1.4. MALLARIN SERBEST DOLAŞIMININ UYGULAMA ALANI
1.4.3. Gümrük Birliği
1.4.3.4. Ortak Gümrük Tarifesi
Foi utilizado um delineamento inteiramente casualizado (DIC), onde foram comparados entre as raças (MN x SI):
- peso vivo e escore da condição corporal (ECC) médio durante as semanas de suplementação;
- ganho de peso semanal médio do início da suplementação até o momento da IATF (GPIIATF) e do momento da IATF até o final da suplementação (GPIATFF);
Os dados referentes ao peso vivo e ganho de peso semanal (GPS) foram analisados pelo procedimento GLM do programa estatístico do SAS versão 9.0 para verificação do efeito da raça, da semana de suplementação e da classe de escore da condição corporal (1,0 a 2,0; 2,5 e 3,0; 3,5 a 5,0). As médias dos efeitos significativos foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Adotou- se o seguinte modelo:
Yijm = + ci + rj + eijm, Y= Peso, GPS;
= média geral do peso, GPS e ECC;
ci = classe de escore corporal (i= 1,0 a 2,0; 2,5 a 3,0; 3,5 a 5,0); rj = efeito do grupo genético (j= SI e MN);
eijm = erro associado a cada observação.
Os dados do ECC foram analisados por modelo semelhante ao mencionado anteriormente, excluindo o efeito da classe de ECC. Para verificar a relação de peso e ECC foi realizado um estudo de correlação de Pearson entre peso e ECC.
O desempenho reprodutivo foi avaliado pelas seguintes variáveis:
- porcentagem de ovelhas em início do estro após 12, 24, 36 e 48 horas do final do protocolo hormonal de indução de estro;
- taxa de apresentação de estro após final do protocolo hormonal de indução de estro (nº de fêmeas que apresentaram estro/nº de fêmeas expostas ao protocolo hormonal x 100);
- taxa de apresentação do estro durante o repasse com monta natural (nº de fêmeas que apresentaram estro após IATF/nº de fêmeas expostas ao protocolo hormonal x 100);
- taxa de prenhez resultante da IATF (nº de fêmeas prenhe da IATF/nº de fêmeas expostas a IATF x 100);
- taxa de prenhez resultante de monta natural durante o repasse (nº de fêmeas prenhe de monta natural/nº de fêmeas não prenhe da IATF x 100);
- taxa de prenhez total da estação de cobertura (nº de fêmeas prenhe da IATF + nº de fêmeas prenhe do repasse/nº de fêmeas exposta a estação reprodutiva x100);
- porcentagem de partos múltiplos (nº de fêmeas que pariram mais de um cordeiro/nº de fêmeas total que pariram x 100).
Esses dados de desempenho reprodutivo foram comparados entre as raças e entre as três classes de ECC das ovelhas no momento de manifestação de estro e da concepção pelo teste exato de Fisher a 5% de probabilidade no programa estatístico SAS versão 9.0. A porcentagem de partos múltiplos foi também comparada entre prenhez resultante da IATF e prenhez de monta natural durante o repasse.
2.3 Resultados
O peso corporal das ovelhas durante a estação reprodutiva variou em função da raça, semana de suplementação e classe de escore da condição corporal (p<0,001) (Tabela 1).
Não foi verificada interação de raça e classe de ECC (F= 0,78; p=1,03), e de raça e semana de suplementação (F= 0,54; p=0,77), indicando que o efeito da semana de suplementação foi semelhante entre as raças (Tabela 1).
De maneira independente da raça, as ovelhas apresentaram maior peso médio na quinta (38,84±1,62 kg) e sexta (38,80±1,55 kg) semana de suplementação (Tabela 1), semanas seguintes à realização da IATF.
O comportamento do ECC durante as semanas de suplementação foi semelhante ao comportamento do peso (Tabela 1), com maior ECC médio das ovelhas na quinta (2,94 ± 0,08) e sexta (2,80 ± 0,06) semana de suplementação (Tabela 1). Esta semelhança pôde ser observada também pela diferença (p<0,001) de peso médio obtido entre as classes de ECC (Tabela 1), com animais com menor ECC (1,5) apresentando menor peso.
Tabela 1. Médias e erro padrão da média do peso (kg) e escore da condição corporal (ECC) das ovelhas Morada Nova de Santa Inês em função dos efeitos da raça, semana de suplementação e classe de ECC durante a estação de cobertura.
