1.2 Tarihsel Süreç İçerisinde Şöhret Kültürü
2.1.1 Eleştirel Ekonomi Politik ve Şöhret Kültürü
Imediatamente após seu lançamento, o modelo de crescimento da ELCC recebeu importantes críticas por parte de Thirlwall (1979) e outros autores que, embora simpáticos à abordagem kaldoriana, acreditavam que o modelo ignorava o importante papel da demanda por importações e da condição de equilíbrio do balanço de pagamentos. Especificamente, “no consideration is given to the possibility that the rate of growth of income determined by the model may generate a rate of growth of imports in excess of the rate of growth of exports, thereby imposing a constraint on the export-led growth rate if balance of payments equilibrium must be preserved” (THIRLWALL E DIXON, 1979, p. 173).
Neste caso, para os autores, a restrição do balanço de pagamentos não eliminava a importância das exportações para a determinação do crescimento do produto no longo prazo, uma vez que o maior crescimento das exportações permitiria o maior crescimento das importações sem o risco crônico de desequilíbrio no BP. Não obstante, Thirlwall e Dixon (1979) mostraram que sob certas hipóteses, o mecanismo retroalimentador da causação cumulativa é frustrado e a taxa de crescimento consistente com o equilíbrio no BP é determinada somente pela renda externa e pela razão das elasticidades-renda da demanda por exportações e importações, independentemente da Lei de Verdoorn. Seu modelo original é composto por três equações, aqui já expressas em taxas de crescimento:
(7) ε (8) 7 = 8 + − + πy; (9) 7 + + = +
As equações (7) e (8) representam as funções de demanda por exportações e importações, respectivamente. A variável x denota a taxa de crescimento das exportações, m o crescimento das importações, pd e pf são as taxas de variação
dos preços domésticos e estrangeiros, é a taxa de variação do câmbio nominal, é a taxa de crescimento da renda do resto do mundo, y é a taxa de crescimento do produto real, η (< 0) é a elasticidade-preço da demanda por exportações, ψ (<
0) é a elasticidade-preço da demanda por importações, ε é a elasticidade da
renda mundial em relação às exportações, e é a elasticidade-renda da demanda por importações. A equação (9), por sua vez, é a condição de equilíbrio do balanço de pagamentos.
Resolvendo o sistema de equações (7) a (9), obtemos a taxa de crescimento consistente com o equilíbrio no BP (omitindo os subscritos de tempo para facilitar a exposição):
(10) (<=>=?)@ABCADCEF=GHI
A solução para o modelo BPCG é quase sempre referenciada como lei de Thirlwall29. Decorre deste resultado que: (i) uma taxa de inflação doméstica
superior à externa reduz a taxa de crescimento com equilíbrio do BP se
ψ
+η
>1,i.e; seja válida a condição de Marshall-Lerner30; (ii) uma depreciação cambial (
e
29 Para tornar esse referencial mais afeito à realidade dos países em desenvolvimento, o modelo original foi ampliado para incluir a possibilidade de financiamento do BP através de fluxos de capital (Thirlwall e Hussain, 1982; McCombie e Thirlwall, 1997; Barbosa-Filho, 2001; Moreno-Brid, 2003). Embora importantes, a análise empírica tem demonstrado que os efeitos destes componentes são secundários relativamente ao papel das elasticidades, particularmente porque os países não podem financiar déficits no BP indefinidamente.
30 A condição de Marshall-Lerner é referenciada como a razão técnica pela qual uma depreciação na moeda de um país não necessariamente determinará uma melhora no seu balanço de pagamentos. Para que uma
>0) tende a aumentar a taxa de crescimento com equilíbrio do BP se
ψ
+η
>1;(iii) quanto maior taxa de crescimento da renda mundial maior a taxa de crescimento com equilíbrio do BP; (iv) quanto maior a elasticidade-renda da demanda por importações (π ), menor a taxa de crescimento com equilíbrio do BP.
A versão mais usual e simplificada da Lei de Thirlwall, no entanto, depende de algumas hipóteses adicionais: (i) a conta corrente precisa ser equilibrada no longo prazo, i.e; não existem fluxos de capitais capazes de financiar o endividamento dos países31; e (ii) não há mudanças nos preços relativos a longo prazo, i.e; assume-se a validade da paridade do poder de compra (PPC), de tal forma que os preços relativos entre os bens internos e externos não se altera32. Esta última
hipótese é fundamental para a exclusão da possibilidade causação circular cumulativa no modelo uma vez que neste caso qualquer ganho de produtividade será compensado tanto pela apreciação da taxa de câmbio como por um aumento nos preços domésticos33.
