ENTEGRE RAPORLAMA
2.4. Entegre Raporlamanın Teorik Bileşenleri
Em tempos de mass media, em que somos bombardeados por informações milhares de vezes por dia, diversos modelos de comportamento nos são sedutoramente apresentados. Nesse sentido, podemos citar os trabalhos desenvolvidos pelos neomarxistas da Escola de Frankfurt, que exploraram o termo indústria cultural. Essa indústria, segundo Adorno e Horkheiner (2002), consiste em moldar a produção artística e cultural, fazendo-a assumir caráter comercial de fácil reprodução. No pensamento dos autores, a indústria cultural não promove conhecimento, apenas consumo. O conhecimento, então, ficaria relegado apenas à elite. Músicas, filmes, programas de rádio e televisão são produtos voltados para o consumo, em que o foco está muito mais no entretenimento do que na informação. Os produtos culturais industrializados são tidos como de massa pelo fato de buscar um nivelamento por baixo: por tentar atingir um grande número de pessoas, seu conteúdo deve ser de fácil assimilação e fácil reprodução. Assim, a veiculação desses produtos está ligada inevitavelmente aos meios de comunicação de massa - mídias, responsáveis pela difusão de tais produtos, de modo que esses meios adquirem um poder de manipulação que aliena as massas dos reais problemas sociais.
A mídia atinge a sociedade em sua extensão, por isso, tem o poder de criar realidades a partir da manipulação da informação (de sua edição e até de seu apagamento), conforme sua conveniência. Nesse processo de manipulação, cabe à mídia, por meio de seus representantes,
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avaliar o que é bom e o que não é. Nessa perspectiva, a mídia se torna um importante instrumento do poder para manipular a percepção social, mobilizando, para isso, grande número de recursos humanos - apresentadores, jornalistas, especialistas e mesmo as pessoas comuns em versões editadas pela mídia, como é o caso de entrevistas com pessoas na
rua, em que são exibidas apenas aquelas pessoas que falam aquilo que se quer que seja dito. É pela mídia e seus especialistas, por exemplo, que temos acesso às avaliações de filmes, livros e toda sorte de produções culturais, uma vez que o especialista é aquele profissional que domina determinada área de produção cultural, geralmente representado pelo crítico: de cinema, literário, teatral etc. Contudo, um especialista não precisa, necessariamente, ser um crítico. Pode ser também um produtor, um diretor, um escritor ou qualquer profissional ligado à produção cultural e que tem, por isso, autoridade para avaliar o que pode ser considerado bom ou não. A literatura, por exemplo, é presença constante na mídia, principalmente na impressa: jornais e revistas dedicam espaços a avaliações literárias.
Dessa forma, a mídia não acaba com o individualismo da arte, mas, por funcionar como aparelho de reprodução ideológica do capitalismo em nossa sociedade, submete a arte a critérios comerciais. O grande escritor ainda é identificado dessa forma; tanto quanto incorpora a lógica do mercado editorial. Adorno e Horkheimer (2002) compreendem que a indústria cultural faz uso do vedetismo ou culto à personalidade em relação a sua produção artística.
O termo indústria cultural tem sofrido diversas críticas e, por isso, vale delimitar aqui o que se pretende explorar com o uso desse termo. Existe um problema ao se abordar as produções culturais sob a ótica da indústria cultural, pois essa traz consigo conceitos como cultura
superior e cultura de massa. Tais designações podem sugerir a cultura popular como um produto inferior de produção cultural. Isso decorre do fato de a arte - ou daquilo que se considera arte – estar ligada à elite. A arte era – e, de certa forma, ainda é – controlada por ela. Ainda hoje não parecem claro os critérios de avaliação que definem o que é e o que não é arte, assim como não é possível delimitar o que é e o que não é literatura.
Contudo, não cabe aqui a discussão sobre se existe ou não uma indústria cultural, uma cultura fabricada e sua relação com a produção cultural de outras classes econômicas e sociais. O que nos interessa do conceito de indústria cultural é a abordagem mercantilista sob o qual as produções culturais estão sujeitas e sua relação com valorização e desvalorização de seus produtores dependendo dos interesses que emergem ideologicamente.
