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BÖLÜM I. TÜREV ÜRÜNLER VE YENİ NESİL FİNANSAL ARAÇLARA İLİŞKİN

1.11. Egzotik Opsiyonlar

“Assim, de certa forma, pode-se dizer que no Brasil as resistências à modernização são um fato inconteste e que já vem de longe, provocando o mais das vezes reações de indignação e perplexidade das elites e retroalimentando as suas convicções quanto à necessidade de mudança e de ultrapassar o nosso ‘atraso’. (...) Seguidamente a reação parece ser mais aos elementos de mudança enquanto significantes de algo não inscrito abertamente nos projetos das elites, mas que para o povo é uma ameaça e uma presença real em face de uma profunda e arraigada desconfiança quanto a segundas intenções e significados” (Velho, 1992:200).

Vitória passou por mudanças, assim como todo o Brasil, no período subseqüente a Era Vargas. O Populismo marcara o conteúdo formativo dos políticos da nova geração e a história capixaba não se mostrará impermeável a essa tendência. A urbanização do burgo de Vitória fizera eclodir novas lideranças que de filiação coronelista re-significara suas tendências políticas na congregação de valores já comentados nesse trabalho.

“(...) Os antigos e austeros coronéis viram-se forçados a dividir a cena com estes personagens, que eram homens de trajetórias pessoais às vezes, embora não obrigatoriamente, muito ligada ao povo (leia-se de forma populista). Vitória não ficou imune aos novos tempos. O processo de urbanização havia trazido outros personagens, e estes também queriam um lugar no burgo” (Vasconcellos, 1993:121).

Vitória, uma capital que passou a construir imaginários impensados por Jerônimo Monteiro, Nestor Gomes ou Florentino Avidos, mas agora presentes no ideário “paternalista” de Francisco Lacerda Aguiar. Os anos são os do limiar da década de 1960, mais propriamente um governo de 1955-1958, que fizeram a mudança do cabresto ao populista. Os partidos, donatários da herança oriunda das elites agrárias, intentarão agradar outros espaços sociais, os urbanos e populares. Na

lógica política, as elites empresariais também adentraram o jogo. Mas, de fato, temos mais mudança ou manutenção da ordem política capixaba?

O leque de forças fora ampliado, mas o sistema de alianças fora mantido. Nomes populares como os de Mário Gurgel e Solon Borges Marques chegam à Prefeitura de Vitória, mas o mecanismo modernizado de criação de uma imagem, instrumentado em Solon pelo meio de comunicação de massa, o rádio, apresenta um novo mecanismo, mas uma velha necessidade, sempre imprescindível, de criar uma imagem.

“Existiu também uma reprodução da velha política de troca de favores, de um clientelismo que visou atender uma enorme massa de despossuídos, sem acesso ao Estado ou às políticas públicas, e carentes de quase tudo. Por este mecanismo, políticos tradicionais asseguraram seu espaço numa sociedade em processo acelerado de mudanças, e querendo ou não, contribuíram para a manutenção de formas arcaicas de mobilização política” (Vasconcellos, 1993:124).

A vida cotidiana da capital vai aos poucos se tornando mais própria a uma capital, agitada e com inquietações advindas da pluralidade urbana. Os estudantes haviam se tornado uma força social inquietante e mais independente dos vínculos elitistas, uma vez que a educação superior tornava-se “um pouco” mais democratizada com a abertura de faculdades em Vitória. A economia de Vitória, com o Período Militar, sofria grandes mudanças em sua estruturação mais visceral. Os estudantes manifestavam-se como opositores do provincianismo capixaba. Fogo contido com a opressão militarista, mas, de fato, fogo não apagado. O cenário urbano de Vitória vai, aos poucos se delineando. “Os antigos laços de solidariedade começam a ser desmanchados, o provincialismo vivido como positivo começa a ceder lugar, à funcionalidade, algo mais ligado ao mundo do trabalho” (Vasconcellos, 1993:130). O Espírito Santo com o governador Christiano Dias Lopez Filho, acrescido a um esgotamento da economia cafeeira, promoverá, a partir dos anos de 1970, um

projeto de industrialização; na verdade, “Grandes Projetos de Impacto” que fizeram o Estado entrar em uma nova era econômica. A cidade-presépio agonizara em meio à urbanização e nascia uma Grande Vitória associada aos municípios vizinhos.