EFEITOS PESO (KG) ECC
Raça Morada Nova 27,71 ± 0,76 b 2,74 ± 0,11ª Santa Inês 46,76 ± 1,69 a 2,72 ± 0,11ª F 958,39** 0,23 Semanas de suplementação 1ª 34,40 ± 1,50b 2,50 ± 0,10b 2ª 36,31 ± 1,60ab 2,73 ± 0,08ab 3ª 37,81 ± 1,70ab 2,74 ± 0,07ab 4ª 38,06 ± 1,69ªb 2,85 ± 0,07ab 5ª 38,84 ± 1,62ª 2,94 ± 0,08ª 6ª 38,80 ± 1,55ª 2,80 ± 0,06a 7ª 37,74 ± 1,71ab 2,68 ± 0,06ab 8ª 37,70 ± 1,64ab 2,68 ± 0,06ab F 3,47** 4,32** Classe de ECC 1,0 – 2,0 36,03 ± 2,04c - 2,5 – 3,0 39,87 ± 0,59b - 3,5 – 5,0 44,63 ± 1,59ª - F 38,89** - Média Geral 37,79 2,73 CV 16,41 17,73
Semana da sincronização de estro e IATF, **p<0,001, CV=coeficiente de variação. amédias seguidas de letras distintas diferem na coluna para o mesmo efeito (Tukey, p<0,05%)
A correlação entre peso e ECC foi confirmada pela análise estatística de correlação de Pearson (r=0,29, p<0,001). Quando analisada a correlação entre peso e ECC para cada raça foi obtido coeficiente de correlação para raça MN de 0,42 e para raça SI de 0,58, indicando maior correlação entre as variáveis quando analisada por raças.
De maneira geral foi observado que a suplementação alimentar durante a estação de cobertura levou a um aumento significativo de peso dos animais e uma melhora no ECC (Tabela 1, Figura 2). Na Figura 2 pode-se ainda observar que no momento da IATF o rebanho apresentava maior número de animais com ECC 2,5 e 3,0 do que no início da suplementação (66,7% e 24,5%, respectivamente). Apenas alguns animais com ECC 1,5 e 2,0 (7,8%) e um número intermediário de animais com ECC entre 3,0 e 5,0 (27,4%), demonstrando uma padronização da condição corporal das ovelhas no momento da fertilização e possível concepção.
0 5 10 15 20 25 1,5-2,0 2,5-3,0 3,5-5,0 1,5-2,0 2,5-3,0 3,5-5,0 1,5-2,0 2,5-3,0 3,5-5,0
ECCI ECCIATF ECCF
N º d e ov e lh as MN SI
Figura 2. Número de ovelhas Morada Nova (MN) e Santa Inês (SI) em cada classe de escore da condição corporal no início do “flushing” (ECCI), no momento da IATF (ECCIATF) e no final do “flushing” (ECCF).
Com relação ao ganho de peso das ovelhas durante a estação de cobertura (Tabela 2), a análise de variância mostrou que este não sofreu influência de raça (F=0,01, p=0,93), mas houve efeito das semanas de suplementação (F=24,06, p=0,01). Sendo que, um efeito de interação entre raça e semanas de suplementação (F=8,39, p<0,001) foi também verificado.
Do início da suplementação ao momento da IATF houve um considerável ganho de peso semanal para as duas raças, sendo que para as ovelhas SI o ganho de peso foi maior na primeira e segunda semana de suplementação (1,58±0,30 e 2,39±0,19 kg, respectivamente). Resultado diferente (p<0,05) do ganho de peso da
segunda semana de suplementação das ovelhas MN, quando tiveram um ganho de peso semanal de apenas 0,33±0,27 kg.
Tabela 2. Ganho de peso médio semanal (kg) e erro padrão da média das ovelhas do início do “flushing” até o final da estação de cobertura.
Semanas de suplementação
Raça
Morada Nova Santa Inês
1ª 2ª 3ª 0,83 ± 0,20ªA 1,58 ± 0,30ªA 0,33 ± 0,27ªB 2,39 ± 0,19ªA 0,15 ± 0,18ªA 0,62 ± 0,28abA 4ª 1,04 ± 0,26ªA 0,88 ± 0,21abA 5ª 6ª 7ª 0,34 ± 0,21ªA - 0,09 ± 0,29bA - 0,50 ± 0,45bB - 1,33 ± 0,40cA - 0,35 ± 0,28ªA - 0,98 ± 0,53bA 8ª -0,28 ± 0,17aA -0,12 ± 0,21bA Média geral 0,47 0,54 CV 297,76 305,64
Semana da sincronização de estro e IATF. CV= coeficiente de variação. aAMédias seguidas de letras distintas, minúsculas na coluna e maiúscula na linha, diferem estatisticamente (teste de Tukey, p<0,05%).
