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Araştırmada Kullanılan Verilerin Açımlayıcı Faktör Analizi (AFA) Sonuçları

ENTEGRE RAPORLAMA

ÜZERİNDEKİ ETKİSİNİN YAPISAL EŞİTLİK MODELİ İLE ÖLÇÜLMESİ

3.2.1. Araştırmada Kullanılan Verilerin Açımlayıcı Faktör Analizi (AFA) Sonuçları

As Representações Sociais (RS) são elaboradas na vida cotidiana, por meio da linguagem e das interações comunicativas estabelecidas entre os sujeitos, que, inseridos em determinada realidade social, criam suas próprias teorias para entendê-la. Nesses termos, as pessoas e os grupos sociais não são receptores passivos; pensam por si mesmos, compartilham seus pensamentos relacionados à maneira de compreenderem o mundo, em que imagens e símbolos servem para solucionar algum problema ou para interpretar o meio em que interagem.

Um dos aspectos distintivos na Teoria das Representações Sociais (TRS) é a importância atribuída por Moscovici (1978) ao enfatizar os vínculos entre a comunicação e as RS. Na comunicação as palavras mudam de sentido de uso e de freqüências e os conteúdos adotam outra forma. Nesse processo de partilhar idéias quando os léxicos são transpostos de um conceito para outro, constituem-se em entidades coletivamente criadas por meio de hábitos linguísticos.

A esse respeito, Moscovici (2003) observa:

A tendência, pois, em transformar verbos em substantivos, ou o viés pelas categorias gramaticais de palavras com sentidos semelhantes, é um sinal seguro de que a gramática está sendo objetivada, de que as palavras não apenas representam coisas, mas as criam e as investem com suas próprias características.(MOSCOVICI, 2003, p. 77).

Nesse processo de interação, dirigimos a atenção para os elementos simbólicos, as imagens e os vocabulários sociais.

[...] Uma comunicação jamais reduz uma informação de forma inalterada. Ela diferencia, traduz, [...], combina, assim como os grupos inventam, diferenciam e interpretam os objetos sociais ou as representações sociais de outros grupos. (MOSCOVICI, 1978, p. 29).

Jodelet (2001) enfatiza as razões pelas quais o propositor desta teoria insistiu na ênfase ao papel da comunicação social: primeiro por ser esta considerada objeto de estudo da Psicologia Social, contribuindo para a abordagem dos fenômenos cognitivos; segundo por desempenhar um papel importante nas trocas e compartilhamentos, possibilitando a criação de

um universo consensual; terceiro por se vincular a fenômenos de influência e de pertenças sociais relevantes para a elaboração de sistemas intelectuais.

Construindo um entendimento sobre o modo como se formam as RS, Jodelet (2001) nos apresenta o contexto do surgimento da Síndrome de Imunodeficiência Adquirida3 (AIDS) que tem repercutido socialmente no mundo. Inicialmente, nos anos de 1980, quando apareceu, as pessoas depararam com um tipo de doença que não estava muito esclarecida na sociedade. Assim como no cotidiano, é uma atitude comum entre as pessoas, diante de um fenômeno requererem e darem explicações sobre as questões ou catástrofes à sua volta, no exemplo mencionado, os interlocutores sociais buscam aclarar a enfermidade, partindo dos elementos do seu universo de conhecimento para entender do que se tratava.

De alguma forma, ao tentarem dar respostas ou significados à novidade por meio da comunicação, à medida que a AIDS impôs-se à ausência de respostas dentro do grupo, este buscou formas familiares, conhecimentos preexistentes para entendê-la. As conversações foram então adquirindo formas que podem ser ditas de diferentes maneiras, englobando valores, atitudes, opiniões, que, por sua vez, podem envolver crenças, metáforas e imagens.

Tornando, pois, ao propósito desta pesquisa - conhecer as Representações Sociais da Sexualidade e da Educação Sexual junto a um grupo de professores de escolas públicas - os embasamentos teóricos aqui referidos nos possibilitam compreender o que eles pensam sobre a temática e de que forma esses conhecimentos estão orientando suas experiências no trato à questão no cotidiano escolar.

