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BÖLÜM 2: ARAŞTIRMANIN METODOLOJİSİ

2.5. Araştırmanın Veri Analizi

Paulo Freire (2000) afirma que a escola, sendo séria, jamais deveria tornar-se sisuda. Antes, deve dedicar-se ao ensino de forma competente, sendo ao mesmo tempo geradora de alegria:

“...a alegria de ensinar-aprender deve acompanhar professores e alunos em suas buscas constantes. Precisamos é remover os obstáculos que dificultam que a alegria tome conta de nós e não aceitar que ensinar e aprender são práticas necessariamente enfadonhas e tristes” (Paulo Freire, 2000:37).

As experiências vivenciadas na oficina de música parecem, de fato, haver provocado mudanças de postura nas professoras participantes em relação ao ensino musical, à maneira de encarar o processo de ensino-aprendizagem, às necessidades dos alunos, gerando uma mudança no próprio ambiente da sala de aula. A alegria passou a fazer parte do cotidiano de professoras e alunos.

Conquanto tenhamos presenciado inúmeras demonstrações do quanto a oficina de música provocou um cotidiano escolar diferenciado, mais alegre e consciente, não nos basta chegar a tais conclusões. Por isso, destacamos também opiniões das professoras envolvidas sobre as experiências vivenciadas e que contribuições trouxeram para si mesmas enquanto profissionais da docência, bem como aos seus alunos.

De acordo com as professoras, após o contato que tiveram com a música, tornou-se impossível conceber uma sala de aula na qual ela não estivesse presente, o que é bem exemplificado nos depoimentos seguintes:

Inês - .... eu acho que facilita ....em vez de você pegar aqueles textos...a musiquinha, geralmente, a gente está trabalhando com curtinhas, né...então dá para você fazer um trabalho assim...o trabalho não fica curto porque a música é curta, né...o trabalho ...bem bacana mesmo....em vez de você pegar aqueles texto enormes lá, você pega a musiquinha, com ela você faz uma porção de coisas! Trabalha a parte de...é ....interdisciplinar, né? Todas as matérias...você engloba tudo numa música ou nas músicas e vai encaixando...você vai aproveitando o máximo dela!

Keila –E você, Elsa, o que você...

Elsa – Mesma coisa! ...o mesmo que ela falou...Eu achei que dá para trabalhar muita coisa com a música! E eu estava perdendo isso!

Keila – Que bom que você achou!....E você, Ana Maria, o que você destaca?

Ana Maria – Então... é como ela (Inês) disse...ao invés de você pegar aqueles textos assim, né, que não entende a seqüência dele, o significado dele, você pega uma música que tem um texto bem ...é...que dá mais ali do dia-a-dia...a maior parte dos textos das músicas eles identificam...então...

Elsa – E outra, a gente volta a ser criança um pouco também... (...)

Luciana – Relacionamento professor aluno, acho que estreita mais os laços né...porque a música, eles gostam de música seja ela qual for, seja essas que tocam, que não transmitem nada e tem aquelas que a gente sabe que são músicas boas e tal....então eles gostam...sabendo que aquela pessoa que está ali todo dia dando aula e tal também gosta e trabalha com isso é uma forma de estreitar os laços né...eles se aproximam do professor, assim como o professor também tem essa brecha para se aproximar do aluno...eles se soltaram mais, eles ...como eu falei, a primeira vez que eu trabalhei música com eles, que fomos lá para fora, aí eu coloquei aquela música tal e de repente todo mundo começou a chorar e aí cada um falando da sua vida, dos seus problemas, até os que não tinham também choraram...então eu acho que é por aí que a coisa funciona...a partir daí mexe com o sentimento...então aquele que é mais marrudo, mais briguento, ele abaixa a guarda sabe....

(...)