Após a IATF até o final da suplementação (da 4ª a 8ª semana da estação de cobertura) foi observado ganho de peso apenas durante a primeira semana para ovelhas MN (0,34 ± 0,21kg), sendo que nas últimas semanas de suplementação foi observada uma perda de peso dos animais (Tabela 3). A perda de peso após a IATF foi maior durante a sexta semana de suplementação, com diferenças significativas das demais semanas (p<0,05), sendo que nesta semana as ovelhas SI perderam mais peso (-1,33 ± 0,40 kg) do que as ovelhas MN (-0,50 ± 0,45) (p<0,01).
A taxa de manifestação de estro após sincronização com protocolo a base de esponja MAP, eCG e cloprostenol está apresentada na Figura 3. O resultado do protocolo de sincronização de estro demonstrou-se eficiente na indução do estro
para ovelhas MN e SI (p>0,05), sendo que 88,24% das ovelhas apresentaram estro até 48 horas após a retirada de esponja MAP.
Houve diferença significativa quanto ao período de manifestação de estro entre as ovelhas Morada Nova e Santa Inês (p<0,01), sendo que 37,50% das ovelhas MN apresentaram estro 24 horas após a retirada da esponja, enquanto que 55,56% das ovelhas Santa Inês apresentavam comportamento de estro 36h após a retirada da esponja (p<0,05, Figura 3). No grupo de ovelhas MN, observou-se ainda maior dispersão do momento de início do comportamento de estro, com ovelhas iniciando o comportamento de estro em todos os períodos analisados.
Figura 3. Porcentagem de detecção de estro em ovelhas Morada Nova e Santa Inês após 12, 24, 36 e 48 horas da retirada de esponja de progestágeno (MAP) e do período total. * diferença entre as raças no período (teste exato de Fisher, p<0,05).
Não foi observada diferença (p>0,05) quanto ao período de manifestação de estro entre animais de diferentes classes de ECC, sendo que durante a semana de sincronização de estro haviam 24 animais com ECC≤2,5 e 30 animais com ECC≥3,0. Destes, apenas 2 animais com ECC≤ 2,5 e 8 animais com ECC≥3,0 manifestaram estro 12h após o final do PH. As 24h após final do PH, 7 e 5 animais das respectivas classes de ECC manifestaram estro. As 36h após o final do PH, 11 e 12 animais, das respectivas classes de ECC manifestaram estro. E apenas 2 animais com ECC≥3,0 manifestaram estro após 48h do final do PH.
(4/27) * (9/24) (15/27) (7/24) (3/24) (2/24) (20/24) (25/27) (4/27) *
A taxa de prenhez resultante da IATF (PIATF, Tabela 3) não foi diferente (p>0,05) entre as ovelhas das duas raças (MN e SI), tendo como resultado de prenhez por IATF de 31,37% de ovelhas prenhes.
A taxa de retorno ao estro após a IATF foi maior (p<0,05) no grupo de ovelhas SI (55,56%) do que no grupo de ovelhas MN (20,83%), no entanto a taxa de prenhez do repasse não diferenciou (p>0,05) entre as raças (Tabela 3). Pelos resultados apresentados na Tabela 3, nota-se que apesar de apenas 5 animais manifestarem estro durante o período de 30 dias de repasse, 7 animais MN apresentaram prenhez positiva após o repasse, dado verificado pelo diagnóstico de gestação por ultrassom e confirmado pela data do parto.
Tabela 3. Taxas de prenhez por IATF (PIATF), de retorno ao estro (RETE), de prenhez após repasse (PREP) e de prenhez total (PT) durante a estação reprodutiva de ovelhas Morada Nova e Santa Inês.
RAÇA PIATF % (nº/nºtotal) RETE % (nº/nºtotal) PREP % (nº/nºtotal) PT % (nº/nºtotal) Morada Nova 33,33 (8/24)a 20,83 (5/24)b 43,75 (7/16)a 53,33 (14/24)a Santa Inês 29,56 (8/27)a 55,56 (15/27)a 63,15 (12/19)a 74,07 (20/27)a Total 31,37(16/51) 39,32 (20/51) 54,28 (19/35) 66,66 (34/51) a
Médias seguidas de letras distintas diferem nas colunas (teste exato de Fisher, p<0,05).
