1.2. Kadim Dini Gelenekler
1.2.3. Eski Avrupa Dinleri
A experiência dos/as entrevistados/as em relação ao Programa, podemos considerar, acontece em três níveis: o que o Programa mobilizou em mim, qual foi a minha experiência com o Programa, e como avalio o Programa.
No que tange ao que o Programa mobilizou nos/as entrevistados/as, identifica- se com a esfera profissional de suas vidas como um elemento crucial para a realização de um sonho, como um despertar de uma possibilidade que era algo distante e até o ingresso em outras oportunidades de trabalho público. E com a dimensão educacional, como uma oportunidade de dedicação aos estudos, a chance de usufruir de cursos caros.
Quanto à realização de um sonho, em alguns relatos, o desejo de tornar-se diplomata foi explicitado e a concretização dessa vontade só foi ou se tornaria possível por meio do Programa,
JAWAAD: Essa história é muito legal, eu tinha dezessete pros dezoito anos. Antes de entrar na faculdade, eu ouvi falar de diplomacia aí eu falei: “Cara, eu vou fazer Letras porque com diplomacia tem tudo a ver.” ( Jawaad, 44, ex bolsista, diplomata)
Somente depois de vinte anos que Jawaad viu a possibilidade de realizar o sonho da juventude e a bolsa foi determinante para retomar o que ele acreditava já não ser mais uma opção para si
ENTREVISTADORA: Então, você considera que a bolsa foi determinante pra você?
JAWAAD: No meu caso, específico, absolutamente determinante. Sem a bolsa eu não passaria mesmo. Claro, além da bolsa, como falei anteriormente, ajuda de amigos. Morei em três casas de favor no Rio de Janeiro porque eu não tinha grana. No meu caso foi bem claro que a bolsa foi determinante. E o mais legal é que sua vida muda da água pro vinho. Hoje você está quebrado no Rio de Janeiro com bolsa, amanhã você vira diplomata em Brasília. (Jawaad, 44, ex-bolsista, diplomata)
Ainda sob o aspecto de realização de um sonho, Iyapo também demonstra, por meio das suas falas, como não conseguiria se ver como diplomata, função que ocupa hoje, se não fosse a bolsa.
IYAPO: Eu te falei, certamente não estaria aqui hoje se não fosse esse programa. Até porque eu não teria condições financeiras para me preparar. Eu vivi durante quatro anos com bolsa e nos momentos mais difíceis dava aula de inglês aqui, fazia uma tradução ali. Morava na periferia de São Paulo então, um muquifo. Pagava trezentos reais para morar num porão de uma casa. Gastava três a quatro horas do meu dia para ir e voltar no cursinho, mas, ainda assim, eu não teria tido essa oportunidade. (Iyapo, 32, ex-bolsista, diplomata)
E acrescenta que seria um sonho a ser esquecido como alguns outros sonhos que crianças e adolescentes têm que parecem algo apenas da fantasia.
ENTREVISTADORA: Você acha que se não existisse o programa você entraria na carreira diplomática?
IYAPO: Não. Eu não estaria aqui hoje.
ENTREVISTADORA: Você acha que o programa foi determinante para você entrar?
IYAPO: Acho não. Eu tenho quase certeza.
ENTREVISTADORA: Então se não tivesse o programa como você faria? IYAPO: Provavelmente teria sido um sonho como todos os outros sonhos de adolescência e juventude. Sei lá como teria sido. Como um sonho de bombeiro, médico, astronauta. (Iyapo, 32, ex-bolsista, diplomata).
Para uma das entrevistadas, a única mulher ex-bolsista diplomata, a diplomacia não foi um sonho de infância ou adolescência, mas foi uma vontade que foi concretizando-se ao conversar com amigos, ao refletir sobre o que queria para si enquanto escolha profissional. Mas com essa escolha, veio junto a certeza de que a bolsa seria essencial,
PENDO: Se não fosse a bolsa, jamais eu teria passado no concurso. Porque com o meu salário do banco eu não conseguiria pagar nem a mensalidade do curso preparatório. Ainda que eu pegasse meu salário inteiro e deixasse na recepção do curso, não iria pagar! Iria ficar duas matérias de fora, e esse é o concurso que você não se pode se dar ao luxo de não conhecer duas
matérias. Você tem que conhecer tudo e tem que ser muito bom em quase tudo. Então, a bolsa pra mim foi mais que essencial. (Pendo, 35, ex-bolsista, diplomata).