Partimos do princípio de que as palavras expressam os significados que lhes atribuímos. Portanto, daremos atenção ao aspecto simbólico da comunicação, interessando- nos o conhecimento elaborado e partilhado que se situa no polo de uma dimensão propriamente psicossocial, já que em sua produção combinam-se processos psicológicos e sociais. É nesta perspectiva que tecemos alguns comentários sobre RS e comunicação, partindo do entendimento sobre a antinomia da dialogicidade. Pensar em antinomia é uma forma de fazermos distinções entre as coisas da natureza e do mundo. Significa pensar em e por oposição, em polaridades e dualidades. Enfim, é a capacidade intelectual de classificarmos as coisas e estabelecermos diferenças entre termos como direita e esquerda, claro e escuro, interior e exterior e outros.

Dentre outras proposições teóricas, Marková (2006), elabora o conceito de dialogismo definido como uma epistemologia da cognição humana e da comunicação. Desde que nascemos fazemos nosso mundo pela linguagem do Outro. O Eu é orientado de acordo com o mundo do Outro. Aprendemos as palavras dos outros, cujo mundo multifacetado e ambíguo torna-se parte da nossa própria consciência. Inserimo-nos em sua cultura e, de certa forma, orientamos nossa vida pela vida dos outros. De outro modo, o Eu não existiria sem o Outro. Na relação Alter-Ego, ambos são interdependentes, um constitui o outro.

Então, a dialogicidade gera tipos diversos de pensamentos e de comunicação. Marková (2006) formula o entendimento de dialogicidade e RS, ao afirmar que o diálogo é, por conseguinte, a forma que os humanos encontram para expressar suas atividades simbólicas.

[...] a dialogicidade é a capacidade fundamental da mente humana em conceber, criar e comunicar sobre as realidades sociais em termos do Alter [...]. Somente quando chegamos à antinomia Alter-Ego é que o nosso argumento a respeito da natureza universal do pensamento e da comunicação pode ser revertido. (MARKOVÁ, 2006, p. 128).

Nesse sentido, a dialogicidade ocupa-se com a existência humana e com a existência comunicativa, e isso nos leva a analisar que os objetos físicos e naturais não estão em relação interativa com os humanos e, portanto, não se associam ao que é dialógico. O que constitui esta capacidade é a interação da ordem Eu-Outro que, por sua vez, não são neutras. Ela acontece estabelecendo-se mediante avaliações, julgamentos, paixões pelo objeto, de modo que ambos imprimem sua posição na relação.

A dialogicidade é uma comunicação aberta, multifacetada e pode ser representada por muitas palavras. A exemplo, Marková (2006) nos informa que nas décadas de 1970 e 1980 acreditava-se que médicos e clientes envolvidos em diferentes tipos de problemas deveriam receber informações imparciais. Entretanto, na perspectiva em que a comunicação é dialógica não pode ser reduzida a ação neutra, pois as pessoas têm a capacidade de ouvir atentamente, interpretar mensagens, ler mensagens de acordo com o que foi ou não falado. Desse modo, torna-se muito difícil transformar a dialogicidade em campo de neutralidade.

No sistema de comunicação, para os interlocutores conseguirem transmitir uma mensagem, um impõe seus próprios significados para o outro, mas isso não significa que a dialogicidade seja uma fusão. Para realçar essa idéia, Marková (2006) analisa que a linguagem é o veículo do pensamento, concepção na qual pensar e falar não podem ser vistos como processos equivalentes. Se o pensamento é comunicável, então, deduz a autora, somos

capazes de combinar e usar nossas capacidades intelectuais de diversas maneiras, para exprimir nossas idéias por meio de palavras, símbolos, gestos.

A capacidade de pensar racionalmente e de comunicar constitui o potencial para o pensamento de senso comum. Poderíamos dizer então que a racionalidade não é uma racionalidade individual, mas sim uma racionalidade dialógica. (MARKOVÁ, 2006, p, 195).

Desta maneira, como se forma o pensamento ou como é que pensamos? Do ponto de vista filosófico, existem duas formas de conhecer: as idéias do senso comum e as do conhecimento científico. As primeiras são consideradas conhecimento universal, pois são provenientes das mentes de todos os indivíduos, e tornam-se assim, um produto do coletivo, popular e relativista. Enquanto o conhecimento científico representa a razão, este pertence à cultura comum. As verdades da ciência são consideradas superiores, sendo produzidas por pessoas educadas de maneira especializada, e os produtos deste saber provêm de pesquisas feitas em laboratórios ou em campos de pesquisa. A racionalidade segue os princípios de que os conceitos científicos têm que subscrever as mesmas regras, rejeitam a contradição e devem levar em conta a lógica do argumento.

