TÜRKİYE’DE EKONOMİK KRİZLER VE BANKA KONSOLİDASYONLAR
D. Kasım 2000 ve Şubat 2001 Krizleri 1 Kriz Öncesi Ekonomideki Gelişmeler
2. Enflasyonla Mücadele Programı ve Kasım 2000 Kriz
Assim como afirmávamos no primeiro capítulo, que o desinteresse não é próprio da ciência, o mesmo se aplica à tecnologia. Em uma visão positivista do conhecimento, a ciência é neutra e desenvolve-se de maneira linear e, da mesma forma, a tecnologia - compreendida como uma aplicação da ciência - também é neutra. Assim, os cientistas e tecnólogos não são responsáveis pelos fins que outros decidam atribuir ao conhecimento. Contrário a isso, como discute Olivé (2009), quando compreendemos a ciência e a tecnologia como conhecimentos desenvolvidos por pessoas orientadas por sistemas de ações intencionais e cujas crenças, valores e conhecimentos estão dirigidos por determinados fins, podemos avaliá-los e estabelecer juízos do ponto de vista moral.
A QSC do DGPI ultrapassa posicionamentos relativistas – com respeito à utilização da técnica – classificando-a em categorias como certo ou errado e requerendo, portanto, uma compreensão mais ampla sobre os seus fins, bem como dos dilemas éticos que abrange. Para Malamud (2013), o DGPI tem intenções de: prevenção, aperfeiçoamento, extensão e reprodução. O primeiro busca prevenir o futuro filho de doenças graves hereditárias e também é conhecido como eugenia negativa; o segundo pretende que o futuro filho possua certos caráteres desejáveis, também chamado de eugenia positiva; o terceiro tem a finalidade extensiva orientada para a obtenção de embriões imunologicamente compatíveis, que possam aliviar a doença de um irmão; finalmente, há o fim exclusivamente reprodutivo, que tem a intenção de possibilitar a implantação do embrião e a diminuição de futuros abortos.
As QSC abrangem diversos dilemas éticos. Por exemplo, no caso extensivo do DGPI – que busca por embriões imunologicamente compatíveis – o imperativo categórico kantiano do uso da humanidade e da própria pessoa como fim e não como meio é transgredido, já que a seleção de um novo embrião tem a intenção de salvar um terceiro. A situação é ainda mais tensa sabendo-se que, diante de qualquer necessidade futura de doença do irmão, ele será um
possível candidato a doador, aspecto que afeta enfaticamente o principio de humanidade, de seres autônomos e livres para tomar decisões morais.
Com relação à eugenia ela foi abraçada no início do século XX pelo pensamento Europeu e institucionalizada nos Estados Unidos tanto politicamente quanto em práticas como esterilização, controle da imigração e controle das instituições para deficientes. Ela foi concebida por Francis Galton (1822-1911) que entendia que as características comportamentais e intelectuais obedeciam a predisposições internas que podiam ser transmitidas para seus descendentes através da reprodução (CONT, 2013). Atuamente, dita eugenia difere porque esta orienta a capacidade de decisão no âmbito individual, ou seja, os pais definem a exclusão de embriões que apresentam defeitos genéticos – eugenia negativa – ou deixam certas caraterísticas genéticas no embrião – eugenia positiva. Para Habermas (2004), esta decisão se enquadra em uma perspectiva de eugenia liberal, na qual as preferências individuais dos sujeitos do mercado estão dentro de uma escolha relativa entre o terapêutico e o aperfeiçoamento, isso devido à dificuldade que há entre os seus limites, “nas sociedades liberais, seriam os mercados que, regidos por interesses lucrativos e pelas preferências da demanda, deixariam as decisões eugênicas às escolhas individuais dos pais” (p.67).
A eugenia negativa parece receber maior aceitação na comunidade, considerando o critério de que as pessoas que nascem com uma doença grave não terão qualidade de vida. Contudo, há questionamentos sobre a seleção de embriões com ressalva e a própria inferência sobre o natural. Contrário a esta, a eugenia de aperfeiçoamento recebe menos aceitação, gerando bastante divergência sobre suas possíveis aplicações e critérios de uso, questões sobre design de filhos mais inteligentes, de determinado sexo, ou com certas capacidades físicas, embatem com processos de instrumentalização da vida humana, diferenciado o natural e o fabricado, colocando em discussão novas relações de desigualdade na sociedade, ou seja, aqueles manipulados geneticamente e aqueles sem manipulação. Nesse sentido, os sujeitos racionais que deveriam orientar-se para consensos e regulamentações desta técnica ficariam expostos ao que apresentamos anteriormente, a uma eugenia liberal.
Continuando nessa perspectiva de compreensão das implicações do DGPI, em seu livro “O futuro da natureza humana: a caminho de uma eugenia liberal?” - publicado em alemão em 2001 -, Habermas reconhece que o debate do DGPI acontece em uma sociedade pluralista, assim entendida pela capacidade da racionalidade de todos os seres humanos que, não necessariamente, compartilham as mesmas normas morais. Não se trata de um relativismo no
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qual tudo é permitido e nem de um absolutismo, mas diz respeito à busca de acordos entre os grupos humanos. Nesse sentido, Habermas (2004) apresenta-nos a sua compreensão sobre a dignidade humana versus a dignidade da vida humana, partindo do reconhecimento de que a discussão sobre o status do embrião, a partir da temática do aborto, não tem trazido resultados, já que no aborto há um embate entre a decisão da mulher e a necessidade de proteção do embrião, enquanto no DGPI a questão do embrião atende aos interesses de terceiros, de preferências, seleção e produção colocando o futuro feto como um bem material. Segundo o autor, um aspecto interessante sobre a discussão do status do embrião na temática do aborto tem permitido observar duas visões: aquela dos que consideram o embrião como um grupo de células e a dos que consideram o processo de fecundação como um processo individualizado, resultante do qual já existe um ser humano em potencial, portador de direitos fundamentais. Para o autor, nessas abordagens não se tem considerado a questão da indisponibilidade do que ainda não é pessoa, status moral de vida humana pré-pessoal, daí a importância de se diferenciar a dignidade humana da dignidade da vida humana, pois a primeira obedece a uma situação moral ou jurídica, estabelecida por um coletivo com relações simétricas de direitos e deveres na qual a inviolabilidade3 só acontece como reconhecimento
entre as pessoas. A segunda é própria do momento pré-pessoal, no qual a vida requer uma concepção de dignidade; embora ainda não esteja inserida em contextos públicos de interação requer, de nossa parte, uma valoração como vida humana. Habermas rejeita, portanto, assumir o embrião como um bem material e dar abertura para o processo de instrumentalização da vida humana. Também dá início a um exercício de revisão das implicações que a sociedade acolheria diante de sujeitos cuja herança genética foi manipulada, configurando novas relações sociais assimétricas.
2.1.3 As QSCs lidam com problemas locais e globais e suas estruturas sociais e políticas