Mesmo já tendo a vontade de tornar-se diplomata, um dos entrevistados, que já sabia o quão oneroso era estudar para o concurso e por ter conhecimento dos valores, desacreditou, em um primeiro momento, que seria possível receber uma bolsa para estudar
CHENZIRA: Quando eu estava na UNESP fazia parte de um grupo de estudos e discussão sobre a situação do negro na sociedade. Alguém desse grupo prestou essa prova e eu fiquei sabendo e eu fui buscar informações. Achei muito interessante. A primeira reação foi de incredulidade. Eu não acreditava que o governo federal simplesmente, dava, entre aspas, né? Financiava uma pessoa que quisesse estudar pra ser diplomata, até porque (...) quando eu estava no início da faculdade, eu ficava imaginando como ia fazer pra estudar pra esse concurso (...) eu, na verdade, não tinha tanta noção que seria tão caro assim, mas depois que eu fui descobrindo, fui lendo mais, sabendo, aí que eu vi que seria ótimo ter um financiamento (...) Achei bastante interessante esse programa que ele te proporciona meios para você estudar e poder competir, em tese, em pé de igualdade com outras pessoas. (Chenzira, 29, ex-bolsista não se tornou diplomata).
A bolsa, no caso de Chenzira, somou para que ele pudesse continuar o seu plano de tornar-se um diplomata. Porém, não conseguiu entrar na carreira diplomática. O entrevistado conseguiu a bolsa por quatro anos e ainda pretende continuar estudando para a diplomacia, sem a bolsa, mesmo tendo ingressado em outro serviço público.
CHENZIRA: (...) é uma bolsa que te direcionava pro Instituto Rio Branco. Então você vai estudar só pra ele e não vai estudar pros outros concursos. Eu até ficava com um peso na consciência, falava: “nossa, estou recebendo essa bolsa do Instituto Rio Branco como vou estudar pra prova de gestor, como vou estudar pro concurso do Senado?” (...) mas, assim.... é uma prova muito difícil então acaba que se tem que ter um pouco de plano B pra você. Foi o que aconteceu, não posso reclamar dessa bolsa que ela me permitiu a passar no concurso onde estou agora. Mas pretendo continuar estudando para o Instituto Rio Branco, quero ser diplomata. Isso pra mim virou questão de honra. Tanto pela questão do programa em si, quanto pela questão pessoal. É uma carreira que me interessa, acho que vou ser feliz ali dentro. Hoje tenho menos ilusão com o serviço público. Pelo meu trabalho, tenho contato com alguns diplomatas. Sei que o trabalho deles é um trabalho burocrático como outro. Claro que os temas ali abordados me interessam
mais, pois trata da cooperação internacional, política internacional, isso é o que me atrai. (Chenzira, 29, ex-bolsista, não se tornou diplomata).
Uma parcela dos/as entrevistados/as afirmava que a possibilidade de conseguir a bolsa significou uma descoberta no sentido de nunca ter pensado antes em ser diplomata. Portanto, para essas pessoas o Programa foi como um despertar para algo que não fazia parte do seu campo de visão ou melhor, de alternativas para sua vida profissional. No caso de Eidi, foi a partir do encontro com um diplomata escritor que sugeriu que ela pensasse em fazer a prova e, em seguida, soube informações sobre a bolsa
EIDI – (...) pra mim, sempre foi uma profissão muito distante. Porque diplomata tinha que ser poliglota e como eu não tinha nem o inglês na época, então, eu disse: “é uma carreira que é difícil de eu tentar”. Mas assim, naquela hora eu tive um despertar, disse: “poxa! eu deveria tentar ser uma diplomata, como faz para conseguir isso, quais são os caminhos para fazer isso?” (Eidi, 29, candidata à bolsa).
