KATILIM BANKACILIĞI
1.2. Katılım Bankalarınca Gerçekleştirilen Faaliyetler
1.2.2. Finansman/Kredi Kullandırma Faaliyetleri
1.2.2.2. Gayrinakdi Kredi Kullandırma Faaliyetleri
Espinho teve a sua primeira população permanente no último quartel do século XVIII, quando algumas famílias aí começaram a passar o inverno. Mas até 1830, “era uma povoação habitada única e simplesmente por pobres pescadores que se abrigavam em casas de madeira a que d’ali até ao cabo Mondego se dá o nome de palheiros”137. Entre 1830 e 1864, a moda dos banhos de mar atraiu a Espinho algumas famílias, sobretudo do concelho da Feira, que construíram ainda palheiros, se bem que maiores e mais cómodos que os dos pescadores. A primeira figura socialmente importante a escolher Espinho para veranear foi o bispo de Viseu, D. António Alves Martins e, a partir de então, a miserável povoação piscatória vai transformar-se num dos centros balneares mais importantes do norte do país: “os velhos palheiros, de varandas esbeiçadas, feios e imundos, levantados a esmo e sem alinhamento em vielas e encruzilhadas às vezes sem saída começaram a desaparecer para dar lugar a construções mais elegantes e mais cómodas, construções que se multiplicaram dum modo espantoso dentro em poucos anos”138. Porém, quando em 1865, foi aberta a linha férrea entre Ovar e Gaia, Espinho não foi contemplada com estação ou apeadeiro e os seus visitantes tinham de utilizar a estação da Granja ou a de Esmoriz, fazendo o resto do percurso de carro139. De 1873 a 1890, os terrenos entre a linha férrea e o mar enchem-se de novas casas, construídas por veraneantes de muitos concelhos do norte
137
Pe. André de Lima, “Espinho – Breves apontamentos para a sua história”, Gazeta de Espinho, nº153 e seguintes (iniciado em 6 de Dezembro de 1903), p.27
138
Pe. André de Lima, op. cit., p.30
139
Pouco depois, pela intervenção de Anselmo Bramcamp e de Joaquim Sá Couto “perante a companhia (esta) apressou(-se) a transformar a casa da guarda da passagem de nível fronteira à nossa praia num apeadeiro” in Idem, 31. Em 1873 já era estação (cf. idem, ibidem). Joaquim Sá Couto, grande industrial, proprietário da fábrica de Oleiros, “foi o primeiro a construir uma casa de pedra e cal, na Praça Velha, perto do mar. (...) A sua casa, situada no melhor local da praia (...) era bastante grande para o tempo , com salas amplas e bem mobiladas, recebendo aliás pessoas gradas do tempo, e que frequentavam Espinho na época do Verão” in Álvaro Pereira, Espinho – Monografia, 1970, p.15
mas também já espanhóis140. Este novo “bairro”, separado das vielas de pardieiros dos pescadores, é o que Júlio César Machado chama “Espinho novo, povoação exclusivamente de banhistas”141. Segundo o mesmo escritor, esta nova instalação “consta apenas de duas (...) largas ruas, onde ostentam lojas de boa aparência, pela maior parte sucursais de estabelecimentos do Porto, e casas construídas à moda das cidades, alinhadas, e munidas de fachadas perfeitamente lisbonenses"142. Esta escolha merece uma crítica feroz do autor, nostálgico das grandes varandas de madeira, sobre as dunas, que eram uma constante nos velhos palheiros de Espinho e que tinha um entendimento diferente da arquitectura de veraneio:
“Já se vê que a varanda é suprimida, porque os nossos arquitectos fazem casas à moda de Paris, sem atenderem nem às diversas condições do clima, nem às condições do pitoresco, essenciais na arquitectura, se a arquitectura ainda conserva o desejo de ser uma arte, e essenciais sobretudo à arquitectura forçosamente ligeira de habitação destinada aos prazeres da
vilegiatura. Se numa destas ruas largas do Espinho novo houvesse um
arquitecto que, abandonando a fachada completamente lisa, não recuasse diante da pitoresca varanda, tão essencialmente portuguesa, e tão cómoda, tão agradável nas manhãs e nas tardes de verão, fazia umas casas lindíssimas: assim limita-se aos clichés conhecidíssimos e faz uma sensaboria”143. Ainda a poente da linha do comboio, mas em terrenos mais desafogados, construíram-se moradias “duma certa grandiosidade burguesa”144 e era nesta zona que existiam os melhores hotéis: Particular,
