ENTEGRE RAPORLAMA
ÜZERİNDEKİ ETKİSİNİN YAPISAL EŞİTLİK MODELİ İLE ÖLÇÜLMESİ
3.1.5. Analiz Yöntemleri
Há muito tempo foi dito que um país, para ser rico e poderoso, deveria ser povoado. Diante disso, surgiu uma novidade nas técnicas de estabelecimento do poder: a
população, que passou a ser compreendida como um problema econômico e de disputa. Nesse sentido, notamos que os dirigentes descobriram que suas preocupações não consistiam simplesmente em lidar com o povo:
[...], porém, com uma população, com seus fenômenos específicos, suas variáveis próprias: natalidade, morbidade, esperança de vida, fecundidade, estado de saúde, incidência das doenças, formas de alimentação e de habitat. (FOUCAULT, 2007, p. 31, grifo do autor).
No centro desse problema de ordem pública encontra-se a necessidade da proliferação do sexo em discurso. Inicia-se, assim, a construção de um conjunto de observações relacionadas à questão. De certa forma, esse seria um trabalho exclusivo dos demógrafos, que vêem a importância de se analisar, classificar e contabilizar as taxas de natalidade, os nascimentos legítimos e ilegítimos, a precocidade e a freqüência das relações sexuais, os níveis de fecundidade ou esterilidade e de contracepção.
Todavia, de acordo com Foucault (2007), o surgimento daquelas novas técnicas desfez o caráter leigo do sexo, que passa a pertencer aos negócios de Estado, implicando que todo o corpo social e praticamente cada um de seus membros fossem convocados a se porem sob vigilância.
Nesse contexto, para impedir que as crianças entrassem em contato com o sexo foi-lhes negado o direito de viver sua Sexualidade; procedeu-se a assepsia do meio educativo, através da vigilância dos professores. Assim, a pedagogia ocupou seu espaço, pois tomou para si a função de disseminar as informações sobre sexo. Porém, não se constituiu em abertura moral e social, nem na aceitação da Sexualidade infantil ou do adolescente, mas em uma estratégia de preservar as crianças dos perigos que ela representa. Desse modo, instala-se uma verdadeira educação anti-sexual em que a pedagogização do sexo da criança, como concebe Foucault, não acontece em prol da campanha da saúde futura dos adultos, apenas, mas também da sociedade e da espécie, sendo o alvo a criança masturbadora.
O surgimento das tecnologias do sexo, entendidas como invenções modernas, incrementadas pela medicina, pedagogia, economia e demografia, que têm como finalidade medir, estimar, medicar, vigiar, tornam-se uma maneira de incitar o discurso da Sexualidade. Para o entendimento que prossegue, não podemos perder de vista que as estratégias de poder, em condições de microrrelações faz com que, às vezes, as ações pretendidas produzam efeitos e avancem sobre domínios díspares daquelas almejadas. (FOUCAULT, 1992).
Nesta regulação, a política do sexo acaba dando ênfase às condutas sexuais através das exortações morais e dos regramentos, obtendo efeitos ao nível de quatro linhas de ataque definidas por Foucault (2007):
A neurose da mulher, histerização pela medicalização do seu corpo e do seu sexo; a pedagogização do sexo da criança, em prol da campanha da saúde da pureza da raça, que visa não apenas comprometer a saúde futura dos adultos, mas da sociedade e da espécie, e cujo alvo foi a criança masturbadora; a socialização das condutas de procriação, em nome da responsabilidade no que diz respeito à saúde dos filhos, bem como a solidez da família, e a salvação da sociedade se fixa no casal higiênico. Neste caso, Foucault comenta que ocorreu uma relação inversa - o controle da natalidade. O último investimento, a psiquiatrização das perversões pela intervenção da natureza reguladora dos adultos, e que pretendia atingir o adulto devasso.
No que se refere à instituição escolar, esta lançou e estabeleceu diferentes pontos de intervenção, contemplando desde os conteúdos das normas disciplinares punitivas, até a arquitetura dos prédios. O mecanismo da vigilância a partir destas implantações estimulava o discurso relacionado ao sexo das crianças e dos jovens, de modo que o abordavam os educadores, os médicos, os administradores, os sanitaristas, os pais e outros.
