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KATILIM BANKACILIĞINDA RİSKLER VE YÖNETİMİ

2.1. Kavramsal Çerçeve

A importância relativa, social e económica, da vilegiatura marítima explode, literalmente, no século XX, sobretudo nos países do sul da Europa, como Portugal, acompanhando o desenvolvimento de um sector, cada vez mais importante para as economias nacionais, que é o turismo. O conceito, que surgira com a contemporaneidade e fora “inventado” pelos ingleses, só ganha conteúdo e peso específico no início de novecentos, na maior parte dos países europeus e também entre nós. O “grand tour” dos séculos XVIII e XIX deu lugar a uma indústria com uma relevância económica crescente. Então se realizam os primeiros congressos, nacionais e internacionais, e se constituem os mais antigos organismos estatais responsáveis pelo turismo. Neste aspecto, aliás, Portugal foi um dos mais precoces em termos europeus. Se bem que, o primeiro organismo oficial do turismo português só tenha surgido depois da implantação da República, em 1911, os fundamentos da sua acção tinham sido criados em 1906, com a constituição da Sociedade Propaganda de Portugal, por iniciativa de Leonildo Mendonça e Costa, seu secretário perpétuo e percursor do turismo nacional. A nova sociedade204, de carácter privado, “pretendia fomentar a divulgação do País mormente através do turismo”205, lançando uma série de iniciativas próprias e de sugestões ao poder político, que a tornaram extremamente popular. É a sociedade que insiste junto do governo para que sejam concedidas facilidades ao investimento de modo a que seja renovado o nosso parque hoteleiro, condição indispensável para a atracção de turistas206; é por sua

204

Com estatutos aprovados em 4 de Julho de 1906

205

Paulo Pina, Cronologia do Turismo Português. 1900/1928 , I vol., 1982, p. 31

206

diligência que alguns jornais importantes de Londres e Paris, passam a inserir, diariamente, dados climáticos sobre Lisboa e Estoril; é também a Sociedade que edita o primeiro folheto turístico português, com um mapa para excursionismo e o seu secretário organiza um guia de Portugal207/208, nos moldes dos seus congéneres, internacionalmente consagrados –

Baedecker (inglês) e Joanne (francês). Ainda em 1906, haviam sido

publicados dois textos importantes para o conhecimento internacional do nosso país: em Londres, um trabalho de D. G. Dalgado, sobre o clima de Lisboa e arredores209, e o volume do Guide Joanne, pela Hachette de Paris, dedicado a Espagne et Portugal. Em 1907, a Sociedade Propaganda de Portugal (fundada em 1906) organiza o primeiro concurso entre hotéis nacionais, premiando os mais asseados e propõe as primeiras “placas de recomendação”, atribuídas a hotéis em Lisboa, Estoril, Sintra, Coimbra, Luso, Buçaco e Granja. Mas a sociedade, sempre no mesmo sentido, leva ainda mais longe a sua acção, custeando a realização de fotografias do nosso país, bem como a afixação de cartazes, alusivos às belezas da terra portuguesa, em cidades como Londres, onde possuía um correspondente; consegue tornar diária a frequência do comboio europeu, por excelência, o

Sud-Express. Em 1909, é ela que advoga, junto do Governo, a necessidade

da criação duma repartição oficial de turismo, a exemplo das que a Áustria e a França acabavam de constituir. À falta deste organismo, é a Sociedade Propaganda de Portugal que representa o nosso país, como aconteceu no II Congresso Internacional de Turismo, de San Sebastian, em 1909, onde obtém a primeira integração do turismo português numa organização internacional – a Federação Franco-Espanhola-Portuguesa dos Sindicatos de

207

Leonildo Mendonça e Costa, Manual do Viajante em Portugal, Lisboa, 1907

208

“Quanto ao género guia, o mais antigo que encontrámos notícia data de 1845, é da autoria do Abade António Dâmaso de Castro e Sousa e foi intitulado Itenerário que os estrangeiros, que vem a Portugal, devem seguir na observação, e exame dos edifícios, e monumentos mais notáveis deste reino”, in Paulo R. S. Rodrigues, Património, Identidade e História, 1998, p.83

209

Iniciativa e de Propaganda, de que voltaremos a falar no contexto de algumas estâncias.

Quando em 1911, a República criar o primeiro organismo oficial do turismo português, a Sociedade continuará a ter um papel da maior relevância. A nova Repartição de Turismo do Ministério do Fomento do Governo Provisório da República, sob a direcção de José de Ataíde, funciona como orgão executivo do Conselho de Turismo, presidido por Sebastião Magalhães Lima, então presidindo também à Sociedade. Esta repartição é o terceiro departamento central de turismo em toda a Europa, só precedido pela Áustria e França. Quer através da Repartição oficial, quer por sua iniciativa e à sua custa, a Soc. Propaganda de Portugal irá prosseguir um trabalho importantíssimo no desenvolvimento do turismo português: é ela que edita mapas, guias, folhetos, cartazes, etc. indispensáveis à divulgação do nosso país; é ela que participa, com o organismo de Estado, nos congressos internacionais de turismo210, e organiza o primeiro congresso regional no Algarve, em 1915. É neste último que, Raul Lino, membro da sociedade, apresenta um projecto de “Hotel-Português-Modelo”, para o sul do país, enquadrado no espírito do nacionalismo arquitectónico, defendido acaloradamente, aliás, no boletim oficial da sociedade, em 1916. Como iremos ver211, são também destes anos os primeiros regulamentos legais para concessão de facilidades à construção de hotéis (Decretos nº1121 e 1652, respectivamente de 1914 e 1915) por influência de Fausto Figueiredo e da Sociedade Estoril-Plage. Em 1916 surge também a primeira publicação portuguesa dedicada ao turismo, a Revista de Turismo, em Lisboa. Em 1917, são muitos os factos relevantes, para a promoção e desenvolvimento turístico, que acontecem em Portugal: o Ministério do Fomento, no qual se integravam o

