STRATEJİLERİNİN BELİRLENMESİ
Uygulamaları 2. Firmalara Sunulan Hizmetler
3. Arazi Tahsis, Yer Seçimi ve Altyapı
2.3.3. GAP Bölgesi KSS’leri Gelişim Stratejileri
Atividade para desenvolver competências na prestação de cuidados à
pessoa sujeita a transplante renal
Na Unidade de Transplantação Renal do HSC, realizam-se consultas de pré e pós-transplante. Esta unidade compreende uma equipa multidisciplinar que inclui médicos (cirurgiões e nefrologistas), enfermeiras, uma dietista, uma psicóloga e uma assistente social.
Neste serviço observei a primeira das duas consultas de pré-transplantação, instituídas pela Unidade. O doente de um PALOP, a viver em Portugal e em programa regular de HD há 3 meses, fez-se acompanhar pela esposa nesta primeira consulta com o nefrologista. O doente trazia a maioria dos exames complementares de diagnóstico que normalmente são pedidos nesta consulta, mas como faltava o estudo de histocompatibilidade, só pôde ser inscrito na lista de transplante após a segunda consulta. Foi feito ensino sobre possíveis complicações pós-transplante. Na consulta de enfermagem abordou-se a prevenção de infeções, o tabagismo e os riscos associados à transplantação; higiene oral; manutenção do peso corporal; controlo da tensão arterial; proteção da pele contra a exposição solar; adesão à dieta e medicação. A enfermeira forneceu ainda o “Manual de Informação para Doentes e suas Famílias”. O doente revelou já ter alguns dos conhecimentos e indicações que lhe foram dados, quer pelo médico e enfermeira. Decorreu posteriormente a consulta com assistente social e dietista.
No que se refere ao transplante renal com dador vivo, procede-se a um conjunto de consultas e de reuniões multidisciplinares que levam a uma decisão final
envolvendo o nefrologista, o cirurgião geral, a enfermeira, a assistente social e, se
necessário, a psicóloga. Por fim é marcada uma data para o transplante. A avaliação
do eventual dador, que tem de ser maior de idade e estar na posse de todas as suas
capacidades, envolve a realização de vários exames, várias consultas e entrevistas destinadas a identificar a motivação do doente e para excluir as contraindicações da
nefrectomia. As autorizações legais incluem o consentimento informado e a
avaliação pela Entidade de Verificação da Admissibilidade de Colheita para Transplante à qual compete “emitir parecer vinculativo sobre a admissibilidade da dádiva e colheita em vida de órgãos não regeneráveis para transplante” garantindo
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“que a doação do rim é consentida de forma livre, esclarecida, informada e com respeito, pelos princípios da gratuitidade, altruísmo e solidariedade” (Diário da República n.º 163 Portaria n.º 802/2010).
Observei igualmente as consultas pós-transplante, com doentes transplantados desde há dois meses até aos que faziam 20 anos, maioritariamente doentes transplantados de dador cadáver. Nestas consultas a enfermeira interpreta os valores laboratoriais, avalia a adesão à medicação prescrita e os comportamentos de risco como o tabagismo, distúrbios alimentares, entre outros. Nestas consultas o doente verbaliza os seus medos, dúvidas, e os efeitos secundários dos imunossupressores. O papel da enfermeira é alertar e evidenciar a importância do cumprimento da medicação e da adoção de hábitos de vida saudável, assim como resolver complicações com o reajuste da dosagem de imunossupressão.
Desde que iniciei este percurso académico na área da nefrologia ver um rim humano foi sem dúvida um dos marcos importante desta etapa, que ocorreu com a observação de um transplante renal dador vivo parental. No dia da cirurgia fui ao serviço de internamento de cirurgia, falar com o dador e o recetor, na companhia de uma enfermeira do serviço. Percebi os sentimentos do dador (pai) e do recetor (filho): o medo da cirurgia e das complicações, a ansiedade, a felicidade e esperança, nomeadamente do recetor pela perspetiva de uma nova vida. Saliento que o recetor apesar de já ter sido submetido à construção de FAV no braço esquerdo não tinha ainda iniciado HD. Muitos estudos mostram que o doente transplantado renal tem maior capacidade de reabilitação e que a sua qualidade de vida é superior à que habitualmente se alcança na diálise (Franklin, 2005).
Assisti ao transplante que se processou em duas salas com duas equipas diferentes. Iniciou-se em primeiro lugar a abordagem ao dador, e pouco antes da nefrectomia, iniciou-se a abordagem ao recetor. Em todo este processo o que mais me impressionou pela positiva foi que, após a anastomose da veia e artéria renal do rim ao recetor, e antes da anastomose do ureter à bexiga, aguardou-se uns segundos e o rim rapidamente começou a “funcionar”, produzindo urina.
No dia seguinte, no serviço de cirurgia geral, prestei cuidados de enfermagem ao dador e recetor na UCINT. No pós-operatório imediato o doente submetido a transplante e o dador requerem cuidados de enfermagem específicos na área da
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transplantação, como avaliações horárias de parâmetros vitais, soros consoante a pressão venosa central e débitos urinários, avaliação de drenagens e balanço hídrico. São administrados imunossupressores ao recetor para evitar a rejeição, mas exigem vigilância, pois podem desencadear edema agudo do pulmão ou paragem cardiorrespiratória (Franklin, 2005). Os cuidados ao dador e recetor estão protocolados e os ensinos começam a ser realizados após as primeiras 24 horas.
O enfermeiro tem de desenvolver habilidades técnico-instrumentais específicas, mas também competências relacionais para ajudar no processo de adaptação do doente, para aliviar o sofrimento e ajudar a ultrapassar de forma positiva a situação. Durante este período os doentes e família passam por várias fases de ansiedade, perguntando sistematicamente se estão a urinar e se os parâmetros analíticos estão a melhorar. O recetor preocupa-se com o estado de saúde do dador. Pretendi como enfermeira nunca descuidar o cuidar do doente e da família, estabelecendo uma relação empática e de interajuda.
O doente transplantado e da sua família sofrem mudanças que requerem adaptação. Trata-se de um processo de transição, pois apesar do transplante trazer alguma melhoria da qualidade de vida do doente, este não deixa de requerer cuidados muito específicos para a manutenção do seu rim. É fundamental que a pessoa em transição esteja atenta e envolvida nas mudanças em curso (Meleis, Sawyer, Im, Messias & Schumacher, 2000). Os enfermeiros preparam os doentes para a transição e promovem a aprendizagem de novas competências relacionadas com as experiências de saúde e doença do doente (Meleis et al., 2000).
O processo de transição do doente a ser submetido a transplante, inicia-se na consulta de pré-transplante A interação enfermeiro-doente visa promover, restaurar ou facilitar a saúde (Meleis, 2012). O enfermeiro habilitado a assistir as pessoas que vivem transições, trabalha com as pessoas antes, durante e após o processo de transição (Meleis, 2012).