Em suma, o caráter disciplinador dessas instituições ocorreu pelo adestramento dos corpos, visando torná-los dóceis por meio do esquadrinhamento dos espaços; pela instauração da vigilância e de exames permanentes, tudo isso associado a medidas repressivas, caso os indivíduos não respondessem às normas estabelecidas. A instituição torna-se, pois, o lugar da disciplina (FOUCAULT, 1991).
É a partir desta perspectiva do surgimento das tecnologias do sexo, conforme denominou Foucault (2007), que pretendemos encaminhar uma sucinta compreensão de poder-saber na mediação das ações de Educação Sexual. Sobre esta relação o autor adverte que cada sociedade tem suas versões de verdade, e que poder e saber não querem dizer a mesma coisa. Os conhecimentos que circulam no âmbito escolar devem ter alguma afinidade com o jogo de elementos que circunda a sociedade.
Discutiremos o conceito de poder em Foucault (2007) apresentado pelo que ele não é; o que o distancia das concepções convencionais. Nesse sentido, o poder não diz respeito à soberania do Estado e seus aparelhos, aos quais os cidadãos são submetidos. Estas configurações são formas terminais do poder. O autor comenta que, nas sociedades modernas, o poder não rege a Sexualidade através da lei e sim por meio de técnicas e formas bem mais positivas do que o efeito excludente de uma interdição. Por isso, defende a análise da formação dos saberes sobre o sexo, não em termos da repressão, mas da confissão e do discurso.
“O poder está em toda parte; não porque englobe tudo e sim, porque provém de todos os lugares.” (FOUCAULT, 2007, p. 103). Sendo o poder onipresente, parece-nos possível compreendê-lo, primeiro, nas correlações de forças múltiplas e móveis que se formam e atuam nas formas de produção discursiva. Além da família, outros grupos restritos e instituições como a escola ainda servem para dar guarida aos mecanismos de poder disciplinar. Uma vez que não se fundamenta na e pela relação entre dominantes e dominados, esse poder é invisível e circula nas relações e nunca é totalmente estável.
A esse respeito, a análise que Foucault realiza parece ter a finalidade de mostrar para seus leitores que os regimes de verdade da Sexualidade, quando inquestionáveis, podem gerar representações que cerceiam suas vidas por meio de mecanismos sutis. Forma- se, assim, o sujeito obediente, conforme denuncia Pignatelli (1995):
Na medida em que é também obediente, o corpo é destituído de seu poder para ser politicamente eficaz, para ser diferente. A consciência não é mais o ponto de origem ou a posição privilegiada a partir da qual o sujeito pode observar e refletir sobre as representações que possui a fim de saber e agir. (PIGNATELLI, 1995, p. 130).
No entender desse autor, apesar do uso constante das obras de Foucault no campo da Educação, nem sempre os profissionais percebem que esta proposta é pautada em uma visão do sujeito para a liberdade.
Como essas relações de poder vinculam-se umas às outras consoante a lógica de uma estratégia global e toma ares de política unitária e voluntarista do sexo?
[...] todos os olhares inquietos lançados sobre ele e todas as ocultações em que se oblitera o conhecimento possível do mesmo, à forma única do Grande Poder, trata- se de imergir a produção exuberante dos discursos sobre o sexo no campo das relações de poder, múltiplas e móveis. (FOUCAULT, 2007, p. 108).
Diante do entendimento de que o poder e o saber circulam por meio do discurso, que práticas pedagógicas são libertadoras? Gore (1995) discute que essa libertação é discursiva, já que evita o dogmatismo, bem como o silêncio da diferença, viabilizando um debate polarizado, conduzido a uma ou mais direções, temas ou opiniões, sem que seja sentencioso. Por essa razão, consideramos a importância da Educação Sexual dialógica, que se pode realizar em favor da libertação do sujeito-consciência.
Com base nas ponderações de Foucault (2007), compreendemos que as relações históricas entre o poder e o saber a respeito do sexo surgem justamente no discurso. Portanto, conhecer as Representações Sociais de um grupo de professores sobre Sexualidade e Educação Sexual permite-nos identificar o que é dito e o que está oculto nas conversações e
seus efeitos segundo quem fala, bem como a forma pelas quais esses saberes guiam suas atividades relativas à prática do ensino de Sexualidade no contexto da escola.