210 Em 1912, no V Congresso Internacional de Turismo, em Madrid, é Ventura Terra que representa

Portugal como delegado do governo acompanhado do eng Manuel R. Pego, pela Soc. Propaganda de Portugal (cf. Paulo Pina, Cronologia do Turismo Português..., p.61)

211

Conselho e Repartição de Turismo, passa a denominar-se Ministério do Comércio, Comunicações e Obras Públicas; realiza-se o I Congresso Nacional Hoteleiro, onde se defende a criação urgente de uma escola hoteleira; constrói- se o primeiro campo de golfe em território nacional, o Lisbon Sports Club, em Carcavelos; a Soc. Propaganda de Portugal abre um “Bureau de Renseignements”, em Paris, logo subsidiado pelo governo da República. Oficialmente, são listadas e classificadas as estâncias portuguesas, como “terras de turismo”, para fins de cobrança de impostos, através dos Decretos nºs 4819 e 5211, ambos de 1918 e, nesse ano, entram 6.000 turistas ingleses em Portugal. Em 1920, são criadas as Comissões de Iniciativa de Turismo local, cuja actividade é regulamentada em 1922, ano em que se funda a primeira firma de “tours”, operando na região de Lisboa e Sintra, com autocarros abertos, exclusivamente destinados a turistas. Em 1924, é regulamentado o exercício das profissões de Guia, Intérprete e Guia-Intérprete e publica-se o 1º volume do Guia de Portugal, com direcção de Raul Proença. Em 1926, ano de mudança de regime, o facto mais importante, no âmbito do tema que tratamos, é a substituição das vereações eleitas das Câmaras Municipais por “Comissões Administrativas” nomeadas pelo poder central. Mas, logo no ano seguinte, o novo poder político impõe medidas de enorme relevância, através de um conjunto de disposições sobre a actividade hoteleira e similar, desde regras de asseio e conforto, até à obrigatoriedade de aprovação prévia do projecto de novas unidades, pela Repartição212. O jogo, proibido por Hintze Ribeiro, no fim do século XIX, é finalmente regulamentado, com a criação de zonas permanentes no Estoril e na Madeira e de zonas temporárias, em Santa Luzia (Viana do Castelo), Espinho, Curia, Figueira da Foz, Sintra e Praia da Rocha (Faro). Esta terá sido uma das mais certeiras medidas turísticas de sempre, quer sob o ponto de vista social, pois permite o jogo unicamente em locais turísticos e regulamenta-o devidamente, mas também sob o ponto de

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vista económico, obtendo contrapartidas financeiras importantes em favor do Estado e do progresso das zonas onde é autorizado213. A receita obtida pelo Estado com a regulamentação do jogo, no primeiro ano, 1928/1929, atinge a soma de 2.138.420$00, extremamente importante para a época. Ainda no final dos anos vinte, são constituídos os “Serviços Aéreos Portugueses” (SAP), que exploram as primeiras linhas aéreas regulares portuguesas, entre Lisboa e Madrid e Lisboa e Sevilha, com aeródromo em Alverca.

Este processo de construção de uma “indústria” do turismo em Portugal, iniciado, precocemente, em 1911 pela 1ª República, teve continuidade e desenvolvimentos, por parte do Estado Novo, embora com alguma falta de acerto e de entendimento às mudanças rápidas da sociedade de Novecentos. Para um país periférico, de fracos recursos e grandes atrasos estruturais, seria precisa uma conjuntura muito favorável para conseguir projectar Portugal na rota do grande turismo internacional. Ao longo da primeira metade do século XX, ela aconteceu, pontualmente, num determinado local, a zona do Estoril-Cascais, e em consequência do drama europeu da Segunda Guerra Mundial. Porém, os muitos exilados que então procuraram o nosso país, para uma estadia sem limite conhecido, foram um dos mais importantes cartões de visita para os que, num tempo de paz e prosperidade que se lhe seguiu, tivessem vontade de conhecer e gozar as suas férias em Portugal. É este fenómeno de explosão de visitantes, aliás comum a outros países do sul da Europa, que iremos assistir, nos finais da década de 1950 e princípio dos anos de 1960. As estâncias balneares de maior importância turística eram, naturalmente, as que tiveram concessões de jogo, ou seja, aquelas onde se reunia um maior número de estrangeiros e, simultaneamente, existiam as melhores instalações hoteleiras. Naturalmente,

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os “Estoris” e a Madeira, mas também Espinho214 e Figueira da Foz215, com o caso curioso da Praia da Rocha, de funcionamento breve e por razões que adiante iremos conhecer.