Na Tabela 4 estão demonstradas as taxas de manifestação de estro, de prenhez por IATF e de prenhez após repasse de acordo com o escore das ovelhas no momento da concepção (IATF ou repasse). O ECC não influenciou na taxa de manifestação de estro (p>0,05), no entanto interferiu nas taxas de prenhez (p<0,05), sendo que a maior (p<0,05) taxa de prenhez do repasse foi observada em animais com ECC maior do que 3,0 (Tabela 4). Por outro lado a porcentagem de prenhez resultante da IATF foi menor nos animais nesta mesma classe de ECC (3,5 – 5,0).
Tabela 4. Taxa de estro (ESTRO), de prenhez por IATF (PIATF) e prenhez após monta natural no repasse (PREP) de acordo com o ECC no momento.
ECC ESTRO % (nº/nºtotal) PIATF % (nº/nºtotal) PREP % (nº/nºtotal) 1,0 - 2,0 80,00 (4/5)a 40,00 (2/5)a 0,00 (0/5)b 2,5 – 3,0 93,75 (30/32)a 40,63 (13/32)a 62,50 (15/24)a 3,5 – 5,0 78,57 (11/14)a 7,14 (1/14)b 100,00 (4/4)a a
Médias seguidas de letras distintas diferem entre as classes de escore da condição corporal (teste exato de Fisher, p<0,05%).
Com relação à porcentagem de partos múltiplos, foi observado que 35,3% das ovelhas estudadas pariram mais de um cordeiro, sendo que 15,8% destas pariram 3 cordeiros e o restante dois cordeiros. Não foi observado efeito do ECC e da raça das ovelhas sobre a porcentagem de partos múltiplos(Figura 4).
0 20 40 60 80 MN SI P a r to s m ú lt ip lo s ( % ) Raça 1,0-2,0 2,5-3,0 3,5-5,0 CECC IATF REP Prenhez
Figura 4. Porcentagem de partos múltiplos de acordo com a raça, origem da prenhez e classe de escore da condição corporal (CECC). (nº/nº total). * diferença significativa para o mesmo efeito pelo teste exato de Fisher (p<0,05).
No entanto, obteve-se maior (p<0,05) porcentagem de partos múltiplos de ovelhas prenhes por IATF (62,5% das ovelhas inseminadas) do que de ovelhas prenhes durante o repasse (26,3% das ovelhas cobertas).
(8/24) (10/27) (1/5) (9/22) (4/8) * * (10/16) (5/19)
2.4 Discussão
A utilização de “flushing” no manejo reprodutivo de ovelhas tem como objetivo fazer com que estas entrem no período de acasalamento ganhando peso, melhorando seu ECC, com o propósito de aumentar a taxa de ovulação e fecundação (BRANCA et al., 2000).
Sendo assim, a mensuração do peso corporal em ovinos durante esta fase faz parte do manejo reprodutivo. No entanto o peso corporal é variável com a raça, presença ou ausência de lã, estado gestacional e conteúdo gastrointestinal (NRC, 2007). No caso do presente estudo o fator raça provavelmente foi o maior responsável pela diferença do peso corpóreo entre as ovelhas do estudo, já que ovelhas MN apresentam porte menor do que ovelhas SI.
Apesar da diferença de peso entre os animais, verificou-se o aumento do peso das ovelhas de ambas as raças durante as semanas de suplementação, o que demonstra o efeito do “flushing”. Resultados semelhantes ao encontrado por Catunda (2011), que também verificou um maior peso em ovelhas MN e SI após 4 e 5 semanas de suplementação durante a estação de cobertura.
Como já esperado, da mesma forma que o “flushing” influenciou no aumento de peso dos animais, melhorou também a condição corporal. A correlação positiva entre peso e ECC verificada no presente estudo foi também demonstrada por outros autores (MORI et al., 2006, MAGALHÃES et al., 2007 e CATUNDA , 2011). No entanto, de forma diferente do resultado do presente estudo que verificou correlações semelhantes entre essas variáveis para ovelhas MN e SI, Catunda (2011) demonstrou que o peso corporal e o ECC em ovelhas MN apresentaram maior correlação (r=0,59) do que a observada em ovelhas mestiças SI (r=0,37). Sendo assim, o ECC pode ser considerado uma ferramenta precisa para avaliação da condição nutricional de ovelhas deslanadas.
