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Eski Yugoslavya Uluslararası Ceza Mahkemesi

3. ULUSLARARASI HUKUK’TA ADALET MEKANİZMALARI

3.3. Eski Yugoslavya Uluslararası Ceza Mahkemesi

A última ressalva que deve ser feita é a de que a presença no mercado de capitais não é sempre benéfica. Nas entrevistas surgiram críticas relacionadas ao fato de que a inserção no mercado faz com que a companhia se desvirtue. Isso pois sua Diretoria Executiva e seu Conselho de Administração teriam ficado “viciados”, atendendo apenas aos interesses de mercado e preocupados com os indicadores financeiros da empresa, esquecendo-se que em sua essência o que de fato justifica a existência da SABESP é um interesse coletivo essencial e indispensável.

Essa cultura financeirista dificultaria a aprovação de mudanças na cultura institucional da empresa que poderiam gerar ganhos à missão pública buscada sem gerar grandes perdas à companhia como um todo. Cria-se então, dentro da         para competir em mercados em que está terminando a concessão. Por que ai você vai ter que estar permanentemente preocupado em usar o seu poder, modernizar, ganhar eficiência, para conseguir competir efetivamente nessas licitações. Você vai perder umas e ganhar outras, mas acho essencial que isso aconteça. (...) Quanto mais competição, mais a empresa será obrigada a fazer um serviço melhor, gastar menos, desenvolver novas tecnologias e etc”.

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O poder desta visão global da instituição, ou em outras palavras da visão de que as partes pertencem a uma organização “vencedora” foi expressamente apontado por um Conselheiro de Administração da empresa, ao afirmar que “A diretoria da companhia, é uma diretoria que, isso não é só na Sabesp, isso

você vê em várias estatais, que trabalha com uma ótica de empresa privada. É curioso isso, não é pelos incentivos financeiros, é por um sentimento de corporativismo; a diretoria se sente dona da companhia e a diretoria é influenciada pela corporação. É uma visão de que a companhia não é do “controlador”, a companhia não é necessariamente dos acionistas, a companhia pertence a toda aquela corporação que está ali dentro e a diretoria é fortemente influenciada por isso. Então a corporação tem preocupação com a preservação financeira da companhia, pra ela não se tornar deficitária, perder mercado. Nesse sentido não é pelo fato dela não ter um acionista controlador, que ela não perderá seu brilho financeiro. Porque o brilho financeiro dela, de certa forma, transmite a sensação de orgulho, de auto-estima da sua corporação. Uma companhia que é sistematicamente deficitária coloca a moral da corporação lá embaixo”.

própria companhia, um duelo marcado pela presença de funcionários chamados de “financeiristas”, isto é, aqueles com preocupação voltada para o desempenho financeiro da companhia, e os “sanitaristas”, ou aqueles que acreditam que a SABESP deveria fazer mais para cumprir a sua missão pública195. No limite, o foco no lucro pode fazer com que empresa abandone obrigações que protegeriam o interesse público mas não lhe remunerem diretamente, indo contra o interesse coletivo que justifica sua criação196.

Tal crítica, muito mais do que uma surpresa, aparece também de forma contundente na doutrina que debate o tema. Conforme bem exposto por PINTO JÚNIOR (2010, p. 4 - 5):

“O maior desafio que se coloca na atualidade para a empresa estatal não é

propriamente como atingir e manter padrões de eficiência semelhantes ao da iniciativa privada, mas, sim, como resgatar sua verdadeira missão pública.

A empresa estatal está sujeita a duas tendências disfuncionais, que necessitam ser equacionadas: (i) a priorização da busca de resultados financeiros em detrimento do legítimo interesse público; e (ii) a captura dos administradores pelos interesses subalternos da corporação. Não é por outra razão que a empresa estatal enfrente atualmente uma séria crise de identidade, que, no fundo, tem a ver com as incertezas sobre o seu verdadeiro papel e a natureza dos interesses a que deve servir. A falta de compreensão dessas questões tem levado a empresa estatal a se comportar com a mesma lógica

      

195 Conforme mencionado por um superintendente da companhia: “A inserção da empresa no mercado de capitais tem melhorado a empresa uma empresa mas, por outro lado, tem gerado conflitos ao longo do tempo, no que seria o equilíbrio entre o público e o privado. Nós já tivemos várias discussões internas entre os chamados os ‘sanitaristas’ e os ‘financistas’. Os sanitaristas puros querem fazer saneamento a qualquer custo, enquanto o financeirista só pensa em finanças, ele não consegue enxergar que isso aqui é saneamento, saneamento é vida, é saúde, etc”.

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Este ponto foi reforçado por um Conselheiro de Administração que, criticando a política de investimentos da SABESP por relevar parte do interesse público que justifica a criação da companhia, como a proteção de mananciais e a melhora na disposição de Lodo, afirmou “Eu acho que o fato de a empresa ser uma S/A

atrapalha na busca pelo interesse público porque a entrada de pagamento por água e esgoto não muda se você de fato deixa o córrego limpo ou não. Este ponto não faz diferença pro acionista minoritário, mas apenas se as pessoas estão pagando suas contas em dia. E do ponto de vista institucional não é o suficiente. Temos que lembrar que existe uma coisa que não pode mudar sobre a companhia, que é a sua missão institucional. Todo o resto pode ser modificado, ela pode deixar de ser uma S/A, ela pode retirar suas ações de bolsa de valores, ela pode fazer o que quiser, mas não pode modificar sua missão institucional que é o saneamento básico universalizado”.

maximizadora da empresa privada, o que, por sua vez, coloca em dúvida a conveniência de manutenção do controle acionário do Estado”.

Essas são críticas relevantes, que indicam que a inserção de uma empresa no mercado deve ser feita de forma cautelosa, visando não desvirtuar a missão pública que justifica a sua criação.

Elas, porém, apareceram com menor intensidade no presente estudo de caso, muito talvez pelo fato de que o Governo do Estado, como acionista controlador, tem utilizado seu poder para ditar os rumos da empresa visando um objetivo claro: a universalização do serviço prestado até o prazo final de 2018.