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A presença na mídia faz parte do rito que constrói o mito de Cora Coralina. A partir da divulgação de sua obra pelo poeta Carlos Drummond de Andrade, a escritora foi entrevistada por jornais, tanto impressos quanto televisivos em nível nacional. Também era citada em reportagens que relacionavam a velhice e a produção profissional6. As notícias sobre premiações e homenagens, bem como resenhas sobre suas publicações também fazem parte dessa exposição midiática. Mesmo depois de sua morte, as reportagens sobre sua obra ou sua vida, as peças de teatro produzidas em sua homenagem, os prêmios, bibliotecas e centros culturais que noticiosamente aparecem nos jornais ajudam a construir o culto à personalidade da escritora. As cerimônias de premiação ou homenagens, mesmo póstumas, são ritos por si só, com a finalidade de celebrar um indivíduo por suas realizações, criando, dessa forma, uma relevância social para tal indivíduo, destacando-o dos demais.
Cora é torna-se um fato noticioso: uma idosa que faz doces e escreve poesia. Dessa forma, o movimento de construção de Cora Coralina que está ocorrendo explora, pela mídia, tanto o fato noticioso quanto algumas etapas da trajetória heroica – a infância pobre, a velhice solitária, o trabalho para se sustentar e a prática literária. No plano das cognições sociais, Cora Coralina rompe com o estereótipo da mulher e do velho e emerge como mito de superação (do gênero e da idade), em uma batalha heroica contra o preconceito e o tempo, instaurando um modelo de conduta, em um momento em que se busca, socialmente, a valorização da mulher e do idoso.
3.7 Considerações finais
Omitoé um termo complexo, que pode ser abordado sob várias perspectivas. Neste trabalho de pesquisa, interessa considerá-lo, principalmente, como um sistema de imagens e crenças que apresentam uma lógica de ação, cuja função mais importante é fixar modelos exemplares. Nessa condição o mito explica a maneira pela qual o homem estrutura seus pensamentos e gera modelos de comportamentos arquetípicos, que se manifestam como estruturas mentais profundas e universais, mas que, devido à cultura, assumem diferentes formas. Por ser uma instância simbólica (Cassirer, 1985; Morin, 1987; Eliade 2010), o mito pode ser considerado como uma linguagem e, como qualquer linguagem, o mito sofre a influência do tempo e dos lugares. Uma dessas influências o aproximou do campo da Literatura, pois, assim como ela, é
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capaz de evocar a realidade existencial do homem. Além disso, aestrutura aquertípica do mito advindas das repetidas experiências do homem no percurso de sua vida forjou o monomito do herói (Campbell, 2007) e eternizaram abusca do ser humano pelo significado e sentido de sua vida.A natureza arquetípica do mito permite, também, a criação do que Eliade (2010) denomina
mitos profanos
, ou seja, mitos que, no lugar de remeter o homem a uma religação com o passado primordial, prende o homem no seu presente efêmero voltado para realidade prática. Assim, surgem novos modelos, novos mitos, novas realidades, portanto novos conteúdos que preenchem as figuras arquetípicas do mito que podem ser traduzidas como experiências estruturais da consciência. Enfim, o mito é uma forma essencial de orientação relacionada à nossa experiência no mundo.91
4 Discurso: conhecimento e prática
4.1 Apresentação
O objetivo deste capítulo é discutir alguns conceitos teóricos relacionados ao discurso que subsidiam sua compreensão na perspectiva sociocognitiva. Essa compreensão pressupõe a interrelação entre as categorias cognição, sociedade e discurso. A cognição é vista como propriedade humana desenvolvida com base nas representações socioculturais compartilhadas. A sociedade é vista como construto humano que resulta de interações coordenadas e negociadas entre atores sociais. E o discurso um modo de ação estruturado linguísticamente que colocam em articulação representações construídas na dimensão cognitiva com base nos conhecimentos socialmente compartilhados. Considerando, portanto, a interrelação dessas três categorias, o capítulo se desenvolve articulando ao conceito de discurso às questões relativas à memória, representações sociais, cultura, ideologia, contexto, intertextualidade, interdiscursividade, identidades, papéis sociais e