O ECC reflete a quantidade de tecido muscular e adiposo armazenado no corpo do animal em determinado momento do seu ciclo produtivo/reprodutivo (CEZAR; SOUSA, 2006) e a condição corporal das ovelhas antes, durante e logo
após o acasalamento influencia na porcentagem de prenhez e no número de cordeiros nascidos no rebanho (RIBEIRO, 2003; SIMPLÍCIO; SANTOS, 2005, VIÑOLES, 2005). Devido a isto, o ganho de peso e a melhora da condição corporal pode levar a melhor eficiência reprodutiva destas ovelhas, o que faz do ECC uma ótima ferramenta para avaliação dos animais durante o manejo reprodutivo (CEZAR; SOUZA, 2006). Para esta avaliação deve-se considerar que ECCs muito baixos ou muito altos no início do período de monta são indesejados. Já flutuações na condição corporal durante a estação de cobertura, fruto do aporte de energia, têm efeito dinâmico na reprodução, desde que a ovelha se encontre em ECC intermediários (MELLADO et al., 2004; CEZAR; SOUZA, 2006).
Conforme Cezar e Souza (2006) o efeito dinâmico do peso na reprodução está associado às mudanças da condição corporal ou peso vivo por aumento do consumo energético em curto prazo, enquanto que o efeito estático ou em médio prazo está associado à condição corporal ou ao peso vivo alcançado pela ovelha no momento da cobertura como resultado do consumo de energia durante todo o período do ciclo produtivo.
Vários fatores, desde ambientais como individuais, interferem no ganho ou perda de peso dos animais e, assim, acabam interferindo também no efeito estático ou dinâmico do ganho de peso na reprodução. No presente estudo, foi observado ganho ou perda de peso diferente entre as ovelhas MN e SI durante as semanas de suplementação. Pode-se supor que as ovelhas SI com escore menor que 2,0 no início da suplementação apresentaram uma maior conversão alimentar nas primeiras semanas de suplementação, levando a um maior ganho de peso em um curto período de tempo, em comparação com as ovelhas MN.
Sabe-se também que a suplementação alimentar antes e durante a estação de monta influencia principalmente ovelhas que possuem condição corporal baixa no período de pré-acasalamento (CEZAR; SOUZA, 2006). Além disso, segundo MORI (2006), animais de maior porte como as ovelhas SI possuem maior facilidade de ganho de peso, outro fato que pode explicar o maior ganho de peso inicial destas ovelhas.
Por outro lado, da mesma forma que as ovelhas SI apresentaram um maior ganho de peso nas primeiras semanas de suplementação, também apresentaram
uma maior perda de peso nas últimas semanas de suplementação. Veloso (2008) obteve resultados semelhantes ao realizar diferentes suplementações durante a estação reprodutiva de ovelhas SI, MN e Rabo Largo e verificou que ovelhas SI também apresentaram maior perda de peso, o que atribuiu à influência de fatores externos, como o meio ambiente, e maior sensibilidade da raça SI à alta temperatura e pastagem de má qualidade. Estes mesmo fatores parecem ter influenciado esta perda de peso, já que a 5ª semana de suplementação ocorreu no início de outubro e de acordo com dados do INMET (2012) durante todo mês de setembro e primeira semana de outubro foi constatado temperatura média de 36ºC e precipitação pluviométrica de apenas 5mm.
Além disso, a perda de peso pode também ser atribuída a fatores de manejo, já que depois da realização da sincronização a IATF estes animais começaram a ser manejados diretamente para a realização de observações de estro, com aumento de cortisol e diminuição da ingestão de alimentos.
O ganho de peso e condição corporal no momento da estação reprodutiva influencia nas respostas às biotécnicas reprodutivas, como na sincronização de estro e ovulação com protocolos hormonais e no resultado da IATF (RODRIGUES, 2010).
O protocolo de sincronização de estro a base de progestágeno, eCG e cloprostenol foi eficiente na indução do estro, com taxa de estro até 48 horas do final do protocolo, semelhante ao encontrado por Rodrigues et al. (2008) e Silva et al., (2010), que utilizaram os mesmo hormônios para a sincronização de estro em ovelhas deslanadas. No entanto, o protocolo hormonal de sincronização não foi eficiente para concentrar o estro dos animais, resultando ainda em uma maior dispersão do momento de apresentação do estro entre as ovelhas MN. Segundo Dias et al (2001) e Silva (2010) a maior concentração de estro de ovelhas deslanadas se dá às 48 horas da retirada da esponja, o que não corresponde ao observado neste trabalho, onde foi verificada uma grande porcentagem de ovelhas apresentando estro em 24 a 36 horas do final do protocolo.