Neste processo de enunciação, as palavras, as sentenças e os silêncios não são submetidos ao poder, sendo-lhe, antes, opostos; há um jogo complexo e instável em que o discurso pode ser ao mesmo tempo instrumento e efeito do poder e, também, escora, resistência ou ‘reação’ (FOUCAULT, 2007). Tendo em vista que é por meio da comunicação que as RS são engendradas e que elas conduzem as ações das pessoas, então teremos na TRS o arcabouço teórico que nos dará acesso às formas como os saberes de sexualidade se expressam no cotidiano da escola.
Diante dessas proposições, talvez seja pertinente procurarmos compreender qual é a perspectiva do poder e do saber no contexto dos conhecimentos que estão gerindo a Educação Sexual nas escolas. Na conjuntura brasileira, parece haver uma tentativa de se reatar a ligação do ensino de Sexualidade com a questão reprodutiva do ser humano, associada ao seu direito de sobrevivência e à promoção do seu bem-estar.
Assim, o Estado tem buscado formas eficazes para envolver a população. Em um momento, constituem-se em mecanismos que estimulam a reprodução familiar, aumentando o número de habitantes; em outra ocasião procura-se estancar o crescimento populacional, que, no passado, deu-se a partir da perspectiva higienista. Pouco mais recentemente, nas duas últimas décadas do século XX - 1980/1990, a Sexualidade foi inserida na escola, pelos sistemas de ensino, como uma forma de veicular o sexo pela instância discursiva da sala de aula. Concebida como Orientação Sexual e denominada por nós, nesta pesquisa, de Educação Sexual.
Nesse sentido, embora as autoridades reconheçam a Sexualidade como constituição básica intrínseca do ser humano, não podendo ser isolada de outros aspectos da vida, conforme prescreve a Organização Mundial de Saúde (OMS), há embutido em sua noção o discurso da necessidade. A pessoa precisa produzir para manter-se como ser psicológico, biológico, social e espiritual. Dessa forma, criam-se mecanismos de manutenção e promoção da sexualidade saudável, de modo que os indivíduos não tragam danos ao capital e ao trabalho. E, para tanto, é a escola que se responsabiliza com a preparação profissional quase sempre é requisitada, conforme observaremos a seguir.
Com a intenção de diminuir o índice de gravidez na adolescência e expandir as informações sobre a AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis, na década de 1990 o Ministério da Educação e Cultura (MEC) normatizou as atividades de Educação Sexual nas escolas por um documento que estabelecia os parâmetros a serem incorporados pelos estabelecimentos de
ensino em âmbito nacional (BRASIL, 1998). Nessa mesma década, os preceitos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - Lei nº 8.069/1990) exigiram ações que viabilizassem a promoção e a defesa dos direitos dessa população e foi criado o Programa Nacional de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (PRONAICA/MEC - Lei nº 8.642/1993), recomendando-se: “A inclusão da prática da Educação Preventiva Integral nos conteúdos curriculares da educação infantil, fundamental e de nível médio.” (BRASIL, 1994, p. 44).
Inserimos nessa perspectiva a busca e a defesa dos direitos sociais, em relação às grandes lutas que, nos últimos dois séculos, puseram em jogo as questões de poder. Sem intenção de recobrar os antigos direitos ou trazer de volta a Idade de ouro, as sociedades já não esperam o salvador dos pobres. “[...] o que é reivindicado e serve de objetivo é a vida, entendida como a necessidade fundamental, a essência concreta do homem, a realização de suas virtualidades, a plenitude do possível.” (FOUCAULT, 2007, p. 136).
Pouco importa se a defesa da vida, para alguns, pareça utopia, mas na análise do autor a defesa da vida, enquanto um objeto político, tornou-se motivo de disputas muito maiores que o próprio direito, ainda que as lutas políticas se formulem através de afirmações do direito: temos, assim, o direito à higiene da casa, dos alimentos, do corpo; à saúde; à felicidade; à educação; e, acrescentamos, à Educação Sexual. Quanto a esta última, muitos movimentos sociais, lutas, conquistas e debates polêmicos aconteceram no Brasil, em alguns momentos da história, (BARROSO; BRUSCHINI, 1982; MATANÓ, 1990; FIGUEIRÓ, 1995). Notamos uma correlação de forças com vistas a “[...] introdução da temática sexualidade em programas regulares de rádio e televisão, a promoção de conferências e outros eventos acadêmicos, o surgimento de críticas e de condenação, etc.” (LOURO, 1997, p. 129).