Em uma pesquisa social científica, entretanto, o conhecimento de senso comum contribui para formar uma enorme fonte de idéias e de imaginações. Por isso, Moscovici (2003) diz que as duas formas de pensar coexistem e se complementam.

Nesta pesquisa, parece-nos fundamental incluir a noção da comunicação, enfatizando a dialogicidade nos domínios das conversações do dia a dia, pois, de certa forma, o que as pessoas dizem delineia o que elas pensam. Na medida em que esses pensamentos são comunicados, compartilhados, produzem RS. Conseqüentemente, estas contribuem na formação das condutas humanas.

O conhecimento popular oferece-nos um campo privilegiado de exploração, porém, nem sempre foi assim tão simples de ser reconhecido. Existem questões epistemológicas e históricas envolvidas e que não aprofundaremos aqui. Por ora, intencionamos entender que existem relações entre o conhecimento de senso comum e as representações sociais.

Desde que viemos ao mundo da sociedade e da cultura, adentramos no saber que nos enreda com as diversas formas de pensamento, de sabedoria, de comunicação e nos guia em conversações ao longo da vida. A TRS estuda e constrói teorias acerca de fenômenos sociais que se tornaram alvo de interesse público. “As representações sociais de fenômenos específicos, [...] estão enraizadas ou inter-relacionadas com várias práticas sociais e com

discursos profissionais e científicos [...] e pelo conhecimento de senso comum”. (MARKOVÁ, 2006, p. 2002).

A importância desta breve resenha sobre o senso comum e o conhecimento científico respeita à contribuição de Moscovici (1978; 2003) em reabilitar o conhecimento comum no contexto desta teoria. Tratando-se de produtos do conhecimento, enquanto o de senso comum existe em todas as partes, no discurso, na linguagem, nos folguedos e são desenvolvidos a partir das conversações, os regimes de saberes científicos são estudados a partir das análises das teorias que a ciência examina, experimentando dados relevantes, revisando bibliografias de pesquisas e outros. A dialogicidade desempenha um papel essencial nesse processo, contribuindo com o desenvolvimento do conhecimento espontâneo, do saber comum, acumulado no cotidiano. Como referimos, Moscovici (1978) assegura que esse conceito é fundamental para a ciência e a filosofia, pois é da sua inocência, de suas ilusões, de seus arquétipos e pré-concepções que elas extraem seus materiais para a construção de suas teorias.

Consideramos importante retomar alguns aspectos históricos da construção do conceito de RS, introduzidos há aproximadamente meio século, com a publicação da obra Psicanálise et son public, de Serge Moscovici (1978). Na época, década de 1960, na França, a Psicanálise era alvo de interesse público, e o assunto partilhado por meio de trocadilhos e metáforas empregadas na linguagem diária das pessoas. Em suas investigações, Moscovici (1978), procura averiguar que imagem o grande público faz de uma disciplina científica e técnica quando ela sai do domínio dos especialistas e espalha-se no discurso cotidiano das pessoas comuns. De outra forma, o problema do autor é compreender como o conhecimento científico é transformado em conhecimento espontâneo, concluindo que, quando integrado ao conjunto de informações mais familiares e compartilhadas nas conversações, aquele primeiro é utilizado no cotidiano para explicar, interpretar e guiar condutas humanas.

A Teoria das Representações Sociais (TRS), portanto, situa-se no seio da Psicologia Social, e uma das contribuições para esse campo do conhecimento refere-se principalmente à maneira de pensar o homem como um ser social e histórico, cujo conhecimento nasce da interação e dos processos de troca com o outro e com a natureza.

Então, qualquer fenômeno pode se transformar em objeto de representação social? A TRS estuda tipos específicos de representações, constrói conhecimentos a respeito de objetos sociais que se tornaram, sem motivo aparente, alvo de preocupação pública. Em geral, são fenômenos que causam tensão e provocam ações. Na disseminação dos discursos, os objetos: “[...] podem se referir a diferentes tipos de Alter-Ego, isto é, a indivíduos, a grupos

ou sociedades que ativamente engajam em pensamentos e em comunicação sobre tais fenômenos.” (MARKOVÁ, 2006, p. 203).

