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BÖLÜM 2: ARAŞTIRMANIN METODOLOJİSİ

2.1. Fenomenolojik-Yorumsamacı Yöntemle Nitel Araştırma

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, a educação só é válida enquanto comprometida com a cidadania. Como afirmam os documentos,

“Eleger a cidadania como eixo vertebrador da educação escolar implica colocar-se explicitamente contra valores e práticas sociais que desrespeitem aqueles princípios, comprometendo-se com as perspectivas e decisões que os favoreçam. Isso refere-se a valores, mas também a conhecimentos que permitam desenvolver as capacidades necessárias para a participação social efetiva” (PCN, vol. 8:25).

Se essa é a busca, os próprios documentos deixam claro que as áreas convencionais classicamente ministradas pela escola (Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, História e Geografia), embora necessárias, não são suficientes para alcançar esse fim. Outros temas, diretamente ligados ao exercício de uma cidadania consciente, devem ser ressaltados: violência, saúde, uso dos recursos naturais, preconceitos. Devem ocupar, na escola, um lugar de importância tanto quanto os demais componentes curriculares. Questões que possibilitem a compreensão crítica da realidade oferecem aos alunos oportunidade de refletirem sobre sua própria vida. Ainda segundo os PCN, a escola deve contribuir, nesse sentido, desenvolvendo um projeto de educação comprometida com o desenvolvimento de capacidades que permitam intervir na realidade para transformá-la.

Dialogando semanalmente com as professoras a respeito do trabalho desenvolvido com os alunos foi possível verificarmos que a presença da música no cotidiano da sala de aula permitiu que tanto alunos como professoras desenvolvessem essa transversalidade no processo de ensino-aprendizagem, passando a discutir temas que de outra forma talvez não fossem explorados. As professoras mencionaram, por exemplo, discussões com os alunos sobre preservação de nosso meio ambiente, os problemas gerados pela violência e outros temas que foram surgindo através de atividades musicais. As discussões sobre esses temas transversais, além de permitirem que alunos e professoras

refletissem sobre possibilidades de contribuição na preservação do meio ambiente e diminuição da violência, melhoraram o relacionamento entre elas e eles. Luciana, por exemplo, menciona que se sentiu mais próxima de seus alunos e vice-versa, após a vivência de uma atividade na qual ela enfocava os sentimentos e da qual surgiu a questão da violência. Ao discutir temas diferenciados em relação aos que normalmente são destacados em sala de aula, os alunos não só desenvolveram a capacidade de expressão como ainda permitiram que as professoras os conhecessem melhor. Em nossas reuniões, elas relatavam essas discussões e reflexões desenvolvidas com os alunos e também discutíamos vários temas propostos, muitas vezes, por elas:

Luciana- Saiu medo de morte, um o tio estava preso e não sabia se o tio estava morto, o outro perdeu o irmão de um ano e quatro meses, sabe? Coisas que eu acho que eles deviam ter engasgado dentro e não conseguiam colocar para fora, de repente ali foi o momento que eles encontraram para lavar a alma mesmo e choraram e falaram tudo que eles estavam sentindo...

Keila – Você aproveitou esse momento para conversar com eles....

Luciana – Aproveitei para falar sobre eles mesmos...esse tipo de sentimento que eles estavam tendo... Falei do próprio sentimento da angústia, de chorar, que às vezes faz bem chorar...fiquei impressionada...eu achei que foi bom porque eu achei que eles se sentiram mais seguros em relação a mim, mais confiantes em relação a mim, deu para passar para eles que eu valorizo cada um deles, que eu penso em cada um deles não só como aluno... eu acho que deu para eles perceberem que eu me preocupo com eles enquanto pessoas...isso melhorou o meu relacionamento com eles...a confiança que eles tinham em mim mudou, a segurança, sabe? Mesmo o convívio entre eles dá para perceber que teve uma mudança, pequena mas tem...

Márcia – Muito legal! Ficou um trabalho super legal! ....Agora engraçado é que a Bruna... todos os que paravam na carteira dela não tinham vontade de desenhar no desenho dela então eles rabiscavam...a folha dela ficou assim...eu falei “quem fez isso está vendo o que foi feito, não é um trabalho bonito, foi um desabafo, talvez da raiva que vocês estavam sentindo dela”.... aí eu falei assim “quem aqui acha que o seu desenho não foi continuado, que não houve continuidade?”...aí ninguém falou nada , só ela falou “eu não quero esse desenho, não vou colocar na minha pasta isso”... “é um trabalho, muitos trabalhos de arte começam assim, com rabiscos, então é um trabalho e se você pintar aqui, localizar um negócio aqui, dar forma geométrica”...aí ela foi aceitando, guardou com desdém mas....

(...)

Inês –...eu peguei as profissões dos pais dos meninos e das mães das meninas (se referindo a uma atividade

feita a partir da canção “Passa, passa gavião”), aí fizemos, cantamos na classe....aí caiu para o menino ser

babá, aí eu falei “e daí?”...falei para eles “as profissões podem ser tanto para homem quanto para mulher...aqui, no Brasil, a gente pode até não ter mas em outros países sim”....

Observamos que, ainda que de uma forma introdutória, as professoras procuraram explorar os diversos assuntos surgidos nas atividades musicais propostas e, embora não tenham aprofundado o depoimento, não sendo viável afirmarmos a extensão da discussão e reflexão em torno dos assuntos levantados, foi possível observar um desenvolvimento nesse sentido. Os alunos de Márcia, por exemplo, tiveram coragem de

expressar seus sentimentos em relação a uma das alunas30, que, se não fosse por meio da atividade desenvolvida, não o teriam feito. Isso possibilitou à professora discutir a situação e, embora ela não mencione posteriormente os resultados desses acontecimentos, de certa forma a aluna demonstrou haver tomado consciência de que os demais alunos não aceitavam suas atitudes em sala de aula quando afirma não querer o desennho “rabiscado”. Luciana, por sua vez, propôs uma atividade musical – cabe mencionar que a maneira como desenvolveu a atividade partiu de si mesma – cujo objetivo era justamente provocar a expressão dos alunos. Ela não esperava o resultado obtido, no entanto explorou a situação com controle e, ao final, pôde observar maior reciprocidade dos alunos para com ela. Também Inês demonstrou controle da situação quando numa atividade em que ela explorava as profissões dos pais e mães de seus alunos, surgiu a questão do preconceito. Inês discutiu o tema com seus alunos, embora não revele isso com muitos detalhes no seu depoimento.

O envolvimento de professoras e alunos com as atividades musicais parece haver possibilitado nova postura de ambos: o professor dando voz ao aluno e este participando sem receio, emitindo opiniões em vez de apenas ouvir. Alguns aspectos do cotidiano, que nem sempre são destacados em outros momentos da sala de aula passaram a ser após a vivência com atividades musicais. Podemos afirmar, portanto, que a oficina permitiu às professoras a valorização da transversalidade em sala de aula.

4.1.8 REFLETINDO SOBRE A PRÁTICA PEDAGÓGICA E AS NOVAS