Márcia – Sem dúvida nenhuma eles aprenderam a se controlar um pouquinho melhor....minha classe é uma classe muito agitada e eu consegui controlá-los através da música...é um momento que eles prestam atenção, que eles querem aprender a letra, que eles querem ouvir a melodia, então eles aprenderam a se controlar um pouquinho melhor com a música...até usando algumas técnicas né, de alto, baixo, estridente, suave ajudou bastante nesse sentido....então na medida em que eles melhoraram a postura eu também pude abrandar a minha né...então eu fui acompanhando o ritmo dos alunos e vice-versa...e eles também melhoraram por causa da minha postura e eu também e ambos por causa da música...então eu acho que a sonoridade presente dentro da sala de aula ajuda em todos os sentidos a criança e o professor também...

Nota-se uma grande preocupação por parte das professoras no sentido de sensibilizar a criança para ouvir a música, cantá-la, criar e improvisar a partir dela. O ensino musical passou a ser encarado de maneira diferente pelas professoras, sendo possível verificar maior desenvoltura para criar novas possibilidades de atividades a partir das canções trabalhadas na oficina, desenvolvimento da capacidade de propor novas canções e, portanto, expansão do repertório de canções, ampliação da autonomia para adequar canções e atividades musicais às necessidades de suas salas de aulas. O que os relatos das professoras nos permitem verificar é que a música fez diferença, a oficina fez diferença, ao permitir o diálogo, a troca de experiências, a experimentação e a possibilidade de refletir sobre a prática. Foi possível verificar mudança de postura também nos alunos, como afirmam as professoras:

Luciana –....o contato deles, o contato com a música, ele mudou a postura dos alunos com relação a trabalho...mas no final não, no final eu percebi que a postura deles já era diferente! A postura deles era mais tranqüila, mais calma sabe...bem diferente, bem melhor do que da primeira vez...a falta de costume em se trabalhar com isso faz com que eles achem que um trabalho desse tipo é para bagunçar...

Márcia – Principalmente na 2a série que eles já vêm com essa idéia pré concebida de que aniversário canta, festinha canta...então “é festa! Vamos cantar, então é festa! Pode bagunçar”.... Keila – Mas vocês sentiram que agora, nesse final, ainda continua essa conotação ou eles já conseguiram entender que é diferente?

Márcia – Já...os meus já.... Luciana – Já sim!

(...)

Elsa – Eu achei que eles ficaram mais felizes! A aula não ficou tão chata...a aula não ficou tão cansativa!...eu andava muito nervosa, não sei...depois eu acalmei!

Keila – E para os teus alunos, você achou que melhorou?

Ana Maria – Ah, eu achei ! Nossa!...mas se eles ficarem conversando muito, não tem a história e nem a música, né? Então eu falo “como eu vou contar uma história se vocês estão todos acelerados? Como eu vou colocar uma música se vocês não estão prestando atenção!” entendeu? ...porque eles ficam aguardando a música....

Observamos que o trabalho com música em sala de aula fez diferenciou as atitudes dos alunos. As dificuldades de atenção, de concentração, de interação grupal e sociabilização deram lugar à tranqüilidade e atenção para executar tarefas, à alegria na sala de aula, à espera pelos momentos nos quais teriam contato com atividades musicais. Além do mais, a música deixou de ser considerada momento de “bagunça” e passou a representar momento de relaxamento, de tranqüilidade, de alegria.

Verificou-se, também, que um contato mais próximo com a música possibilitou o desenvolvimento da sensibilidade estética e da percepção auditiva e rítmica por parte das crianças, como mostram os depoimentos das professoras Márcia e Ana Maria:

Márcia – Ah, eles ficaram mais espertos, mais atentos...erros, eles tinham mais tolerância, agora eles já não têm tanta tolerância...então se eu vou aplicar uma música nova e alguém erra ou alguém destoa, “não é assim! O ritmo está errado!”... Então eles já têm um conhecimento....

(...)

