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2.4. III Yüzyıl El-Cezire Bölgesindeki Yeni Mücadeleler

2.4.2. El-Cezire Bölgesinde Sâsânî Roma-Mücadelesi

A Europa de então caracterizava-se pela guerra e pela peste, sendo a tortura considerada ainda como meio justiceiro legítimo. Por sua vez, a superstição — ali- mentada em parte pela herança mística decadente, em parte pela charlatanice de saltimbancos, feiticeiros, curandeiros, feirantes, mercadores ambulantes e vagabun- dos — aterrorizava os camponeses. Nas cidades, as imponentes catedrais români- cas, construídas uns duzentos anos antes, faziam ainda lembrar a época dos grandes imperadores, o apogeu da cavalaria, a poesia épica e, já distante, as Cruzadas. As cidades tornaram-se ricas, embora ogivais e estreitas, graças ao trabalho dos arte- sãos profissionais e à atividade dos comerciantes. Nesse mundo em transição, pene- tram as descobertas e os acontecimentos histórico-culturais que marcaram definiti- vamente o final da Idade Média.

Entre os contemporâneos de Dürer, poucos foram os que souberam como ele dar a devida importância às inovações que iriam contribuir para a transformação do mundo. Sua época abrange todo o período, desde Gutemberg até Copérnico, que vai aproximadamente de 1450 até 1540. As gerações que estavam integradas no processo histórico desse século não podiam, como as posteriores, ajuizar o alcance das descobertas e invenções, por falta de distanciamento histórico. Gutemberg, Co- lombo e Copérnico, hoje, são considerados do mesmo tempo. Gutemberg, com a sua descoberta da tipografia de letras móveis, cria, por volta de 1450, possibilidades até então desconhecidas para a propagação da ciência. Colombo, ao descobrir, em 1492, a América, revela um Novo Mundo, uma parte da Terra de que nem sequer se suspeitava. Já Copérnico destroniza a Terra, tida até então como centro do uni- verso. Assim, os três foram precursores da Época Moderna.

Com o advento da tipografia, os novos conhecimentos propagaram-se rapi- damente pela Europa, provocando novas descobertas e invenções. Desta forma, a ordem medieval, estática e orientada para valores supraterrenos, não conseguiu a- güentar o embate de tão vigoroso desenvolvimento. Uma revolução como a que aconteceu no desenvolvimento dos canhões teve, em comparação, importância se- cundária, mesmo que haja contribuído para a evolução da estratégia bélica e para acabar com o banditismo dos cavaleiros que, como ao tempo de Maximiliano I, refugiavam-se nos seus castelos fortificados. O acesso às novidades da época foi, para Dürer, tão fácil quanto a aquisição dos conhecimentos tradicionais. Ele cres- ceu na mais importante cidade do Império, Nurenberg, a cidade que mais contatos tinha com o exterior.

As literaturas romana e grega tornaram-se melhor conhecidas depois que fo- ram revalorizadas na Itália, estendendo-se por toda a Europa. Redescobertos foram não só os poetas, como também os filósofos e os historiadores, e até o arquiteto romano Vitrúvio. O direito romano iniciou a sua marcha triunfal pelo centro e oci- dente da Europa. O interesse pelo mundo antigo exerceu uma fascinação tão forte como o Novo Mundo. Sobretudo na Alemanha, esses testemunhos da Antiguidade clássica foram aceitos, colecionados e publicados, o que demonstrou a necessidade de conseguir uma visão mais clara das próprias origens. Dürer, que conhecia muitos dos humanistas de então, aderiu com entusiasmo à corrente da filosofia humanista.

No entanto, ficaria com uma visão demasiado positiva quem pretendesse ver, no tempo de Dürer, apenas uma época de grande atividade espiritual, científica e artística. Numa de suas viagens pelos Países Baixos, em 1521, Dürer admirou, numa exposição em Bruxelas, objetos provenientes da América, não sabendo que aquelas adiantadas culturas da América do Sul e da América Central tinham sido praticamente dizimadas pelos espanhóis. Não é difícil imaginar que a época que coincide com o tempo de Dürer, e que a Europa designou de Época das descobertas,

tenha tido para as terras descobertas um significado completamente diferente, mesmo que não se verificassem por toda a parte os desmandos bárbaros praticados, por exemplo, no México e no Peru. Por isso, não é só à luz dos progressos que se deve reconstituir esse período de esplendor.

O pano de fundo histórico em que o homem contemporâneo de Dürer vivia era determinado pelas condições internas da própria Alemanha e da época em si, apresentando duas facetas: o poder da fé e o poder temporal.

O poder da fé submetia a pessoa a autoridades de várias ordens, que entre si concorriam pela supremacia. Dito em outras palavras: quem não fosse príncipe ou não pertencesse à classe do clero ou da nobreza era, em primeiro lugar, súdito, in- dependentemente dos conhecimentos que tivesse, das suas habilidades, das quali- dades do seu caráter. Os súditos, na sua maioria, eram camponeses analfabetos, sujeitos a duas ordens hierárquicas perfeitamente estruturadas, que defendiam os respectivos privilégios: a Igreja e o poder temporal. Ambas as hierarquias detento- ras do poder tinham, no início do século XVI, uma tradição milenar e haviam so- frido transformações no decorrer dos séculos.