Ao se assumir o fato estilizado de que não há alteração de preços relativos, com a inflação interna igual à internacional ( 0 ), a equação pode ser
desvalorização da moeda tenha impacto positivo na balança comercial, a soma de elasticidade-preço das exportações e importações (em valor absoluto) deve ser maior que 1.
31 Thirlwall e Russain (1982) e Moreno-Brid (1998) apresentam versões alternativas para ampliações do modelo básico para o caso citado.
32 Thirlwall e Hussain (1982) aceitam que as mudanças nos preços de exportação (que, em seu modelo, são os mesmos que os preços domésticos) podem ser significativos para os países em desenvolvimento, mas apenas na medida em que afetam o valor real das entradas financeiras líquidas, medidas em moeda doméstica e não por razões de causalidade cumulativa (que são implicitamente excluídas pela suposição de PPC e, mesmo, são consideradas menos importantes para os países em desenvolvimento já que, historicamente, são especializados em produtos primários).
33 Alternativamente, Thirlwall e Dixon (1979) apontam que o mesmo resultado é alcançado se as elasticidades da demanda por exportações e importações (em valores absolutos) somam aproximadamente a unidade, de modo que a condição Marshall-Lerner não é satisfeita e mudanças na relação internacional de preços não têm nenhum efeito sobre a balança comercial ("pessimismo das elasticidades").
reduzida à razão representada pela equação (11) ou (12)34, as quais ilustram a
taxa máxima de crescimento do produto nacional compatível com o equilíbrio no BP a longo prazo. Decorre diretamente deste resultado que uma maior taxa de crescimento somente é viável mediante a alteração das elasticidades-renda da demanda por exportações e importações (um aumento e uma diminuição, respectivamente). Este notável resultado evidencia a importância das elasticidades (i.e; a competitividade não-preço ou estrutura produtiva) para a determinação do produto das nações.
(11) JK (12) "K
É muito controversa, entretanto, a negação de efeitos nos preços relativos em qualquer destas circunstâncias. Se por um lado Alonso e Garcimartin (1998) foram categóricos ao sugerir a validade do pessimismo das elasticidades para a maioria dos países industrializados, contrariamente, Cline (1989), Lawrence (1990), Blecker (1992), Razmi (2005), entre outros, encontraram evidência empíricas a favor da condição de Marshall-Lerner para diversos países. Dessa forma, conclui Blecker (2009, p. 9),
“At best, the evidence on elasticity pessimism is mixed, and elasticity estimates vary widely across different countries, time periods, and econometric methodologies. Moreover, according to standard J-curve logic, we would expect price elasticities to be relatively low and Marshall-Lerner to be violated in the short run (i.e., up to a year or two following a devaluation), but elasticities to increase (in absolute value) and satisfy Marshall-Lerner over longer time periods when trade flows are (for well-known reasons) easier to adjust”.
A evidência empírica acerca da validade da PPC relativa a longo prazo é igualmente controversa e altamente sensível a moedas, índices de preços, períodos de tempo e métodos econométricos usados (ROGOFF, 1996). Mais
34 Cabe ressaltar que a equação (11) também é válida se as condições de Marshall-Lerner forem exatamente satisfeitas (i.e., η + ψ = -1), mesmo que ocorram variações substanciais nos preços relativos. A equação (12) também é valida caso ψ = -1.
ainda, está longe de ser consensual que a taxa de câmbio de equilíbrio de longo prazo precisa ser constante no longo prazo35.
Embora seja difícil sumarizar a literatura da PPC, Blecker (2009), sugere que parece seguro, tendo em vista o estado de arte atual das ciências econômicas, concluir que quanto maior o período de tempo analisado, maior a probabilidade de que a PPC relativa seja válida, o que é corroborado pelos estudos empíricos mais recentes (mesmo aqueles da BPCG sem efeitos de preços relativos). Mais ainda, sugere o autor, parece que a PPC é muito mais propensa a ser válida entre países que são estruturalmente similares. Este fato estilizado, no entanto, exclui a possibilidade de qualquer tentativa de generalização acerca da PPC e do comportamento do câmbio a longo prazo.