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1.2 Tarihsel Süreç İçerisinde Şöhret Kültürü

1.2.2 Kapitalizm ve Şöhret Kültürü

1.2.2.3 Fordist Dönemde Şöhret Kültürü

O presente Capítulo buscou introduzir os elementos teóricos que permearão toda a análise subsequente. Após a definição e apresentação de algumas características relevantes do câmbio real na determinação das demais variáveis macroeconômicas, apoiando-se em uma literatura recente (eminentemente empírica) que reitera a influência do câmbio na taxa de crescimento do produto a longo prazo, buscou-se levantar os mecanismos teóricos que seriam responsáveis por esta expressão do câmbio na economia.

Três canais foram propostos: (i) o canal da demanda agregada, de curto prazo e longo prazo; (ii) o canal de distribuição funcional da renda, de longo prazo; (iii) o canal de distribuição intersetorial da renda, também de longo prazo. Na medida em que o produto de longo prazo de um país se relaciona mais com as características competitivas da sua produção do que, propriamente, com nível de produção atual, a abordagem conduzida evidenciou a importância dos elementos da estrutura produtiva e do processo de mudança estrutural para o desenvolvimento econômico e, com isso, para o crescimento sustentado.

Neste sentido, defende-se aqui que a influência do câmbio sobre o produto seja conduzida eminentemente por via da mudança estrutural, decorrente do processo de redistribuição da renda (funcional e, sobretudo, intersetorial) induzido pela modificação do nível do câmbio. Por suposição, a política cambial determinará uma mudança nos incentivos setoriais da economia, provocando a reorganização dos investimentos que conformarão a mudança estrutural.

Os próximos Capítulos se utilizam da teoria ora construída na formulação tanto de um modelo teórico formal de crescimento (que seja capaz de endogeneizar a ação estrutural do câmbio na economia) como de um modelo para validação empírica das hipóteses sustentadas. Este último é corroborado pela análise econométrica que encerra esta Dissertação.

3 FORMALIZANDO OS EFEITOS ESTRUTURAIS DO

CÂMBIO

3.1 Introdução

O presente Capítulo tem por objetivo apresentar um modelo que formalize os efeitos do câmbio real sobre a taxa de crescimento do produto no longo prazo. Entretanto, diferentemente de outros trabalhos com este objetivo (DOLLAR, 1992; RAZIN E COLLINS, 1997; FAJNZYLBER, LOAYZA E CALDERÓN, 2004; AGUIRRE E CALDERÓN, 2005, GALA, 2007; RODRIK, 2008), procura-se aqui enfocar os efeitos estruturais do câmbio na economia22. Em linha com a teoria

discutida no Capítulo anterior, propõe-se que a taxa de câmbio real tem importantes efeitos sobre a estrutura produtiva das economias23 (e não somente sobre movimentos de curto-prazo da demanda), contribuindo para a modificação do padrão de especialização e, portanto, da elasticidade da demanda pelos bens nacionais, o que altera a restrição externa e, assim, as condições de crescimento do produto no longo prazo.

A importância da elasticidade-renda do comércio exterior para o desenvolvimento econômico e para o crescimento de longo prazo tem sido objeto de estudo por mais de meio século.A confirmação reiterada em diversos trabalhos da conexão entre a estrutura produtiva de um país, seu padrão de comércio e sua taxa de crescimento econômico de longo prazo têm levado a um crescente interesse nos determinantes das elasticidades da demanda, uma vez que nelas se cristalizam

22 Aceitando-se a hipótese de que a competitividade da produção de um país é determinada, sobremaneira, por sua estrutura produtiva (sendo válida a Lei de Thirlwall e considerando-se que as elasticidades-renda da demanda setoriais diferem entre si, uma especialização em bens de setores de maior elasticidade certamente conferirá maior potencial de crescimento ao produto deste país no longo prazo), a taxa de crescimento de longo prazo é apenas um reflexo do seu padrão de especialização produtiva.

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Em síntese, se é aceito que a taxa de câmbio atua através de seu mecanismo redistributivo sobre o investimento setorial, decorre diretamente deste processo uma reorganização produtiva, i.e, uma significativa mudança relativa de tamanho dos setores na economia.

elementos de competitividade que não podem ser devidamente capturados pelos preços dos produtos comercializados24.