Sobre a finalidade das RS, Moscovici (2003) alerta que uma de suas funções é tornar a comunicação relativamente não-problemática e reduzir o vago através do estabelecimento de algum consenso entre seus membros, que, nesse processo, adquirem um repertório comum para interpretar e explicar a vida cotidiana:

[...] as representações não podem ser conseguidas através do estudo de alguma crença ou conhecimentos explícitos, nem ser criadas através de alguma deliberação específica. Ao contrário, elas são formadas através de influências recíprocas, através de negociações implícitas no curso das conversações, onde as pessoas se orientam para modelos simbólicos, imagens e valores compartilhados específicos. (MOSCOVICI, 2003, p. 208).

Ainda sobre o objetivo, o teórico assegura que as Representações Sociais buscam “[...] abstrair sentido do mundo e introduzir nele ordens e percepções, que reproduzam o mundo de uma forma significativa.” (MOSCOVICI, 2003, p. 46). A comparação das RS a uma folha de papel, ainda é um exemplo que se perpetua nas literaturas originais na tentativa de mostrar as duas faces interdependentes das representações: uma que é a reprodução nítida da idéia ou objeto e a outra, a face simbólica. Assim, representação é igual a imagem e significação. Através de mecanismos mentais, o sujeito constrói a figura no universo de suas percepções e lhes dá significado a partir da sua visão de mundo e da interação social.

Em suma, um dos motivos que conduzem as pessoas na elaboração de representações está ligado à tentativa de construírem uma ponte entre o estranho e o familiar. O grupo social, por meio de um trabalho de memória, tenta solucionar os problemas ou elucidar as novidades, acomodando-as a características já conhecidas. A partir de seu universo de conhecimento, as pessoas integram as informações ao que lhes é mais familiar para compreendê-las, dominá-las.

Desta forma compreendemos que as representações sociais têm dentre suas funções, guiar as pessoas no modo de nomear, definir e interpretar os diferentes aspectos da realidade e, às vezes, tomar decisões e posicionar-se frente aos acontecimentos da vida cotidiana de forma defensiva.

1.3.3 Conceituando representações sociais

Anteriormente consideramos este constructo sobre RS como pensamentos em movimento, pelo seu aspecto dinâmico e aberto, o que suscita, agora, uma reflexão sobre a transformação e a formalização do seu conceito.

Para construir a base teórica do seu estudo, Moscovici (1978) busca sustentação nos pensadores das Ciências Humanas e Sociais. Nesse sentido, o conceito de RS chegou até nós por meio de Durkheim, que o formulou e empregou com o sentido de representações coletivas. Do ponto de vista desse filósofo, as representações abrangiam uma classe geral de idéias e crenças, que incluíam a ciência, o mito, a religião.

Na análise de Moscovici (2003) esses conhecimentos pertencem a outras ordens do saber e cumprem outras funções na vida social. Assim, qualquer tipo de idéia, emoção ou mística que ocorre dentro de uma comunidade, nela se inclui. O pesquisador considera essa uma questão problemática, pois a intuição e a experiência têm mostrado que quando estudamos algum fenômeno torna-se impossível cobrirmos um raio de conhecimento muito amplo. Por outro lado, conhecimentos e crenças são heterogêneos de modo que as RS são concebidas com um entendimento diferente.

Ao enfatizar aspectos que o levou à formulação das RS, Moscovici (2003, p. 46, grifo do autor) destaca duas premissas: “[...] as representações sociais devem ser vistas como uma maneira específica de compreender e comunicar o que nós já sabemos”. Desse modo, um dos objetivos é considerar à parte elementos de uma totalidade e introduzir neles sentidos e percepções, reproduzindo-os de maneira significativa. Tendo em mente que uma representação sempre apresenta duas faces, a icônica e a simbólica, diz o autor que “[...] a representação iguala toda imagem a uma idéia e toda idéia a uma imagem”.

Este autor chama a atenção ao uso da linguagem, que é carregada de representações. A técnica da observação expressa os fatos tais quais existem e a linguagem da lógica expressa os símbolos abstratos. Antes, no início do século XIX, as idéias - tanto as coletivas quanto as da pesquisa abstrata - eram iguais para o senso comum e para a ciência. Hoje, o mundo da nossa experiência e da realidade se rachou em dois: a linguagem não verbal – matemática e lógica se apropriaram da esfera da ciência e substituíram signos por léxicos e equações por proposições. Em suma, “[...] o objetivo da ciência é tornar familiar o não- familiar em suas equações matemáticas, como em seus laboratórios”. (MOSCOVICI, 2003, p. 60).

