com as desapropriações, para fins de reforma agrária, são tão atrativos que algumas situações chegam ao absurdo. Bruno Carvalho (1999, p. 02) denuncia casos de proprietários que até pagam famílias de sem-terra para ocuparem o seu imóvel rural, de modo a induzir ações de desapropriação pelo INCRA170.

Do exposto, resta comprovada a incapacidade das punições criminais e da desapropriação por interesse social em darem respostas efetivas ao combate da exploração de mão-de-obra escrava no campo. Paralelamente, é o que demonstra a necessidade de se buscar outros mecanismos, ao lado dos já existentes, para colocar um ponto final na história de degradação humana que teve início com a colonização brasileira.

É relevante destacar que, mesmo os autores que entendem não ser possível o confisco de imóveis rurais, tendo em vista a redução de trabalhadores à condição de escravos, reconhecem que as sanções previstas no ordenamento jurídico nacional não estão alcançando os objetivos propostos. Merece registro o pensamento de Elisabete Maniglia (2002):

Nesse entender houve razão para ser vetado o §6° [da Lei n° 8.629/93], uma vez que conflita com o dispositivo constitucional, que permite a única forma de confisco: a que se refere às glebas onde forem localizadas as culturas ilegais de plantas psicotrópicas. Todavia, a realidade tem nos mostrado que o trabalho escravo tem ocorrido com muita freqüência, o que poderia ensejar uma previsão constitucional a esse respeito para, de tal forma, repreender ao máximo, inclusive com confisco, aos que insistem em manter esta prática abominável de relação de trabalho. Isto sem desprezar as demais cominações previstas na lei penal. O instituto da desapropriação, para os casos onde ocorre trabalho escravo, é medida uníssona perante a prática do ato. O proprietário, muitas vezes, se considera “premiado” com a desapropriação e, pior ainda, recebe pagamento sobre suas terras. A opinião é que

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Segundo o autor (CARVALHO, 1999, p. 02), esse caso ganhou a manchete do jornal “Folha de S. Paulo”, na edição do dia 27 de setembro de 1999. Na reportagem, o fazendeiro Eufrásio Pereira Luiz pagou R$ 22,3 mil para que 1.500 famílias de sem-terra invadissem sua propriedade no Pará. A fazenda Cristalino comprada por R$ 20 milhões, em 1996 pelo proprietário, na época da matéria foi avaliada pelo INCRA em R$ 40 milhões de reais. Para a leitura na íntegra da reportagem, consultar o endereço eletrônico: <http://acervo.folha. com.br/fsp/1999/9/27/2>. Acesso em: 13.05.2011.

o remédio mais profilático, realmente, seria o confisco, pois, assim, a punição seria proporcional à lesão celebrada (MANIGLIA, 2002, p. 61-62).

E a posição do procurador do trabalho Jairo Lins Sento-Sé (2001):

O confisco se trata de medida extrema, de ato potencialmente forte, que chega ao ponto de provocar a perda do bem imóvel sem direito a qualquer indenização. Neste aspecto, se distingue da desapropriação, já que esta última permite ao proprietário do bem expropriado receber uma indenização em dinheiro ou em títulos da dívida pública. [...]. No entanto, não se pode abandonar completamente a essência [desse] pensamento: impor ao dono da terra uma sanção de repercussão tamanha que afete sensivelmente os seus interesses financeiros. A nosso ver, o maior objetivo do proprietário rural, ao se utilizar do trabalho escravo nos termos já descritos, é ampliar ainda mais os seus lucros. Assim sendo, se justifica a adoção de uma providência contra o dono da terra, que seja capaz de gerar reflexos econômicos de tal porte que possam impedir ou, pelo menos, minimizar a sua prática (SENTO-SÉ, 2001, p. 99-100).

Por último, sobre a afirmação, nas razões de veto do §6° da Lei n° 8.629/93, de que a única hipótese de confisco contemplada pela Constituição de 1988 encontra-se prevista no art. 243, é cabível nova objeção.

De fato, o art. 243 da CR/88 prevê a possibilidade do confisco automático do imóvel rural, sem o pagamento de qualquer indenização ao proprietário, caso haja cultura ilegal de plantas psicotrópicas. Tal situação, inclusive, é regulada pela Lei n° 8.257/93. Entretanto, o próprio texto constitucional considera outra hipótese expropriatória que foi esquecida quando da redação do veto.

Trata-se do art. 5°, XLVI, b, da CR/88 que estabelece dentre as espécies de pena admitidas no direito brasileiro, a perda de bens. Ora, a pena de perda de bens e valores prevista no art. 43, II do Código Penal, bem como a possibilidade da perda, em favor da União, dos instrumentos do crime ou de qualquer produto, bem e valor auferidos pela prática criminosa – art. 91, II, (a) e (b) do CP –, não passam de um verdadeiro confisco.

Não estaria aqui aberto um interessante caminho a ser explorado?

Como ficou registrado anteriormente, muitas vezes o ordenamento jurídico oferece ao aplicador do direito alternativas úteis na solução de problemas, por exemplo, a persistência da exploração do trabalho escravo no campo. Contudo, a busca por soluções fáceis ou mais óbvias tende a obscurecer outras saídas que poderiam resolver definitivamente esse e outros problemas que desafiam o governo e a sociedade.

Muito embora possa parecer tortuoso o caminho apresentado, é por meio dele que se propõe seguir de agora em diante.

IV.2. O TRABALHO ESCRAVO NO DIREITO PENAL BRASILEIRO: ANÁLISE DO