Trata-se de reivindicações realizadas pela saúde higiênica, pelos grupos feministas, por associações de professores, por pais, e outros. Foram esses movimentos que lentamente conseguiram sensibilizar uma ínfima parcela de representantes dos três diferentes níveis hierárquicos da nossa estrutura político-administrativa, a saber, o federal, o estadual e o municipal.
Parece factível refletir sobre o que motiva a utilização da escola para abrigar no seu interior ações educativas na área da Sexualidade. Mecanismos de poder estão em jogo quando se pretende instituir na escola um saber sobre o sexo. No âmbito desse pensamento, nas análises dos resultados dos Grupos de Estudos trabalhados por Figueiró (2006), a pesquisadora levanta e discute algumas questões que acredita serem necessárias a uma reflexão sobre por que e para que colocar em prática programas de Educação Sexual na escola. No primeiro caso, o por quê significa que o profissional deve estar ciente dos motivos
que justificam um trabalho dessa natureza. Enquanto isso, entender o para quê possibilita refletir aonde se quer chegar com uma prática desse teor. Então, estas definições podem ser contempladas pela concepção ou teorizações que embasarão o trabalho de Educação Sexual em uma dimensão mais ampla, seja de ordem política, emancipada ou pedagógica.
Louro (1997), convocando os educadores a refletirem sobre o tipo de abordagem que está embutida ao conduzirem o trabalho de Educação Sexual nas escolas, lembra que, além dos aspectos ligados à reprodução e à saúde, pode-se enunciar outras formas de envolvimento da pessoa, a exemplo do cultivo do respeito e da valorização de si e do outro. Em outra obra a autora discute a questão, assim se manifestando:
A sexualidade que “entra” pela escola parece estar sitiada pela doença, pela violência e pela morte. São evidentes as dificuldades de educadora e educadores, mães e pais, em associar a sexualidade ao prazer e à vida. Parece mais fácil exercer uma função de sentinela, sempre atentos/as à ameaça dos perigos, dos abusos, ou dos problemas. (LOURO, 1997, p. 46).
Aspecto que pode conduzir a apreciação da Sexualidade como algo prazeroso e indissociado do sinônimo de enfermidades. Nesse viés analisamos, se cada sociedade tem o seu regime de verdade, consideramos que os conhecimentos, os argumentos ou pontos de vista que circulam no meio educacional e no âmbito social como um todo contribuem na elaboração de RS pelos profissionais pesquisados. São conceitos e definições que podem repercutir na forma de constituição dos saberes dos docentes, com implicações na forma como guiam suas práticas ao tratarem de Sexualidade e de Educação Sexual na escola.
Elementos que se traduzem em referentes, contribuem para explicar aspectos da tecnologia e da evolução científica, em especial quando da introdução à Educação Sexual visando práticas preventivas, tanto das doenças quanto da gravidez precoce entre os jovens escolares. Diante dessas asserções, concebemos o estudo da Sexualidade uma questão de direito, porque cabe aos jovens as informações sobre sexo e porque os saberes envolvem a qualidade de vida deles e de outras pessoas. Dentro dessa visão, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN-BRASIL, 1998) incluem a questão da cidadania como proposta implícita e artifício regulador da Sexualidade, por meio das orientações de controle da natalidade.
O conceito de cidadania nos PCNs apresenta-se em uma visão dita ampliada, sendo ela entendida não apenas como participação política, mas também como participação social em seus mais diversos aspectos. Conforme preconizam esses documentos, a idéia de construção da cidadania é tarefa da escola, que deve promover estudos sobre o trabalho, os cuidados com o corpo e com a saúde e a preservação do meio ambiente. Essas questões vão além da Educação Sexual, porém todas se encontram no mesmo âmbito conceitual.