Obviamente, um processo de industrialização acelerado gera problemas estruturais graves, mesmo promovendo amplo desenvolvimento econômico. Trabalhadores não absorvidos no processo de gestão de trabalho formaram bolsões de pobreza, desorganização social, perda na qualidade dos serviços públicos. A partir daí, os movimentos sociais começaram a ganhar força, a opinião pública consistência, novos personagens políticos entram em cena. Todavia os processos de renovação são letárgicos, mas se assemelhando à re-signicações inacabadas, em que o velho cristaliza a mudança, fazendo dela a apropriação de heranças com maquiagens retocadas. João Gualberto coloca que:

“Estas duas tendências contraditórias, a renovação e a manutenção do burgo, entretanto, existem e são reais, fazem parte do conflito político que está instalado. Até o momento, o que me parece estar ocorrendo é uma enorme capacidade de cooptação do novo pelo velho, de tal forma que o novo tem aparecido casado com o velho, reduzindo sua capacidade de transformação. Além disto, os movimentos sociais são forjados por elementos que os cientistas sociais têm chamado de ‘atores inacabados’, ou seja, indivíduos com dificuldades para dar uma seqüência coerente em seus movimentos, e possivelmente engrossarão a corrente populista. O que, aliás, temos presenciado nas eleições municipais na Grande Vitória. O resultado final é uma mudança que existe, mas que fica, por assim dizer, no meio do caminho” (Vasconcellos, 1993:142).

De fato, as elites capixabas seguiram a tendência de manutenção de seu poder, superando, em muitos momentos, o político-partidário e dando vazão aos seus interesses e estratégias:

“A elite orgânica, em sua dimensão organizacional para o planejamento e a execução da ação política é um fenômeno do capitalismo avançado, ciente de si mesmo. Essas elites orgânicas – agentes coletivos e organizadores da ação estratégica transnacional, compreendendo milhares de empresários, profissionais liberais, acadêmicos, militares, dirigentes do alto escalão do governo e de empresas estatais, técnicos e administradores do aparelho estatal e alguns políticos – estruturam-se fora do âmbito do aparelho de estado e das organizações partidárias convencionais. Mais ainda: as elites orgânicas ‘superam’ os partidos, tanto em capacidade estratégico-política

quanto na profundidade de suas ações. Poderíamos dizer: os partidos querem o governo; as elites orgânicas o Estado” (Dreifuss, 1986:266).

Entretanto, o cenário que se instalou em Vitória, manifestação que parece estar presente na maioria das grandes cidade e capitais do Brasil, evidencia, como produto do movimento de gestão do poder, o medo. Há uma anomia irracional, bruta no desenraizamente presente desde os processos migratórios dos anos de 1970. Violência que João Gualberto caracterizará:

“O medo parece ser a chave para definir a Vitória do início dos anos 1990. O local de moradia, a arquitetura das casas, os condomínios fechados, tudo caracteriza o medo como motor. O medo dos assaltos, dos estupros, dos seqüestros, da violência pura e simples. Este novo referencial parece dominar toda a cidade de Vitória. Vai definindo-lhe a face, orientando a identidade. É a chave para compreender os lances futuros” (Vasconcellos, 1993:144).

É um tipo de violência que lança o indivíduo a buscar novas pertenças e sentidos, novas manifestações sociais e políticas, novas crenças. Talvez seja essa necessidade de cura e libertação social que melhor explique um Espírito Santo tão aberto, em amplos espaços, ao neopentecostalismo. João Gualberto dirá: “No início era a religião, depois foi a construção racional do político e, por fim, foi a construção do econômico” (Vasconcellos, 1993:40). O imaginário social contemporâneo capixaba não seria uma síntese desses amalgamados tão distintos e ao mesmo tempo tão irmanada dentro da estrutura neopentecostal?

“Ademais, sabe-se que o crescimento do pentecostalismo tem ocorrido pari passu com as mudanças sociais, sobremodo na transição do campo para a cidade verificada no cenário continental como fruto da modernização compulsória, geratriz de anomia, segundo bem demonstraram D’Epinay, Waldo César e outros pesquisadores” (Bittencourt Filho, 2003:118).

5. AS BANCADAS EVANGÉLICAS NO BRASIL E NO ESTADO DO