Ana Maria – No dia das mães, eu dei três musiquinhas para eles...lenta mesmo, super... Eles acharam a letra, o conteúdo sobre a mãe, da música mais lenta, mais bonita, mais....é... mais profunda, mas na hora de cantar eles queriam a outra porque a outra era ....e aí eu achei muito engraçado porque como é que eles perceberam que ....né? O que estava dizendo a letra? Aí eles diziam “essa letra aí é bonita, mas essa musiquinha é melhor!...porque na outra música eles podiam, inclusive, bater palma....eu incentivava a bater palma ou a pular...ou a movimentar, né... te convidava a fazer isso...e a outra não, a outra era para mostrar mesmo, para ...então eles prestaram atenção nas duas coisas!

Não apenas as crianças foram beneficiadas pela convivência com a música, mas também as professoras revelaram ter tido contribuições ao participarem do programa proposto. O espaço cedido para o programa de formação continuada em educação musical acabou por propiciar um diálogo diferenciado entre as professoras participantes, possibilitando que as contratadas pela escola no início do ano, como era o caso de Ana

Maria, Cristiane, Luciana e Márcia, tivessem uma troca de experiências em maior profundidade com as outras que já atuavam nela, o que não era possível, segundo elas, no horário de HTP. Já havíamos observado, nas reuniões ocorridas durante o processo de intervenção, que a integração entre as professoras foi aumentando gradativamente. No entanto, durante a entrevista tivemos oportunidade de confirmar essa observação:

Elsa – ...é que a gente não faz mas....chegar e falar assim “vamos conversar?”....entendeu? Sai um pouco...quando você conversa não melhora? .... Dá a impressão que todo mundo vem aqui para olhar e não é bem assim!

Keila - ....e sabe o que eu percebi? Que entre vocês, vocês construíram uma amizade gostosa nesse horário, nesse espaço! Porque às vezes vocês estão juntas na mesa ali, mas cada uma fazendo o seu trabalho....sabe?

Ana Maria – É, principalmente a gente assim....elas que já são da rede, que são tudo, não me conheciam, então eu aproximei mais aqui! E mesmo com os outros que não fazem o curso de música, foi mais fácil! (...)

Keila - ...vocês acham que o projeto abriu espaço para vocês interagirem mais...e conversarem mais? Elsa – Ah, sim!

Ana Maria – Muito!

Keila – Valeu para você (Ana Maria) para se inserir na turma? Ana Maria – Isso! Com certeza!

Elsa- Sabe o que você sentiu? ...sabe o aluno que chega e o negócio já está andando...coitadinho....como que ele se sente, Ana Maria? Pára para pensar!

(...)

Keila – ...vocês sentiram que a oficina ajudou a integrar vocês à escola?

Luciana - Ah, eu acho! Só pelo fato da gente estar lá dançando, fazendo aquelas coreografias para cada música já desinibe todo mundo, sabe?

Keila – Vocês tiveram oportunidade de conversar com as outras professoras que já eram daqui.... Márcia – Bastante!

Luciana – Eu acho que ajudou muito! Eu acho que ajudou muito, pelo menos no meu caso, essa integração com quem já era da casa, com quem já se conhecia...porque todo mundo aqui já se conhece há muito tempo né e a gente chega de fora e fica meio deslocado...uma oportunidade assim de estar desenvolvendo atividades juntas e nessa dinâmica toda, com certeza a gente se sente mais próximas umas das outras....

Márcia – ... A união faz a força né?

A dinâmica das reuniões parece haver propiciado momentos diferenciados no ambiente escolar. O fato de a oficina ocorrer no local de trabalho das professoras e no horário de HTP individual parece haver contribuído para que elas tivessem uma participação mais assídua e ativa. Sobre a escola como espaço para a aprendizagem e o desenvolvimento docente, Mizukami et al. (2002) afirmam que essa assume importância considerável na promoção do desenvolvimento profissional de seus participantes, o qual, incorporado pelos próprios participantes, reverte em benefícios para a escola e para o processo de ensino-aprendizagem. Foi possível verificar, portanto, que as experiências vivenciadas no período da oficina deixaram fortes impressões nas professoras participantes,

redimensionando suas práticas pedagógicas, o cotidiano dos alunos e o próprio espaço escolar.

5.4 MODIFICANDO E AMPLIANDO O ESPAÇO ESCOLAR: NOVAS