Não obstante, uma das tradicionais conclusões dos modelos de crescimento sob restrição externa é a de que a desvalorização cambial é inócua no longo prazo, já que não afeta os determinantes do crescimento: as elasticidades-renda da demanda. Isto é, na maioria dos modelos admite-se a validade da hipótese relativa da Paridade do Poder de Compra (PPC), o que implica na desconsideração de qualquer efeito da política cambial sobre o crescimento do produto no longo prazo. Este resultado advém da desconsideração de qualquer efeito da política cambial sobre a estrutura produtiva nacional. Vale dizer, tal literatura ignora os efeitos do câmbio sobre as elasticidades-renda da demanda por importações e exportações, assumindo muitas vezes que estas dependam exclusivamente de variáveis reais, como a dotação de fatores e o progresso tecnológico (MISSIO E JAYME JR., 2010). Neste sentido, são ainda incipientes as análises que procuram endogeneizar os efeitos da variável cambial sobre a estrutura produtiva, de forma a explicar o processo de mudança estrutural (que se manifesta através de mudanças nas elasticidades) e de crescimento.

Com efeito, este Capítulo explora um ponto ainda em aberto da agenda de câmbio e crescimento e, portanto, se dedicará à apresentação de um modelo simples de restrição externa com elasticidades endógenas. Em linha com a literatura estruturalista e com as contribuições recentes de Araújo e Lima (2007) e Ferrari, Freitas e Barbosa-Filho (2010), propõe-se uma releitura do modelo de Thirlwall (1979). Especificamente, introduz-se uma regra para a endogeneização das elasticidades, permitindo com que a taxa de câmbio seja uma variável relevante na determinação da taxa de crescimento de longo prazo. A hipótese

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A importância da composição da estrutura produtiva e da pauta comercial, por extensão, na discussão dos determinantes do desenvolvimento econômico nos remete a Prebisch (2000a, 2000b), Furtado (1961), Kaldor (1966). Na discussão específica sobre crescimento, os modelos paradigmáticos foram proposto por Thirlwall (1979). Revisões e extensões ao modelo original podem ser encontradas em McCombie e Thirlwall (1994, 2004). Testes empíricos recentes de modelos de crescimento com restrição no balanço de pagamentos podem ser encontrados em Porcile e Lima (2006), Britto e McCombie (2009) e Carvalho e Lima (2007).

básica desta formulação teórica é a de que o manejo tanto do nível quanto da volatilidade cambial podem determinar efeitos que transcendem o ajuste da demanda agregada no curto prazo, alterando a elasticidade-renda da demanda pela produção nacional. Sendo o nível cambial a representação de longo prazo do câmbio real, maior enfoque será dado a esta variável. Conforme se verá, a consideração dos efeitos do nível do câmbio sobre o produto altera um dos resultados básicos dos modelos que ainda previam algum efeito do câmbio sobre o produto (em geral baseados no trabalho de Bhaduri e Marglin (1990)). Neste caso, mesmo em se considerando nula a variação cambial no longo prazo, o efeito da manutenção do câmbio em um nível compatível com o objetivo político determinará consequências perenes (BARBOSA-FILHO, 2006).

A próxima seção apresenta os modelos de crescimento liderado pela demanda, com enfoque naqueles de crescimento restrito pelo balanço de pagamentos –

balance of payments constrained growth – (BPCG) e liderado pelas exportações – export-led cumulative causation – (ELCC). Consideração especial é feita ao papel

das elasticidades nestes modelos. A terceira seção faz um breve apanhado dos trabalhos que buscaram endogeneizar a elasticidade-renda da demanda dentro do arcabouço teórico dos modelos de crescimento sob restrição externa. Algumas abordagens alternativas, como os modelos de tradição kaleckiana, são citadas para justificar a opção pelos modelos da BPCG. A quarta seção, por sua vez, introduz o modelo multissetorial de crescimento sob restrição externa, o qual acredita-se suprir as principais falhas teóricas dos modelos da BPCG no tocante ao papel do câmbio na determinação do crescimento no longo prazo. Procura-se com isso contribuir para a formalização deste que supõe-se ser o principal mecanismo de transmissão dos efeitos da taxa de câmbio real para o produto no longo prazo.