Assim como Eidi, Esinan não se via diplomata e nem tinha informações sobre a bolsa. Mas quando soube da bolsa, através de uma amiga, decidiu fazer muito mais como estratégia para ter um recurso para estudar, do que como algo que realmente representasse adentrar a carreira. Porém a sua visão sobre o Programa e a diplomacia como um todo foi mudando
ESINAM: Eu já tinha inclinação para a questão social. Uma amiga minha me falou da diplomacia. Ela tinha tentado a bolsa em 2003 e tinha conseguido e me chamou pra fazer. E eu, sem conhecer muito, confesso pra você que, na época, sem entender muito bem o que eu estava fazendo, sem ter tempo para estudar, eu estava concluindo o meu curso de Inglês(...) E eu gostei da proposta da Bolsa Prêmio, porque eu poderia continuar estudando para alguma coisa e ter uma bolsa pra isso. E fiz a prova, mas sem muita preocupação com nada, e não estudei nada e não passei. Primeiro, o que me chamou atenção foi a bolsa. Mas, eu vi o material que a minha amiga usou para estudar para a bolsa, aí eu já fiquei muito interessada no concurso, porque eu vi que tinham disciplinas e era um cargo que tinha muito a ver com as coisas que eu gostaria de fazer. (Esinam, 44, candidata à bolsa).
O despertar para a diplomacia para Esinam aconteceu de uma maneira tortuosa, que no primeiro momento pareceu algo que não a mobilizava tanto. Contudo, aos poucos ela foi se aproximando e conhecendo um pouco mais sobre a carreira diplomática e os temas que envolvem tal espaço, que, mesmo depois de dez anos que ela tentou a bolsa pela primeira vez, depois de ter concluído o mestrado e o doutorado, ter sido professora universitária e, atualmente, consultora do Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID), ela retoma a ideia de tentar novamente pleitear a bolsa com o objetivo de tornar-se diplomata.
Sobre a bolsa como uma possibilidade de ampliar os conhecimentos, aprofundar a formação foi um tema explorado por todos/as entrevistados/as no sentido de fazer uma auto avaliação sobre que tipo de conhecimento já adquiriu na sua trajetória e/ou o que precisa ou precisou aprofundar mais para conseguir tornar-se bolsista e/ou diplomata. Os/as bolsistas e ex-bolsistas, conforme já era esperado, relataram mais detalhadamente a importância da bolsa para ampliar os seus conhecimentos e contribuir de maneira direta com sua formação. Um dos entrevistados relata não somente a importância da bolsa em si para a sua formação, como também o feedback recebido por um diplomata, membro da banca de seleção da bolsa,
ABAYOMI: a segunda entrevista (...) o Jawaad, que eu gosto muito dele. Ele viu minha redação e falou o “com essa redação aqui, você não vai para lugar nenhum”. O único momento que eu tive [acompanhamento], foi esse, do dia da entrevista. Ele sendo franco e falar que minha redação era um lixo. Aí eu pensei: “velho, não vou perder [por causa da] minha redação não, de novo, não. (...)vou ser o melhor homem de redação”. E não vou dizer que fui o melhor mas, fui [um] dos melhores. No cursinho fui um dos melhores. No resultado do concurso fiz setenta pontos, sessenta que era, fiz setenta. É não foi uma das melhores, mais foi bom. (Abayomi, 36, ex-bolsista, diplomata).