Padilha (2007) verificou um início de apresentação de estro após 34h da retirada da esponja MAP e aplicação de eCG em ovelhas sem padrão de raça definido e considerou que a utilização de eCG na retirada da esponja adiantou o início do estro pelo fato de aumentar a concentração de estrógeno após estimular o
crescimento de folículos, induzindo assim, o comportamento de estro e o pico pré- ovulatório de LH. Fato também discutido por Dias, 2001 e Neves e Luz, 2004 em estudos semelhantes. Assim, a concentração de maior número de manifestações de estro antes das 36 horas após final do protocolo hormonal verificada neste estudo pode ser explicada pela aplicação de eCG.
Alguns estudos verificaram o tempo de início de apresentação de estro de acordo com o tipo de dispositivo de progesterona (ROMANO, 2004; OMONTESE et al., 2010, PADILHA et al., 2011) e discutem que dispositivos a base de progesterona natural (CIDR) resultam em melhor concentração e antecipação do estro quando comparados a dispositivos a base de progestágenos sintéticos (MAP e FGA), o que pode ser explicado por uma metabolização mais rápida da progesterona natural e uma maior especificidade desta no eixo hipotálamo-hipofisário. Por outro lado, Hashemi; Safdarian e Kafi (2006) obsevaram intervalo do fim do tratamento ao início do estro semelhante aos encontrados neste estudo, tanto em ovelhas sincronizadas com CIDR® como nas sincronizadas com esponjas contendo MAP (30,1 ± 7,6 e 29,6 ± 5,6 horas, respectivamente), não havendo diferença significativa entre esses valores.
Desta forma, a apresentação precoce de estro do presente estudo não pode ser atribuída ao tipo de dispositivo de progestágeno utilizado, mas pode-se suspeitar que a falta de sincronização na apresentação de estro e a baixa taxa de prenhez obtida da IATF possa ter sido uma consequência da baixa metabolização da MAP, levando este progestágeno a agir de maneira ineficiente no eixo hipotálamo- hipofisário de alguns animais. No entanto, para esta afirmação mais estudos verificando a metabolização deste progestágeno (MAP) devem ser realizados em ovelhas deslanadas.
A eficiência final do protocolo hormonal para sincronização de estro e IATF deve ser verificada pelo resultado da taxa de prenhez obtida, sendo que Simplício; Freitas e Fonseca (2007) consideram que a massificação da IA como prática de manejo reprodutivo está na dependência do uso de uma única inseminação artificial em tempo fixo (IATF) com resultado de fertilidade ao parto, mínima, de 60,0%. Desta forma, apesar da taxa de prenhez deste estudo ter sido semelhante a de alguns outros estudos que realizaram IATF em ovelhas (FERNANDES; BUCHANAN e
VILLARROEL, 2001; MARTIN, 2008; BIEHL, 2009), não se pode considerar que tenha sido uma taxa de prenhez satisfatória, principalmente quando verifica-se por alguns autores resultados de 60 a 80% de prenhez após IATF (GÓMEZ-BRUNET et al., 2007; PADILHA, 2011; SANTOS et al., 2011).
Esta variação dos resultados de taxa de prenhez após IATF encontrados na literatura pode ser explicada pela utilização de diferentes tipos de protocolo hormonal de sincronização de estro, raças e condições nutricionais das fêmeas (OZYURTLU; KUCUKASLAN; CETIN, 2010; SANTOS et al., 2011). Da mesma forma, o grau de experiência do profissional que realiza a inseminação também deve ser considerado, já que há uma dificuldade da técnica de IA na espécie ovina pela anatomia da cerviz (KERSHAW, 2005).
Além da interferência de todos estes fatores, a ocorrência do início do estro até 24h após a retirada da esponja MAP em 22 ovelhas do presente estudo (43,2% do rebanho) pode ter levado a ausência de fertilização ou fertilização de oócitos envelhecidos, resultando na baixa taxa de prenhez obtida da IATF. Isto porque a IATF foi realizada aproximadamente 56h após retirada da esponja MAP e em ovinos, o estro possui duração curta, de aproximadamente 24-30 horas. A ovulação ocorre no terço final do estro e o oócito tem viabilidade de 16 a 24 horas após a ovulação, sendo que desenvolvimentos anormais e baixa viabilidade dos embriões aumentam