Bragança e Nova Estrela. “Era neste bairro que se levantava o edifício da
Assembleia, que se registavam os melhores cafés – alguns deles, os mais
140
Principalmente de Zamora, Salamanca, Burgos e Madrid (cf. Sousa Costa, Espinho; Praia das Nossas Avós, Praia das nossas Netas, 1949, p.93)
141 Júlio César Machado, “Espinho” in Fora de Terra (com Pinheiro Chagas), 1878, p.77 142
Idem, ibidem
143
Jílio César Machado, op. cit., p.77
144
frequentados com suas roletas e seus baralhos anexos”145. O primeiro plano de urbanização de Espinho, então chamado “Plano de Melhoramentos da Praia de Espinho”, foi realizado por Bandeira de Melo, engenheiro natural de Vouzela e frequentador da praia, por volta de 1870146, num esquema rigorosamente reticulado, que abrangia a faixa de terreno quase plano entre a linha férrea e o mar. Em 1876 a Câmara da Feira aprovava esta planta, já em grande parte realizada, e decidia novos melhoramentos importantes, como a arborização das vias paralelas ao caminho de ferro, plantar sebes nas ruas a abrir e já marcadas, a iluminação das principais ruas nos meses de Agosto, Setembro, Outubro e Novembro, colocar bancos de ferro em lugares autorizados e deliberar sobre as expropriações necessárias ao novo ordenamento147.
A Figueira da Foz, vila por decreto pombalino148 e cidade desde 1882149, era a praia do terceiro centro urbano do país, Coimbra, da qual dista 42 km.. Desenvolveu-se a partir do século XVIII com o movimento crescente do seu porto e consequente crescimento da indústria de construção naval150. Desde o início do século XIX que é procurada por veraneantes e banhistas, a partir de 1858 esta afluência acentua-se151 e, no final da centúria, começaram a chamar-lhe a “rainha das praias de Portugal”. Crescera sobretudo à beira do rio Mondego, onde se erguiam “os armazéns, as lojas para o comércio portuário, as pensões, os edifícios de grandes dimensões de carácter burguês, que refletem a riqueza dos seus proprietários
145
Idem, ibidem
146
Cf. Álvaro Pereira, Espinho – Monografia, 1970, p.50
147
Cf. idem, p.53
148
12 de Março de 1771 (cf. Maurício Pinto e Raimundo Esteves, Figueira da Foz Praia da Claridade, 1959, p.5)
149
A 20 de Setembro de 1882, por D. Luís I, um mês depois de ter visitado a Figueira, por ocasião da abertura da linha de caminho de ferro da Beira Alta (cf. idem, p. 20)
150
Desde 1835 era considerada a terceira praça comercial e marítima de Portugal “quando se organizou na Figueira a 3ª Associação Comercial do país”, in idem, p.9
151
ligados à navegação e ao grande comércio de importação e exportação”152 mas, em 1860, a concorrência de banhistas foi tão elevada que “muitas famílias tiveram de ir veranear para outras praias por falta de alojamentos”153. É então que começam a nascer dois bairros novos, de traçado regular, o Bairro da Estação, a oriente, e o Bairro Novo de Santa Catarina, a ocidente154. Este último, junto ao forte de Santa Catarina de Ribamar, à entrada da barra, ocupando os terrenos ainda livres junto à praia de banhos, nasceu especificamente para a função balnear. Com este fim, em 1861, “o engenheiro das Obras Públicas – Francisco Maria Pereira da Silva (1813-1891) desde 1857 a dirigir as obras hidráulicas do porto e barra da Figueira, constituiu uma sociedade”155. Em Abril de 1868 eram inauguradas formalmente as obras e em Setembro do mesmo ano estava terminado o primeiro edifício construído pela Companhia – o Salão da Assembleia Recreativa156. Funcionando “em moldes idênticos aos das empresas que edificavam prédios nas praias francesas”157, a sociedade do novo bairro, até 1879, construiu por conta própria, erguendo trinta prédios, ou construindo por encomenda. Numa segunda fase, sensivelmente até 1893, venderam-se exclusivamente as casas já construídas e, o último período de vida da companhia, foi de gestão do seu património que consistia, sobretudo, de terrenos. Em 1903, a sociedade foi dissolvida158. O novo bairro desenvolvia- se num traçado bastante regular159, de ruas perpendiculares à linha da costa, “faltando-lhe, no entanto, alguns pormenores de requinte que se viam nas
