1.3. Etki Yaklaşımları
1.3.2. Gündem Belirleme
Os catadores acreditam que, além do esforço físico e cognitivo, o trabalho na associação requer competências como “saber lidar com as diferenças”, “entender o outro”. Segundo eles, “não é possível trabalhar junto se um estiver com raiva do outro”, por isso, é importante “saber conversar”.
“Nós brigamos... quebramos o pau... mas depois você tem que colocar na cabeça ‘eu vou ficar com ele aqui todos os dia... como vou ficar com raiva dele? Ele é meu parceiro de serviço... nós é sócio... lá fora é outra coisa... então as coisas acontecem naturalmente ... eu posso ficar com raiva dele uma semana, mas um dia nós vamos ter que voltar a conversar... vamos supor se um dia o menino que está trabalhando com ele saia e eu tenho que ir para lá ajudar ele no chão... como é que eu vou trabalhar com ele lá no chão sem conversar com ele? Sendo que tem coisa que tem que fazer de dois? Então não tem como! (Triadora da Coopert)
“Aqui... você tem que aprender a aceitar os defeitos um dos outros... por mais que a gente fala e reclama... você tem que aprender a aceitar o defeito do outro...não que gere o mesmo sentimento... são sentimentos diferentes... mas se você tem um filho na sua casa... por mais que ele seja doido ou inteligente demais... você tem que aceitar ele do jeito que ele é... Não tem como você fugir disso... E aqui eu tenho que aceitar as coisa do jeito que ela é... não tem como mudar isso não... aqui é como se você estivesse convivendo com o seu filho dentro de casa... a pessoa que você ama tanto... nas empresas... eu já trabalhei muito... a gente não aceita muito não... porque o patrão não me aceita... porque eu tenho que aceitar? Ele... é o mais interessado... não aceita... eu vou ter que aceitar? Tipo assim... ela é minha colega de trabalho... numa empresa privada... E ela é ruim de serviço... o meu patrão não aceita...eu é que vou aceitar?”
Aqui, a triadora estabelece uma comparação entre a sociabilidade na família, na cooperativa e na empresa. A ideia de “liberdade”, que caracteriza essencialmente as relações de mercado, apresenta-se em contraposição aos vínculos estabelecidos na esfera da família e da associação, onde “você tem que aceitar ele do jeito que ele é...
Não tem como você fugir disso”. A noção de liberdade do mercado transforma-se em obrigação e também em dádiva (“aqui é como se você estivesse convivendo com o seu
filho dentro de casa... a pessoa que você ama tanto”).
O dom aparece como uma rede de vínculos que se reproduzem. “Eu aceito os defeitos dos outros na medida em que os meus também são aceitos” (Se nas empresas “o patrão
não me aceita... por que eu tenho que aceitar?”). O que sabemos, no entanto, é que, mesmo nas empresas privadas, o dom existe e não se delata um colega com tanta facilidade. No entanto, o que nos parece importante observar é que na empresa a hierarquia restringe a liberdade dos empregados, tornando-a meramente aparente. Independente de eu aceitar ou não, a decisão é do patrão. E os critérios ou valores utilizados pela empresa para “aceitar” um trabalhador se definem muito mais pela sua capacidade de produção do que quaisquer outros aspectos.
A associação, uma vez que busca conciliar as especificidades de seus associados às necessidades de produção, considerando a possibilidade de ajustes na esfera individual e coletiva, desenvolve espaços de comunicação entre os associados.
“...se não deu certo aqui põe de lá... ali... aí vai passando o tempo... associação tem isso. você não pode mandar embora... então você tem que experimentar em outro lugar...dar outra chance... tem gente que é assim... você vai orientando ele e... de repente... ele fica bom de serviço... é onde as reunião ajuda muito... pela conversa do outro a gente aprende a colocar as coisas no lugar... tem coisa que um fala que serve pra gente...”
(Diretor da Ascamp)
“...pra gente mandar alguém embora.. por mais que ele seja leviano... você
não vira pra ele simplesmente e fala ‘a partir de hoje você não é mais cooperado’...você vai ter que sentar... conversar... reunir com diretoria...
conversar com ele... falar ‘fulano tá assim assado e aí? ...Você aprende a conversar...” (Triadora da Coopert)
Como as decisões são tomadas pelo coletivo, o trabalho na associação requer o desenvolvimento de competências relacionadas à negociação. Algumas pessoas relatam que depois que entraram para a associação aprenderam a conversar, lidar melhor com problemas e se tornaram “menos ignorante”.
“não sei como que essas meninas me agüentou! Nossa! Tudo eu brigava xingava, falava nome feio... acho que eu tinha uma raiva dentro de mim...
eu achava que as meninas não gostavam de mim... (Triadora Ascamp)
“Eu mudei... antigamente eu era mais turrona... eu sou aborrecida até hoje... mas eu era pior...antigamente eu era mal-humorada... eu ficava sem dinheiro... nossa!! antigamente se eu tivesse com problema... eu estufava um bico desse tamanho... eu fechava a cara... eu não queria conversa... não queria rir... eu aprendi muito depois que eu vim pra cá...” (Triadora Coopert)
“Acho que é através da convivência... cada um aqui tem um dom... toda vida minha fama foi de sem-educaçona e não querer saber de nem dar bom dia para ninguém... eles cobram muito de mim... aí hoje eu lá vou aprendendo... mas tem dia que eu chego aqui e não quero olhar pra cara de ninguém... é o meu jeito... tem dia que eu não estou bem... aí eles acham que eu estou estressada por conta de alguém... mas não é... não! Mas eu já aprendi muito...tinha dia que eu não falava bom dia... não... só conversava gritando... mudei através da cobrança deles... você é obrigada a mudar... ou você muda ou está fora... elas sempre falavam que tinha que pedir ‘por favor’... ‘obrigada’... acho que foi bom ter melhorado... hoje a minha convivência aqui é melhor... antes tinha gente que nem olhava na minha cara direito porque me achava sem-educaçona... todo mundo tem alguma coisa pra ensinar aqui dentro” (Diretora da Coopert).
Os associados avaliam que o trabalho na cooperativa ou associação, atualmente, é mais reconhecido socialmente que outras atividades como, por exemplo, a de trabalhadora doméstica. Alguns atribuem tal reconhecimento à história de luta e organização social, especialmente através do Movimento Nacional dos Catadores. “Aqui a gente é
reconhecido... a gente trabalhar pro meio ambiente” (Triadora da Ascamp).
O trabalho da gente aqui é muito sofrido mesmo... (...) aqui tem coisas que você adquire...condições... entre nós... nós somos mais bem reconhecido... lá fora [na empresa privada] você não é reconhecido igual aqui dentro...
nós dá valor ao nosso serviço... nós! Se nós tivesse trabalhando para outro... eles não estariam dando valor em nós... E ganhando pouco... né! Nós se acha o máximo trabalhando aqui... Mesmo que as pessoas não reconheçam, eu não deixo elas arrancar isso de dentro de mim, não... Eu ando de cabeça erguida... (Triadora da Coopert)