Os PCNs objetivam que os jovens sejam capazes de conquistar e exercer a cidadania, que eles tenham domínio sobre os saberes ligados ao meio ambiente, à saúde, à sexualidade, a questões éticas, como a igualdade de direitos entre os homens, a dignidade do ser humano e a solidariedade.
Neves (2003) considera a relevância da formação de pessoas no espaço específico da escola. No entanto, a autora analisa que essa compreensão esbarra em outros fatores, como a infra-estrutura; a ausência, em algumas escolas, de uma cultura escolar propiciadora de discussões, reflexões acerca da prática pedagógica cotidiana; e a própria formação do professor, que nem sempre dispõe das condições para que ele seja o construtor do seu próprio trabalho junto aos alunos.
Neste sentido, como pensar uma Educação Sexual que objetiva a cidadania, se não há um comprometimento com a formação e a valorização dos profissionais que fazem essa educação. Aliados a esta preocupação estão as técnicas pedagógicas, conforme defende Rena (2001). Partimos do conceito de cidadania pensado-a como estratégia para a construção e a transformação social daquela educação que se formula nos aparatos da cultura e da consciência. A cidadania comunga com a concepção apresentada nos Parâmetros, porém alguns posicionamentos trazem contradições que emergem da prática.
Na visão de Jovchelovitch (2008) a participação pode ser uma ferramenta poderosa na promoção da conscientização. Essa categoria de ação se faz pertinente nesta discussão, tendo em vista a capacidade de os jovens realizarem suas escolhas e responderem por elas. Através da conscientização, os escolares podem e devem estar imbuídos do interesse de se envolver na busca de informações sexuais. Na escola, os docentes são aqueles que desenvolvem atividades que possibilitam ampliar o sentido do ser pessoa dotada de desejos, de sonhos, de fantasias e envolvida em uma relação por amor e nem sempre pela dor, pela discriminação à diferença.
Retomamos o aspecto da Sexualidade enquanto uma questão biopolítica, segundo identifica Foucault (2007), o qual respeita, portanto, os elementos do discurso biológico que interferem não somente nas decisões políticas, mas também na história. Dessa maneira, como já enfatizamos, a ambiência social anunciada nesses dois últimos decênios, marcada pela demanda por atendimentos à prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e da AIDS, bem como a preocupação com o aumento de casos de gravidez na adolescência, são intervenientes motivadores da implantação oficial da Educação Sexual entre os temas transversais: Ética, Saúde, Cidadania, Meio Ambiente, Pluralidade Cultural, dentro da área Convívio Social e Ética.
Além desse determinante, iniciado em 2003 e intensificado nos primeiros anos deste século, com o mesmo objetivo, o enfoque da prevenção das DSTs e da AIDS em escolas públicas do Brasil, o Governo Federal lançou o programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE). Esse projeto, de cunho nacional, é coordenado pelos Ministérios da Saúde e da Educação, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
De acordo com a coordenadora do Programa (BRASIL, 2007), deu-se início à formação de jovens como multiplicadores do tema Sexualidade, em questão. Também foram capacitados os profissionais de saúde e educação para trabalharem conteúdos prioritários. Isso ocorreu por meio de oficinas regionais oferecidas em diferentes cidades e capitais da federação.
A participação dos jovens, em geral, ocorre por indicação do Grupo Gestor Estadual, sendo eles considerados referências para a disseminação das atividades nas escolas, principalmente aquelas que já desenvolvem o programa de prevenção.
Sendo assim, em âmbito nacional, conforme o relatório, o SPE está implantado em cerca de 400 municípios do território nacional (BOLETIM, 2008). Em junho de 2008, foi divulgada a III Mostra Nacional de Saúde e Prevenção nas Escolas, realizada em uma das capitais do Sul do país. Dentre os temas discutidos, como estigma, discriminação, direitos sexuais e reprodutivos, a maior ênfase foi dada aos debates sobre a disponibilização de preservativos nas escolas públicas. Além das esferas governamentais públicas, notamos, a presença nesta mostra de outras instituições que desenvolvem programas de saúde sexual. É o caso das Organizações Não-Governamentais (ONGs), que trabalham focalizando essa questão na tentativa de desenvolverem projetos em parceria com a escola. Sobre o papel dessas