152 Francisco José Cruz de Jesus, Arquitectura Balnear e Modernidade. O exemplo do Bairro Novo de
Santa Catarina da Figueira da Foz (1928-1953), 1999, p.20
153
Maurício Pinto e Raimundo Esteves, op. cit., p.29
154
Cf. Francisco de Jesus, op. cit., p. 21
155
Idem, p.27. Chamava-se, então, “Companhia Edificadora do Bairro Novo” e, depois, “Companhia Edificadora Figueirense”
156
A “Assembleia Figueirense, associação instalada em prédio especialmente construído, com óptimas salas e de aspecto solarengo (que durante muitos anos foi considerada como sala de visitas da cidade)” in Maurício Pinto e Raimundo Esteves, op. cit., p.17
157
Idem, p.20
158
Cf. Francisco de Jesus, op. cit., p.30
159
estâncias estrangeiras (e), sobretudo, a orientação em relação ao mar”160, mas também a ausência de uma zona de parque ou jardim. Ramalho Ortigão, que deu à Figueira a fama de mais bela praia de Portugal161, em 1887, escrevia este comentário sobre a nova urbanização:
“O Bairro de Santa Catarina, ou Bairro Novo, principalmente habitado pelos banhistas, foi construído há poucos anos e consta de casas todas novas, pintadas de branco, de um teatro, um clube e um hotel para oitenta hóspedes.
Infelizmente em vez de ser edificado com método, sobre a praia, com o hotel de banhos e o casino ao centro, os restaurantes com terraços ao ar livre, o novo bairro não faz frente ao oceano e dispersa-se desengraçadamente para o lado da terra”162.
Para além da Assembleia que, como vimos, estava pronta em 1869163, mais dois edifícios importantes são citados por Ramalho Ortigão: o Teatro- Circo Saraiva de Carvalho, inaugurado em 1884 com desenho de José Luís Monteiro e que, em 1900, foi adaptado para se tornar o Grande Casino Peninsular; e o Grande Hotel Foz do Mondego, num edifício encomendado por Augusto Luís César dos Santos e inaugurado na época balnear de 1870164. Para além deste, o bairro tinha, ainda, pelo menos, mais três hotéis nos finais do século XIX: o Internacional, o Aliança e o Universal. Na arquitectura privada, a Figueira viu também construir, a norte do novo bairro, uma das mais imponentes residências secundárias dos finais de Oitocentos. É o palacete do banqueiro Joaquim Sotto Mayor, iniciado em 1900, com projecto de Gaston Landeck165, nome que veremos frequentemente ligado à arquitectura dos “Estoris”. Em 1916, aquando da
160
Idem, ibidem
161
“Não tem outro remédio senão vir à Figueira quem quiser ver a mais linda praia de banhos de Portugal!”, in Ramalho Ortigão, As Praias de Portugal, 1944, p. 52 (1ª ed. 1876)
162
Ramalho Ortigão, As Farpas, vol. I, 1963, p.263 (1ª ed. 1887)
163
Abriu as suas portas ao público em 1870. “Em 1890 foi transformada em club denominado ‘Casino Mondego’”, in Francisco de Jesus, op. cit., p.37
164
morte do pintor António Ramalho (1858-1916), que até ao fim da vida trabalhara na decoração da moradia, a Ilustração Portuguesa, publica um longo artigo elogiando o seu trabalho e descrevendo alguns aspectos do edifício que considera “belamente delineado e construído, tão cheio de riqueza e bom gosto”166, que seria difícil encontrar outro igual no país, fora de Lisboa ou do Porto.
Para completar este desenvolvimento de sucesso, como estância balnear, a Figueira da Foz tinha, ainda, um conjunto de estruturas de acesso excepcional: é servida pela linha de caminho de ferro do Norte desde 1863; em 1871 abre ao tráfico a estrada real que a liga a Coimbra; em 1882 é inaugurado o ramal da linha da Beira Alta que liga a Figueira à Pampilhosa e, em 1888, entre a Figueira e Leiria.
Dois casinos, vários hotéis, pensões e restaurantes, bons acessos, a Figueira da Foz era, com a presença assegurada dos estudantes em Setembro, mas também de muitos lisboetas e espanhóis que lhe trouxeram um desenvolvimento invejável, uma das estâncias nacionais com melhores equipamentos no início do século XX, e uma vida cosmopolita que rivalizava com as praias da futura Costa do Sol.