A Igreja, que na sua primeira fase sob o Império Romano, suportara o martí- rio ao testemunhar o evangelho da salvação, transformara-se numa poderosa orga- nização, dona de latifúndios. As várias corporações que a formavam (ordens, con- ventos, dioceses e paróquias) pareciam ter-se aliado ao interesse comum para sub- meterem espiritualmente os homens. Entretanto, havia espíritos lúcidos, que não se deixavam afetar pela tentação de se aproveitarem do poder de que usufruíam para fins egoístas, porque pessoalmente levavam a sério a sua fé, como seus predecesso- res, no tempo da Igreja medieval. Por sua vez, os fiéis que tivessem opinião própria eram atemorizados e muitos foram condenados à fogueira. Fazia-se o comércio da

própria fé (venda das indulgências). Em resumo, a renovação tornara-se uma ne- cessidade urgente.

No poder temporal, a situação não era muito melhor. As tribos germânicas, que um milênio antes tinham destruído o Império Romano, no ocidente da Euro- pa, eram constituídas por guerreiros e camponeses que não estavam ligados pesso- almente a ninguém. Com o decorrer dos séculos, os seus sucessores foram-se dei- xando vincular pelas estruturas do feudalismo. À medida que os senhores torna- vam-se mais fortes e poderosos, os mais humildes desciam na escala da pirâmide social, surgindo, uma instituição que veio selar as diversas relações de dependência.

No estrato inferior, ficavam os camponeses, que passaram a ser explorados direta ou indiretamente por todos os outros, desprezados e desprotegidos, e a quem instituições completamente desacreditadas instigavam a submeter-se em humildade e obediência. No campo social, como nos meios culturais e espirituais, vinham-se acumulando o descontentamento e a revolta. Vários séculos tinham alicerçado a plataforma em que catástrofes humanas de enormes proporções iriam desenrolar- se. Não tardariam a surgir, sucedendo-se umas às outras.

Em 1517, Martinho Lutero fez seu primeiro grande ataque à corrupção da Igreja, dando início à insurreição que culminaria na Reforma. Na zona rural, crescia o descontentamento a partir de 1521, que explodiria na chamada Guerra Campone- sa, iniciada em 1525. Ambos os acontecimentos tinham íntima relação, e as suas conseqüências repercutiram de forma decisiva na história posterior. Lutero era um homem modesto, corajoso, erudito, e inflexível só em questões que se relacionas- sem com a verdade. A princípio, quis apenas prestar um serviço para a indispensá- vel reforma da Igreja. Acabou por desencadear aquilo que os historiadores chamam de época da desagregação da fé.

Lutero despertou no coração dos homens a esperança numa humanização da vida e da sociedade. Nos seus argumentos, formulados e fundamentados teologi- camente, estava contida a exigência daquilo que, hoje, denomina-se libertação da arbitrariedade, da tutela e da opressão injusta. Perante a palavra e a lei divina, so- mos todos iguais; e, porque obras da mesma criação, devemos ver nas outras pes- soas indivíduos a quem devemos respeitar. Mais ou menos nesse sentido foi inter- pretada a sua palavra pelos filósofos, como pelos príncipes, pelos representantes da burguesia e pelos simples camponeses.

Nurenberg aderiu à doutrina de Lutero. Por volta de 1524-1525, quase todos os conventos cederam, livremente, os seus bens à administração municipal, e o próprio Dürer era simpatizante dos novos movimentos. Ele acompanhou essa evo- lução de perto, pois grande parte dos acontecimentos relacionados com a Revolta dos Camponeses deram-se no sul da Alemanha, entre o Meno e o Alto-Reno. Nu- renberg não se viu metida no conflito, pois nem a administração nem a classe bur- guesa exploravam os camponeses no território da cidade, tendo cedido às suas rei- vindicações. Porém, foi convulsionada pela Reforma, da mesma maneira que todas as outras regiões da Alemanha.

Em meio a esse contexto, Dürer preparou sua última grande pintura, o retá- bulo Os quatro apóstolos (1523-26). Esses dois painéis compõem a última obra-prima de Dürer na pintura e combinam, de modo notável, a precisão germânica nos deta- lhes com a amplitude italiana da forma. São João e São Pedro estão no painel da esquerda; São Paulo e São Marcos, no da direita: Os quatro exprimem de maneira dramática sua religiosidade. Doou a obra ao Conselho de Nurenberg, em 1526, es- crevendo nela esta advertência contra os falsos profetas: “Todos os governantes temporais destes tempos perigosos deveriam ficar atentos para que não venham a seguir o descaminho humano ao invés da palavra de Deus. Porque Deus nada irá

acrescentar ou suprimir de sua palavra” (GÊNIOS DA PINTURA: Dürer. 1972, p. 388).