Para além do incentivo, recebido por Abayomi, que fez com que ele lançasse mão do aporte que ele tinha para investir naquilo que foi apontado como lacuna, outros/as entrevistados/as, relataram tanto a busca para suprir lacunas já identificadas, quanto o investimento em outras possibilidades de formação. Sobre preencher lacunas de conhecimentos necessários para passar no concurso, Pendo assinala sua preocupação anterior, até para conseguir a bolsa. Porém, em seguida, ao tornar-se bolsista, o recurso da bolsa foi crucial
PENDO: (...) quando comecei a pensar na diplomacia, primeiro procurei saber como era o curso, quais eram as matérias. E aí eu vi quais eram as matérias, eu pensei: “nossa senhora, não vai dar! Economia, direito. Meu deus do céu! Eu não vou conseguir.” Na época tinha que fazer prova de francês, eu pensei: “é impossível! Eu não sei nada de francês, o que eu vou fazer?” E aí eu fui atrás desse recorte [de jornal sobre o Programa] que eu tinha, e cassei lá na minha estante, e achei, procurei na internet, achei lá a página de ação afirmativa. (...) Enfim, mas bolsa foi o que me permitiu realmente pensar em fazer o concurso, porque se eu não tivesse essas matérias que considero desconhecidas, como economia, direito né, que eu não tinha menor ideia do que se estudava, de como era. (Pendo, 35, ex-bolsista, diplomata)
Uma das lacunas também relatadas pelos candidatos à bolsa, bolsistas e ex- bolsistas foi o idioma estrangeiro. Mesmo todos tendo o domínio de um idioma, eles relataram a preocupação e a importância de dominar pelo menos dois para a prova e, depois, no cotidiano da diplomacia. No que refere-se ao aproveitamento do recurso da bolsa para ampliar o conhecimento, um dos ex-bolsistas relata a sua experiência de obter título de pós graduação stricto sensu como possibilidade de aproveitar a oportunidade da bolsa
CHENZIRA: (...) Por exemplo, eu fiz mestrado durante a preparação para o Instituto Rio Branco. Foi em Relações Internacionais. Mesmo assim acho que me tirou o foco. Então, eu contei toda essa história para dizer que o Instituto Rio Branco fez uma reunião com os bolsistas para discutir o programa e deixou a entender que a prova era difícil, a formação era boa e que agente deveria aproveitar para outros concursos também. Assim, me senti à vontade para me inscrever no mestrado devido os professores da UNB ser membros da banca do Instituto Rio Branco. (Chenzira, 29, ex-bolsista que não se tornou diplomata).
O entrevistado também relatou o cuidado dos responsáveis pelo Programa ao sugerir que, mesmo recebendo o recurso para estudar para diplomacia, não se restringisse a esse concurso por seu grau de dificuldade. Parece contraditório, mas ao mesmo tempo, essa atitude pode ser vista também como desconsideração sobre a eficiência da proposta do Programa. Por outro lado, pode ser sinônimo de cuidado para com os/as bolsistas no sentido de não contribuir com uma falsa esperança de que todos serão aprovados/as no CACD.
Sobre os procedimentos de renovação da bolsa, um dos entrevistados considera que, mesmo com a possibilidade de renovar a bolsa, o sistema adotado para renovação não seria o adequado por ter como um dos critérios passar na primeira etapa do CACD e pelo fato de ter que participar da mesma seleção que as pessoas que são candidatas pela primeira vez,
IYAPO: Eu acho que a forma que eles estabelecem o acompanhamento de desempenho, ao meu ver, não foi a melhor. Eu tive a sorte de ter mantido uma constante. No primeiro ano, eu perdi na primeira fase. A partir do segundo ano, passei por todas as fases do concurso, sempre no ascendente: quadragésimo quinto, trigésimo quarto...Até consegui entrar em vigésimo sexto. Mas, eu conheço colegas, muito bons, que foram muito bem, mas no ano seguinte, não passaram da primeira fase do concurso. Até porque tem havido uma redução de pessoas que passa pela primeira fase... Então, acho que só a prova não mede, de fato, o esforço ou o desempenho do candidato. Você pode não ter ido muito bem naquela prova, mas não significa que você não tenha evoluído bastante. Eu acho que tem uma forma mais interessante, mais inteligente de solucionar o problema. (...) Também acho que é um problema, porque não sou a favor da concessão indefinida das bolsas (...) Tem que ter um critério, porque senão você cria uma espécie de... uma elite ali dentro. E aí a ideia não é essa. A ideia é você democratizar o máximo possível e não você pegar um grupo restrito de pessoas que não, necessariamente, vão passar. (...) A verdade é que tem pessoas que não vão passar mesmo, por enes razões, que também não significa demérito delas. Mas, eu acho que uma forma