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2.2 Weberyan Teoride Şöhret Kültürü

2.2.2 Büyü Bozumu/Karizma ve Şöhret Kültürü

Decerto, a análise torna-se mais complexa no modelo multissetorial, tanto pela variedade de bens que compõem a pauta de importações quanto pelas diferentes reações de tais bens ao nível da taxa de câmbio real e a multiplicidade de elasticidades (renda e preço). Dessa forma, assim como no trabalho de Ferrari, Freitas e Barbosa-Filho (2010), algumas hipóteses simplificadoras serão

introduzidas a fim de manter prática a descrição analítica do modelo e viabilizar a identificação empírica do efeito composição.

Seja válida a hipótese de que as elasticidades setoriais dependam do conteúdo tecnológico dos bens assim como a literatura teórica (JAYME JR. E RESENDE, 2009) e empírica (GOUVÊA E LIMA, 2009; SILVEIRA, ROMERO E BRITTO, 2010) têm ressaltado. Considerando, portanto, apenas dois setores em uma economia, um de alta tecnologia (HT) e um de baixa (LT), podemos representar a taxa de crescimento das exportações importações da seguinte forma:

(28) x = ϕxwx+ (1 − ϕ)xzx ∴ 0 < ϕ < 1 (29) m = θmwx+ (1 − θ)mzx ∴ 0 < θ < 1

Onde P = }~ e e = •}~ •. Substituindo-se as equações (28) e (29) em (7) e (8), respectivamente, obtemos:

(30) x = %ϕηwx+ (1 − ϕ)ηzx&e + %ϕεwx+ (1 − ϕ)εzx&z (31) m = −%θφwx+ (1 − θ)φzx&e + %θπwx+ (1 − θ)πzx&y

Imediatamente, nota-se o efeito composição, que se manifesta através da participação dos bens de alta tecnologia na pauta de exportações e importações. Como apenas dois setores são assumidos, cada uma das elasticidades é composta por dois componentes e, assim, alterações nas participações totais de cada um destes setores na pauta comercial alterarão as elasticidades totais. Para fins de simplificação da estimativa empírica, supor-se-á que as elasticidades específicas ( HT, LT, HT, LT, HT, LT, HT e LT) sejam dadas e que as

elasticidades agregadas ( , , , e ) preço e renda das exportações e importações sejam modificadas de acordo com a composição das pautas de exportações e importações. De fato, tal hipótese visa permitir a captação do efeito cambial sobre o padrão de especialização, sem que seja necessário explicitar os determinantes destas elasticidades específicas. Defende-se, no entanto, que tal simplificação não tenha impacto mais significativo na discussão que se pretende fazer.

Em verdade, em função da pergunta que se pretende responder na análise empírica dos próximos Capítulos, analisar as mudanças nas elasticidades especificas decorrentes da variação cambial poderia trazer complicações formais desnecessárias ao modelo. Sendo assim, reitera-se o enfoque da análise sobre os parâmetros e , que funcionam como indicadores das mudanças nas elasticidades agregadas 41 e são, de fato, os elementos endógenos das elasticidades.

O que se pretende mostrar é que se o nível cambial afeta a composição da pauta comercial, de fato, está afetando as elasticidades e sendo estas as responsáveis pelo dinamismo da taxa de crescimento do produto, ou pelo limite do processo de crescimento em economias restringidas pelo BP, está assim alterando as perspectivas de desenvolvimento de uma nação. As principais conclusões do modelo de Thirwall, portanto, são mantidas. Contudo, há de considerar o fato de que as elasticidades-renda da demanda de importações e exportações são agora endógenas, dependentes de alterações na composição da estrutura produtiva da economia e seu decorrente padrão de especialização, conforme indica a equação a seguir:

(32) y ‚ƒ„…)(01‚)ƒ†…

‡ˆ„…)(01‡)ˆ†…z

‰ ‡ˆ„…)(01‡)ˆ†…

Implicitamente, considera-se que as mudanças nas pautas de exportações e importações ocasionadas pela depreciação da taxa de câmbio real estão associadas a mudanças na estrutura produtiva doméstica em favor de produtos tecnologicamente mais sofisticados42. Considera-se também, implicitamente, que

a produção de bens tecnologicamente mais sofisticados é responsável pelo aumento da taxa de crescimento do produto doméstico, tendo em vista possibilitar o aumento da produtividade de todos os setores da economia, tal como suposto

41 Note-se que estas proporções são o mesmo indicador de eficiência Schumpeteriana de Dosi, Pavitt e Soete (1990).

por Kaldor (1966, 1975) e já comprovado em estudos empíricos anteriormente citados.

3.5 Considerações Finais

Este capítulo buscou formalizar a relação entre e taxa de câmbio real, a mudança estrutural e o crescimento econômico a partir de um modelo de crescimento sob restrição externa. Especificamente, desenvolveu-se um modelo multissetorial da Lei de Thirlwall em que as elasticidades-renda da demanda de um país passaram a ser determinadas pelo efeito composição da estrutura produtiva. Neste sentido, incorporando-se à estrutura original deste modelo BPCG uma função que relaciona o nível do câmbio real à composição da estrutura produtiva, justificada pelo efeito do câmbio real sobre a distribuição intersetorial da renda, foi possível tornar o modelo BPCG mais afeito às análises dos efeitos de longo prazo do câmbio sobre o produto.

O próximo capítulo busca viabilizar a identificação empírica das hipóteses consolidadas neste último modelo. A metodologia para estimação empírica a ser conduzida é então discutida e um modelo empírico é apresentado.

4 CÂMBIO E MUDANÇA ESTRUTURAL: METODOLOGIA

DE PESQUISA EMPÍRICA

4.1 Introdução

O modelo construído no Capítulo anterior estabelece um importante efeito do câmbio real sobre a taxa de crescimento de longo prazo da economia. Este efeito decorre da relação entre a taxa de câmbio e a elasticidade-renda da demanda pela produção nacional (refletida no padrão de especialização). Não se supõe, contudo, que a taxa de câmbio possa ter influência sobre a determinação da elasticidade-renda da demanda de um bem ou setor produtivo, as quais são mantidas exógenas (é mais plausível aceitar que as elasticidades setoriais são determinadas por características da sua demanda e aspectos qualitativos dos bens). Antes, assume-se que o câmbio real, através dos seus efeitos distributivos, promove uma reorientação setorial dos investimentos, o que deve alterar a participação dos setores tanto na estrutura produtiva quanto no padrão de especialização do país. Sendo válido o efeito composição, a elasticidade total será o somatório das elasticidades setoriais (exógenas) ponderadas por sua participação na pauta comercial (determinada pela taxa de câmbio) do país. Há, no entanto, respaldo empírico para esta construção? Vale dizer, a taxa de câmbio real é realmente capaz de promover a mudança estrutural? Mais que isso, conforme aventado anteriormente, seria o câmbio real capaz de promover a migração dos fatores produtivos rumo a setores mais dinâmicos (de maior elasticidade-renda da demanda), alterando o padrão de especialização destas economias e relaxando a restrição externa sobre seu crescimento?

Estas são algumas das perguntas centrais deste trabalho. Enquanto este Capítulo procura formular o problema metodologicamente, os seguintes fazem aplicações empíricas e discutem seus resultados. Especificamente, tendo em vista a teoria desenvolvida nos Capítulos anteriores, busca-se aqui construir um modelo

empírico para a estimação da relação entre o câmbio real e a estrutura produtiva, convalidando diferentes estratégias de mensuração e validação dos resultados. Procura-se assim contribuir para a elucidação deste controverso ponto da literatura econômica, fornecendo importantes subsídios para o correto entendimento do papel do câmbio real para o desenvolvimento econômico.