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A base de dados para os testes deste capítulo conta com informações não balanceadas para 134 países de todos os continentes69. Diversas bases foram compiladas para fornecer informações mais completas para identificação da relação de interesse: COMTRADE, Easterly (2005), World Development Indicators (WDI) e a Penn World Table 6.3. As definições das variáveis, fonte e cobertura dos dados são resumidas na TAB. A1, assim como as estatísticas básicas das

variáveis em uso (QUADRO A1), ambas no ANEXO deste trabalho. A amostra e subamostras de países são apresentadas no QUADRO A2 também no ANEXO. Na medida em que este estudo almeja identificar uma relação de longo prazo, a definição do período de análise é de fundamental importância. Em sua dimensão temporal, a base de dados conta com informações anuais para o período entre 1976 e 2007. Para as estimações econométricas, no entanto, utilizar-se-á médias quadrienais destes dados, de forma que o processo de mudança estrutural possa ser captado70. A opção por períodos de quatro anos se deve ainda à disponibilidade dos dados, que assim agregados geram 8 observações para cada unidade. Ademais, o uso de médias para grupos de anos ajuda a minimizar o problema potencial de não estacionariedade das séries (WOOLDRIDGE, 2001), comuns em paineis longos (com grande número de observações temporais relativamente às observações cross-section).

5.2.1 Mudança Estrutural e Estrutura Produtiva

O presente Capítulo faz uso do indicador de Eficiência Schumpeteriana para mensurar a “qualidade” da estrutura produtiva nacional. Objetiva-se dessa forma, como descrito no Capítulo anterior, avaliar o impacto do câmbio real (em suas diferentes manifestações – nível e volatilidade) na especialização comercial em setores de maior conteúdo tecnológico (em detrimento daqueles de menor conteúdo tecnológico).

A fim de viabilizar o cálculo do indicador, os dados anuais de exportações e importações do COMTRADE, desagregados segundo classificação SITC 2 a dois e três dígitos, para o período entre 1976 e 2007, foram reclassificados segundo o

70 A literatura tende a adotar períodos quinquenais para estudos em painel. Não obstante, como a análise a ser desenvolvida procura estudar os efeitos de uma variável de grande volatilidade sobre a estrutura produtiva, justifica-se a opção por períodos mais curtos de tempo.

conteúdo tecnológico da pr apresentadas na TAB. A2, O GRAF.1, a seguir, ilustra um dos setores da class volatilidade destas taxas d qualquer setor. Não obsta percepção na FIG.1), com produtos primários (PP) e manufaturas geralmente in uma taxa média de crescim respectivamente). A taxa d commodities baseadas em respectivamente), enquanto apresentam as menores tax GRÁFICO 1 - Evolução da

de Lall (2

Fonte dos dados básicos: COMTRADE

71 Para verificação dos setores incluíd

-1 0 1 2 19 77 1 97 9 19 81 19 8 3 1 98 5 1 98 7 1 98 9

produção, de acordo com Lall (2001). As agre , no ANEXO71.

tra a evolução da taxa de crescimento mund ssificação em uso. É possível notar que

de crescimento setoriais, sem grande de tante, é importante ressaltar alguns padrõe mo o fato de que as taxas de crescimento e a de bens não classificados (NC) – co

intensivas em capital e/ou capital humano – imento no período muito superior aos demais de crescimento dos setores de alta tecnolog m recursos naturais vêm na sequência (1 nto os setores de média (1,23) e baixa tecno taxas de crescimento no período.

das Taxas de Crescimento dos Setores da Cl l (2001): amostra completa, 1977-2009

cluídos em cada categoria e referência dos códigos, consulta

1 98 9 1 99 1 19 9 3 19 9 5 1 99 7 1 99 9 2 00 1 20 03 2 00 5 20 07 20 09 regações são ndial de cada e há grande estaque para ões (de difícil o do setor de composto por apresentam is (1,4 e 1,34, ogia (HT) e de (1,28 e 1,24, nologia (1,17) Classificação ultar Lall (2001). PP NRBM LT MT HT NC

Destarte, é possível identificar uma hierarquia das taxas de crescimento dos comercializáveis industrializados, onde os mais tecnológicos tendem a ter uma demanda mais dinâmica (embora a taxa de crescimento dos setores de produtos primários e de manufaturas baseadas em recursos naturais estejam entre as mais elevadas em todo o período). Cabe ressalvar, por outro lado, que a variância (medida de volatilidade) da taxa de crescimento para os setores acompanham o mesmo ordenamento anterior, com grande destaque para o setor de produtos primários que apresenta uma volatilidade da taxa de crescimento (0,162) significativamente mais alta que os demais setores (0,13; 0,118; 0,09; 0,08; 0,05, respectivamente).

Estes resultados sugerem que a “melhor” especialização produtiva – em termos do crescimento anual que ela proporciona – é a menor especialização, i.e; a maior diversificação da base produtiva. Tendo em vista que uma estrutura mais diversificada é, em geral, um privilégio das economias com um Sistema Nacional de Inovação relativamente consolidado (uma economia capacitada a produzir bens de alta tecnologia geralmente é também hábil para produzir bens de menor tecnologia, mas a recíproca não é verdadeira), o Indicador de Eficiência Schumpeteriana apresenta um bom indicativo da “qualidade” da estrutura produtiva do país.

O GRAF. 2 ilustra a evolução deste indicador de Eficiência Schumpeteriana para os países em desenvolvimento e para os países da OCDE. Conforme se observa, embora suave, há uma clara tendência de apreciação do indicador ao longo dos anos. Mais importante, no entanto, é o degrau entre o nível do indicador para os países em desenvolvimento e aqueles desenvolvidos, o que reflete a grande dependência dos países em desenvolvimento das importações de bens de alta tecnologia e/ou incapacidade destes em aumentar as exportações destes bens. Em outros termos, pode-se afirmar que estes países são incapazes de produzir tais bens de forma competitiva.

GRÁFICO 2 - Evolução dos Indicadores de Eficiência Schumpeteriana: Países em Desenvolvimento x OCDE, 1977-2007

Fonte dos dados básicos: COMTRADE

É possível notar ainda que o processo de convergência do indicador entre os países em desenvolvimento e aqueles da OCDE é revertida no início da década de 2000, quando há uma inflexão do indicador para os países em desenvolvimento. Desagregando estes dados pelos distintos grupos de países verificamos que no ano de 2001 há um grande aumento da participação das exportações dos setores de alta tecnologia relativamente à participação destes setores nas importações dos países asiáticos. Já nos anos de 2002 e 2003 o mesmo fenômeno ocorre com os países da OCDE, embora em menor proporção. Os países da América Latina e ex-URSS, por sua vez, não apresentam qualquer tendência no período.