talvez seja mais interessante de lidar com essa questão seria você pegar dentro número de bolsas que são concedidas todos os anos, estabelecer uma concorrência da seguinte forma: quem foi bolsista vai fazer a prova para renovar a bolsa, mas, vai concorrer com quem foi bolsista. E quem não foi, está tentando pela primeira vez [vai disputar com quem também ainda não se tornou bolsista] ... Essa que é uma grande questão, as pessoas se ressentiam nas redes sociais por que... “Olha eu tô tentando há dois, três para conseguir a bolsa mas, o fulano lá, que é bolsista há cinco anos, passa e eu não passo”. É obvio, ele é bolsista, ele tá se preparando para o concurso, que é muito mais difícil. Então, assim esse cara vai concorrer com quem tá tentando a primeira vez a bolsa, ele vai ter uma vantagem muito grande .... Eu acho que a forma mais inteligente seria você pegar cinquenta por cento, assim, é o mínimo, cinquenta por cento das bolsas sendo concedidas para quem ainda não foi bolsista, e aí você garante a oxigenação mínima do programa. (Iyapo, 32, ex-bolsista, diplomata)
Diante de tantas transformações pelas quais o Programa passou, as percepções sobre ele a partir do olhar do grupo que foi entrevistado tornam-se heterogêneas, mesmo porque eles/as estão falando a partir de quatro situações diferentes: quem ainda não passou na prova da bolsa, quem é bolsista, quem é ex- bolsista e tornou-se diplomata e quem é ex-bolsista e não se tornou diplomata. No caso de quem não foi aprovado para conseguir a bolsa, a frustração e a percepção real da dificuldade do concurso e, por outro lado o reconhecimento de que, no caso
do concurso, não é uma questão de incapacidade, mas pela dificuldade e as limitações de vaga do concurso
EIDI: (...) eu achava, na época, que o problema estava em mim, eu não tinha conseguido [a bolsa], porque minha pontuação foi péssima, muito ruim, vergonhoso. [falava para a amiga] “eu achava que eu sabia inglês, sabia relações internacionais. Gente! Como eu sou burra! Gente! Como eu não sei nada!”. [a amiga respondeu] “ o que você está passando, todo mundo [que tenta a prova do concurso] passa, isso é tão real, por isso que o Programa foi criado”. Aí eu vi, puxa eu posso acreditar em mim, tá vendo que é muito difícil... e tem gente que nasce e a família já educa para isso, já sabendo que aquela criança será um diplomata. Já bota em um cursinho de inglês, viaja... Enquanto que a gente tem que ler sobre Rússia, aquela pessoa já foi à Rússia. (Eidi, 29, candidata à bolsa)
Sendo assim, Eidi ainda ressalta que só o fato do Programa existir, já remete a dois elementos importantes para as pessoas que se encaixam no perfil do PAA: ser negro/a como requisito necessário para o concurso e que o concurso é difícil para todos, não apenas para os/as negros/as
EIDI: A primeira coisa, quando as pessoas veem, quando surge esse programa é o seguinte: olha, [existe] esse programa é porque tem muito preto querendo entrar. Então, quer dizer que a carreira diplomática é uma carreira almejada pelos negros. Estamos querendo ocupar esse espaço. E a segunda coisa é que essa bolsa me fez ter certeza que eu não era a única a ter dificuldades, porque quando você faz uma prova e mesmo estudando, você tem uma baixa colocação, você acha que o problema está em você. Agora, quando você vê que outras pessoas também têm dificuldades, então já passa a ser um problema social e racial, porque há uma demarcação de espaço, de quem deve estar no Itamaraty e quem não deve estar, quem está de fora sempre sou eu... e pessoas iguais a mim. (Eidi, 29, candidata à bolsa).
Enquanto a percepção de Eidi em relação à bolsa perpassa por uma necessidade de romper a barreira em relação à complexidade e dificuldade até para passar na bolsa para estudar e concorrer ao concurso, quem já foi aprovado/a e recebe a bolsa começa a enfrentar as dificuldades burocráticas, inclusive até para o recebimento da bolsa
LINA: Sim...eu fiquei sabendo do programa em 2012, queria fazer por experiência, mas perdi a inscrição. Aí fiquei de olho em 2013. Coincidiu que eu me formei e dois meses depois teve a prova e eu fiz. Até agora estou esperando chegar a parcela da bolsa que está demorado o processo. ENTREVISTADORA: Você passou no início do ano e mudou pro Rio? LINA: A prova foi em dezembro, final do mês saiu o resultado. Depois, em fevereiro, foram as entrevistas em Brasília, e, no final de março, saiu o resultado dos aprovados. Em abril começou o curso que estou fazendo aqui no Rio de Janeiro, por isso vim pra cá.
ENTREVISTADORA: Como que é? Eles mandam em duas parcelas? LINA: Antes eu pensei que eram duas parcelas, mas depois eu recebi um e-