Moscovici (2003) apresenta dois universos para mostrar o lugar que as representações ocupam em uma sociedade pensante. Antes, esse lugar era determinado pela distinção que se fazia entre o domínio dos conhecimentos sagrados e profanos e, hoje, essa diferença foi substituída pelo universo da ciência. No primeiro caso, a sociedade é uma criação visível que se movimenta e tem sentido e finalidade, sendo vista como um grupo de pessoas semelhantes e livres e que podem falar individualmente em nome da coletividade, pois cada uma possui competência para atuar em todas as circunstâncias e não lhe é requerida habilidade específica.

Esses mundos são institucionalizados nos bares, nos clubes, nas associações e nas academias. O que faz os grupos prosperarem é a conversação, os discursos que criam significância entre os praticantes. Nesses locais, as pessoas pensam em voz alta, expressam suas opiniões e seus pontos de vista.

[...] pensamos e vemos por procuração, interpretamos fenômenos sociais e naturais que não observamos e observamos fenômenos que nos dizem podem ser interpretados [...] por outros, entenda-se. (MOSCOVICI, 1978, p. 21).

No segundo caso, do universo reificado, a sociedade é transformada em um sistema de entidades sólidas, básicas, invariáveis, indiferentes à individualidade e não possui identidade, pois o que predomina é o impessoal. O eu é substituído pelo nós, que se refere às pessoas com as quais se relaciona. O pronome eles ganha a característica de um grupo do qual se faz parte. Existe um sistema de diferentes papéis e classes: os brasileiros, os psicólogos, o sistema político. O grupo de indivíduos é desigual, pois a competência do indivíduo é que determina o mérito e o habilita a trabalhar como médico, como professor, como psicólogo. Nesse grupo, trocam-se funções e classes dentro das organizações que estabelecem as normas, as hierarquias e exercita-se uma linguagem própria.

Moscovici (2003) esclarece que o contraste entre os dois universos cria um impacto psicológico, o que possibilita explicar que é pelas ciências que se compreende o universo reificado, enquanto as RS se associam ao universo comum. Presumimos, então, que as Representações Sociais fazem parte de um tipo de conhecimento menos sistemático, que utiliza a negociação, o consenso e a aceitação mútua. Todavia, apesar das diferenças entre ambos os modos de pensar, há algo em comum, pois baseiam-se na razão.

A segunda premissa respeita à crítica de que “Durkheim, fiel à tradição aristotélica e kantiana, possui uma concepção bastante estática dessas representações [...]” (MOSCOVICI, 2003, p. 47, grifo do autor). Nesta perspectiva as representações agem como suportes para muitas palavra ou idéias. O autor admite que as representações coletivas

referem-se a uma classe geral de idéias e crenças, fenômenos que necessitam ser descritos e explicados, pois elas estão relacionadas a uma maneira específica de se compreender e comunicar, a qual difere de uma esfera ou de uma sociedade para outra.

A plasticidade do observador contemporâneo em uma sociedade passível de constantes mudanças permite ao teórico considerar as estruturas mais dinâmicas das representações sociais, que se definem pelo seu caráter móvel e circulante, operando um conjunto de relações e de comportamentos que surgem e desaparecem. Essa conjuntura traz implicações para as RS que são históricas na sua essência e influenciam o desenvolvimento dos comportamentos dos indivíduos e dos grupos.

Moscovici (2003, p. 210) alerta para o fato de, às vezes, as representações mostrarem seu lado estático, rígido, quando se revelam como teorias, fórmulas, chavões. Focalizando, porém, as RS sob o ponto de vista da dinamicidade “[...] se apresentam como uma ‘rede’ de idéias, metáforas e imagens, mais ou menos interligadas livremente, por isso, mais móveis e fluídas que teorias.”

Em outro momento Moscovici (1978) já havia distinguido as representações, qualificando-as de sociais pelo fato de serem produzidas coletivamente, não bastando definir apenas quem ou porque são produzidas; indispensável se faz enfatizar suas funções, na medida em que elas contribuem para a formação de condutas e orientam a comunicação social.