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BÖLÜM 3: SAHA VERİLERİNİN DEĞERLENDİRİLMESİ

3.2. Kimlik Tanımlamaları

3.2.1. Etnik Kimlik Tanımlamaları

Para os funcionários uma primeira conseqüência que causou comoção imediata foi a drástica redução no quadro de pessoal. Isso ocasionou um sentimento de perda em vários sentidos: saída de bons trabalhadores, perda da estabilidade no emprego e, fim do caráter humanitário que era atribuído à empresa, já que esta se preocupava com o bem estar geral das pessoas que compunham a organização. Além disso, os funcionários vêm sentindo algumas conseqüências em relação ao seu dia-a-dia na empresa: ambiente competitivo, menor contato com os amigos de trabalho e com a família, aumento da responsabilidade no trabalho, cobrança por maior agilidade e rapidez na execução da tarefa, maior produtividade, capacidade para enfrentar novos desafios, instabilidade no trabalho, dificuldade de ascensão profissional, dificuldade para conquistar benefícios e questões trabalhistas, etc.

Esses problemas que os trabalhadores citaram, seja no dia-a-dia de trabalho na empresa ou fora dela, ao terem que encarar um novo padrão de vida ou terem que se preparar para um mercado de trabalho dinâmico e exigente, acabaram ocasionando uma série de preocupações. Estas acabaram gerando estresse, fadiga, sentimento de perda em relação a uma situação que não pode mais ser alcançada e, sentimento de desamparo por não pertencer mais a um ambiente familiar que o amparava. O modelo estatal possibilitava certa segurança ao indivíduo, já que havia a possibilidade de emprego para a vida toda, um trabalho realizado num ambiente tranqüilo e rodeado de amigos, no qual a família do trabalhador também fazia parte da empresa, ou seja, o trabalhador sentia que fazia parte de uma grande família. Havia um ambiente de cooperação onde um ajudava o outro. Além disso, tinha o chefe para controlar, mas que também era acessível e assumia a responsabilidade pelo grupo, ou seja, tinha uma pessoa que por um lado controlava o trabalho, mas que por outro lado transmitia um sentimento de segurança e proteção ao trabalhador, já que este não era estava apto a assumir a responsabilidade pelo seu trabalho. Sendo assim, o trabalhador ocupava uma posição passiva e dependente nessa relação de trabalho.

Alguns fragmentos de relatos demonstram claramente a “imagem” que os participantes tinham da empresa estatal e seu sentimento de desagrado frente às mudanças:

“a empresa era como se fosse uma grande família... era um ambiente mais humano... hoje os prédios estão abandonados e dá uma grande sensação de vazio.”

“era uma empresa que supria bem as necessidades em termos de salários e benefícios... alguns abusavam dos benefícios.”

“sentimento de perda (amigos, lar, benefícios) de ter sido lesado... supria a parte econômica, mas não possibilitava o crescimento do funcionários.”

“empresa única, objetiva, com quadro próprio, possibilidade de crescer pessoal e economicamente, sentimento de satisfação porque a empresa garantia um retorno... hoje está tudo mecânico.”

“empresa paterna, sentimento de que seria para vida toda... hoje há satisfação, sinto que não vou ser mandado embora por qualquer motivo, mas o risco existe.”

“daqui só saio aposentado... vou fazer minha vida em torno dessa empresa e do que ela puder me dar... a família está vinculada à empresa, receberam mal a saída... foi minha formação profissional.”

“o mal das empresas hoje é isso, não tem o lado família, não tem o lado amigo, tem o lado profissional só, de um lado pode até ser bom porque pra eles rende mais, mas o rendimento assim na hora, não a longo prazo, a longo prazo o lado família pesa muito no contato entre os funcionários.”

“a gente passou a perceber que não tem mais valor como pessoa, a gente é um número que se ta dando lucro permanece, se não corta.”

Apesar de prevalecer um certo desagrado em relação às mudanças, observa-se que os participantes também souberam considerar aspectos positivos nesse processo. A seguir apresenta-se as respostas que consideraram tanto o lado negativo quanto o lado positivo da privatização.

TABELA 4.2 Aspectos positivos e negativos do processo de privatização, na opinião dos participantes.

Positivo Negativo • Bom para os acionistas que estão

cada vez mais ricos; • Comando único e conciso; • Divisão de responsabilidades; • Fim da estrutura vertical; • Lucratividade para a empresa; • Crescimento dos investimentos; • Ainda é um lugar bom pra se

trabalhar, apesar das mudanças; • Oportunidade para descoberta de

novos desafios, novos caminhos; • Funcionários tornaram-se mais

dinâmicos, mais ativos no trabalho e na vida pessoal;

• Oportunidade de participar de uma empresa moderna que acompanha os avanços mundiais;

• Empresa sente a necessidade de investir no social;

• Participação nos lucros.

• Demissão; • Terceirização;

• Aumento da carga de trabalho; • Perda de alguns processos de

trabalho;

• Mentalidades discordantes: uns querendo avançar muito na modernização, outros querendo ficar enraizados;

• Queda na qualidade dos serviços; • Fim do atendimento personalizado; • Perdas sofridas pelos funcionários

que saíram da empresa e para todos os consumidores;

• Agravamento da situação de desemprego no país;

• Empresa perdeu pessoas de valor e o país perdeu muito do seu patrimônio;

• Instabilidade no emprego e falta de planejamento a longo prazo;

trabalhador;

• Ausência de alguém que solucione os problemas;

• Promoção dificultada pelo enxugamento do organograma.

Do ponto de vista do trabalhador, as novas medidas adotadas pela foram bem sucedidas, embora tenha sido um pouco radical em alguns aspectos. Em geral, as mudanças estruturais na empresa, são vistas pelos trabalhadores como sendo positivas, porque a tornaram mais moderna, dinâmica, lucrativa e eficaz. Entretanto, essa moeda apresenta duas faces e, aí aparecem as concepções em relação ao lado negativo da privatização: se por um lado, as pessoas tornam-se mais dinâmicas e participativas frente às novas exigências, por outro lado, perdeu-se muito do aspecto humano nas relações de trabalho e também no relacionamento entre a empresa e a sociedade, já que algumas medidas acabam gerando desconforto e insatisfação. Opiniões negativas aparecem, principalmente, no que se refere à queda na qualidade dos serviços prestados pela empresa e, à perda da segurança do trabalhador em todos os sentidos.

Scopinho (2002), num estudo recente, analisou o impacto da privatização para os trabalhadores das empresas geradoras e distribuidoras de energia elétrica. Ela identificou mudanças na base técnica, na divisão e na organização do trabalho. Essas mudanças, ocasionadas pela privatização e pela reestruturação da empresa, trouxeram conseqüências negativas para os trabalhadores destacando-se: a intensificação do ritmo das atividades de trabalho; o aumento da insalubridade, da periculosidade e da penosidade nos ambientes de trabalho; e o clima de instabilidade organizacional provocado pela privatização. A autora relata que a situação vivenciada pelos trabalhadores das empresas desse setor originou cargas laborais de natureza psíquica. Isso porque a principal preocupação dos trabalhadores era o medo em relação aos perigos da atividade em si e os perigos do processo de privatização. Os trabalhadores desenvolveram mecanismos de defesa psicológica para enfrentar e aprender a conviver com esses perigos. Além do perigo do desemprego há a frustração de ter investido num projeto de vida e, tornar-se impotente diante de uma situação irreversível (processo de privatização). Dadas essas condições, revelou-se uma verdadeira precarização das condições de trabalho, gerando principalmente desgastes psíquicos para os trabalhadores.

A partir do relato dos participantes, observou-se que o processo de mudança na empresa gerou principalmente impactos negativos para a empresa e para as pessoas em geral. A seguir, busca-se uma análise mais profunda sobre o surgimento de novos conceitos para as relações de trabalho.

5 CONCEPÇÕES SOBRE O IMPACTO DAS MUDANÇAS NO TRABALHO

Para a análise sobre a concepção dos participantes a respeito do seu trabalho, faz necessária uma breve descrição de sua trajetória dentro da empresa.